{"id":9681,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/propor-a-esperanca-abrir-portas-a-um-futuro-melhor\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"propor-a-esperanca-abrir-portas-a-um-futuro-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/propor-a-esperanca-abrir-portas-a-um-futuro-melhor\/","title":{"rendered":"Propor a esperan\u00e7a, abrir portas a um futuro melhor"},"content":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <!--more-->  1.\tUm m\u00eas antes das elei\u00e7\u00f5es legislativas de 20 de Fevereiro vimos publicamente reafirmar a import\u00e2ncia do pr\u00f3ximo acto eleitoral, refor\u00e7ar a exig\u00eancia de qualidade no debate partid\u00e1rio, sublinhar a necess\u00e1ria participa\u00e7\u00e3o de todos e dar raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a quanto ao futuro do pa\u00eds. Dirigimo-nos, sobretudo, aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9, mas tamb\u00e9m a todos os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s. N\u00e3o com uma palavra de quem sabe mais, ou tem solu\u00e7\u00f5es definitivas para o nosso viver em comum. Antes, animados pelo desejo de contribuirmos para superar o ambiente de des\u00e2nimo que atravessa a nossa sociedade. Procuramos, assim, responder ao convite recentemente formulado pelos Bispos portugueses: \u201cEmpenhar-se na constru\u00e7\u00e3o da comunidade nacional \u00e9, para os crist\u00e3os, uma forma de exprimirem a sua fidelidade crist\u00e3\u201d.  2. As elei\u00e7\u00f5es legislativas s\u00e3o um momento particularmente importante da vida democr\u00e1tica. Todos temos o dever de as encarar seriamente. Sem falsos messianismos \u2013 esperando que algu\u00e9m se proponha resolver todos os nossos problemas \u2013, nem f\u00e1cil cinismo \u2013 argumentando que \u201c\u00e9 tudo a mesma coisa\u201d. Ambas as posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o modos subtis de fugirmos \u00e0 nossa responsabilidade individual e de recusarmos tomar consci\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es entre o modo como vivemos, as escolhas que fazemos no nosso dia-a-dia e as prioridades que queremos ver inscritas na condu\u00e7\u00e3o dos assuntos p\u00fablicos. S\u00e3o, numa palavra, formas de n\u00e3o aceitar o convite do Papa Jo\u00e3o Paulo II quando escreve: \u201cTodos, de alguma forma, est\u00e3o implicados no compromisso pelo bem comum, na busca constante do bem dos outros como se fosse o pr\u00f3prio\u201d.  3.\tNo actual contexto portugu\u00eas, o pr\u00f3ximo acto eleitoral \u201cn\u00e3o pode limitar-se a resolver uma crise pol\u00edtica, mas deve enfrentar, com serenidade e lucidez, os problemas de fundo do pa\u00eds, apresentando para eles solu\u00e7\u00f5es cred\u00edveis e vi\u00e1veis, a serem escolhidas pelo voto dos portugueses\u201d, afirmam os Bispos portugueses. Para que tal aconte\u00e7a cabe decisiva responsabilidade aos dirigentes partid\u00e1rios, a todos os candidatos e aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Sem apresenta\u00e7\u00e3o clarificadora do que consideram ser os principais problemas e as maiores potencialidades do pa\u00eds, sem propostas para enfrentarem uns e refor\u00e7arem outras, a campanha eleitoral pode reduzir-se a simples habilidades de comunica\u00e7\u00e3o, determinando maior afastamento dos cidad\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o aos seus eleitos. Mas, tal como recordam os Bispos portugueses, cabe tamb\u00e9m, a cada um de n\u00f3s, tudo fazer para \u201cfor\u00e7ar os partidos a porem o acento da sua interven\u00e7\u00e3o na qualidade das propostas que nos fazem, na compet\u00eancia e dignidade das pessoas e n\u00e3o apenas nos discursos que o ambiente de campanha habitualmente inflama\u201d.  4.\tPor todas estas raz\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o de todos e de cada um \u00e9 necess\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 verdadeiro amor crist\u00e3o que se possa alhear das escolhas que determinam boa parte do nosso viver em comum. Ningu\u00e9m se respeita a si pr\u00f3prio se nega o seu labor di\u00e1rio por uma sociedade mais justa e mais fraterna, ao n\u00e3o participar nos momentos em que se escolhem os programas e as pessoas que v\u00e3o presidir, nos pr\u00f3ximos anos, \u00e0 gest\u00e3o da coisa p\u00fablica.    \u201cPara os crist\u00e3os, o crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o\u201d das diferentes propostas pol\u00edticas \u201c\u00e9 o Evangelho e a doutrina social da Igreja\u201d. Crit\u00e9rio que n\u00e3o anula o pluralismo das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos crist\u00e3os, conforme repetidamente o Magist\u00e9rio da Igreja vem sublinhando, mas que exige a cada um o indispens\u00e1vel discernimento pessoal. Escolher, em pol\u00edtica, confronta-nos com as quest\u00f5es que formulamos perante a realidade, com o que nela nos inquieta e com o que desejamos, para n\u00f3s e para os outros, mesmo quando n\u00e3o sabemos como alcan\u00e7\u00e1-lo. Como lembram os Bispos: \u201cN\u00e3o esque\u00e7amos que s\u00f3 tem direito de criticar e denunciar quem se empenha generosamente na busca de solu\u00e7\u00f5es\u201d.   5. Mas, se h\u00e1 algum crit\u00e9rio para aferir da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos crist\u00e3os, ele \u00e9 certamente o da capacidade de anunciar a esperan\u00e7a. O momento que vivemos precisa das vozes da esperan\u00e7a, precisa dos gestos que se pautam pelo fazer bem, precisa de cora\u00e7\u00f5es que acarinhem sonhos de dias melhores e que os partilhem com os demais, precisa de muito investimento nas pessoas e de muita dedica\u00e7\u00e3o ao bem comum, precisa da coopera\u00e7\u00e3o como principal trampolim para a melhoria da nossa vida colectiva, precisa de cada uma e de cada um. N\u00e3o h\u00e1 cidad\u00e3os dispens\u00e1veis, dentro e fora dos partidos pol\u00edticos, quando se trata de criar uma comunidade nacional solid\u00e1ria, desenvolvida, apta a enfrentar com esperan\u00e7a os t\u00e3o incertos dias que se avizinham.  6. Tamb\u00e9m n\u00f3s somos testemunhas de que, apesar de um clima de pessimismo que parece querer instalar-se, encontramos pessoas dispon\u00edveis, interessadas em melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos cidad\u00e3os, o modo de gerir as suas empresas e de aplicar os seus rendimentos, de aperfei\u00e7oar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Em todos os ambientes encontramos pessoas construtoras permanentes e persistentes do bem comum. Multiplicam-se os gestos concretos de solidariedade e de compromisso com os mais pobres, de envolvimento na inova\u00e7\u00e3o, em muitos locais de trabalho e de vida, de melhoria permanente das condi\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia e de promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana, no funcionamento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Precisamos, \u00e9 certo, de criar dispositivos de valoriza\u00e7\u00e3o e de incentivo p\u00fablico a todos e cada um dos portugueses e portuguesas que assim agem. Dispositivos que podem ser muito diversos, mas que se deveriam nortear pela partilha do que de mais positivo se faz e se alcan\u00e7a, pela valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho perseverante que tantos desenvolvem em prol de uma sociedade mais justa e fraterna, pela comunica\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a que tantos desencadeiam em tantos rostos angustiados e esquecidos.   7. A nossa esperan\u00e7a funda-se no amor infinito de Deus que se dirige a cada um dos seres humanos, mulheres e homens, definitivamente irmanados pelo nascimento de Jesus, Deus encarnado, feito um de n\u00f3s. \u201cCom a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, Cristo nos redimiu e resgatou \u2018por um grande pre\u00e7o\u2019, alcan\u00e7ando a salva\u00e7\u00e3o para todos\u201d, escreve o Papa na sua \u00faltima mensagem do Dia Mundial da Paz. A nossa esperan\u00e7a transmite-se nestes gestos fraternos e de procura incessante e dif\u00edcil do bem comum. A nossa esperan\u00e7a alimenta-se na alegria daqueles que eram exclu\u00eddos e encontraram abrigo, daqueles que estavam perdidos e encontraram um rumo para as suas vidas, daqueles que apenas viviam cada hora que passa e descobriram novos sentidos e outros cidad\u00e3os com quem constroem uma vida melhor, para si e para aqueles que lhes est\u00e3o pr\u00f3ximos. A nossa esperan\u00e7a vem de Deus e vive-se com os irm\u00e3os, em comunidade de amor.   Mais do que nunca, neste pr\u00f3ximo m\u00eas, os crist\u00e3os deste pa\u00eds s\u00e3o chamados a serem testemunhas da esperan\u00e7a que abre as portas de um futuro melhor para todos.  Lisboa, 20 de Janeiro de 2005 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[165,237,314],"class_list":["post-9681","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-dia-mundial-da-paz","tag-joao-paulo-ii","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9681\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}