{"id":96378,"date":"2018-02-15T17:40:57","date_gmt":"2018-02-15T17:40:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=96378"},"modified":"2018-02-17T01:53:58","modified_gmt":"2018-02-17T01:53:58","slug":"incontinencia-nas-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/incontinencia-nas-palavras\/","title":{"rendered":"Incontin\u00eancia nas palavras"},"content":{"rendered":"<p><em>Paulo Rocha, Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-96388\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/maos-unidas-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/maos-unidas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/maos-unidas-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/maos-unidas-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/maos-unidas-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/maos-unidas.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/>O debate na pra\u00e7a p\u00fablica sobre assuntos de consci\u00eancia pessoal tem uma configura\u00e7\u00e3o estr\u00e1bica, contradit\u00f3ria mesmo: ditam-se senten\u00e7as sobre a bondade e sobretudo a falta dela a respeito de tomadas de posi\u00e7\u00e3o de terceiros que em nada afetam os seus autores, normalmente comentaristas generalistas. Ou seja, fala-se do que n\u00e3o se conhece por vontade pr\u00f3pria, em perfeita dissintonia de conceitos, atitudes sociais e sobretudo de escolha de mundivid\u00eancias, de op\u00e7\u00f5es de vida de acordo com um horizonte pessoal e grupal, inclua ele ou n\u00e3o a dimens\u00e3o transcendente.<\/p>\n<p>Vem isto a prop\u00f3sito do debate em torno do acesso aos sacramentos da Eucaristia e da Reconcilia\u00e7\u00e3o por casais em segunda uni\u00e3o, que ganhou palco medi\u00e1tico nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da hist\u00f3ria remonta ao s\u00ednodo dos bispos sobre a fam\u00edlia, no Vaticano, em outubro de 2014 e de 2015, e \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de um documento do Papa Francisco, a exorta\u00e7\u00e3o \u201cAmoris Laetitia\u201d, em mar\u00e7o de 2016, com a s\u00edntese dos debates a\u00ed decorridos. No cap\u00edtulo VIII, este documento fala em \u201cacompanhar, discernir e integrar a fragilidade\u201d, para se referir \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos casais em segunda ou posterior uni\u00e3o e para pedir a cada diocese que crie o ambiente e as metodologias para \u201cacompanhar, discernir e integrar\u201d. E surge, neste contexto, a proposta da contin\u00eancia conjugal para casais em segunda uni\u00e3o, cuja primeira n\u00e3o tenha sido declarada nula.<\/p>\n<p>No dia 6 de setembro de 2016, os bispos da Regi\u00e3o Pastoral de Buenos Aires <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/es\/letters\/2016\/documents\/papa-francesco_20160905_regione-pastorale-buenos-aires.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicaram<\/a> uma Nota com \u201cCrit\u00e9rios b\u00e1sicos para a aplica\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo VIII da \u2018<em>Amoris Laetitia\u2019<\/em>\u201d. Escreve-se a prop\u00f3sito do \u201cviver em contin\u00eancia\u201d:<\/p>\n<p><em>Quando as circunst\u00e2ncias concretas de um casal o tornem fact\u00edvel, especialmente quando ambos sejam crist\u00e3os com um caminho de f\u00e9, pode-se propor o compromisso de viver em contin\u00eancia. A \u2018Amoris Laetitia\u2019 n\u00e3o ignora as dificuldades desta op\u00e7\u00e3o (cf. nota 329) e deixa aberta a possibilidade de aceder ao sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, quando se falhe nesse prop\u00f3sito (cf. nota 364, segundo o ensinamento de S. Jo\u00e3o Paulo II ao Cardeal W. Baum, de 22\/03\/1996).<\/em><\/p>\n<p>Uns dias depois, no dia 19 de setembro, no Congresso Pastoral da Diocese de Roma, a <a href=\"http:\/\/www.romasette.it\/wp-content\/uploads\/Relazione2016ConvegnoDiocesano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">interven\u00e7\u00e3o<\/a> do cardeal vig\u00e1rio Agostino Vallini sobre \u201c\u2018A alegria do amor\u2019: o caminho das fam\u00edlias em Roma\u201d, refere-se ao tema nestes termos:<\/p>\n<p><em>Quando, por\u00e9m, as circunst\u00e2ncias concretas de um casal o permitam, ou seja, quando o seu caminho de f\u00e9 tiver sido longo, sincero e progressivo, proponha-se-lhe que viva em contin\u00eancia; se esta op\u00e7\u00e3o for dif\u00edcil de praticar pela estabilidade do casal, Amoris laetitia n\u00e3o exclui a possibilidade de ter acesso \u00e0 Penit\u00eancia e \u00e0 Eucaristia<\/em>. (documentos citados a partir da <em>Revista Lumen<\/em> de outubro de 2016).