{"id":9885,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/consagrados-pelo-mesmo-reino\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"consagrados-pelo-mesmo-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/consagrados-pelo-mesmo-reino\/","title":{"rendered":"Consagrados pelo mesmo Reino"},"content":{"rendered":"<p>A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), integrando-se nas celebra\u00e7\u00f5es do ano jubilar dos 50 anos da Confer\u00eancia dos Religiosos (CNIR) e da Federa\u00e7\u00e3o das Religiosas (FNIRF), publicou uma Nota Pastoral sobre as Ordens e as Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas em Portugal (NP). Os objectivos desta NP s\u00e3o enunciados claramente logo no in\u00edcio: dar a conhecer a Vida Religiosa (VR) \u00e0s comunidades crist\u00e3s \u201cpara que tenham uma maior compreens\u00e3o e apre\u00e7o pela vida religiosa e se sintam estimuladas a colaborar na promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o\u201d e ser \u201cuma mensagem amiga, express\u00e3o de gratid\u00e3o e de estima, dirigida a todos os religiosos e religiosas de Portugal, que queremos estimular sempre mais na sua fidelidade e na disponibilidade para com Deus e os irm\u00e3os\u201d (n\u00ba 1). Estes dois objectivos inserem-se naquilo que a Vita Consacrata (VC) n\u00ba 48, apresenta como dever do Bispo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Consagrada: \u201cacolham e estimem os carismas da vida consagrada, dando-lhes espa\u00e7o nos planos da pastoral diocesana\u201d e \u201cacolhendo-a generosamente com ac\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as\u201d.  A NP refere-se nos n\u00ba 1 e 9 ao ano jubilar, congratulando-se com o passado e pedindo as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus para o processo de cria\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica Confer\u00eancia de religiosos masculinos e femininos que permitir\u00e1 uma \u201cmaior colabora\u00e7\u00e3o de ambos\u201d (n\u00ba1) e a \u201cm\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o entre os religiosos e Bispos\u201d (n\u00ba9). Os n\u00ba 2 e 7 apresentam a natureza teol\u00f3gica da VR: \u201chomens e mulheres chamados por Deus e que respondem ao convite do seguimento radical de Jesus Cristo, os quais, professando publicamente os conselhos evang\u00e9licos, imitam a Sua vida, procuram viver em cada dia o esp\u00edrito das bem-aventuran\u00e7as, constituem comunidades fraternas, e testemunham, em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o plena do Reino, o absoluto de Deus e a transitoriedade das coisas criadas\u201d (n\u00ba2). O seu \u201ccariz evangelizador\u201d n\u00e3o nasce tanto daquilo que fazem, mas do testemunho que d\u00e3o como consagrados. Por isso, os religiosos, mais do que \u201csubstituir os leigos\u201d devem \u201ccolaborar na sua forma\u00e7\u00e3o e a estimul\u00e1-los, pelo testemunho da sua vida pessoal e comunit\u00e1ria, a prosseguirem nos caminhos da santidade, na disponibilidade para o servi\u00e7o aos irm\u00e3os e na viv\u00eancia comunit\u00e1ria\u201d (n\u00ba 7). O n\u00ba 3 evoca o contributo hist\u00f3rico e o n\u00ba 4 o contributo actual da VR \u00e0 Igreja Portuguesa. A lista \u00e9 exaustiva e abrange os mais diversos campos de ac\u00e7\u00e3o (cultura, arte, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade\u2026) e de apos-tolado (mission\u00e1rio, paroquial, catequese, escolas, migrantes, mais pobres\u2026). H\u00e1 uma refer\u00eancia importante ao patrim\u00f3nio cultural fruto desta ac\u00e7\u00e3o e que nos Sec. XIX e XX foi espoliado, em grande parte, pelo Estado. O n\u00ba 5 \u00e9 todo ele dedicado \u00e0 vida contemplativa, \u201cmenos compreendida\u201d e conhecida, mas que \u201cconstituem uma parte muito rica e enriquecedora da vida da Igreja em Portugal\u201d, pelo seu testemunho \u201cdo absoluto de Deus\u201d. O n\u00ba 6 \u00e9 um importante n\u00famero dedicado \u00e0 pastoral vocacional. Reconhece-se que se \u201cnota alguma crise em rela\u00e7\u00e3o a novas voca\u00e7\u00f5es\u201d e que, embora haja jovens generosos que se empenham no voluntariado solid\u00e1rio, \u201cs\u00e3o ainda poucos os que abrem o cora\u00e7\u00e3o aos apelos de Deus para irem mais al\u00e9m, quer na vida sacerdotal, quer