{"id":9630,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/restos-de-onda\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"restos-de-onda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/restos-de-onda\/","title":{"rendered":"Restos de onda"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo com novos dados a chegar constantemente sobre a trag\u00e9dia planet\u00e1ria do Sudeste Asi\u00e1tico, uma coisa \u00e9 certa: nunca o mundo seguiu t\u00e3o de perto com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o, o desenrolar progressivo de uma trag\u00e9dia, onde a primeira not\u00edcia indiciava a gravidade do fen\u00f3meno mas nunca o desastre da dimens\u00e3o humana e geol\u00f3gica que atingiu. Foi mais uma brutal aprendizagem sobre o homem, o cosmos, a conting\u00eancia, a precariedade de todo o ser criado, provido ou n\u00e3o de vida \u2013 quem diz, exactamente, o que \u00e9 a vida no macro e no micro cosmos?  Mesmo com o nervosismo da not\u00edcia em primeira-m\u00e3o e da hist\u00f3ria mais bem contada, os media foram, mais uma vez, o la\u00e7o global que n\u00e3o deixou ningu\u00e9m de fora. Nem mil imagens contaram o que se passou. Mas nunca ocorreu, possivelmente, na hist\u00f3ria da humanidade um acontecimento num recanto do mundo transcender-se em onda de emo\u00e7\u00e3o e solidariedade, porventura mais forte que a ressaca trai\u00e7oeira que reduziu a escombros tantas vidas e tantos sonhos, derrubando cidades, sepultando ilhas, semeando a dor e o desencanto. Como todas as vagas, tamb\u00e9m esta, com o tempo, parece desvanecer-se na praia das areias recalcadas das not\u00edcias. O facto \u00e9 que, mesmo cansadas, as pessoas continuam, por uma esp\u00e9cie de instinto de defesa, a querer saber tudo o que acontece, mormente os pequenos milagres de verdadeiros imposs\u00edveis que se encontram e recontam nos oceanos de lameiro e destro\u00e7os em que se tornaram muitos dos locais de luxo, procurados para o lazer. O Patriarca de Lisboa prop\u00f4s uma reflex\u00e3o certa e oportuna, oferecendo a leitura do livro da f\u00e9 para o que parece simplesmente absurdo. E, como toda a Igreja em Portugal e tantos movimentos e obras de solidariedade, convocou os crist\u00e3os para esta miss\u00e3o nobre de estarem presentes no abra\u00e7o e na ajuda eficaz \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o das pessoas e das cidades. Ouvimos muitas not\u00edcias. Vimos, melhor que nunca, a dimens\u00e3o duma trag\u00e9dia. Com o passar do tempo, vamo-nos apercebendo cada vez mais que, do tanto que aconteceu a tantos, n\u00e3o conhecemos mais que \u00ednfimos fragmentos. Para n\u00e3o falarmos nos oceanos enigm\u00e1ticos de dor e tristeza que invadiram tantos cora\u00e7\u00f5es que aflitivamente sucumbiram. Desses, nem uma cr\u00f3nica nem um gemido. \u00c9 por isso que a infinidade de Deus supera todas as not\u00edcias. E guarda o que nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com novos dados a chegar constantemente sobre a trag\u00e9dia planet\u00e1ria do Sudeste Asi\u00e1tico, uma coisa \u00e9 certa: nunca o mundo seguiu t\u00e3o de perto com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o, o desenrolar progressivo de uma trag\u00e9dia, onde a primeira not\u00edcia indiciava a gravidade do fen\u00f3meno mas nunca o desastre da dimens\u00e3o humana e geol\u00f3gica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[168,314],"class_list":["post-9630","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-diocese-da-guarda","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9630"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9630\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}