{"id":98778,"date":"2018-03-08T14:47:35","date_gmt":"2018-03-08T14:47:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=98778"},"modified":"2025-03-14T15:11:21","modified_gmt":"2025-03-14T15:11:21","slug":"dia-da-mulher-as-noites-da-vida-de-quem-tem-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dia-da-mulher-as-noites-da-vida-de-quem-tem-medo\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: As noites da vida de quem tem medo"},"content":{"rendered":"<p>Casos de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica acolhidas numa Casa-Abrigo<!--more--><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_algarve.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cAs idades das v\u00edtimas variam muito, temos mulheres com 20 at\u00e9 aos 60 anos mas cheg\u00e1mos a ter um pedido de uma senhora de quase 80 anos, devido a viol\u00eancia dom\u00e9stica por parte de um filho\u201d, afirma a diretora t\u00e9cnica.<\/strong><\/p>\n<p>Lisboa, 08 mar 2018 (Ecclesia) \u2013 No Algarve, existe desde 1999 uma casa de abrigo para v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, onde chegam casos de mulheres que conseguiram trazer \u00e0 tona uma motiva\u00e7\u00e3o maior para saltar de rela\u00e7\u00f5es violentas.<\/p>\n<p>\u201c\u2019Quero \u00e9 come\u00e7ar a trabalhar\u2019, \u00e9 uma das grandes motiva\u00e7\u00f5es porque muitas mulheres que aqui chegam est\u00e3o desempregadas e \u00e9 isso um dos problemas \u2013 o agressor faz quest\u00e3o que a depend\u00eancia econ\u00f3mica seja uma realidade.<\/p>\n<p>Ter uma casa, come\u00e7ar uma vida de novo e salvar os filhos s\u00e3o tamb\u00e9m motiva\u00e7\u00f5es\u201d, conta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Isabel Santos, diretora t\u00e9cnica desta casa.<\/p>\n<p>Com capacidade para acolher 14 mulheres, ali chegam\u00a0 na sua maioria \u201cv\u00edtimas de viol\u00eancia f\u00edsica, econ\u00f3mica, psicol\u00f3gica e sexual\u201d, quase sempre com baixo n\u00edvel de escolaridade.<\/p>\n<p>\u201cAs idades das v\u00edtimas variam muito, temos mulheres com 20 at\u00e9 aos 60 anos mas cheg\u00e1mos a ter um pedido de uma senhora de quase 80 anos, devido a viol\u00eancia dom\u00e9stica por parte de um filho\u201d, afirma a diretora t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Isabel Santos explica o funcionamento da casa onde todas cozinham, \u201ctratam da casa e da roupa para que aquelas mulheres consigam gerir depois uma casa\u201d j\u00e1 que se pretende que seja um tempo de aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e afastamento de medos.<\/p>\n<p>\u201cTalvez \u00e0 noite, quando se v\u00e3o deitar, estas v\u00edtimas pensam pelo que passaram, est\u00e3o a passar e todas as mudan\u00e7as que acontecem, fazem a retrospetiva da vida e esse deve ser o pior momento do dia.<\/p>\n<p>H\u00e1 medos extremos: de aparecer o agressor, de saber onde est\u00e1\u2026 h\u00e1 mulheres que integramos aqui porque os agressores descobriram onde estavam. Elas pr\u00f3prias contam que \u2018ele n\u00e3o vai desistir, tem muitos conhecimentos, conhece gente na GNR, na Seguran\u00e7a Social ou no Tribunal\u201d, afirma.<\/p>\n<p>As noites da vida porque passam\u2026 O medo e a inseguran\u00e7a s\u00e3o fatores que levam muitas mulheres a se acomodarem em rela\u00e7\u00f5es violentas onde os agressores v\u00eam de \u201cfam\u00edlias disfuncionais e transmitem para o seu agregado familiar a viol\u00eancia, o mau estar e a disfuncionalidade que j\u00e1 tinham nas fam\u00edlia deles porque n\u00e3o conheceram outras realidades.<\/p>\n<p>Muitas s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es de \u00e1lcool\u201d, conta a respons\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>\u201cSaiu de casa pelos filhos porque por ela tinha aguentado mas deparou-se com a situa\u00e7\u00e3o de sair da casa abrigo e tinha medo. Era sozinha com quatro filhos. Aqui a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complicada, n\u00e3o h\u00e1 suporte familiar, falamos de duas crian\u00e7as muito pequenas e uma senhora muito perdida. Situa\u00e7\u00f5es como esta tocam-nos muito mais\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_algarve2.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/praia_algarve.jpg\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Aqui no Algarve \u00e9 f\u00e1cil integrar no mercado de trabalho apenas a integra\u00e7\u00e3o habitacional \u00e9 muito dif\u00edcil; temos mulheres que sa\u00edram ao fim de seis meses mas h\u00e1 outras que conseguem sair ao fim de tr\u00eas ou quatro meses\u201d, explicou Isabel Santos.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/botas_mulher.jpg\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os relatos que chegam \u00e0s conversas com Isabel Santos, diretora t\u00e9cnica da casa h\u00e1 um ano, trazem quase sempre uma \u201crealidade de limita\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres\u201d: os agressores s\u00e3o possessivos e \u201cn\u00e3o querem que as mulheres trabalhem fora de casa\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma realidade que as mulheres conseguem reverter depois de se desprenderem da m\u00e1 experi\u00eancia e definirem o que pretendem para a nova vida.<\/p>\n<p>\u201cTemos situa\u00e7\u00f5es em que elas assinam um termo e saem da casa de abrigo para retomar a vida como entenderem mas, na maioria, saem desta casa aut\u00f3nomas e integradas.<\/p>\n<p>Aqui no Algarve \u00e9 f\u00e1cil integrar no mercado de trabalho apenas a integra\u00e7\u00e3o habitacional \u00e9 muito dif\u00edcil; temos mulheres que sa\u00edram ao fim de seis meses mas h\u00e1 outras que conseguem sair ao fim de tr\u00eas ou quatro meses\u201d, explicou Isabel Santos.<\/p>\n<p>O ambiente da casa pretende que haja conversa e partilha de experi\u00eancias entre as mulheres e seus agregados familiares, \u201cacabam por ser suporte umas das outras\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u201cAt\u00e9 j\u00e1 aconteceu sa\u00edrem amigas e irem partilhar casa por quest\u00f5es econ\u00f3micas\u201d, um exemplo de sucesso.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A diretora t\u00e9cnica desta casa abrigo para mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica aponta ainda o dedo a situa\u00e7\u00f5es delicadas que p\u00f5em em causa a seguran\u00e7a das v\u00edtimas por processos burocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cQuando entram aqui agregados com crian\u00e7as s\u00e3o avan\u00e7ados os processos de responsabilidade parental, div\u00f3rcio e queixa-crime, os tr\u00eas em simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>Os processos de responsabilidade parental colidem com os processos-crime; tentamos o sigilo para seguran\u00e7a das mulheres mas o que acontece \u00e9 que o pr\u00f3prio tribunal quer saber onde est\u00e1 a mulher por causa das crian\u00e7as e at\u00e9 j\u00e1 houve mesmo transfer\u00eancias de v\u00edtimas por seguran\u00e7a devido a esta realidade. Defendo que devia haver maior cuidado ao n\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o das moradas destas senhoras\u201d, rematou.<\/p>\n<p><em>SN<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_algarve_criancas.jpg\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica acolhidas numa val\u00eancia da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Albufeira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":98782,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-98778","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98778\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}