{"id":9528,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/expectativas-de-paz-no-sudao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"expectativas-de-paz-no-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/expectativas-de-paz-no-sudao\/","title":{"rendered":"Expectativas de paz no Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O governo sudan\u00eas e os rebeldes sulistas &#8211; ap\u00f3s quase tr\u00eas anos de negocia\u00e7\u00f5es &#8211; assinaram no passado Domingo, em Nairobi, o acordo de paz final para acabar com a guerra civil no Sul do Sud\u00e3o. A paz assinada no Qu\u00e9nia coloca um ponto final a mais de 20 anos de guerra, mas n\u00e3o se deve confundir este conflito com a guerra em curso no Darfur, regi\u00e3o do oeste do pa\u00eds, que faz fronteira com o Chade. O conflito, que op\u00f5e o Norte mu\u00e7ulmano ao Sul crist\u00e3o e animista, dura h\u00e1 21 anos e provocou a morte de cerca de dois milh\u00f5es de pessoas. Muitas mais foram obrigadas a deixar as suas casas e fugir para pa\u00edses vizinhos.  A partir de Julho, o Sul gozar\u00e1 de autonomia durante seis anos, sendo depois organizado um referendo em que pode optar pela independ\u00eancia. Nesse caso, o Sud\u00e3o ficar\u00e1 dividido em dois, devendo nascer no Sul (que actualmente produz 320 mil barris de petr\u00f3leo por dia) uma nova na\u00e7\u00e3o.  Apesar de a assinatura do acordo ser um grande passo, outro conflito, no Oeste do Sud\u00e3o, parece estar longe do fim o da regi\u00e3o do Darfur. Os confrontos, entre os mu\u00e7ulmanos das tribos \u00e1rabes (alegadamente armadas pelo poder central) e as de origem africana, j\u00e1 fizeram 70 mil mortos desde 2003.   <i>A guerra no sul do Sud\u00e3o<\/i> O conflito no sul do Sud\u00e3o eclodiu em 1983, quando foi introduzida a shari\u2019a nas regi\u00f5es meridionais do pa\u00eds. Os povos do sul, que s\u00e3o na maioria animistas e crist\u00e3os, revoltaram-se contra o governo. O conflito do sul do Sud\u00e3o \u00e9, na realidade, muito complexo. Muitas vezes, afirma-se que os mu\u00e7ulmanos do norte oprimem os crist\u00e3os do sul, dando uma validade religiosa \u00e0 guerra. Na realidade, o factor religioso \u00e9 somente um dos elementos, que esconde todos os outros.  Trata-se, pelo menos em parte, de uma guerra econ\u00f3mica. O sul, de facto, \u00e9 privado de todas as riquezas. N\u00e3o somente do petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m da madeira apreciada (mogno tek, etc.). Nas regi\u00f5es controladas pelo ex\u00e9rcito governamental, florestas inteiras desapareceram. Os soldados, quando conquistam uma cidade, deixam de p\u00e9 somente os muros: levam tudo embora, m\u00f3veis decorativos, e at\u00e9 mesmo os umbrais das portas.  H\u00e1 ainda factores \u00e9tnicos e culturais, alguns muito antigos: por exemplo, a heran\u00e7a da escravid\u00e3o praticada pelos povos do norte contra os do sul, que tem motiva\u00e7\u00f5es raciais.  Mas o conflito norte-sul n\u00e3o explica tudo. O ex\u00e9rcito governamental, por exemplo, \u00e9 formado por pessoas origin\u00e1rias do sul. Isso porque, para muitos, recrutar-se \u00e9 o \u00fanico modo para sobreviver. O sal\u00e1rio de um soldado, de facto, \u00e9 superior ao de um professor universit\u00e1rio. Quem se opunha \u00e0s tropas governamentais era o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo Sudan\u00eas (SPLA), o principal grupo de guerrilha do Sud\u00e3o meridional, cujo l\u00edder, John Garang, assinou a paz com o governo sudan\u00eas. Um dos pontos principais do acordo prev\u00ea, n\u00e3o por acaso, a divis\u00e3o dos recursos petrol\u00edferos entre o governo de Cartum e a administra\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma das regi\u00f5es meridionais.  O conflito no Darfur tem, ao inv\u00e9s, uma origem diferente. <i>Darfur<\/i> Darfur sempre foi uma regi\u00e3o muito pobre, sem recursos e infra-estruturas. Os habitantes da regi\u00e3o, os Fur (daqui o nome \u201cDarfur\u201d, que em \u00e1rabe significa \u201ccasa dos Fur\u201d), s\u00e3o principalmente agricultores.  No decorrer dos anos, outros povos foram para o Darfur, na maioria pastores \u00e1rabes provenientes de diferente partes do Sud\u00e3o. Nos anos passados, periodicamente, eclodiam entre os agricultores Fur e pastores \u201cestrangeiros\u201d conflitos por causa da \u00e1gua e da partilha das poucas terras f\u00e9rteis, que eram resolvidos recorrendo aos tradicionais m\u00e9todos de media\u00e7\u00e3o tribal. Os Fur sempre acusaram o governo central de ignorar a sua regi\u00e3o, negando-lhes os meios para se desenvolverem. N\u00e3o h\u00e1 hospitais, nem estradas. Nasceram, ent\u00e3o, dois movimentos de guerrilha em oposi\u00e7\u00e3o ao governo, que reivindicam uma maior aten\u00e7\u00e3o por parte de Cartum para a regi\u00e3o. A reac\u00e7\u00e3o do governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rebeli\u00e3o do Darfur foi feroz. O conflito latente entre os agricultores e os pastores foi manipulado, transformando-o numa guerra aberta.  Os pastores \u00e1rabes foram organizados na mil\u00edcia Janjaweed que, com o apoio dos helic\u00f3pteros e dos avi\u00f5es do ex\u00e9rcito regular, ataca de modo sistem\u00e1tico as aldeias da popula\u00e7\u00e3o, que se sup\u00f5e apoie a rebeli\u00e3o.  A guerra no Darfur n\u00e3o tem uma motiva\u00e7\u00e3o religiosa, porque os antagonistas s\u00e3o todos mu\u00e7ulmanos, mas tem origem na composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da regi\u00e3o. <i>Ag\u00eancia FIDES<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo sudan\u00eas e os rebeldes sulistas &#8211; ap\u00f3s quase tr\u00eas anos de negocia\u00e7\u00f5es &#8211; assinaram no passado Domingo, em Nairobi, o acordo de paz final para acabar com a guerra civil no Sul do Sud\u00e3o. A paz assinada no Qu\u00e9nia coloca um ponto final a mais de 20 anos de guerra, mas n\u00e3o se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-9528","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9528\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}