{"id":9505,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mobilizacao-pelo-sudeste-asiatico\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mobilizacao-pelo-sudeste-asiatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mobilizacao-pelo-sudeste-asiatico\/","title":{"rendered":"Mobiliza\u00e7\u00e3o pelo Sudeste Asi\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p>Por muito individualistas ou ego\u00edstas que possamos ser, estamos condenados a viver com os outros e a necessitar deles. \u00c9 da condi\u00e7\u00e3o humana. A interdepend\u00eancia que marca, indelevelmente, o nosso relacionamento em sociedade, faz-nos tomar profunda consci\u00eancia dos nossos deveres de fraternidade, ajudando-nos a melhor nos identificarmos com o outro e a doarmo-nos, totalmente, a quem de n\u00f3s precisa.  \u00c9 na radicalidade desta consci\u00eancia de seres interdependentes que nos descobrimos e reconhecemos irm\u00e3os uns dos outros, porque filhos do mesmo Deus, tenha Ele o nome que tiver. Esta outra realidade, do plano da f\u00e9, \u00e9 explicitada na Hist\u00f3ria, pela encarna\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus, que em Jesus Cristo se fez homem e nosso irm\u00e3o por excel\u00eancia. Ser crist\u00e3o e membro da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9, por isso, ser chamado a assumir, at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, esta exig\u00eancia de abertura ao outro e a viv\u00eancia em esp\u00edrito de universalidade plena. Tanto mais que faz parte da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja testemunhar Jesus Cristo e o seu Projecto de Salva\u00e7\u00e3o para toda a Humanidade. Projecto este que atingiu o cume na d\u00e1diva plena da pr\u00f3pria vida, porque \u201c n\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor do que dar a vida&#8230;\u201d, gerando, assim, mais vida. \u00c0 Igreja pede-se que desperte e mantenha viva a consci\u00eancia de todos os seus filhos, e demais mulheres e homens de boa vontade, para que este \u201cfazer da vida um dom\u201d n\u00e3o se limite ao cumprimento de rituais, limitados no tempo, nem seja apenas reac\u00e7\u00e3o emotiva perante acontecimentos tr\u00e1gicos, mas que permane\u00e7a, no nosso quotidiano, como o ar que respiramos, fazendo da constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da solidariedade uma verdadeira cultura. Ou seja, fazer deste valor humano um imperativo de vida que, como diz Jo\u00e3o Paulo II, \u201cn\u00e3o \u00e9 um sentimento de compaix\u00e3o vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, pr\u00f3ximas ou distantes. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum&#8230;\u201d (SRS 38).  Todavia, perante situa\u00e7\u00f5es de maior conting\u00eancia humana, sejam do dom\u00ednio material, sejam do dom\u00ednio espiritual, este valor humano e crist\u00e3o emerge espontaneamente. E \u00e9 isso que est\u00e1 a acontecer no Pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio qualificar a trag\u00e9dia que se abateu sobre o nosso mundo, em particular sobre alguns pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico. Ela foi bastante expl\u00edcita na sua agressividade para despertar a consci\u00eancia solid\u00e1ria dos povos, entre os quais o portugu\u00eas, que est\u00e1 a dar, uma vez mais, um testemunho de grande eloqu\u00eancia. E, se \u00e9 verdade que os \u201cmedia\u201d t\u00eam uma parte da responsabilidade substancial nesta motiva\u00e7\u00e3o, cada uma das Igrejas Particulares de Portugal, por via da palavra dos seus Pastores, acolheu, com prontid\u00e3o, o apelo do sofrimento de milh\u00f5es de seres seus irm\u00e3os. N\u00f3s, os crist\u00e3os, nem precisar\u00edamos de ser motivados, porque sabemos que, por exig\u00eancia dos compromissos do nosso baptismo, estamos a cumprir um dos deveres inerentes \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o fraterna. Sabemos, tamb\u00e9m, que, ao compadecermo-nos da dor dos outros, estamos a responder, de forma afirmativa e respons\u00e1vel, \u00e0 pergunta que, constantemente, Deus nos continua a fazer, como outrora a fez a Caim: \u201cOnde est\u00e1 teu irm\u00e3o? (&#8230;) Que fizeste! Ou\u00e7o o sangue de teu irm\u00e3o, do solo, clamar para mim! \u201d ( Gn 4, 9-10). A Igreja em Portugal, atrav\u00e9s dos seus Pastores e de alguns dos seus servi\u00e7os e institui\u00e7\u00f5es aos quais se pede maior responsabilidade nestas circunst\u00e2ncias, est\u00e1 a mostrar \u00e0 sociedade portuguesa, com esta sua atitude solid\u00e1ria &#8211; explicitada na partilha de bens e nas preces por todas as v\u00edtimas -, o verdadeiro rosto de Deus, que \u00e9 Pai amoroso e rico de miseric\u00f3rdia. A Igreja tem consci\u00eancia que deve, em primeiro lugar, assumir-se como educadora para a justi\u00e7a e a solidariedade de todos os que a ela pertencem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o descura as suas responsabilidades no contributo que deve dar na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia solid\u00e1ria de toda a sociedade. E, aqui, radica a preocupa\u00e7\u00e3o \u201cdo juntar as m\u00e3os\u201d com todos aqueles que, representando organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, ou do pr\u00f3prio Estado, est\u00e3o empenhados, de cora\u00e7\u00e3o sincero, nesta e noutras causas.  E para que este nosso testemunho possa ser verdadeiro e coerente, n\u00e3o devemos deixar esmorecer esta corrente de solidariedade, quando as televis\u00f5es as r\u00e1dios e os jornais deixarem de falar dos dramas que esta trag\u00e9dia originou &#8211; ou de outros que nem sequer chegam a noticiar &#8211; mas continuar a aliment\u00e1-la, a fim de que se torne t\u00e3o forte como um tsunami e inunde todos os cora\u00e7\u00f5es, devastando todo o g\u00e9nero de injusti\u00e7as e ego\u00edsmos. E n\u00f3s, os crist\u00e3os, n\u00e3o esque\u00e7amos que, ao agirmos assim, s\u00f3 estamos a cumprir a mais perfeita e \u00daNICA lei que nos foi deixada por Jesus: \u201c Amar\u00e1s o Senhor teu Deus, de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, de toda a tua alma, com toda a tua for\u00e7a e de todo o teu entendimento; e a teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d (Lc 10, 27). S\u00f3, desta forma, reconhecer\u00e3o que somos Seus disc\u00edpulos.  Eug\u00e9nio Fonseca Presidente da Caritas Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por muito individualistas ou ego\u00edstas que possamos ser, estamos condenados a viver com os outros e a necessitar deles. \u00c9 da condi\u00e7\u00e3o humana. 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