{"id":98659,"date":"2018-03-08T00:01:24","date_gmt":"2018-03-08T00:01:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=98659"},"modified":"2025-03-14T15:17:24","modified_gmt":"2025-03-14T15:17:24","slug":"especial-por-vezes-ve-se-doi-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/especial-por-vezes-ve-se-doi-sempre\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: \u00abPor vezes, v\u00ea-se. D\u00f3i sempre\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Os casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica pela voz de quem acolhe: mulheres que ajudam outras mulheres<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u2018Ass\u00e9dio, Ci\u00fame, Manipula\u00e7\u00e3o, Trai\u00e7\u00e3o, Possess\u00e3o, Agressividade e Paran\u00f3ia\u2019 <\/em>levam \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica. No \u00e2mbito do Dia Internacional da Mulher a Ag\u00eancia ECCLESIA foi ao encontro de quem lida diariamente com as mulheres que precisam de \u2018outra vida\u2019 e passam por casas de abrigo que, mais do que abrigo, lhes devolvem a autoestima e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mulheres que fogem de homens que perderam a no\u00e7\u00e3o, da vida e do Amor, e se transformaram. Esposas e m\u00e3es que se perderam nos sentimentos e desafiam o destino. V\u00edtimas que passam e recuperam \u201centre vidas\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/radiografias_todas.jpg\" \/><\/p>\n<p>O Raio X, enquanto tecnologia, permite expor o invis\u00edvel e foi mote para uma exposi\u00e7\u00e3o de fotografia, intitulada <em>\u00abPor vezes, v\u00ea-se. D\u00f3i sempre.\u00bb, <\/em>que o designer e fot\u00f3grafo David Gama promoveu para sensibiliza\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o sete fotografias, cada uma tem um t\u00edtulo inspirados em escritos relativos aos \u201cSete Pecados Capitais\u201d, segundo a religi\u00e3o crist\u00e3, porque \u00e9 algo que nos acompanha e faz parte da nossa conduta moral, mesmo que n\u00e3o sejamos cat\u00f3licos\u201d, explicou o designer, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Esta exposi\u00e7\u00e3o esteve nas paredes da Loja do Cidad\u00e3o de Aveiro e queria chocar quem ali estava ou passava. A iniciativa foi uma parceria com o Centro Social e Paroquial da Vera-Cruz, em Aveiro, atrav\u00e9s da sua val\u00eancia de apoio a v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/radiografias2.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_aveiro3.jpg\" \/><\/p>\n<p>Em\u00edlia Lima \u00e9 psic\u00f3loga e Clarinda Almeida, t\u00e9cnica de servi\u00e7o social desta institui\u00e7\u00e3o que funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano, numa perspetiva de ser \u201cum espa\u00e7o entre vidas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNesta casa, que tentamos aproximar-nos o mais poss\u00edvel do dia-a-dia normal de uma fam\u00edlia, queremos dar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e o espa\u00e7o para refazer a sua vida, mas considerando sempre que este \u00e9 um espa\u00e7o entre vidas, h\u00e1 que repensar e reconstruir uma vida para a frente\u201d, aponta a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Esta val\u00eancia do Centro Social e Paroquial da Vera-Cruz tem capacidade para acolher 16 mulheres em seguran\u00e7a e nestes 13 anos de exist\u00eancia passaram por l\u00e1 103 mulheres.<\/p>\n<p>As mulheres que ali chegam v\u00e3o por vontade pr\u00f3pria depois de todo um processo de pedido de ajuda. A psic\u00f3loga j\u00e1 viu muitas situa\u00e7\u00f5es de vitima\u00e7\u00f5es longas, 20 ou 30 anos de rela\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de mulheres bastante jovens, com 18 ou 20 anos, vitima\u00e7\u00e3o recentes.<\/p>\n<p>\u201cNestas mulheres jovens surge muitas vezes a viol\u00eancia de parte a parte: h\u00e1 um problema na rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se consegue resolver e parte-se para a viol\u00eancia. Como o homem normalmente \u00e9 mais forte fisicamente a mulher \u00e9 que sofre.<\/p>\n<p>Chegam-nos mulheres desanimadas e com raiva; sem poder de decis\u00e3o e sem ter autonomia nas suas vidas\u201d, afirma Em\u00edlia Lima que ali trabalha h\u00e1 13 anos.<\/p>\n<p><strong>\u201cUma das hist\u00f3rias que me recordo foi de uma senhora que referia que o companheiro, sempre que passava por ela, lhe cuspia em cima\u2026 Este mau trato n\u00e3o se encontra com frequ\u00eancia, mas \u00e9 muito representativo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a psic\u00f3loga os agressores partem para a viol\u00eancia por v\u00e1rios motivos como \u201cdescontrolo de emo\u00e7\u00f5es e conflitos, n\u00e3o sabendo negociar na rela\u00e7\u00e3o\u201d, ou a imposi\u00e7\u00e3o da sua vontade, \u201cassociada ao poder masculino\u201d, bem como o sentimento de posse perante a mulher que se pode agravar no caso de adi\u00e7\u00f5es como o \u00e1lcool ou as drogas.