{"id":9445,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-reis-foram-adorar-o-rei\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-reis-foram-adorar-o-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-reis-foram-adorar-o-rei\/","title":{"rendered":"Os reis foram adorar o Rei"},"content":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00f5es portuguesas no Dia de Reis <!--more--> As searinhas s\u00e3o semeadas a 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, colocando alguns gr\u00e3os de trigo, milho ou centeio em pequenos pires de lou\u00e7a ou de barro. Mal germinam, s\u00e3o cuidadosamente mantidas at\u00e9 ao Natal e usadas para decorar o pres\u00e9pio. No dia de Reis, as searinhas s\u00e3o transplantadas, com votos de boas colheitas para o ano novo que se aproxima, mas nunca d\u00e3o espiga. S\u00f3 se aproveitam as palhas que, segundo a cren\u00e7a popular, depois de cozidas s\u00e3o rem\u00e9dio para todas as dores. Esta \u00e9 uma das tradi\u00e7\u00f5es portuguesas feita no Dia de Reis.  Em Castelo de Vide, diocese de Portalegre &#8211; Castelo Branco, \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o pelo dia de Reis comer uma rom\u00e3, que est\u00e1 guardada at\u00e9 esse tempo. Primeiro come-se cinco gr\u00e3ozinhos dizendo: &#8220;Em louvor dos Santos Reis&#8221;, por fim pede-se um desejo que n\u00e3o pode ser divulgado, pois caso isso aconte\u00e7a, este j\u00e1 n\u00e3o se realiza. Tradi\u00e7\u00f5es populares que o nosso povo guarda. Destas, a mais usual \u00e9 o \u00abcantar as janeiras\u00bb. At\u00e9 o Presidente da Rep\u00fablica \u00e9 presenteado com estas quadras.    Quem foram os Reis Magos? Os Reis Magos s\u00e3o personagens que vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Deus Menino, em Bel\u00e9m (Mateus 2, 1-12). Este epis\u00f3dio foi apenas relatado  no Evangelho de S. Mateus e, mesmo assim, de forma muito resumida. A designa\u00e7\u00e3o \u201cMago\u201d era dada, entre os Orientais, \u00e0 classe dos s\u00e1bios ou eruditos, contudo esta palavra tamb\u00e9m era usada para designar os astr\u00f3logos. Isto fez com que, inicialmente, se pensasse que estes magos eram s\u00e1bios astr\u00f3logos, membros da classe sacerdotal de alguns povos orientais. Posteriormente, a Igreja atribuiu-lhes o apelido de \u201cReis\u201d, em virtude da cita\u00e7\u00e3o liberal no Salmo 71,10. Quanto ao n\u00famero e nomes dos Reis Magos s\u00e3o tudo suposi\u00e7\u00f5es sem base hist\u00f3rica, ali\u00e1s algumas pinturas dos primeiros s\u00e9culos mostram 2, 4 e at\u00e9 mesmo 12 Reis Magos adorando Jesus. Foi uma tradi\u00e7\u00e3o posterior aos Evangelhos que lhes deu o nome de Baltazar, Gaspar e Belchior (ou Melchior), tendo-se tamb\u00e9m atribu\u00eddo a cada um caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. Belchior (ou Melchior) seria o representante da ra\u00e7a branca (europeia) e descenderia de Jaf\u00e9; Gaspar representaria a ra\u00e7a amarela (asi\u00e1tica) e seria descendente de Sem; por fim, Baltazar representaria todos os de ra\u00e7a negra (africana)  e descenderia de Cam. Estavam assim representadas todas as ra\u00e7as b\u00edblicas (e as \u00fanicas conhecidas na altura: os semitas, os jafetitas e camitas. A adora\u00e7\u00e3o dos Reis Magos ao Menino Jesus simboliza a homenagem de todos os homens ao Rei dos reis, mesmo os representantes do tronos, senhores da Terra, curvam-se perante Cristo, reconhecendo assim a sua divina realeza.  Presentes ao Menino Para al\u00e9m desta interpreta\u00e7\u00e3o, os Reis Magos simbolizam tamb\u00e9m que os poderosos e abastados devem curvar-se perante os humildes, despojando-se dos seus bens e colocando-os aos p\u00e9s dos demais seres humanos, ou seja, devem partilhar a sua fortuna com os mais pobres. O dia de Reis celebra-se a 6 de Janeiro, partindo do princ\u00edpio que foi neste dia que os Reis Magos chegaram  junto ao Menino Jesus. Em certos pa\u00edses \u00e9 neste dia que se entregam os presentes.  