{"id":9660,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/exposicao-sobre-s-sebastiao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"exposicao-sobre-s-sebastiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/exposicao-sobre-s-sebastiao\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o sobre S. Sebasti\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dossier de Imprensa deste evento que est\u00e1 patente ao p\u00fablico, em Santa Maria da Feira, de 19 de Fevereiro a 13 de Mar\u00e7o. <!--more--> Para assinalar a comemora\u00e7\u00e3o dos 500 anos da festa das Fogaceiras, em honra de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, a C\u00e2mara Municipal de Santa Maria da Feira  promoveu a exposi\u00e7\u00e3o de arte e piedade, intitulada \u201cO M\u00e1rtir, corpo ferido na \u00e1rvore\u201d, patente na Igreja da Miseric\u00f3rdia da referida cidade at\u00e9 ao dia 13 de Mar\u00e7o. O evento assume n\u00edvel nacional, dada a qualidade do projecto e por incluir as obras do Alto Minho ao Algarve, que melhor desenvolvam  a tem\u00e1tica definida. A concep\u00e7\u00e3o do itiner\u00e1rio expositivo e a selec\u00e7\u00e3o das obras deve-se ao Comiss\u00e1rio do evento, Carlos Moreira Azevedo, professor de arte crist\u00e3 da Faculdade de Teologia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Museus da Igreja Cat\u00f3lica, j\u00e1 com experi\u00eancia demonstrada em iniciativas semelhantes, bastando lembrar a maior exposi\u00e7\u00e3o de arte religiosa at\u00e9 hoje realizada em Portugal, na Alfandega do Porto, no ano 2000, da qual tamb\u00e9m foi Comiss\u00e1rio Geral. Acresce o facto de ser natural das Terras de Santa Maria da Feira. Dirigiu uma equipa que teve na execu\u00e7\u00e3o o Museu Convento dos L\u00f3ios, chefiada pela sua Directora pela Dr.a Ana Jos\u00e9 Oliveira. O projecto de arquitectura, ousado e criativo para o espa\u00e7o de uma Igreja, deve-se \u00e0 experi\u00eancia das arquitectas Alexandra Borges e Sandra Correia da Silva, sendo a primeira habitual colaboradora nas exposi\u00e7\u00f5es dirigidas por Carlos Azevedo.  Procedeu-se a um levantamento do culto, atrav\u00e9s de um inqu\u00e9rito lan\u00e7ado a todas as par\u00f3quias do pa\u00eds e que obteve 1385 respostas, equivalente a 31,7 % do total existente. Destas, apenas 309 deram resposta negativa acerca de algum testemunho de culto a S\u00e3o Sebasti\u00e3o, o que confirma o enorme impacto do M\u00e1rtir na devo\u00e7\u00e3o portuguesa. Calcula-se que existir\u00e3o perto de 2000 imagens do santo. Apesar da quantidade, o car\u00e1cter repetitivo das figura\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u2013 bra\u00e7o para cima, bra\u00e7o para baixo, flechas e sangue q.b., em corpo mais ou menos elegante \u2013 exigia imagina\u00e7\u00e3o e muita procura para conseguir obter uma recolha diversificada, de qualidade, pedag\u00f3gica, identificando variantes e estabelecendo um programa com leitura interessante e coerente para o visitante ou para o leitor do cat\u00e1logo.  Colaboraram para o empr\u00e9stimo de obras 47 entidades: 4 Museus Nacionais, 4 Museus Regionais, 2 institui\u00e7\u00f5es dependentes do IPPAR, 4 Bibliotecas, 2 C\u00e2maras Municipais, 1 Arquivo, Pa\u00e7o Episcopal de Faro, Cabido da Catedral do Porto, 18 par\u00f3quias distribu\u00eddas por 10 dioceses e finalmente 10 coleccionadores particulares. \u00c9 constitu\u00edda por 67 elementos, que correspondem a 82 esp\u00e9cies, uma vez que h\u00e1 duas s\u00e9ries constitu\u00eddas por vasto conjunto. Integra o acervo exposto uma grande variedade de tipologias art\u00edsticas e documentais: 17 esculturas (do s\u00e9culo XV ao XXI), 23 pinturas (do s\u00e9culo XVI ao s\u00e9culo XIX), 5 marfins, 5 obras de ourivesaria (do s\u00e9culo XV ao XVIII) e 2 metais, 5 t\u00eaxteis, 4 gravuras, 6 manuscritos e 11 livros.  