na vida religiosa ou noutra forma de consagra\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo a NP a pastoral vocacional deve partir duma pastoral juvenil evangelizadora que passe por \u201cpropostas directas de seguimento radical de Jesus Cristo aos que j\u00e1 as podem entender e convid\u00e1-los a responder com sinceridade e liberdade interior\u201d. Uma verdadeira e eficaz pastoral vocacio-nal s\u00f3 acontecer\u00e1 se toda a Igreja se empenhar na cria\u00e7\u00e3o de uma cultura vocacional que nas\u00e7a de \u201capre\u00e7o pela vida sacerdotal e pela vida consagrada\u201d e conduza \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o das diversas propostas vocacionais na Igreja. O n\u00ba 8, partindo de uma eclesiologia de comunh\u00e3o, situa a VR na Igreja Diocesana. \u201cA unidade efectiva e o m\u00fatuo afecto entre o Bispo e todos os consagrados da sua Diocese\u201d deve tornar-se num \u201csinal vis\u00edvel\u201d da comunh\u00e3o eclesial e um forte apelo \u201c\u00e0 maior inser\u00e7\u00e3o de todos os religiosos e religiosas\u201d na Igreja Diocesana.  A VR acolheu com j\u00fabilo e gratid\u00e3o esta NP dos nossos Bispos. Apesar da pouca divulga\u00e7\u00e3o que documentos desta natureza t\u00eam na Igreja e na sociedade portuguesa em geral, esta NP significou a express\u00e3o da solicitude pastoral dos Bispo de Portugal e um esfor\u00e7o merit\u00f3rio em dar a conhecer a VR e estimular a promo\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o junto das comunidades crist\u00e3s.  No n\u00ba 7 da NP, os nossos Bispos manifestam-se \u201csurpreendidos pela ignor\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Religiosa\u201d. Esta surpresa tornou-se mais evidente ap\u00f3s a conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o portuguesa pedido pela CNIR\/FNIRF \u00e0 Universidade Cat\u00f3lica, em 2004. Dos inqueri-dos que responderam, 42% desconheciam a exist\u00eancia dos\/as religiosos\/as na Igreja! Perante este resultado, uns t\u00eam-se lamentado e culpabilizado por este facto, outros t\u00eam procurado \u201cdefender\u201d a VR apresentando as muitas obras e servi\u00e7os que os religiosos realizam. Pessoalmente, penso que as verdadeiras respostas a este inqu\u00e9rito passam por tr\u00eas vias: a informativa, a evangelizadora e a purifica\u00e7\u00e3o libertadora.  Ao primeiro grande desafio da informa\u00e7\u00e3o sobre a VR, os nossos Bispos j\u00e1 tentaram responder e muito bem, por meio desta NP.  O segundo grande desafio \u00e9 o crescente deficit de evangeliza\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas. Embora 84% dos portugueses se digam cat\u00f3licos s\u00f3 cerca de metade destes s\u00e3o \u201ccat\u00f3licos praticantes\u201d o que me leva a concluir que estes 42% que disseram desconhecer os religiosos, desconhe\u00e7am n\u00e3o s\u00f3 os religiosos mas tamb\u00e9m a f\u00e9 em Jesus Cristo Vivo. E isso, deveria fazer surgir na VR e na Igreja em geral um verdadeiro movimento mission\u00e1rio preocupado com a sorte de um grande n\u00famero de portugueses que desconhecem a riqueza libertadora de viver em Cristo. O terceiro desafio \u00e9-nos lan\u00e7ado pela Instru\u00e7\u00e3o \u201cPartir de Cristo\u201d. A VR deve aproveitar este momento para uma \u201cpurifica\u00e7\u00e3o libertadora\u201d: \u201cSe, nalguns lugares, as pessoas consagradas se converteram num pequeno rebanho, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o num\u00e9rica, este facto pode ser lido como um sinal providencial que convida a recuperar a miss\u00e3o essencial de levedura, de fermento, de sinal e de profecia. Quanto maior se apresentar a massa a levedar, tanto mais rico em qualidade dever\u00e1 ser o fermento evang\u00e9lico, e tanto mais refinados o testemunho de vida e o servi\u00e7o carism\u00e1tico das pessoas consagradas.\u201d (Partir de Cristo 13).  Pe. Jos\u00e9 Augusto Duarte Leit\u00e3o, svd<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), integrando-se nas celebra\u00e7\u00f5es do ano jubilar dos 50 anos da Confer\u00eancia dos Religiosos (CNIR) e da Federa\u00e7\u00e3o das Religiosas (FNIRF), publicou uma Nota Pastoral sobre as Ordens e as Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas em Portugal (NP). 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