{"id":942,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/lisboa-dia-da-igreja-diocesana\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"lisboa-dia-da-igreja-diocesana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lisboa-dia-da-igreja-diocesana\/","title":{"rendered":"Lisboa &#8211; Dia da Igreja Diocesana"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo  <!--more--> Homilia do Cardeal Patriarca  No Dia da Igreja Diocesana em F\u00e1tima  15 de Junho de 2003   Queridos Peregrinos, Queridos Diocesanos de Lisboa,  1. Na introdu\u00e7\u00e3o ao Programa Diocesano de Pastoral para este ano, escrevi: \u201cDurante este ano celebrarei o 25\u00ba anivers\u00e1rio da minha Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal. Como principal express\u00e3o desse Jubileu, desejaria que a Diocese me acompanhasse em peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima, no Dia da Igreja Diocesana, colocando sob a protec\u00e7\u00e3o de Maria a nossa Diocese e todo o nosso trabalho pastoral\u201d. Aqui estamos a realizar esse desejo, celebrando o mist\u00e9rio insond\u00e1vel da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, unidade de um s\u00f3 Deus, realizada no amor e pelo amor de Pessoas iguais e distintas. Celebramo-lo com Maria, porque ela foi a primeira criatura a mergulhar nesse mist\u00e9rio, ao acolher, no seu seio, com amor de M\u00e3e, por fidelidade e obedi\u00eancia ao Pai, a pessoa do Filho, pela for\u00e7a criadora do Esp\u00edrito de Amor. Porque o amor adorante \u00e9 o \u00fanico caminho para penetrar e participar no mist\u00e9rio de Deus uno e trino, Maria ser\u00e1 sempre aquela que nos acompanha nesse abandono ao Amor, guardando no cora\u00e7\u00e3o o dom de Deus. Mas estamos aqui como Igreja Diocesana, que queremos construir e fazer crescer, na fidelidade \u00e0 sua fonte primeira e perene, como comunh\u00e3o de amor: a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria de amor. A constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica sobre a Igreja, do Conc\u00edlio Vaticano II, define-lhe a fonte de onde brota, o ritmo do seu crescimento, o ideal de perfei\u00e7\u00e3o que a atrai: \u201cA Igreja Universal aparece como um povo que bebe a sua unidade, na unidade do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (Lumen Gentium, n. 4). A participa\u00e7\u00e3o no amor trinit\u00e1rio marca o ritmo da Igreja, que encontra no amor divino a for\u00e7a para crescer como comunh\u00e3o de amor. \u00c9 imposs\u00edvel desligarmos este ideal de crescimento e de fidelidade, de Maria que, na viv\u00eancia deste mist\u00e9rio, est\u00e1 connosco como o primeiro membro desse novo Povo, alargamento da comunh\u00e3o de amor. A intensidade com que viveu esse mist\u00e9rio de amor fez, realmente, dela a M\u00e3e da Igreja. Nunca haver\u00e1 crescimento da Igreja sem Maria.  2. Esta festa da Sant\u00edssima Trindade reconduz a Igreja, no seu ritmo lit\u00fargico, ao chamado \u201ctempo comum\u201d, isto \u00e9, o tempo da normalidade da vida crist\u00e3 enquanto tempo de fidelidade e busca da santidade. Fica, assim, claro, que a vida crist\u00e3, enquanto caminho de santidade \u00e9 a viv\u00eancia progressiva da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Progredir na santidade significa apenas isso: mergulhar cada vez mais no mist\u00e9rio do Deus Amor. E se na ordem divina \u00e9 Deus que nos criou e nos redimiu por amor que nos atrai e nos conduz ao amor, na ordem das criaturas redimidas, \u00e9 Maria, a primeira a viver totalmente essa radicalidade de amor, que nos ensina, nos fortalece