{"id":9509,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mudancas-para-a-guarda\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mudancas-para-a-guarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mudancas-para-a-guarda\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as para a Guarda"},"content":{"rendered":"<p>A Diocese da Guarda ir\u00e1 receber no pr\u00f3ximo dia 16 de Janeiro o novo Bispo Coadjutor D. Manuel da Rocha Fel\u00edcio, numa cerim\u00f3nia marcada para as 16h00, na S\u00e9 Catedral. Em entrevista \u00e0 ECCLESIA, o prelado fala do que espera da sua nova miss\u00e3o <!--more--> <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/d_manuel_felicio_peq.jpg\" align=\"left\"><i>Ecclesia &#8211; Como recebeu a nomea\u00e7\u00e3o? D. Manuel Fel\u00edcio \u2013<\/i> Recebi a nomea\u00e7\u00e3o com serenidade, sabendo que \u00e9 um mundo, em parte, de onde eu j\u00e1 venho porque a minha diocese \u00e9 vizinha, que colabora em muito com a Diocese da Guarda. Ali\u00e1s, alguns servi\u00e7os de que eu era respons\u00e1vel em Viseu tamb\u00e9m eram servi\u00e7os da Diocese da Guarda. Recebi com serenidade e tranquilidade, na certeza por\u00e9m que \u00e9 um desafio grande ajudar uma nova diocese.   <i>E \u2013 Ajuda o facto de ter sido auxiliar durante dois anos em Lisboa? MF \u2013<\/i> Sem d\u00favida! Estou convencido que este est\u00e1gio de dois anos me vai ajudar no meu servi\u00e7o.  <i>E &#8211; Como se aprende a ser Bispo? MF \u2013<\/i> O Bispo aprende, primeiramente, com os padres que est\u00e3o mais directamente a colaborar com ele. H\u00e1 uma corresponsabiliza\u00e7\u00e3o, da procura de novos caminhos partilhada por todos, onde cada um d\u00e1 o melhor da sua criatividade e do seu empenho. Encontrei em Lisboa padres maravilhosos e aprendi muito tamb\u00e9m com o di\u00e1logo com o Cardeal-Patriarca, o Bispo desta diocese. \u00c9 um homem metido dentro dos problemas da Igreja e dos problemas da sociedade e que como ningu\u00e9m, sabe fazer o entrosamento de uma presen\u00e7a da Igreja num mundo social que tem mil dificuldades e mil problemas.  <i>E \u2013 Ser nomeado Coadjutor significa que \u00e9 um Bispo que vai estar com outro bispo\u2026 MF \u2013<\/i> Trabalhar na mesma diocese com D. Ant\u00f3nio Santos d\u00e1-me uma alegria muito grande, porque somos amigos de longa data: eu sendo respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o em Viseu \u00e0 frente de um instituto que tamb\u00e9m servia a Diocese da Guarda, colaboramos muito um com o outro, ele fez o favor de ter sempre um grande apre\u00e7o pela minha pessoa, talvez at\u00e9 mais do que eu merecia, e eu tamb\u00e9m tive sempre um grande apre\u00e7o por ele.  N\u00e3o \u00e9 por acaso que ele foi um dos Bispos que eu convidei para ser consagrante na minha ordena\u00e7\u00e3o episcopal. Por todas as raz\u00f5es eu estou muito contente por ir colaborar com ele.  \u00c9 certo que ele agora passa por uma crise de sa\u00fade com a sua gravidade. Mas espero que Deus lhe devolva a sa\u00fade e n\u00f3s sejamos dois Bispos a trabalhar, cada um a p\u00f4r ao servi\u00e7o da Diocese, do presbit\u00e9rio e das institui\u00e7\u00f5es os seus conhecimentos e as suas capacidades. E era isto que, neste momento, a Guarda pecisava.  <i>E &#8211; Como espera encontrar\u00e1 a Diocese MF \u2013<\/i> Vou ver!  \u00c9 certo que j\u00e1 dialoguei com pessoas que conhe\u00e7o, que reuni alguns dados, mas estou sobretudo com esta disponibilidade de ir, observar, ver com os intervenientes nos processos como \u00e9 que as coisas est\u00e3o a evoluir.  