{"id":9431,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/publicacoes-de-teologia-em-2004\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"publicacoes-de-teologia-em-2004","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/publicacoes-de-teologia-em-2004\/","title":{"rendered":"Publica\u00e7\u00f5es de Teologia em 2004"},"content":{"rendered":"<p>Dir-se-ia que o panorama da literatura religiosa segue as tend\u00eancias da restante literatura: nem sempre a popularidade convive pacificamente com a qualidade.  Tamb\u00e9m nela se verifica o paralelismo assimpt\u00f3tico que se costuma notar: o que vende nem sempre tem qualidade e o que tem qualidade nem sempre vende.  \u00c9 claro que haver\u00e1 seguramente algum subjectivismo neste g\u00e9nero de aprecia\u00e7\u00f5es.  Como \u00e9 uso dizer-se, se o homem fosse objecto seria objectivo; como \u00e9 sujeito, ser\u00e1 inevitavelmente\u2026 subjectivo.  Ressalva feita, o primeiro dado a reter de 2004 \u00e9 o fen\u00f3meno \u201cC\u00f3digo da Vinci\u201d, um romance que de original s\u00f3 parece ter o espantoso n\u00famero de vendas que conseguiu. \u00c9 que outros antes de Dan Brown tinham recorrido ao mesmo fil\u00e3o. S\u00f3 tiveram, por\u00e9m, alguma notoriedade agora, por arrastamento. Haver\u00e1 alguma explica\u00e7\u00e3o para todo este \u00eaxito? Com certeza que h\u00e1: a predisposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.  Este, hoje, \u00e9 muito mais sens\u00edvel \u00e0 suspeita do que outrora. Tudo o que seja \u00abdesmontagem\u00bb ou \u00abdesconstru\u00e7\u00e3o\u00bb encontra largo eco medi\u00e1tico, que \u00e9, consabidamente, o meio mais eficaz de arrecadar sucessos no mundo editorial. Da\u00ed que toda a literatura \u201ccircum-C\u00f3digo\u201d e \u201cp\u00f3s-C\u00f3digo\u201d seja avidamente comprada e acriticamente digerida.  Neste sentido, n\u00e3o espanta que outro g\u00e9nero de livros tenha recebido uma aten\u00e7\u00e3o bem mais modesta. \u00c9 pena, por\u00e9m. Porque, entre o que surgiu no \u00faltimo ano, houve muito de bom e \u2014 coisa n\u00e3o despicienda \u2014 em portugu\u00eas! Come\u00e7ava j\u00e1 por Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, que, em sintonia com o bel\u00edssimo repert\u00f3rio po\u00e9tico com que nos tem deliciado, obsequiou-nos, em 2004, com \u201cA constru\u00e7\u00e3o de Jesus. Uma leitura narrativa de Lc 7, 36-50\u201d (Ed. Ass\u00edrio &#038; Alvim).  \u00c9 a sua tese de doutoramento em Teologia B\u00edblica, por cujas p\u00e1ginas a alma de poeta do autor est\u00e1 bem patente, o que d\u00e1 um efeito bals\u00e2mico \u00e0 leitura da obra. Como que se divisa uma aura de surpreendente leveza num trabalho meticuloso e \u00e1rido como \u00e9 a exegese. Volto-me, depois, para dois te\u00f3logos n\u00e3o cl\u00e9rigos (aspecto que tamb\u00e9m \u00e9 importante assinalar, j\u00e1 que a Teologia h\u00e1-de ser cada vez menos privil\u00e9gio e exclusivo de alguns para que se torne cada vez mais desafio para todos e tarefa para muitos). Assim, Alfredo Teixeira publicou, j\u00e1 quase no fim do ano, \u201cN\u00e3o sabemos j\u00e1 donde a luz mana. Ensaio sobre as identidades religiosas\u201d (Ed. Paulinas). Trata-se de uma colect\u00e2nea de artigos que o autor foi produzindo e que, sob a forma de livro, exibem uma apreci\u00e1vel unidade coerencial.  Refer\u00eancia especial merece tamb\u00e9m Jo\u00e3o Manuel Duque, que j\u00e1 em 2003 tinha feito sair \u201cDizer Deus na p\u00f3s-modernidade\u201d, com um acolhimento muito estimulante por parte da cr\u00edtica. Em 2004, apareceu \u201cCultura contempor\u00e2nea e Cristianismo\u201d (Universidade Cat\u00f3lica Editora) e \u201cO Excesso do Dom. Sobre a identidade do Cristianismo\u201d (Ed. Alcal\u00e1 e Universidade Cat\u00f3lica Editora). S\u00e3o obras por onde perpassa uma aguda percep\u00e7\u00e3o da realidade a par de um vigoroso dom\u00ednio das principais problem\u00e1ticas teol\u00f3gicas.  A profundidade na an\u00e1lise coexiste com uma brilhante agilidade no racioc\u00ednio e na exposi\u00e7\u00e3o. Particularmente, o segundo livro coloca a quest\u00e3o da identidade crist\u00e3 no seu aut\u00eantico punctum saliens: o dom.  Ora, num tempo em que prevalece a cultura da posse, \u00e9 importante propor a f\u00e9 como alternativa, isto \u00e9, como cultura da d\u00e1diva, da entrega e do despojamento. Ousaria mesmo dizer que, quanto \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o que possibilita ao facto crist\u00e3o, esta obra emparceira com o c\u00e9lebre \u201cCurso fundamental da F\u00e9\u201d, de Karl Rahner. Realce tamb\u00e9m para preciosos contributos que nos chegaram de nomes sobejamente conhecidos: \u201cJesus Cristo: quem \u00e9?\u201d, de Arnaldo de Pinho, \u201cMaria, figura da gra\u00e7a\u201d, de Maria Manuela de Carvalho, \u201cSer padre\u201d, de Carlos Azevedo (os tr\u00eas da Universidade Cat\u00f3lica Editora) e \u201cReligi\u00e3o, opress\u00e3o ou liberta\u00e7\u00e3o?\u201d, de Anselmo Borges (Ed. Campo das Letras). Permitia-me destacar, neste \u00faltimo, o texto \u201cO perd\u00e3o e a g\u00e9nese do religioso\u201d (pp. 211-212). No que concerne \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es, dois breves destaques: \u201cA condi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Do mundo sem dele ser\u201d, de Paul Valadier, e \u201cDesafio para uma civiliza\u00e7\u00e3o global. Di\u00e1logo de culturas e religi\u00f5es\u201d, de Patr\u00edcia Mische e Melissa Merkling (os dois da editorial do Instituto Piaget). Vale a pena ler. E guardar.  <i>Jo\u00e3o A. Pinheiro Teixeira, Director do \u201cVoz de Lamego\u201d<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dir-se-ia que o panorama da literatura religiosa segue as tend\u00eancias da restante literatura: nem sempre a popularidade convive pacificamente com a qualidade. 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