<\/p>\n<p>Entrar e permanecer numa casa abrigo \u201cpode ser um choque\u201d para estas mulheres mas as t\u00e9cnicas apontam que apenas se trata de uma fase para seguir o caminho.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caminho da autonomia, da supera\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia a v\u00e1rios n\u00edveis. Para isso uma primeira conversa \u00e9 sempre um momento importante.<\/p>\n<p>\u201cCriar empatia num primeiro acolhimento torna-se muito importante para criar um la\u00e7o de confian\u00e7a connosco. Depois todo o caminho de ir aos pr\u00f3prios servi\u00e7os, quer de emprego ou de seguran\u00e7a social, por exemplo, acaba por ser um aumento de auto estima para estas mulheres porque passam a ser mentoras do seu projeto de vida\u201d, explica Clarinda Almeida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_aveiro4.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_aveiro.jpg\" \/><\/p>\n<p>Quando as v\u00edtimas chegam acompanhadas pelos filhos ainda se torna mais dif\u00edcil todo o acolhimento, a gest\u00e3o de sentimentos, emo\u00e7\u00f5es e regras.<\/p>\n<p>\u201cTemos j\u00e1 beb\u00e9s que nasceram c\u00e1, outros que vieram pequeninos, temos adolescentes e jovens que passaram por c\u00e1; aqui na casa n\u00e3o desresponsabilizamos as m\u00e3es, elas \u00e9 que gerem toda a vida com os seus filhos.<\/p>\n<p>H\u00e1 um quarto para cada fam\u00edlia, porque se entende que \u00e9 o m\u00ednimo de privacidade e cabe \u00e0 m\u00e3e gerir as regras com os seus filhos e com as regras da casa \u2013 hor\u00e1rios para refei\u00e7\u00f5es, sil\u00eancios e espa\u00e7os\u201d, defende a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Assim entendem que pode ser um meio de autonomia tamb\u00e9m para estas mulheres que estavam habituadas a n\u00e3o tomar decis\u00f5es, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cMuitas destas crian\u00e7as que aqui chegam estavam habituadas a que s\u00f3 o pai \u00e9 que mandava, aqui tenta-se reverter essa situa\u00e7\u00e3o e a m\u00e3e tem de voltar a mandar, esta redefini\u00e7\u00e3o do papel da m\u00e3e que por vezes temos de apoiar\u201d, explica Em\u00edlia Lima.<\/p>\n<p>A casa de abrigo proporciona ainda atividades para devolver a autoestima e a autonomia a quem j\u00e1 se esqueceu do que \u00e9 \u201cser elogiada\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 mulheres que chegam muito mal cuidadas, come\u00e7am a ter intera\u00e7\u00e3o social e tudo isso \u00e9 processo de aumento de auto estima; refor\u00e7ando compet\u00eancias e sucessos\u201d, refere a t\u00e9cnica de servi\u00e7o social.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Recebemos uma jovem m\u00e3e de 19 anos, gr\u00e1vida de g\u00e9meos, numa situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica por parte do seu pai. Era uma rapariga muito desequilibrada emocionalmente. Foi um caso muito dif\u00edcil e longo para resolver mas com sucesso porque neste momento est\u00e1 muito bem, reconstruiu a sua vida, \u00e9 aut\u00f3noma, tem a sua casa e uma rela\u00e7\u00e3o de conjugalidade definitiva&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Sendo uma val\u00eancia do centro social e paroquial da Vera-Cruz a casa acolhe mulheres de v\u00e1rias confiss\u00f5es religiosas e s\u00f3 nos momentos de festa pode haver uma visita especial.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 visita da dire\u00e7\u00e3o do centro social quando \u00e9 pedido, e o nosso p\u00e1roco \u00e9 o presidente do centro, da\u00ed a sua visita onde h\u00e1 sempre tempo para uma palavra. Depois no tempo da P\u00e1scoa pode haver a visita pascal, mas s\u00f3 mediante o grupo de mulheres que est\u00e1 na casa por essa altura e se for de sua vontade\u201d, explica a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Uma casa abrigo em Aveiro que prima pela seguran\u00e7a das utentes e investe na sua autonomia mas n\u00e3o esquece a preven\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria nestes assuntos.<\/p>\n<p>\u201cA casa abrigo \u00e9 o fim de linha, entendemos que h\u00e1 todo um trabalho muito importante a fazer, seja em termos de preven\u00e7\u00e3o, como por exemplo a partir dos jovens e das crian\u00e7as nas escolas; seja no atendimento e apoio a estas situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o passam pelo acolhimento na casa abrigo.<\/p>\n<p>Creio que dev\u00edamos pensar todos em trabalhar mais em rede para que se veja cada vez menos estes casos que ainda s\u00e3o excessivamente comuns na nossa sociedade\u201d, conclui Em\u00edlia Lima.<\/p>\n<p><em>Reportagem: S\u00f3nia Neves<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/mulheres_aveiro2.jpg\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica pela voz de quem acolhe: mulheres que ajudam outras 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