{"id":9917,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-denuncia-violacoes-dos-direitos-humanos-em-cabinda\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-denuncia-violacoes-dos-direitos-humanos-em-cabinda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-denuncia-violacoes-dos-direitos-humanos-em-cabinda\/","title":{"rendered":"Igreja denuncia viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos em Cabinda"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Casimiro Congo, p\u00e1roco de Cabinda, est\u00e1 em Portugal no \u00e2mbito de uma viagem a alguns pa\u00edses europeus onde teve oportunidade de contactar com as comunidades de Cabindas no exterior. Em entrevista \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, o sacerdote, que integra a Associa\u00e7\u00e3o C\u00edvica Mpalabanda, falou sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, da economia e das rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Governo angolano em Cabinda.  <i>FAIS: Como decorreu a iniciativa \u201cSemana dos Direitos Humanos\u201d promovida pela Mpalabanda em Cabinda? Pe. Congo: <\/i> Com a \u201cSemana dos Direitos Humanos em Cabinda\u201d (que decorreu entre 5 e 11 de Dezembro) e com a comemora\u00e7\u00e3o dos 120 anos do Tratado de Simulambuco quisemos marcar uma presen\u00e7a, quisemos dizer \u201cbasta\u201d. Como \u00e9 poss\u00edvel contribuirmos tanto para a riqueza de Angola e, segundo as estat\u00edsticas, sermos a 3\u00aa prov\u00edncia mais pobre do pa\u00eds? Quisemos dar o nosso contributo pela positiva e dizer ao Governo angolano que estamos dispostos a continuar a nossa luta pela dignifica\u00e7\u00e3o do povo.  <i>FAIS: Existem actualmente viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos no territ\u00f3rio? Pe. Congo: <\/i> At\u00e9 que se resolva o problema da especificidade de Cabinda \u00e9 indiscut\u00edvel que a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos continuar\u00e1 como a t\u00f3nica dominante. Economicamente, por exemplo, assiste-se \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do tecido econ\u00f3mico de Cabinda. V\u00eam empresas sul-africanas, chinesas, angolanas e as empresas de Cabinda est\u00e3o todas a morrer porque dizem que s\u00e3o elas que suportam economicamente a FLEC. Temos cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o de Cabinda no desemprego, sabendo que na regi\u00e3o do Manongo se podia perfeitamente empregar cerca de 50 a 60% da popula\u00e7\u00e3o, mas preferem empregar pessoas que v\u00eam de fora.  <i>FAIS: Como analisou a recente reunifica\u00e7\u00e3o das FLEC-FAC (Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Cabinda\/For\u00e7as Armadas de Cabinda)? Pe. Congo: <\/i> A unidade n\u00e3o se pode fazer com pessoas que n\u00e3o t\u00eam nem poder pol\u00edtico nem poder militar. A unidade tinha que ser feita entre a FLEC Renovada e as FAC, que se fundiram num \u00fanico movimento. Este movimento \u00e9 actualmente o interlocutor pol\u00edtico com o Governo de Angola.   <i>FAIS: A marca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es em Angola poder\u00e1 ser positiva para Cabinda? Pe. Congo: <\/i> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es em Angola temos tr\u00eas solu\u00e7\u00f5es a considerar: a primeira ser\u00e1 n\u00e3o votar, como fizemos em 1992. A segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer acordos com um partido pol\u00edtico angolano. A terceira \u00e9 evoluir para um partido pol\u00edtico regional, que n\u00e3o necessariamente a Mpalabanda.  Tamb\u00e9m seria poss\u00edvel um acordo com um partido mais pr\u00f3ximo de Cabinda, como a FPD (Frente para a Democracia) mas \u00e9 um partido com pouca express\u00e3o. Outra hip\u00f3tese seria um acordo com a UNITA, um partido mais forte, de modo a eleger deputados de Cabinda para que se pudesse discutir as quest\u00f5es do territ\u00f3rio no Parlamento angolano. Mas estas duas op\u00e7\u00f5es podem ser perigosas, na medida em que nunca quisemos aceitar a \u201cangolanidade\u201d. Existe, portanto, um certo consenso entre v\u00e1rias sensibilidades de Cabinda para o boicote \u00e0s elei\u00e7\u00f5es.   <i>FAIS: Como \u00e9 encarada a hip\u00f3tese da realiza\u00e7\u00e3o de um referendo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a autonomia do territ\u00f3rio? Pe. Congo: <\/i> Fazer um referendo \u00e9 perder tempo, porque j\u00e1 somos referendados desde 1975. Para fazer um referendo ter\u00edamos de ver quem \u00e9 verdadeiramente Cabinda, uma vez que continuam a ser enviados para Cabinda muitos senegaleses, congoleses, ou angolanos que n\u00e3o poderiam votar nesse referendo. Tamb\u00e9m nunca deveria ser, como sugeriu o Presidente Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, ser Angola a referendar. At\u00e9 porque o MPLA perdeu o seu espa\u00e7o pol\u00edtico em Cabinda e j\u00e1 n\u00e3o consegue sequer organizar um com\u00edcio.  <i>FAIS: Houve algum desanuviar da tens\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o poder pol\u00edtico? Pe. Congo: <\/i> A Igreja ser\u00e1 mais Igreja fora do poder pol\u00edtico. \u00c9 dif\u00edcil para o poder pol\u00edtico angolano aceitar que a Igreja seja independente, que a Igreja pense com a sua pr\u00f3pria cabe\u00e7a e ande com os seus pr\u00f3prios p\u00e9s. A nossa posi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre a de aceitar o que \u00e9 justo e rejeitar o que \u00e9 injusto.  Mesmo nas d\u00e9cadas de 70 e de 80, no tempo em que havia maior repress\u00e3o, as igrejas em Cabinda nunca estiveram vazias. \u00c9 uma comunidade cat\u00f3lica com grande for\u00e7a. Eu acredito que esta Igreja, neste sofrimento porque tem passado, tem sido verdadeiramente um lugar de revela\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria for\u00e7a de Deus.  <i>FAIS: Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o actual da comunidade cat\u00f3lica em Cabinda? Pe. Congo: <\/i> Considero que \u00e9 uma das comunidades cat\u00f3licas africanas com maior for\u00e7a. Agora \u00e9 preciso transformar as comunidades, dando nova express\u00e3o \u00e0 comunidade de crentes. T\u00eam surgido muitos grupos do apostolado da ora\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o grupos recentes mas que contam com 5, 6 mil membros. \u00c9 preciso dinamizar e aproveitar a for\u00e7a destes grupos, que t\u00eam uma grande for\u00e7a lit\u00fargica e teol\u00f3gica e s\u00e3o um obst\u00e1culo \u00e0s seitas que v\u00eam do Congo-Brazaville e da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.  Em termos de voca\u00e7\u00f5es, posso dizer-lhe que s\u00f3 na minha par\u00f3quia existem actualmente 8 seminaristas, n\u00e3o temos \u00e9 espa\u00e7o para os acolher. Existem muitas voca\u00e7\u00f5es para a vida sacerdotal. Vamos ter brevemente um curso b\u00edblico para catequistas, para o qual temos j\u00e1 30 inscri\u00e7\u00f5es.  <i>Departamento de Informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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