{"id":9887,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/viagem-acidentada\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"viagem-acidentada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viagem-acidentada\/","title":{"rendered":"Viagem acidentada"},"content":{"rendered":"<p>A\u00ed est\u00e1 a crise. Todos a sentimos. N\u00e3o h\u00e1 discurso que a disfarce. O tempo que vivemos tem tanto de sublime como de repulsivo. Em Portugal, v\u00e1rios s\u00e3o os indicadores de que n\u00e3o vamos bem. Talvez, sobretudo, de que n\u00e3o vamos. Como que fomos revisitados pelo passado que tanto nos custou a vencer com as vozes e os bra\u00e7os do povo. As nossas pequenas cidades e aldeias como que tinham ressuscitado da indiferen\u00e7a e desimport\u00e2ncia. E eis que ressurgem imagens de pobreza, desemprego, desertifica\u00e7\u00e3o, envelhecimento, desencanto, sem nobreza, com um folhetim intermin\u00e1vel de viol\u00eancias e patologias, agora inteiramente expostas a todo o pa\u00eds, fazendo esmorecer a alegria da dignidade reassumida com um saud\u00e1vel orgulho pela terra, pela nossa terra. De longe &#8211; hoje quase n\u00e3o h\u00e1 longe &#8211; tamb\u00e9m nos chegam palavras vestidas de luto. A guerra do Iraque continua te\u00f3rica e praticamente sustentada por fantasmas. Sucedem-se conflitos e amea\u00e7as. A fome extrema continua o seu esc\u00e2ndalo. E n\u00e3o nos sai dos olhos o golpe cruel nas ilus\u00f5es que foi o maremoto do dia seguinte ao Natal \u2013 estando ainda n\u00f3s a festejar a esperan\u00e7a na m\u00e1xima pot\u00eancia. Tenho, nestes \u00faltimos domingos, sob inspira\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas, esgaravatado raz\u00f5es de esperan\u00e7a face a aparentes evid\u00eancias duma esp\u00e9cie de conspira\u00e7\u00e3o combinada entre o homem e a natureza com vista ao desmoronamento das nossas sonhos. E a campanha eleitoral que corre o pa\u00eds, isto \u00e9, os media, est\u00e1 maquilhada das mesmas fal\u00e1cias e revestida das mesmas lantejoulas de artif\u00edcio de pessimismo e breve esperan\u00e7a. Tenho notado, na prepara\u00e7\u00e3o da liturgia destes domingos, uma cumplicidade estranha entre Jesus e o profeta Isa\u00edas. Jesus veio confirmar que todos os sonhos e poemas do profeta s\u00e3o mesmo verdade. Pura verdade. Nem hip\u00e9rbole nem utopia. A verdade pura do futuro, que j\u00e1 se desenha. Temos de p\u00f4r o cora\u00e7\u00e3o alerta para o sentir e os bra\u00e7os em for\u00e7a para o realizar. A desgra\u00e7a \u00e9 um acidente passageiro. A Gra\u00e7a \u00e9 o quotidiano de Deus e do homem. Foi Jesus Quem o garantiu. Olhando bem, os Evangelhos, tal como Isa\u00edas, n\u00e3o dizem outra coisa. Quando o barco parecia afundar-se, Jesus perguntou: \u201cPorque tendes medo, homens de pouca f\u00e9\u201d?  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00ed est\u00e1 a crise. Todos a sentimos. N\u00e3o h\u00e1 discurso que a disfarce. O tempo que vivemos tem tanto de sublime como de repulsivo. Em Portugal, v\u00e1rios s\u00e3o os indicadores de que n\u00e3o vamos bem. Talvez, sobretudo, de que n\u00e3o vamos. 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