e nos conduz. Mas este voltar da liturgia da Igreja \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da normalidade da vida crist\u00e3, acontece depois da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que possibilitou a plena efus\u00e3o do Esp\u00edrito para fora de Deus. Torna-se, assim, claro, que s\u00f3 por Jesus Cristo ressuscitado recebemos o Esp\u00edrito e podemos participar da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. \u00c9 a humanidade de Jesus glorificada que introduz outros homens e mulheres que se uniram a Cristo, na sua P\u00e1scoa, na gl\u00f3ria de Deus. \u00c9 amando Jesus Cristo que descobrimos o amor trinit\u00e1rio; \u00e9 participando na vida de Cristo ressuscitado, que comungamos na vida divina. O pr\u00f3prio Jesus sabe que \u00e9 assim e aponta-se a Si mesmo, aos disc\u00edpulos, como caminho para mergulhar no insond\u00e1vel mist\u00e9rio de Deus. \u201cAssim como o Pai Me amou, tamb\u00e9m Eu vos amei. Permanecei no meu amor\u201d (Jo. 15,9). \u201cPermanecei em Mim e Eu permanecerei em v\u00f3s\u2026 Sem Mim nada podeis fazer\u201d (Jo. 15, 4-5). S\u00f3 Cristo nos pode introduzir no mist\u00e9rio de Deus e f\u00e1-lo a todos que se uniram a Ele e O amam. S\u00f3 uma experi\u00eancia de amor pode introduzir na plenitude do amor. A esses Ele comunica o Esp\u00edrito Santo, porque O amam e participam do seu amor. E o Esp\u00edrito Santo \u00e9 \u201cum Esp\u00edrito de adop\u00e7\u00e3o filial, pelo qual exclamamos: \u2018Abb\u00e1\u2019, Pai\u201d. (Rom. 8,15). Para permanecer no amor de Cristo \u00e9 preciso cultiv\u00e1-lo, exprimi-lo, dar-lhe densidade existencial no concreto da nossa vida. O Senhor garante que permanecem no seu amor aqueles que cumprem os seus mandamentos e estes resumem-se e re\u00fanem-se no amor de Deus e no amor do pr\u00f3ximo. \u00c9 toda a nossa vida, de rela\u00e7\u00e3o, de trabalho, de alegria ou sofrimento que podem ser vividas nesse amor de Jesus Cristo. Para quem permanece no amor de Cristo a vida toda torna-se adora\u00e7\u00e3o. O trecho do Evangelho de S\u00e3o Mateus, que acab\u00e1mos de escutar, apresenta-nos os onze disc\u00edpulos a reagirem perante Jesus ressuscitado como se estivessem perante Deus. \u201cQuando O viram, adoraram-n\u2019O; mas alguns ainda duvidaram\u201d (Mt. 28,16). A adora\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica reac\u00e7\u00e3o apropriada perante o mist\u00e9rio de Deus. S\u00f3 ela apazigua a raz\u00e3o, transformando o abandono amoroso em sabedoria e entendimento, que s\u00e3o dons do Esp\u00edrito Santo. Se reagimos s\u00f3 com a raz\u00e3o, a d\u00favida \u00e9 uma amea\u00e7a, que at\u00e9 atingiu alguns disc\u00edpulos. Tamb\u00e9m na aprendizagem da adora\u00e7\u00e3o Maria \u00e9 a nossa mestra e guia. O \u201cfa\u00e7a-se em Mim segundo a tua Palavra\u201d \u00e9 abandono adorante que a acompanha na concep\u00e7\u00e3o do Verbo, quando recebe em seus bra\u00e7os o Menino, em Bel\u00e9m, quando, no Calv\u00e1rio, acolheu, no seu rega\u00e7o, o corpo morto de seu amado Filho. Em todas essas circunst\u00e2ncias Ela reagiu com atitude adorante: guardava tudo no seu cora\u00e7\u00e3o.  3. No mist\u00e9rio de Deus uno e trino, a Igreja aprende o sentido e a beleza da verdadeira unidade entre pessoas, aquela que \u00e9 constru\u00edda pelo amor e que desabrocha na alegria da comunh\u00e3o. Tornar-se um, sendo diferentes, porque amando, as pessoas se dizem e se realizam no outro, vivendo como um s\u00f3. Na chamada Ora\u00e7\u00e3o Sacerdotal, Jesus pede essa unidade para todos os crist\u00e3os, de todos os