{"id":9656,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-desastre-que-nos-interpela\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-desastre-que-nos-interpela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-desastre-que-nos-interpela\/","title":{"rendered":"Um desastre que nos interpela"},"content":{"rendered":"<p>Comunicado do MMTC sobre a trag\u00e9dia do Oceano \u00cdndico <!--more--> Enquanto em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo homens e mulheres foram e continuam a ser flagelados em resultado de guerras, de actos terroristas, de acidentes de envergadura ou outras cat\u00e1strofes naturais, a humanidade inteira comoveu-se  no dia seguinte ao Natal de 2004 com a trag\u00e9dia que atingiu os pa\u00edses \u00e0 volta do Oceano \u00cdndico: perderam-se mais de 150.000 vidas humanas, cidades inteiras foram destru\u00eddas, milhares de pessoas deslocadas, numerosas infra-estruturas gravemente deterioradas&#8230; A solidariedade nacional e internacional para com as v\u00edtimas manifestou-se muito rapidamente. Em todos os lugares do mundo, as pessoas sentiram-se particularmente afectadas por esta cat\u00e1strofe, devido \u00e0 sua amplitude. Todas estas situa\u00e7\u00f5es nos interpelam. O movimento Mundial dos Trabalhadores Crist\u00e3os n\u00e3o fica indiferente. Porque, por detr\u00e1s de cada um destes dramas p\u00f5e-se a quest\u00e3o das responsabilidades humanas, do tipo de ajuda que ser\u00e1 dada, assim como dos valores e prioridades que orientar\u00e3o a reconstru\u00e7\u00e3o. Em sinal de solidariedade com as v\u00edtimas dos tsunamis e de todos os outros dramas que flagelam o mundo, o Movimento Mundial dos Trabalhadores Crist\u00e3os (MMTC) quer dar a sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o necess\u00e1ria que deve acompanhar o compromisso sobre o terreno e a presen\u00e7a \u00e0s pessoas mais afectadas.  <b>Reconstruir sobre valores s\u00f3lidos e sustent\u00e1veis<\/b> No que diz respeito \u00e0s modalidades e aos objectivos da reconstru\u00e7\u00e3o, parece-nos fundamental partir das necessidades e aspira\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es atingidas. Segundo a nossa maneira de ver, seria um grave erro impor-lhes esquemas de reconstru\u00e7\u00e3o baseados exclusivamente nos interesses dos pa\u00edses acidentais. Propomos que se ponham em pr\u00e1tica procedimentos que favore\u00e7am a democracia participativa e que se d\u00ea, deste modo, a todos os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, a oportunidade de fazerem ouvir a sua voz nas decis\u00f5es que lhes dizem respeito em primeiro lugar. Pensamos que \u00e9 importante que as distintas etapas da reconstru\u00e7\u00e3o sejam inscritas numa perspectiva de justi\u00e7a social, de economia solid\u00e1ria e de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Trata-se, antes de tudo, de p\u00f4r ao servi\u00e7o do bem-estar de cada habitante da nossa terra, os recursos f\u00edsicos, financeiros e humanos. Todos devem ter acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, a um trabalho decente que lhes garanta uma protec\u00e7\u00e3o social adaptada \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o de vida. Tamb\u00e9m \u00e9 indispens\u00e1vel velar pelo respeito do meio ambiente, tanto a curto como a longo prazo. S\u00e3o estes os valores em que cada governo deve investir e n\u00e3o no armamento. Desta maneira, poderemos alcan\u00e7ar melhor os Objectivos do Mil\u00e9nio adoptados pela ONU em 2000.  <b>Membros do MMTC mobilizam-se<\/b> No que diz respeito \u00e0 trag\u00e9dia do Oceano \u00cdndico, nesta fase do per\u00edodo de urg\u00eancia, alguns Movimentos membros do MMTC de pa\u00edses do Norte, est\u00e3o-se mobilizando individualmente atrav\u00e9s de ONG de solidariedade de que s\u00e3o membros (como por exemplo, o CCFD, Solidariedade Mundial, Entraide et Fraternit\u00e9, Cafod ou Weltnotweck, para s\u00f3 citar algumas). Igualmente, os Movimentos do MMTC dos pa\u00edses atingidos pelo maremoto implicam-se activamente nas zonas sinistradas. Oferecem ajuda e compet\u00eancias que s\u00e3o muito apreciadas sobre o terreno. O MMTC alegra-se por ver a imensa solidariedade em numerosos lugares do mundo, mas pensamos que \u00e9 primordial velar para que todas as ajudas sejam bem utilizadas, com o fim de evitar que se penalizem ainda mais as popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 dilaceradas por esta cat\u00e1strofe natural. \u00c9 primordial que cada estado se comprometa a criar rapidamente um sistema de alerta precoce para prever qualquer forma de desastre natural, inclu\u00eddos os tsunamis, de maneira a cuidar melhor a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. Para financiar a aplica\u00e7\u00e3o deste sistema, \u00e0 semelhan\u00e7a dos trabalhos de desenvolvimento e de reconstru\u00e7\u00e3o, o MMTC preconiza a adop\u00e7\u00e3o de um sistema internacional de aplica\u00e7\u00e3o de uma taxa sobre as transac\u00e7\u00f5es financeiras.  <b>A favor de uma perspectiva de desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/b> Os habitantes dos pa\u00edses afectados j\u00e1 deram a conhecer o seu desejo de ver o turismo recome\u00e7ar rapidamente, j\u00e1 que ele gera receitas importantes para a economia local. Chegou o momento de cuidar do desenvolvimento de um turismo que respeite as pessoas que habitam nas regi\u00f5es afectadas. Um turismo \u00e0 escala humana, que favore\u00e7a os encontros interculturais, fonte de riqueza humana, no respeito pelas tradi\u00e7\u00f5es e pelas culturas respectivas. Pensamos que as multinacionais, que se enriqueceram, com demasiada frequ\u00eancia, explorando os habitantes das regi\u00f5es mais desfavorecidas, poderiam, tamb\u00e9m elas, assumir a partir de agora, um papel positivo oferecendo finalmente sal\u00e1rios dignos e condi\u00e7\u00f5es laborais aceit\u00e1veis, a todos os trabalhadores e trabalhadoras. Para que os pa\u00edses sinistrados pelos tsunamis e os afectados por outras cat\u00e1strofes de grande envergadura, n\u00e3o fiquem eternamente dependentes, mas que possam vir a responder \u00e0s necessidades das suas popula\u00e7\u00f5es, pedimos o perd\u00e3o da sua d\u00edvida. Apelamos igualmente ao desenvolvimento de um sistema de com\u00e9rcio equitativo entre todos os pa\u00edses do planeta. Por \u00faltimo, o MMTC faz um apelo \u00e0 vigil\u00e2ncia internacional, para que este impulso solid\u00e1rio para com a \u00c1sia n\u00e3o desvie a aten\u00e7\u00e3o da ajuda a dar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses afectados por diferentes cat\u00e1strofes, e para que a \u00c1frica, que \u00e9 atingida \u201ctodas as semanas, pelo equivalente a um tsunami provocado pelo homem, e que portanto se pode evitar (Tony Blair)\u201d, n\u00e3o seja, mais uma vez, abandonada \u00e0 sua sorte.  <i>Elaborado em Bruxelas, Janeiro de 2005  Brigitte Ndong, Secret\u00e1ria Geral do MMTC<\/i>  <i>Subscrito pela LOC\/ Movimento de Trabalhadores Crist\u00e3os,  Ant\u00f3nio Soares, coordenador nacional<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunicado do MMTC sobre a trag\u00e9dia do Oceano 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