{"id":9797,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-conversa-com-fernando-nobre\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-conversa-com-fernando-nobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-conversa-com-fernando-nobre\/","title":{"rendered":"\u00c0 conversa com Fernando Nobre"},"content":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rios, os maiores defensores das causas humanit\u00e1rias <!--more-->  A AMI, Assist\u00eancia M\u00e9dica Internacional, comemora os seus 20 anos de exist\u00eancia, ao longo dos quais promoveu numerosas ac\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, nos lugares mais dif\u00edceis e tr\u00e1gicos do mundo, acorrendo a necessidades b\u00e1sicas das popula\u00e7\u00f5es. Recentemente, foi das primeiras institui\u00e7\u00f5es a acorrer \u00e0s v\u00edtimas do maremoto no sul e sudeste da \u00c1sia. Apresentamos, a prop\u00f3sito, uma entrevista com o seu Fundador e Presidente.  Voz Portucalense &#8211; Residiu 20 anos na B\u00e9lgica, onde se doutorou e especializou, coincidindo os 2 \u00faltimos anos com o nascer da Funda\u00e7\u00e3o AMI. A cria\u00e7\u00e3o deu-se l\u00e1, para ser internacional? Fernando Nobre (FN) &#8211; N\u00e3o, deu-se por l\u00e1 por mero acaso j\u00e1 que por raz\u00f5es profissionais que me ligavam \u00e0 Faculdade de Medicina eu s\u00f3 poderia vir para Portugal em finais de 1985.  VP &#8211; Apesar da AMI ter 20 anos de exist\u00eancia, a sua dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de causas humanit\u00e1rias conta j\u00e1 com bodas de prata. Como surgiu a necessidade de criar esta Funda\u00e7\u00e3o?  FN &#8211; A necessidade que eu sentia que em Portugal existisse tamb\u00e9m uma institui\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria n\u00e3o governamental com o esp\u00edrito altru\u00edstico que eu conhecia nos M\u00e9decins Sans Fronti\u00e8res.  VP &#8211; Para assinalar o 20\u00ba anivers\u00e1rio publicou h\u00e1 pouco tempo o livro &#8220;Viagens contra a Indiferen\u00e7a&#8221;. Que tipo de livro se trata? O que sublinha nele? FN &#8211; \u00c9 um livro de experi\u00eancias vividas ao longo dos \u00faltimos 25 anos em que a t\u00f3nica geral s\u00e3o os gritos de alma que lan\u00e7o quando confrontado com situa\u00e7\u00f5es humanas que me revoltam.  VP &#8211; O facto da AMI ser uma ONG, apol\u00edtica, independente e sem fins lucrativos consegue tudo aquilo que pretende e a que se destina? FN &#8211; Consegue o essencial que \u00e9 poder actuar independentemente dos poderes pol\u00edticos o que lhe permitiu estabelecer com a sociedade civil portuguesa uma empatia muito especial e muito forte.  VP &#8211; A AMI est\u00e1 neste momento nos 5 Continentes, em 50 Pa\u00edses. Prev\u00eaem chegar mais longe a curto-m\u00e9dio prazo? FN &#8211; Perante as necessidades cada vez mais gritantes no mundo inteiro a AMI ter\u00e1 for\u00e7osamente que refor\u00e7ar a sua ac\u00e7\u00e3o junto dos povos sofredores em todos os continentes. A nossa ac\u00e7\u00e3o no Sri Lanka, ap\u00f3s o tsunami, \u00e9 exemplo disso.  VP &#8211; Como funciona realmente a AMI? Estrutura, Miss\u00f5es, Crit\u00e9rios, Prioridades, Oportunidades, Pontos Fortes, Pessoal\/Voluntariado&#8230; FN &#8211; A AMI funciona com um esqueleto de funcion\u00e1rios pr\u00f3prios que trabalham na sua sede nacional, delega\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais e equipamentos sociais em Portugal. Conta por outro lado com uma estrutura forte de voluntariado sem a qual a sua miss\u00e3o seria imposs\u00edvel.  VP &#8211; Com o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o da AMI surgiu tamb\u00e9m um outro projecto social: 7 Centros &#8220;Porta Amiga&#8221; e um Abrigo Nocturno. Em que consiste este projecto e como tem evolu\u00eddo? Onde se localizam esses Centros? FN &#8211; A AMI disp\u00f5e actualmente de 9 equipamentos sociais a funcionar, 8 Centros Porta Amiga e 1 Abrigo para os Sem Abrigo. Os Centros Porta Amiga est\u00e3o em Coimbra, Porto, Gaia, Cascais, Chelas, Olaias, Almada, Funchal e o Abrigo para os Sem Abrigo em Lisboa. Em 2005 a AMI conta abrir mais tr\u00eas equipamentos sociais, duas Portas Amigas (Coimbra e A\u00e7ores) e um Abrigo para os Sem Abrigo no Porto. Estes projectos sociais s\u00e3o uma resposta da funda\u00e7\u00e3o AMI na luta contra a pobreza e a mis\u00e9ria em Portugal.  