{"id":95188,"date":"2018-02-06T11:59:21","date_gmt":"2018-02-06T11:59:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=95188"},"modified":"2018-02-06T12:03:12","modified_gmt":"2018-02-06T12:03:12","slug":"a-cruz-escondida-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-4\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Uma casa de portas abertas na fronteira entre a Bol\u00edvia e o Chile<\/em><!--more--><\/p>\n<h3><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-95191 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/fais_chile-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/fais_chile-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/fais_chile-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/fais_chile-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/fais_chile-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/fais_chile.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Um peda\u00e7o de C\u00e9u<\/h3>\n<p>Em Pisiga, entre a Bol\u00edvia e o Chile, h\u00e1 uma casa que est\u00e1 sempre de portas abertas. \u00c9 o centro de acolhimento das Filhas da Caridade. Ali dentro, um punhado de religiosas devolve a dignidade a pessoas desesperadas. S\u00e3o migrantes, muitos est\u00e3o ilegais e s\u00e3o vistos como cidad\u00e3os de segunda categoria. Todos os dias, a Irm\u00e3 Fanny Lupa faz um milagre: transforma desespero em esperan\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Em Pisiga, no alto da montanha, numa terra de ningu\u00e9m na fronteira do Chile com a Bol\u00edvia, a casa das irm\u00e3s \u00e9 como um o\u00e1sis no meio do deserto. A porta est\u00e1 sempre aberta e as irm\u00e3s n\u00e3o fazem perguntas. Apenas acolhem e ajudam. Muitos dos que passam pela casa das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo s\u00e3o pessoas desesperadas. A Irm\u00e3 Fanny Lupa conhece os seus lamentos, os gritos de dor e comove-se com as suas l\u00e1grimas. Por ali, pelo ch\u00e3o enrugado, pedregoso, daquele deserto, escutam-se passos de pessoas, de centenas de homens, mulheres e crian\u00e7as que procuram fugir da pobreza extrema que os persegue desde sempre. Esther, colombiana, 44 anos, est\u00e1 sentada numa cadeira na casa das irm\u00e3s. Est\u00e1 ao lado dos seus quatro filhos. Est\u00e1 a chorar. \u201cEles dependem de mim. Eu sou m\u00e3e e pai ao mesmo tempo e estou disposta a lutar por eles. Tudo o que fa\u00e7o \u00e9 para os meus filhos\u201d. A Irm\u00e3 Fanny escuta Esther com toda a aten\u00e7\u00e3o, comovendo-se com as suas l\u00e1grimas, olhando-a com toda a ternura do mundo. Esther e os filhos chegaram ali, \u00e0 casa de acolhimento das irm\u00e3s, depois de uma semana de caminhada sem praticamente nada para comer nem roupa adequada para o frio incr\u00edvel que se faz sentir durante a noite. Foram recebidos com um ch\u00e1 quente que ajuda a retemperar for\u00e7as, cor, energia. A casa das irm\u00e3s \u00e9, de facto, um o\u00e1sis no meio daquele deserto. Esther nunca mais ir\u00e1 esquecer o momento em que entrou naquela casa, o sorriso das irm\u00e3s, o acolhimento que recebeu. Ali, no meio do deserto, em Pisiga, o C\u00e9u tem a forma de uma casa com um quarto com beliches e uma cozinha onde, numa panela, a comida vai ganhando sabor. \u201cAs irm\u00e3s n\u00e3o sabem quem s\u00e3o as pessoas que lhes batem \u00e0 porta&#8230; E no entanto, elas abrem e dizem: &#8216;Entre!&#8217; \u00a0Imediatamente, as irm\u00e3s oferecem um quarto, comida, abrigo\u2026 Estas mulheres s\u00e3o, verdadeiramente, uma ben\u00e7\u00e3o!&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Cidad\u00e3os de segunda<\/h3>\n<p>Uma destas mulheres, a Irm\u00e3 Fanny Lupa, sabe que o pouco dado com amor vale muito. E ali, no meio do deserto, um banho de \u00e1gua quente vale mais do que todo o ouro do mundo. As irm\u00e3s preocupam-se em ajudar todos os viajantes que passam pelo centro de acolhimento. Escutam as suas hist\u00f3rias, identificam problemas, aconselham solu\u00e7\u00f5es. D\u00e3o esperan\u00e7a. A esmagadora maioria dos que passam por ali transportam consigo hist\u00f3rias profundamente tristes. S\u00e3o pessoas que a sociedade n\u00e3o soube acolher, n\u00e3o soube compreender. S\u00e3o pessoas em fuga. S\u00e3o pessoas desesperadas. O centro de acolhimento come\u00e7ou por ser uma pequena casa alugada. Mas n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es. Era tudo inadequado: a casa de banho, a cozinha, os dormit\u00f3rios\u2026 Muitas vezes, as irm\u00e3s at\u00e9 dormiam no ch\u00e3o para que todos pudessem ser acolhidos com dignidade. H\u00e1 quatro anos, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9KT3XiK6A6k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/a>, foi poss\u00edvel construir um edif\u00edcio novo, com capela e pain\u00e9is solares para que a energia n\u00e3o seja um custo extra. A Irm\u00e3 Fanny n\u00e3o se cansa de agradecer a generosidade dos benfeitores da AIS. \u201cN\u00e3o estamos sozinhas. Connosco est\u00e3o todos v\u00f3s, que nos permitem tornar realidade esta miss\u00e3o no meio dos nossos irm\u00e3os migrantes. Que Deus aben\u00e7oe infinitamente por t\u00e3o grande trabalho todos os benfeitores desta grande <a href=\"http:\/\/www.fundacao-ais.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre<\/a>.\u201d Todos os dias, a Irm\u00e3 Fanny Lupa devolve dignidade a pessoas desesperadas. Todos os dias, esta irm\u00e3 transforma l\u00e1grimas em sorrisos. Em esperan\u00e7a. A casa das irm\u00e3s \u00e9, gra\u00e7as aos benfeitores da AIS, um peda\u00e7o de C\u00e9u no meio daquele deserto.<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_77695\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9KT3XiK6A6k?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma 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