{"id":9759,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/participacao-politica-e-vida-catolica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"participacao-politica-e-vida-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/participacao-politica-e-vida-catolica\/","title":{"rendered":"Participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e vida cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) considera que as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es legislativas s\u00e3o o momento certo para que os crist\u00e3os do nosso pa\u00eds assumam as suas responsabilidades individuais na vida pol\u00edtica. Num contexto de crise pol\u00edtica, derivada da dissolu\u00e7\u00e3o da Assembleia da Rep\u00fablicas e consequente demiss\u00e3o do Governo, o acto eleitoral de 20 de Fevereiro motivou um comunicado da CNJP, intitulado &#8220;Propor a esperan\u00e7a, abrir as portas a um futuro melhor&#8221;. A iniciativa foi considerada pelo presidente do organismo, Armando Sales Lu\u00eds, como correspondente a \u201cuma sensa\u00e7\u00e3o de necessidade\u201d de intervir nesta \u00e1rea. Chama a aten\u00e7\u00e3o, desde logo, a op\u00e7\u00e3o por falar de \u201cesperan\u00e7a\u201d num contexto que todos classificam de crise. Jorge Wemans, secret\u00e1rio da CNJP, liga esta decis\u00e3o \u00e0 nota do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), do passado dia 14 de Dezembro, sobre a actual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em conson\u00e2ncia com os Bispos do nosso pa\u00eds, a CNJP apela \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos e critica as atitudes de \u201cdes\u00e2nimo e pessimismo\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Assim, para a Comiss\u00e3o, \u201ctodos temos o dever de dar testemunho das raz\u00f5es de esperan\u00e7a que existem, vis\u00edveis na quantidade de pessoas que em Portugal se dedicam, de uma forma activa e generosa, ao bem comum\u201d. Manuela Silva, vice-presidente do organismo, classifica este comunicado como \u201cum olhar atento sobre as circunst\u00e2ncias concretas do pa\u00eds\u201d. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o pr\u00f3ximo acto eleitoral n\u00e3o seja apenas mais um exerc\u00edcio de voto partid\u00e1rio, mas uma ocasi\u00e3o para uma participa\u00e7\u00e3o mais activa e respons\u00e1vel de toda a sociedade. Os crist\u00e3os s\u00e3o desafiados a responder ao convite formulado pelos Bispos portugueses na sua Nota Pastoral: \u201cempenhar-se na constru\u00e7\u00e3o da comunidade nacional \u00e9, para os crist\u00e3os, uma forma de exprimirem a sua fidelidade crist\u00e3\u201d. \u201cA participa\u00e7\u00e3o de todos e de cada um \u00e9 necess\u00e1ria\u201d, sublinha o comunicado da CNJP. \u201cO momento que vivemos precisa das vozes da esperan\u00e7a, precisa dos gestos que se pautam pelo fazer bem, precisa de cora\u00e7\u00f5es que acarinhem sonhos de dias melhores e que os partilhem com os demais, precisa de muito investimento nas pessoas e de muita dedica\u00e7\u00e3o ao bem comum, precisa da coopera\u00e7\u00e3o como principal trampolim para a melhoria da nossa vida colectiva, precisa de cada uma e de cada um\u201d, acrescenta o documento.  Compromisso crist\u00e3o Apelando ao compromisso dos crist\u00e3os na vida pol\u00edtica, a CNJP refere que \u201cmais do que nunca, neste pr\u00f3ximo m\u00eas, os crist\u00e3os deste pa\u00eds s\u00e3o chamados a serem testemunhas da esperan\u00e7a que abre as portas de um futuro melhor para todos\u201d. Aos portugueses \u00e9 recordado que \u201cn\u00e3o h\u00e1 cidad\u00e3os dispens\u00e1veis, dentro e fora dos partidos pol\u00edticos, quando se trata de criar uma comunidade nacional solid\u00e1ria, desenvolvida, apta a enfrentar com esperan\u00e7a os t\u00e3o incertos dias que se avizinham\u201d. Neste sentido, a CNJP faz um apelo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos, considerando que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para que as pessoas n\u00e3o se envolvam no processo eleitoral\u201d. Os respons\u00e1veis deste organismo eclesial lamentam, ali\u00e1s, que entre alguns crist\u00e3os subsista uma posi\u00e7\u00e3o de distanciamento em rela\u00e7\u00e3o ao acto eleitoral. \u201cAs elei\u00e7\u00f5es legislativas s\u00e3o um momento particularmente importante da vida democr\u00e1tica. Todos temos o dever de as encarar seriamente. Sem falsos messianismos \u2013 esperando que algu\u00e9m se proponha resolver todos os nossos problemas \u2013, nem f\u00e1cil cinismo \u2013 argumentando que \u201c\u00e9 tudo a mesma coisa\u201d. Ambas as posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o modos subtis de fugirmos \u00e0 nossa responsabilidade