tempos: \u201cque todos sejam um s\u00f3. Como Tu, \u00f3 Pai, est\u00e1s em Mim e Eu em Ti, eles tamb\u00e9m estejam em N\u00f3s. Eu dei-lhes a gl\u00f3ria que Tu Me deste, para que sejam um s\u00f3, como N\u00f3s somos um s\u00f3: Eu neles e Tu em Mim. Assim chegar\u00e3o \u00e0 perfeita unidade\u201d (Jo. 17,21-23). S\u00f3 de Deus podemos aprender este amor unificador que faz parte da inten\u00e7\u00e3o primeira de Deus ao criar o homem. Ao amor do homem e da mulher, Deus tra\u00e7ou um destino: serem um s\u00f3 (cf. Gen. 2,24); a Igreja, na variedade dos seus membros e na multiplicidade das suas express\u00f5es, \u00e9 chamada a ser um s\u00f3 corpo, em Cristo (cf. 1Cor. 12). Na Sant\u00edssima Trindade aprendemos que a fonte do amor que amamos n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o nosso cora\u00e7\u00e3o humano, mas o cora\u00e7\u00e3o de Cristo, que unido a n\u00f3s no amor, se torna um connosco e nos introduz na unidade do amor divino. \u00c9 por isso que o crescimento na caridade \u00e9 o \u00fanico crit\u00e9rio decisivo para a avalia\u00e7\u00e3o do nosso viver em Igreja. Nem a estat\u00edstica, nem a efic\u00e1cia, nem o resultado verific\u00e1vel das nossas ac\u00e7\u00f5es podem ser crit\u00e9rio \u00fanico para avaliar o crescimento da Igreja: s\u00f3 o amor o \u00e9, amor que \u00e9 resposta ao amor de Deus, Ele que nos amou primeiro, e que vai adquirindo, na variedade das suas express\u00f5es, a profundidade e a humildade da adora\u00e7\u00e3o.  4. Virgem Sant\u00edssima, acompanhai com solicitude maternal, esta Igreja de Lisboa. V\u00f3s que aprendestes, na maternidade, como o Verbo de Deus vivia em V\u00f3s, porque vivestes, desde sempre em Deus, ensinai-nos a permanecer no amor de Cristo, na simplicidade da nossa f\u00e9, na fome com que acolhemos a sua Palavra, no amor com que celebramos a Eucaristia, na ternura com que amamos os nossos irm\u00e3os, na coragem e autenticidade com que damos testemunho do Vosso Filho, Jesus Cristo. Ensinai-nos a abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo que o Vosso Filho derrama abundantemente sobre n\u00f3s. N\u00f3s sabemos que, se O acolhermos, tudo se torna poss\u00edvel, tudo se transforma, tudo recome\u00e7a. Ensinai-nos a adorar, como V\u00f3s adorastes, a confiar, como V\u00f3s confiastes, a alegrarmo-nos, como V\u00f3s Vos alegrastes com a maravilha da ac\u00e7\u00e3o de Deus no Vosso cora\u00e7\u00e3o. Queremos compreender, como V\u00f3s, que tudo o que Deus faz em n\u00f3s, \u00e9 para sua gl\u00f3ria e salva\u00e7\u00e3o do mundo. S\u00ea, na nossa vida, o raio de luz que nos anuncia o Esp\u00edrito. Mergulhada no amor da Trindade, amai esta Igreja com o amor que viveis em Deus; dai-lhe o que ela precisa e que talvez nem sequer saibamos pedir. Tornai-nos penetrantes de esp\u00edrito para discernirmos os caminhos do Reino e d\u00f3ceis para obedecer sempre \u00e0 vontade do Senhor. V\u00f3s que fostes serva, ensina-nos a servir; V\u00f3s que gerastes a vida do Filho de Deus, tornai esta Igreja uma matriz fecunda em frutos de vida e de gra\u00e7a; V\u00f3s que adorastes, ensinai-nos a rezar. Porque Vos temos como M\u00e3e, ficamos mais seguros de permanecer no amor do Vosso Filho, que nos introduzir\u00e1 na intimidade de Deus.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,161,168,207,246,275],"class_list":["post-942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-fatima","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=942"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/942\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}