O percurso da exposi\u00e7\u00e3o articula-se em tr\u00eas n\u00facleos: ra\u00edzes do culto, \u00e1rvore da vida e floril\u00e9gio de devo\u00e7\u00e3o. No \u00e1trio, ao lado de um mapa de Portugal com pontos a assinalar os locais com culto de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, est\u00e1 um computador dispon\u00edvel para consulta com registo de todas as imagens que os p\u00e1rocos enviaram, em resposta ao inqu\u00e9rito realizado. 1.\tRa\u00edzes do culto Neste primeiro breve n\u00facleo evocam-se as ra\u00edzes de um culto t\u00e3o alargado ao M\u00e1rtir. Momentos de particular afli\u00e7\u00e3o humana foram as horr\u00edveis pestes, desde a Alta Idade M\u00e9dia. Impedidos de encontrar rem\u00e9dio imediato para as flechas da epidemia a cravar-se nos corpos, apesar dos esfor\u00e7os da medicina medieval (exp\u00f5em-se receitas de rem\u00e9dios do s\u00e9culo XV e um tratado do s\u00e9culo XVII), os olhares do povo crist\u00e3o fixaram-se na figura de S. Sebasti\u00e3o. O m\u00e1rtir acolheu a for\u00e7a de Deus no dom de resistir e vencer o flagelo que lhe atingiu o corpo. O sucesso da sua intercess\u00e3o em Pavia (680) e em Fran\u00e7a, no s\u00e9culo IX, constituem os prim\u00f3rdios de uma invoca\u00e7\u00e3o, que seria alargada por ocasi\u00e3o das pestes medievais. Outras figuras, pelo testemunho da sua vida activa, como S\u00e3o Roque (novena e imagem), curado da ferida pest\u00edfera na sua perna, S\u00e3o Carlos Borromeo (imagem), zeloso no socorro aos empestados da sua diocese, al\u00e9m de Santa Ros\u00e1lia (vida em portugu\u00eas) e de diversos santos, entram na afei\u00e7\u00e3o dos crentes, como sinais da vit\u00f3ria de Deus patente no amor-servi\u00e7o, dispon\u00edvel para enfrentar os males. Constru\u00edram-se capelas (processo da capela de Campelo-Bai\u00e3o, 1717), criaram-se irmandades e mordomias  por todo o pa\u00eds (Estatutos de tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es: Coimbra, Louredo &#8211; Feira e Ponte de Lima) para manter viva a gratid\u00e3o ao M\u00e1rtir. Cuidaram da \u00e1rvore, regando as ra\u00edzes da confiante devo\u00e7\u00e3o.  Tamb\u00e9m o voto dos crist\u00e3os de Santa Maria da Feira, feito a Deus por intercess\u00e3o de S. Sebasti\u00e3o, documentado desde o s\u00e9culo XVI, prometia a celebra\u00e7\u00e3o da festa se, passada a ang\u00fastia, de novo o p\u00e3o tivesse o sabor doce da foga\u00e7a.  2. \u00c1rvore da vida Montado no corpo da Igreja, o n\u00facleo intitulado \u201c\u00e1rvore da vida\u201d recolhe tr\u00eas sectores: 1. A identifica\u00e7\u00e3o do M\u00e1rtir com Cristo. A \u00e1rvore da cruz \u00e9 \u00e1rvore da vida. O m\u00e1rtir crist\u00e3o \u00e9 seguidor de Cristo na plenitude do dom da vida. Tamb\u00e9m a identidade art\u00edstica entre Cristo e Sebasti\u00e3o \u00e9 evidente na dimens\u00e3o formal do corpo: despojado das vestes e preso \u00e0 coluna ou ao madeiro, nas chagas (frequentemente as setas s\u00e3o cinco), no mont\u00edculo rochoso qual evoca\u00e7\u00e3o do Monte do Calv\u00e1rio e na resist\u00eancia e vit\u00f3ria sobre o sofrimento. Rodeia a excepcional imagem de Cristo crucificado do s\u00e9culo XIV (Corpus Christi, de Gaia, invocado nas pestes), o ciclo da vida do M\u00e1rtir mais desenvolvido em Portugal (Tavira), constitu\u00eddo por uma s\u00e9rie de dez pinturas do s\u00e9culo XVIII.  2. O mart\u00edrio das setas \u00e9 o momento preferido como s\u00edntese de todo o itiner\u00e1rio sebastianino testemunhal de f\u00e9 crist\u00e3. Este epis\u00f3dio adapta-se \u00e0 escultura com facilidade. Entre a abund\u00e2ncia de imagens existentes em Portugal, privilegiaram-se as poss\u00edveis variantes: cabe\u00e7a tonsurada ou cabelos fartos; rosto barbudo ou imberbe; m\u00e3os atadas atr\u00e1s das costas, presas por cima da cabe\u00e7a ou dispostas em diagonal; vestido como cavaleiro, com cal\u00e7as ou semi-nu; sereno ou contorcido. 