<\/p>\n<p>Em Portugal, pelo que me apercebi, as dioceses que publicaram documentos sobre a aplica\u00e7\u00e3o das propostas para a pastoral familiar, nomeadamente no que respeita ao cap\u00edtulo VIII da \u2018Amoris Laetitia\u2019, seguiram de forma muito pr\u00f3xima a mesma reda\u00e7\u00e3o de Buenos Aires.<\/p>\n<p><em>\u201cQuando as circunst\u00e2ncias concretas de um casal o tornem fact\u00edvel, especialmente quando ambos sejam crist\u00e3os com um caminho s\u00f3lido de f\u00e9, pode-se examinar a possibilidade do compromisso de viverem em contin\u00eancia conjugal. A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica n\u00e3o ignora as dificuldades desta op\u00e7\u00e3o (cf. AL nota 329) e deixa aberta a possibilidade de aceder ao sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, mesmo quando se falhe nesse prop\u00f3sito&#8221;<\/em> (cf. AL nota 364). (D. Ant\u00f3nio Moiteiro, \u201c<a href=\"http:\/\/s3cdn.observador.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/08184719\/2017-12-05-_acompanhar-discernir-integrar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acompanhar, Discernir, Integra<\/a>r&#8221;, 26 de novembro de 2017, n\u00famero 11)<\/p>\n<p><em>Quando as circunst\u00e2ncias concretas de um casal o tornem fact\u00edvel, especialmente quando ambos sejam crist\u00e3os com um caminho s\u00f3lido de f\u00e9, pode-se examinar a possibilidade do compromisso de viverem em contin\u00eancia conjugal. A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica n\u00e3o ignora as dificuldades desta op\u00e7\u00e3o (cf. AL nota 329) e deixa aberta a possibilidade de aceder ao sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o mesmo quando se falhe nesse prop\u00f3sito.<\/em>\u00a0(cf. AL nota 364). (Arquidiocese de Braga, \u201c<a href=\"http:\/\/www.diocese-braga.pt\/media\/contents\/contents_dCmJJ_\/construir%20a%20casa%20sobre%20a%20rocha.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Construir a Casa sobre a Rocha<\/a>\u201d, 2017, n\u00famero 29)<\/p>\n<p><em>Quanto ao processo: \u00ab\u2026 pode-se propor o compromisso em viver em contin\u00eancia. A Amoris laetitia n\u00e3o ignora as dificuldades desta op\u00e7\u00e3o (cf. nota 329) e deixa aberta a possibilidade de aceder ao sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, quando se falhe nesse prop\u00f3sito (cf. nota 364, segundo o ensinamento de S. Jo\u00e3o Paulo II ao Cardeal W. Baum, de 22\/03\/1996)\u00bb.<\/em> (D. Manuel Clemente, \u201c<a href=\"http:\/\/www.patriarcado-lisboa.pt\/site\/index.php?id=8626\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nota para a rece\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo VIII da exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u2018Amoris Laetitia<\/a>\u2019\u201d, 6 fevereiro 2018, n\u00famero 2, b).\u00a0Depois, no n\u00famero 5, d do mesmo documento, quando refere \u201cal\u00edneas operativas\u201d: <em>Quando a validade se confirma, n\u00e3o deixar de propor a vida em contin\u00eancia na nova situa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Assim, parece claro que as refer\u00eancias das lideran\u00e7as da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal sobre contin\u00eancia conjugal, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, tem o mesmo enquadramento, segue a mesma reda\u00e7\u00e3o e \u00e9 quase c\u00f3pia do documento de Buenos Aires (e a mesma an\u00e1lise seria interessante fazer a respeito de outros temas). Para al\u00e9m deste aspeto, a considerar sempre em situa\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas e nunca como regra geral seja para quem for, tenho por verdade que a vida em fam\u00edlia resolve-se em fam\u00edlia e na consci\u00eancia de cada um. Claro que com as indica\u00e7\u00f5es de quem tem de, por dever, definir enquadramentos de pensamento e de a\u00e7\u00e3o (seja no \u00e2mbito social, jur\u00eddico, \u00e9tico ou religioso), incluindo as v\u00e1rias sensibilidades e perspetivas onde se revejam todas e todos os que possam estar implicados no assunto. Tudo o resto n\u00e3o passa de uma certa &#8220;incontin\u00eancia nas palavras&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Rocha, Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":90469,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[334,172,206,237,274,294,311],"class_list":["post-96378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-amoris-laetitia","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-papa-francisco","tag-sacramentos","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96378\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}