VP &#8211; A AMI, ao ter institu\u00eddo 2 Pr\u00e9mios anuais (Jornalismo e Sa\u00fade), tem conseguido suscitar, como deseja, a investiga\u00e7\u00e3o sobre temas de interesse geral, muitas vezes esquecidos? FN &#8211; Sim, felizmente temos conseguido que os jornalistas publiquem trabalhos de interesse humano e que os investigadores cl\u00ednicos n\u00e3o se esque\u00e7am das doen\u00e7as esquecidas que matam 17 milh\u00f5es de pessoas por ano no Mundo.  VP &#8211; Visto que foi Fundador e Vice-Presidente da VOICE (Voluntary Organization in Cooperation for Emergencies), com sede em Bruxelas, porque raz\u00e3o deixou de ser Membro do Comit\u00e9 Director?  FN &#8211; Por quest\u00f5es de disponibilidade de tempo contudo a AMI mant\u00e9m-se como \u00fanico membro portugu\u00eas da VOICE.  VP &#8211; De que forma encara e interpreta todas as Distin\u00e7\u00f5es e Condecora\u00e7\u00f5es &#8211; e todas elas de grande peso &#8211; j\u00e1 recebidas ao longo destas duas d\u00e9cadas? FN &#8211; Com normalidade, tal n\u00e3o afectando minimamente a minha postura pessoal e a minha ac\u00e7\u00e3o que continuam a ser as mesmas de sempre.  VP &#8211; Passo agora para um assunto desolador: o maremoto asi\u00e1tico. Dado que est\u00e1 neste momento no campo de ac\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o actual e a avalia\u00e7\u00e3o que faz? FN &#8211; Uma enorme trag\u00e9dia para um povo que teve la\u00e7os hist\u00f3ricos important\u00edssimos com Portugal e que guarda intactos na sua mem\u00f3ria e no seu dia-a-dia estreitos la\u00e7os com os usos e costumes lusitanos.   VP &#8211; De que forma \u00e9 que vai sendo coordenada e orientada a ajuda internacional, tanto para a procura dos que est\u00e3o ainda desaparecidos e para o realojamento de in\u00fameras fam\u00edlias, como para o desenvolvimento futuro desses Pa\u00edses? FN &#8211; A coordena\u00e7\u00e3o em teoria cabe \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas. No terreno perante a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o cada institui\u00e7\u00e3o faz o seu melhor. Assim \u00e9 tamb\u00e9m com a AMI. Resta esperar que as enormes promessas feitas se concretizam ao contr\u00e1rio do que tem acontecido at\u00e9 hoje bastando apenas referir o caso do terramoto no Ir\u00e3o, em Bam, h\u00e1 um ano atr\u00e1s onde at\u00e9 agora chegaram apenas pouco mais de 5% do montante financeiro ent\u00e3o prometido. Nesse sentido espero que o povo portugu\u00eas n\u00e3o se esque\u00e7a que o Sri Lanka n\u00e3o \u00e9 mais do que a famosa ilha de Taprobana citada por Lu\u00eds Cam\u00f5es nos Lus\u00edadas.   TR\u00cdMERO TEM\u00c1TICO:  VP &#8211; Pobreza: um fim (im)poss\u00edvel? Ant\u00eddoto&#8230; FN &#8211; O combate \u00e0 pobreza \u00e9 poss\u00edvel. Bastaria apenas menos indiferen\u00e7a e mais vontade e determina\u00e7\u00e3o pol\u00edticas.  VP &#8211; Jerusal\u00e9m: Cidade da Paz vs. Cidade de Guerra&#8230; FN &#8211; Jerusal\u00e9m ter\u00e1 de ser necessariamente uma cidade de paz onde as tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas ver\u00e3o respeitados os lugares mais santos da humanidade.  VP &#8211; Cancro na Pr\u00f3stata: 134.000 casos em Portugal (ano 2001)&#8230; FN &#8211; Um dos tr\u00eas cancros mais tem\u00edveis para o homem, juntamente com o dos intestinos e pulm\u00f5es. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o reside numa despistagem mais agressiva e no tratamento precoce.   ASPECTOS DE ELEI\u00c7\u00c3O  VP &#8211; A sua miss\u00e3o mais bela&#8230; FN &#8211; Nepal 95, pois perante os Himalaias somos reduzidos \u00e0 nossa insignific\u00e2ncia.  VP &#8211; A sua miss\u00e3o mais aterrorizadora&#8230; FN &#8211; Leste do Zaire em 1994 ap\u00f3s o genoc\u00eddio Tutsi.  VP &#8211; O melhor acontecimento para 2005&#8230; FN &#8211; Que os pol\u00edticos a n\u00edvel global sejam tocados por um raio de humanidade e de dignidade.  VP &#8211; Um(a) Defensor(a) das Causas Humanit\u00e1rias&#8230; FN &#8211; Os mission\u00e1rios, sejam eles religiosos ou leigos.   Entrevista de ANDR\u00c9 RUBIM RANGEL rangel@aeiou.pt <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rios, os maiores defensores das causas humanit\u00e1rias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[168,174,186,187,206,261,266,329],"class_list":["post-9797","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-funchal","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-missoes","tag-nacoes-unidas","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9797\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}