3. Os ciclos da vida, sobretudo na pintura, ilustram os v\u00e1rios momentos a vida do santo. Entre os in\u00edcios do s\u00e9culo XVI e o s\u00e9culo XXI criaram-se formas para perpetuar a mem\u00f3ria dos feitos do M\u00e1rtir. A mentalidade patente nestas obras evoluiu de acordo com a sensibilidade e experi\u00eancia dos artistas e dos clientes de obras de arte. Como se escreve no texto de abertura deste n\u00facleo: \u201cEntra agora em di\u00e1logo com quem observa e se interroga sobre o sentido do sofrimento que nos fere, da doen\u00e7a que nos atinge, das lutas contra os males que nos perturbam\u201d.  3. Floril\u00e9gio da devo\u00e7\u00e3o Subindo ao coro da igreja, o visitante depara com testemunhos da devo\u00e7\u00e3o, de festas p\u00fablicas e de intimidades expressas em sinais de afei\u00e7\u00e3o grata e confiante. Aqui se evocam as festas, preparadas por novenas (apenas se conhece uma), alimentadas por serm\u00f5es (sete de diferentes \u00e9pocas), celebradas em cortejo processional cadenciado por andores (um andor, decorado com flores do Museu do Papel, encimado por rara imagem na qual a condecora\u00e7\u00e3o vermelha, geralmente de tecido, foi adoptada pelo escultor) e bandeiras (tr\u00eas de diversas tipologias). Quer a m\u00fasica (gradual composto no s\u00e9culo XVIII), quer os paramentos (casula com bordado de S\u00e3o Sebasti\u00e3o) emprestam beleza e cor \u00e0 solenidade. O concurso das v\u00e1rias artes servia a glorifica\u00e7\u00e3o do M\u00e1rtir: os preciosos relic\u00e1rios (3), os refinados marfins (5), as pequenas imagens de vulto dos orat\u00f3rios (4), os ing\u00e9nuos ex-votos (Vale de Cambra) e os difundidos registos de santos em lat\u00e3o (1) ou em papel (3), entre tantos pequenos memoriais de reconhecimento. Ao terminar este percurso com a pintura do s\u00e9culo XVI, proveniente do Pal\u00e1cio Nacional de Sintra, com S. Sebasti\u00e3o representado pela figura do rei D. Sebasti\u00e3o, sugere-se a identifica\u00e7\u00e3o do devoto com a vida do m\u00e1rtir, no epis\u00f3dio de libertar os presos. Se o m\u00e1rtir segue Cristo, o fiel que celebra Sebasti\u00e3o quer imitar a sua resist\u00eancia e fortaleza a favor da verdadeira liberdade. Para perpetuar o evento foi produzido um precioso cat\u00e1logo com cerca de 150 p\u00e1ginas, que inclui al\u00e9m das fotografias de todas as obras, estudos de 10 especialistas das v\u00e1rias \u00e1reas dos materiais reunidos. Apostar numa exposi\u00e7\u00e3o como a que hoje se inaugurou \u00e9 um verdadeiro gesto cultural, que ultrapassa muito o car\u00e1cter ef\u00e9mero da montagem e de quem usufruir do prazer de a visitar. Esta iniciativa promoveu a investiga\u00e7\u00e3o, valorizou o patrim\u00f3nio ao aprofundar o seu sentido mais profundo, alimenta a mem\u00f3ria colectiva da comunidade, proporciona o gozo da beleza, a frui\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito t\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 alma contempor\u00e2nea.  A exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberta at\u00e9 ao dia 13 de Mar\u00e7o, com o seguinte hor\u00e1rio: Segunda asexta: 10h \u2013 18,30 h; S\u00e1bado e domingo: 15-18,30 h.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossier de Imprensa deste evento que est\u00e1 patente ao p\u00fablico, em Santa Maria da Feira, de 19 de Fevereiro a 13 de Mar\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[174,185,187,285],"class_list":["post-9660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-algarve","tag-diocese-do-porto","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}