{"id":9886,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/doenca-e-dignidade-humana\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"doenca-e-dignidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/doenca-e-dignidade-humana\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a e dignidade humana"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o \u2013 FEVEREIRO <!--more--> Pelos doentes, especialmente pelos mais pobres, para que se lhes proporcionem cuidados m\u00e9dicos dignos da condi\u00e7\u00e3o humana.  1. Direito a morrer? A doen\u00e7a e o sofrimento que lhe est\u00e1 associado s\u00e3o realidades \u00e0s quais nenhum ser humano consegue furtar-se. Como possibilidade ou como realidade vivida, a doen\u00e7a traz consigo depend\u00eancia, ang\u00fastia e medo&#8230; Em muitos casos, esta amea\u00e7a \u00e0 exist\u00eancia pessoal e a perda do dom\u00ednio de si aparecem como situa\u00e7\u00e3o degradante que provoca revolta do pr\u00f3prio ou dos que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos \u2013 ao ponto de, em casos particularmente graves e sem recupera\u00e7\u00e3o previs\u00edvel, se considerar prefer\u00edvel a morte. \u00c9 neste contexto que surge a reivindica\u00e7\u00e3o do direito a uma morte suave e digna (eutan\u00e1sia), direito que assistiria ao doente, ou aos seus familiares, ou a outros (os m\u00e9dicos&#8230;).  2. Direito a viver a doen\u00e7a com dignidade. A doen\u00e7a pode ser, por\u00e9m, ocasi\u00e3o para uma outra atitude, mais conforme \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana: a atitude de quem encontra na depend\u00eancia um modo de aprofundar a rela\u00e7\u00e3o com os outros, de quem percebe na ang\u00fastia uma passagem para a entrega, de quem descobre no medo um motivo mais para confiar. Quando assim \u00e9, a morte j\u00e1 n\u00e3o aparece como solu\u00e7\u00e3o \u2013 e o que se reivindica n\u00e3o \u00e9 o direito \u00e0 eutan\u00e1sia, mas o direito, bem mais digno da condi\u00e7\u00e3o humana, a cuidados m\u00e9dicos adequados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pessoal e o direito ao carinho daqueles que, por um motivo ou por outro, s\u00e3o mais pr\u00f3ximos da pessoa doente.   3. Cuidar dos mais pobres. Relativamente aos bens materiais, h\u00e1 uma \u00ablei\u00bb do ego\u00edsmo humano inescap\u00e1vel: quem possui meios econ\u00f3micos consegue sempre mais e melhor do que quem n\u00e3o possui; quem possui meios econ\u00f3micos abundantes consegue sempre mais e melhor do que quem possui pouco. Relativamente aos cuidados m\u00e9dicos, esta \u00ablei\u00bb encontra amplo espa\u00e7o de aplica\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo se a lei geral proclama o direito a cuidados m\u00e9dicos gratuitos e iguais para todos. Importa, por isso, trabalhar para que a \u00ablei do ego\u00edsmo\u00bb tenha uma aplica\u00e7\u00e3o cada vez mais reduzida, e a lei geral uma aplica\u00e7\u00e3o cada vez mais alargada. Na verdade, uma sociedade ser\u00e1 tanto mais justa quanto for capaz de colocar ao alcance dos mais pobres aqueles bens indispens\u00e1veis para uma vida humanamente digna \u2013 criando, ao mesmo tempo, as condi\u00e7\u00f5es para que cada um, pelo seu esfor\u00e7o, seja capaz de prover \u00e0s pr\u00f3prias necessidades e \u00e0s daqueles que dele dependam. No caso dos cuidados m\u00e9dicos, a quest\u00e3o \u00e9 mais grave, pois trata-se de situa\u00e7\u00f5es em que o doente est\u00e1 dependente de outros. Neste caso, uma sociedade verdadeiramente justa ser\u00e1 aquela capaz de proporcionar cuidados m\u00e9dicos dignos da condi\u00e7\u00e3o humana aos mais pobres e desvalidos dos seus \u2013 pois a pobreza n\u00e3o anula a dignidade humana, antes torna mais exigente o respeito pela mesma.  4. A doen\u00e7a e o sofrimento \u00e0 luz da rela\u00e7\u00e3o com Deus. \u00ab\u00c9 precisamente no momento da doen\u00e7a que se apresenta com mais urg\u00eancia a necessidade de encontrar respostas adequadas para as quest\u00f5es relativas \u00e0 vida do homem: as quest\u00f5es acerca do sentido do sofrimento e da pr\u00f3pria morte, considerada n\u00e3o apenas como um enigma com o qual nos confrontamos com dificuldade, mas como mist\u00e9rio no qual Cristo incorpora a Si a nossa exist\u00eancia, abrindo-a para um nascimento novo e definitivo que jamais ter\u00e1 fim\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II \u2013 Mensagem para o XIII Dia Mundial do Doente, 2005, n\u00ba 6). Para o crist\u00e3o, tudo ganha uma nova compreens\u00e3o \u00e0 luz da sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, em Cristo. Ele, um de n\u00f3s, sofredor como n\u00f3s e mais do que qualquer de n\u00f3s, porque Deus feito homem. Ele, em cuja morte se exprime, de modo inaudito, o Amor de Deus por cada ser humano. N\u00e3o se trata de encontrar na f\u00e9 uma fuga ao sofrimento ou na vida eterna uma compensa\u00e7\u00e3o pelo sofrimento de agora. Trata-se, simplesmente, de n\u00e3o deixar que o mist\u00e9rio do sofrimento ponha em causa ou fa\u00e7a perder de vista a dignidade de ser homem e mulher, chamados em Cristo a uma vida plena de sentido, porque mergulhada no mist\u00e9rio do amor de Deus.  Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o \u2013 FEVEREIRO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[166,237],"class_list":["post-9886","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-dia-mundial-do-doente","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9886\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}