{"id":9507,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-senhor-dos-dias\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-senhor-dos-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-senhor-dos-dias\/","title":{"rendered":"O senhor dos dias"},"content":{"rendered":"<p>O tempo comum da liturgia \u00e9 exactamente isso: a celebra\u00e7\u00e3o do tempo onde aparentemente nada acontece, sem festas de maior, a n\u00e3o ser aquelas que o tempo foi semeando dentro da notoriedade das pessoas ou dos acontecimentos. Quando arrumamos os pres\u00e9pios e as prendas se sujeitam ao natural desgaste de perderem a novidade, a vida retoma o seu tom natural, com os fins-de-semana ou a perspectiva dos feriados transformados em suced\u00e2neos do dia sagrado dos crentes. Nos nossos lados, mesmo para os n\u00e3o crist\u00e3os, o domingo acabou por imperar socialmente como o dia de repouso. H\u00e1 alguns crist\u00e3os que julgam prestar um enorme favor a Deus pelo facto de, ao domingo, d\u2019Ele se lembrarem, dando-se mesmo ao inc\u00f3modo de interromper o merecido descanso para irem ao templo e assistirem a uma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que, por muito actualizada que esteja \u201cainda n\u00e3o se moldou a um \u201cfast food, refei\u00e7\u00e3o ligeira, aquecida apressadamente no micro-ondas e rapidamente deglutida no intervalo de dois sil\u00eancios\u201d. O domingo \u00e9 muito mais que um componente do fim-de-semana. Como tamb\u00e9m um dia santo \u00e9 mais que um saboroso feriado que vem cortar a agrura dos dias intermin\u00e1veis de trabalho. Precisamos revisitar continuamente o sentido sacral e ritualizado do tempo. E remeter-nos \u00e0s grandes mem\u00f3rias onde se radica a nossa f\u00e9 e a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria que a envolve e explica. Na l\u00f3gica do consumo individual, utilit\u00e1rio e rent\u00e1vel de objectos e eventos, n\u00e3o chegaremos \u00e0 dimens\u00e3o transcendente da viv\u00eancia crist\u00e3 ao evocar acontecimentos como a Ceia, a Morte e a Ressurei\u00e7\u00e3o de Cristo. Tudo isso, nessa perspectiva, n\u00e3o passar\u00e1 de rendilhado bafiento para iniciados ou apenas desiludidos da modernidade. O domingo &#8211; lembro uma Carta do Papa &#8211; \u00e9 a P\u00e1scoa da semana, a vit\u00f3ria sobre a morte, o primeiro dia do mundo e a prefigura\u00e7\u00e3o do \u00faltimo. O domingo est\u00e1 no centro do mist\u00e9rio do tempo, \u00e9 o eixo da hist\u00f3ria com refer\u00eancia \u00e0 origem e ao destino final da humanidade. Tem horizonte muito mais amplo que qualquer fim-de-semana alucinante ou o estado de distens\u00e3o que o descanso semanal propicia. Raramente nos lembramos que \u00e9 o dia em que somos arrancados das grandes solid\u00f5es, convidados para a Ceia, para celebrar, em abund\u00e2ncia, o banquete da Palavra e do P\u00e3o. Sair de casa para visitar algu\u00e9m, participar numa liturgia, partilhar a alegria ou uma m\u00e1goa, \u00e9 mais indispens\u00e1vel \u00e0 vida do que parece.  Esta teoria n\u00e3o \u00e9 contra ningu\u00e9m. Mas precisa vir ao de cima no tempo comum, onde aparentemente nada acontece.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo comum da liturgia \u00e9 exactamente isso: a celebra\u00e7\u00e3o do tempo onde aparentemente nada acontece, sem festas de maior, a n\u00e3o ser aquelas que o tempo foi semeando dentro da notoriedade das pessoas ou dos acontecimentos. 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