Certamente que h\u00e1 j\u00e1 algumas decis\u00f5es, ou op\u00e7\u00f5es que est\u00e3o mais ou menos \u201ccozinhadas\u201d e ser\u00e1 necess\u00e1rio dar-lhe o \u201cempurr\u00e3o\u201d final para elas tomarem corpo. De momento, eu vou com essa disposi\u00e7\u00e3o: conversar com os que est\u00e3o no terreno, conhecer sobretudo os padres, saber que responsabilidades t\u00eam, como se sentem nessas responsabilidades, como se est\u00e1 a gerir a multiplica\u00e7\u00e3o de responsabilidades paroquiais (onde h\u00e1 170 padres para 365 par\u00f3quias, um padre tem que ter muitas par\u00f3quias). Quando um padre tem 4 ou 5 par\u00f3quias (sei que h\u00e1 quem tenha 6) irei averiguar a popula\u00e7\u00e3o que existe, o quadro e volume de servi\u00e7o que isso envolve e, com os \u00f3rg\u00e3os pr\u00f3prios da Diocese (que est\u00e1 organizada), tomar as decis\u00f5es que a realidade imp\u00f5e. Com certeza e na medida em que a sa\u00fade o permitir, procurarei sempre que as decis\u00f5es sejam tomadas com D. Ant\u00f3nio dos Santos. Quando as circunst\u00e2ncias n\u00e3o permitirem que participe em todo o processo da decis\u00e3o, levar-lhe-ei sempre as decis\u00f5es em primeiro lugar.  <i>E &#8211; Est\u00e1 em causa uma reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa da diocese? MF \u2013<\/i> \u00c9 muito dif\u00edcil entrar numa organiza\u00e7\u00e3o administrativa. Extinguir uma par\u00f3quias poderia ser raz\u00e3o para cair o Carmo e Trindade: s\u00e3o tradi\u00e7\u00f5es que existem, s\u00e3o formas da vida social ser organizada\u2026 N\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 em causa. O que est\u00e1 em causa \u00e9 dialogar com os sacerdotes, ver qual a carga de trabalho que eles t\u00eam, como \u00e9 que se poderia fazer melhor com a mesma disponibilidade em agentes, que outros agentes poderiam completar os sacerdotes. Por exemplo, neste momento, a Guarda ainda n\u00e3o tem Di\u00e1conos Permanentes. Irei ver, dialogar com as pessoas, para ver em que medida \u00e9 que se justifica avan\u00e7ar por esse caminho. E outros minist\u00e9rios que possam ser valorizados: o de leitor e ac\u00f3lito, que n\u00f3s ainda n\u00e3o temos institu\u00eddos em Portugal a n\u00e3o ser na caminhada para o minist\u00e9rio sacerdotal, ver em que medida poder\u00e3o ter o seu lugar. E minist\u00e9rios que n\u00e3o s\u00e3o institu\u00eddos, mas que s\u00e3o servi\u00e7os em colaborar na vida da Igreja. H\u00e1 ordens religiosas a trabalhar, e muito empenhada\u2026  <i>E \u2013 Que espera fazer para aproveita o potencial da Serra da Estrela? MF &#8211;<\/i> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Serra e as potencialidades que ter\u00e1, isso s\u00e3o campos ainda por explorar. Sem d\u00favida, a Serra da Estrela e todo esse maci\u00e7o central da serra destina-se a ser um lugar de muita procura. Basta ver quando surgem dois dias com neve, as pessoas fogem para l\u00e1\u2026 e nenhuma estrada resiste\u2026 Isso envolve que os poderes p\u00fablicos d\u00eaem conta que aquele lugar tem uma voca\u00e7\u00e3o, uma voca\u00e7\u00e3o social importante, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de turismo: as pessoas t\u00eam necessidade do reencontro com a natureza. Na Serra da Estrela acontece, de facto, esse reencontro. A\u00ed, a colabora\u00e7\u00e3o da Igreja tem um apalavra a dizer.  J\u00e1 h\u00e1 algumas refer\u00eancias: vamos \u00e0 Serra e encontramos a Senhora dos Pastores, encontramos inclusivamente um espa\u00e7o religioso na Torre, ligado a instala\u00e7\u00f5es militares, que eu n\u00e3o sei como est\u00e1 neste momento. Isto significa que estes lugares, por si mesmo, atraem e s\u00e3o uma oportunidade dada \u00e0s pessoas que procuram estes lugares para completarem a vida. Quem vive em grandes cidades, a vida adquire demasiada artificialidade. E n\u00f3s quer\u00edamos devolver \u00e0s pessoas todo o bem-estar conjunto das suas vidas. Por isso, o aproveitamento da Serra da Estrela, nas mais variadas val\u00eancias que ela tem, incluindo o aspecto da contempla\u00e7\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o com Deus \u00e9 tamb\u00e9m um ponto a ter em conta no futuro.  <i>E \u2013 As aldeias hist\u00f3ricas come\u00e7am a caracterizar a regi\u00e3o da Guarda. Elas s\u00e3o apenas produtos tur\u00edsticos? MF \u2013<\/i> Eu pessoalmente desejava que fossem mais. Em Sortelha, por exemplo: sentimo-nos l\u00e1 bem! Sentimos que \u00e9 um mundo acolhedor, bem preparado que, valorizando a tradi\u00e7\u00e3o daquela terra, cria condi\u00e7\u00f5es que atraem, deixam boa disposi\u00e7\u00e3o\u2026 a pr\u00f3pria muralha, as casas respeitadas na sua tra\u00e7a original, o Castelo preservado, aquele lugar central onde as pessoas se encontram, a igreja com o seu granito a impor-se! Desejo que isto n\u00e3o seja apenas para turista ver! Antes que se possam criar condi\u00e7\u00f5es para que as pessoas tenham ali a sua casa, tenham ali o seu modo de vida agrad\u00e1vel. Claro que temos que considerar um problema: muitos destes meios n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para fixar ali as pessoas, terem fontes de rendimento para organizar a sua vida e viverem l\u00e1.  Em muitos lugares ser\u00e1 poss\u00edvel, pelo desenvolvimento do turismo, pela valoriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es locais e do patrim\u00f3nio cultural das terras (o artesanato, por exemplo).  <i>E \u2013 S\u00e3o locais que recuperam tra\u00e7os originais da hist\u00f3ria, que noutros tempos tinham muito de religioso. Hoje, ele esquecido? MF \u2013<\/i> N\u00e3o \u00e9! Em Sortelha, por exemplo, n\u00e3o \u00e9. Tem a igreja paroquial, bem conservada. O elemento religioso muito presente. Precisamos \u00e9 que ele n\u00e3o apenas evoque o passado, mas seja apresentado de forma a entusiasmar pessoas que visitam a viv\u00ea-lo. Pessoas que nas cidades n\u00e3o t\u00eam tempo para nada, podem passar 3, 4 dias nestas aldeias, descansam e fazem o seu encontro com Deus, atrav\u00e9s dos elementos que ali est\u00e3o, onde as igrejas s\u00e3o os elementos mais evidentes, mas h\u00e1 cruzeiros e outras imagens.  <i>E &#8211; A Guarda ser\u00e1 cada vez mais uma diocese onde acontece a mobilidade de pessoas externa e interna? MF \u2013<\/i> A mobilidade est\u00e1, de facto, em curso. Nestas terras, a mobilidade \u00e9 dos pequenos centros para os grandes centros. As cidades, as vilas, crescem; as aldeias n\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m um fluxo migrat\u00f3rio para aquela regi\u00e3o, pelo menos durante algum tempo: o maci\u00e7o da serra \u00e9 um destino natural das pessoas (s\u00f3 espero \u00e9 que os acessos sejam cada vez melhores!) Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a Serra: as aldeias hist\u00f3ricas, o Vale do C\u00f4a\u2026 Espero que haja aten\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos para que as pessoas possam ir e possam usufruir dos valores que l\u00e1 existam.   As pessoas ir\u00e3o ainda sair. Mas espero que saiam por pouco tempo e, refeita a sua vida, a sua economia, possam regressar aos seus lugares, valoriz\u00e1-los, melhor\u00e1-los, porque temos que tornar as nossas terras apetecidas!  <i>E \u2013 \u00c9 a favor ou contra as portagens na A23? MF &#8211;<\/i> N\u00e3o sou pol\u00edtico ou economista. N\u00e3o sei como se h\u00e3o-de gerir as despesas do pa\u00eds, garantindo as receitas\u2026 Se \u00e9 indispens\u00e1vel ir buscar como receitas as portagens da A23 ou se podemos ir buscar receitas a outro lado, \u00e9 um assunto sobre o qual eu n\u00e3o posso tomar decis\u00e3o. Os pol\u00edticos que o fa\u00e7am e n\u00f3s estamos c\u00e1 para os julgar, no lugar pr\u00f3prio, de acordo com as decis\u00f5es que tomarem.  <i>E &#8211; O que leva de novo para a Diocese? MF \u2013<\/i> As coisas novas h\u00e3o-de brotar da Diocese. Se calhar j\u00e1 l\u00e1 est\u00e3o.  A mim compete-me apenas ajudar a discernir quais s\u00e3o as novidades que vamos introduzir nos nossos programas pastorais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Diocese da Guarda ir\u00e1 receber no pr\u00f3ximo dia 16 de Janeiro o novo Bispo Coadjutor D. Manuel da Rocha Fel\u00edcio, numa cerim\u00f3nia marcada para as 16h00, na S\u00e9 Catedral. 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