individual e de recusarmos tomar consci\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es entre o modo como vivemos, as escolhas que fazemos no nosso dia-a-dia e as prioridades que queremos ver inscritas na condu\u00e7\u00e3o dos assuntos p\u00fablicos\u201d, pode ler-se. Nesta pr\u00f3xima etapa da vida do pa\u00eds, as comunidades cat\u00f3licas t\u00eam um papel a desempenhar na discuss\u00e3o de propostas pol\u00edticas, aproveitando as redes que se estabelecem no seu interior para debaterem estas quest\u00f5es. Alfredo Bruto da Costa, outro dos vice-presidentes da CNJP, insistiu na responsabilidades dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica, a partir de \u201cum entendimento do ser crist\u00e3o que implica a interven\u00e7\u00e3o activa na constru\u00e7\u00e3o do mundo\u201d. O alerta est\u00e1 presente no documento agora apresentado. \u201cN\u00e3o h\u00e1 verdadeiro amor crist\u00e3o que se possa alhear das escolhas que determinam boa parte do nosso viver em comum. Ningu\u00e9m se respeita a si pr\u00f3prio se nega o seu labor di\u00e1rio por uma sociedade mais justa e mais fraterna, ao n\u00e3o participar nos momentos em que se escolhem os programas e as pessoas que v\u00e3o presidir, nos pr\u00f3ximos anos, \u00e0 gest\u00e3o da coisa p\u00fablica\u201d.  Campanha de verdade A CNJP considera que a campanha para as elei\u00e7\u00f5es legislativas de 20 de Fevereiro deve ser uma oportunidade para debater seriamente os problemas do pa\u00eds, fugindo \u00e0 demagogia e a falsas promessas. \u201cSem apresenta\u00e7\u00e3o clarificadora do que consideram ser os principais problemas e as maiores potencialidades do pa\u00eds, sem propostas para enfrentarem uns e refor\u00e7arem outras, a campanha eleitoral pode reduzir-se a simples habilidades de comunica\u00e7\u00e3o, determinando maior afastamento dos cidad\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o aos seus eleitos\u201d, alerta o comunicado. Para o futuro do pa\u00eds, ser\u00e1 essencial multiplicar \u201cgestos concretos de solidariedade e de compromisso com os mais pobres, de envolvimento na inova\u00e7\u00e3o, em muitos locais de trabalho e de vida, de melhoria permanente das condi\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia e de promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana, no funcionamento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas\u201d. A CNJP insiste na necessidade de \u201crefor\u00e7ar a exig\u00eancia de qualidade no debate partid\u00e1rio, sublinhar a necess\u00e1ria participa\u00e7\u00e3o de todos e dar raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a quanto ao futuro do pa\u00eds\u201d. \u201cTamb\u00e9m n\u00f3s somos testemunhas de que, apesar de um clima de pessimismo que parece querer instalar-se, encontramos pessoas dispon\u00edveis, interessadas em melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos cidad\u00e3os, o modo de gerir as suas empresas e de aplicar os seus rendimentos, de aperfei\u00e7oar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Em todos os ambientes encontramos pessoas construtoras permanentes e persistentes do bem comum\u201d, aponta. \u201cPrecisamos de criar dispositivos de valoriza\u00e7\u00e3o e de incentivo p\u00fablico a todos e cada um dos portugueses e portuguesas que assim agem. Dispositivos que podem ser muito diversos, mas que se deveriam nortear pela partilha do que de mais positivo se faz e se alcan\u00e7a, pela valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho perseverante que tantos desenvolvem em prol de uma sociedade mais justa e fraterna, pela comunica\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a que tantos desencadeiam em tantos rostos angustiados e esquecidos\u201d, acrescenta a CNJP. A Comiss\u00e3o pede uma mobiliza\u00e7\u00e3o para o voto, convocando todos, portuguesas e portuguesas, \u201ca encontrar uma forma de participar no pr\u00f3ximo acto eleitoral, afirmando um direito e um dever c\u00edvico, no respeito que as pessoas devem ter por si pr\u00f3prias&#8221;. A CNJP foi criada h\u00e1 20 anos pela CEP e \u00e9 um organismo laical, com a finalidade gen\u00e9rica de promover e defender os ideais da Justi\u00e7a e da Paz \u00e0 luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja. A Comiss\u00e3o actua sob a sua pr\u00f3pria responsabilidade, n\u00e3o vinculando necessariamente a hierarquia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) considera que as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es legislativas s\u00e3o o momento certo para que os crist\u00e3os do nosso pa\u00eds assumam as suas responsabilidades individuais na vida pol\u00edtica. 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