Ao chegarem ao seu destino, Bel\u00e9m, os Reis Magos ofereceram presentes ao Menino: Ouro (oferta de Belchior) &#8211; representa a Sua nobreza -; Incenso (de Gaspar) &#8211; representa a divindade de Jesus-; Mirra (oferecido por Baltasar) &#8211; a mirra \u00e9 uma erva amarga e simbolizava o sofrimento que Cristo enfrentaria na Terra, enquanto salvador da Humanidade, tamb\u00e9m simbolizava Jesus enquanto homem. Assim, os Reis Magos homenagearam Jesus como Rei (ouro), como Deus (incenso) e como Homem (mirra).  A Adora\u00e7\u00e3o dos Reis Magos na arte portuguesa O tema da Natividade est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Mosteiro dos Jer\u00f3nimos.  O pr\u00f3prio simbolismo da \u00e1rea, Bel\u00e9m, nome do local do nascimento de Cristo, para onde se dirigiram os tr\u00eas Reis Magos vindos do Oriente, levou o Rei D. Manuel I a edificar um grande Mosteiro em invoca\u00e7\u00e3o de Santa Maria de Bel\u00e9m ou Nossa Senhora dos Reis.      A Natividade, ou melhor, a Adora\u00e7\u00e3o dos Reis Magos, forma logo \u00e0 partida, na Igreja de Santa Maria de Bel\u00e9m, um eixo Ocidente\/Oriente (Portal Principal e Capela-Mor), com duas das representa\u00e7\u00f5es mais marcantes existentes neste Mosteiro. A encimar o Portal Principal da Igreja, tr\u00eas grupos escult\u00f3ricos, colocados em nichos perspectivados, mostram-nos, em narrativa, a Anuncia\u00e7\u00e3o, a Natividade e a Adora\u00e7\u00e3o dos Magos. Este portal, primeira obra do Renascimento em Portugal, foi executado por Nicolau de Chanterene em 1517, a partir de um projecto de Diogo de Boitaca. Os reis Magos representam as tr\u00eas partes do mundo conhecido de ent\u00e3o: \u00c1sia, \u00c1frica e Europa. Estes tr\u00eas continentes correspondem \u00e0s tr\u00eas ra\u00e7as entre as quais se divide o g\u00e9nero humano, provenientes dos tr\u00eas filhos de No\u00e9: Sem, Cam e Jafet. No local do painel central, hoje desaparecido, foi colocado um sacr\u00e1rio em prata que representa na porta a cena daquela pintura, criando, assim, uma continuidade narrativa com os pain\u00e9is que o ladeiam. Tamb\u00e9m o facto da primeira pedra para a sua constru\u00e7\u00e3o ter sido colocada, segundo a tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica, no dia 6 de Janeiro de 1501 (Dia de Reis), invoca, uma vez mais, o mist\u00e9rio da Epifania, o da manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus aos Povos do mundo inteiro. Na arte ocidental de finais da Idade M\u00e9dia, a Natividade torna-se numa cena de Adora\u00e7\u00e3o, centrada na Virgem ajoelhada, de m\u00e3os juntas, frente ao Menino nu e luminoso, deitado numa manjedoura ou sobre o seu manto. Com o passar dos s\u00e9culos e, reflectindo as representa\u00e7\u00f5es teatrais dos Mist\u00e9rios, a Natividade alarga-se, na arte europeia, a dois temas complementares; a Adora\u00e7\u00e3o dos Magos e a Adora\u00e7\u00e3o dos Pastores. Estes dois temas imprimiram \u00e0 Natividade um car\u00e1cter de espectacularidade, pela sua encena\u00e7\u00e3o, apresentando uma multid\u00e3o de figurantes.  Tradi\u00e7\u00f5es populares Entre o dia de Natal (25 de Dezembro) e o dia de Reis (6 de Janeiro), as pessoas vivem em esp\u00edrito natal\u00edcio. Para celebrar o nascimento v\u00e3o de casa em casa entoando cantares junto a cada pres\u00e9pio e levam consigo um balaio com o Menino Jesus, para as pessoas beijarem e contribu\u00edrem com uma esmola. De Norte a Sul esta tradi\u00e7\u00e3o ainda se mant\u00e9m viva: de crian\u00e7as a idosos, de grupos folcl\u00f3ricos a jardins de inf\u00e2ncia. C\u00e2nticos populares onde se anuncia que o Rei nasceu.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00f5es portuguesas no Dia de Reis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,154,168,203,267],"class_list":["post-9445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}