{"id":9385,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/proximas-eleicoes-devem-ser-um-laboratorio-politico-do-bem-comum\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"proximas-eleicoes-devem-ser-um-laboratorio-politico-do-bem-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/proximas-eleicoes-devem-ser-um-laboratorio-politico-do-bem-comum\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es devem ser um <i>laborat\u00f3rio pol\u00edtico<\/i> do bem comum"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Viseu no Dia Mundial da Paz <!--more--> <b>A paz e a coragem do bem<\/b>  1. A B\u00ean\u00e7\u00e3o da Paz Hoje, 1 de Janeiro, inicia o ano civil de 2005. Segundo um belo costume, dirigimos uns aos outros os melhores votos e as mais vivas sauda\u00e7\u00f5es que brotam do fundo do cora\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00f3s, aqui reunidos, queremos saudar na f\u00e9 e com alegria o novo ano: N\u00f3s te saudamos, Ano Novo, no cora\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o, no qual adoramos o Filho de Deus, que se fez homem por n\u00f3s e para n\u00f3s; Sa\u00fadamos-te como Ano da Gra\u00e7a de 2005, no limiar dos teus dias, das tuas semanas e dos teus meses; Sa\u00fada-te a Igreja do Verbo Incarnado no meio da grande fam\u00edlia das na\u00e7\u00f5es e dos povos; Sa\u00fada-te a Igreja, pronunciando sobre ti a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Deus da Alian\u00e7a: \u201cQue o Senhor te aben\u00e7oe e te guarde! Que o Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti o Seu rosto sorridente e te d\u00ea a Sua gra\u00e7a! Que o Senhor dirija para ti o olhar do Seu rosto e te d\u00ea a paz!\u201d Nesta b\u00ean\u00e7\u00e3o, por duas vezes \u00e9 evocado o rosto de Deus voltado para o homem e o esplendor daquele rosto. Da contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Deus nascem alegria, seguran\u00e7a e paz. O sorriso e a luz do rosto de Deus brilham para n\u00f3s em Jesus Cristo e transformam-se em paz no cora\u00e7\u00e3o de quem O acolhe. No Evangelho de hoje, por sua vez, somos convidados a contemplar os pastores que v\u00e3o \u00e0 gruta receber a paz anunciada pelos anjos aos homens amados por Deus; e a contemplar Maria, M\u00e3e de Jesus, que \u201cguardava todos estes factos meditando-os no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. E, por fim, ressoa o nome que est\u00e1 acima de qualquer outro nome \u2013 o Nome de Jesus. Assim, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus que nos concede a paz e com a invoca\u00e7\u00e3o de Jesus, Senhor da paz, come\u00e7amos o novo ano. Como Maria que medita os acontecimentos, procurando ler o sentido divino da hist\u00f3ria que eles encerram, tamb\u00e9m n\u00f3s sentimos a necessidade de ler o sentido de quanto acontece hoje no nosso mundo, com um cora\u00e7\u00e3o que se enche da paz do Senhor.  2.  A Paz e a confian\u00e7a e a coragem do Bem Segundo uma tradi\u00e7\u00e3o iniciada por Paulo VI em 1968, o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II convida-nos a        celebrar neste dia a Jornada Mundial da Paz.  Para isso, enviou-nos uma mensagem propondo como tema de reflex\u00e3o um vers\u00edculo da carta de S. Paulo aos Romanos: \u201cN\u00e3o te deixes vencer pelo mal; vence antes o mal com o bem\u201d(12,21). \u00c9 uma mensagem de premente actualidade. Coloca o tema da paz dentro duma articulada reflex\u00e3o sobre o bem e o mal. Perante os terr\u00edveis cen\u00e1rios da presen\u00e7a do mal no mundo e a sua dram\u00e1tica influ\u00eancia na vida dos homens e dos povos, que em cada dia nos s\u00e3o oferecidos em espect\u00e1culo, poder\u00edamos ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de cair na atitude fatalista do des\u00e2nimo, da impot\u00eancia, da resigna\u00e7\u00e3o ou da vingan\u00e7a e da retalia\u00e7\u00e3o. A mensagem do Papa quer provocar uma reac\u00e7\u00e3o pela positiva, despertar as consci\u00eancias para a confian\u00e7a no Bem, para a coragem do Bem, para a  responsabilidade pela difus\u00e3o do Bem. \u201cA paz \u00e9 o resultado de uma longa e \u00e1rdua batalha vencida quando o mal \u00e9 derrotado pelo bem\u201d. Por isso, \u201ca \u00fanica op\u00e7\u00e3o verdadeiramente construtiva \u00e9 fugir do mal com horror e aderir ao bem\u201d(Rom 12,9). Neste contexto, a paz \u00e9 definida como um \u201cbem a promover com o bem: ela \u00e9 um bem para as pessoas, para as fam\u00edlias, para as na\u00e7\u00f5es da terra e para a humanidade inteira; \u00e9 contudo um bem a guardar e a cultivar com op\u00e7\u00f5es e obras de bem\u201d. Em concreto, esta coragem do bem, para fazer face \u00e0s m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas do mal, exige tr\u00eas op\u00e7\u00f5es de fundo: &#8211; reavivar a l\u00f3gica do amor crist\u00e3o como cora\u00e7\u00e3o palpitante do bem moral: \u201cVisto nas suas consequ\u00eancias mais profundas, o mal \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, uma fuga tr\u00e1gica \u00e0s exig\u00eancias do amor. O bem moral, pelo contr\u00e1rio, nasce do amor, manifesta-se como amor e \u00e9 orientado ao amor\u201d(n.2). \u201cQuando o bem vence o mal, reina o amor; e onde reina o amor, reina a paz\u201d(n.12); &#8211; a refer\u00eancia ao patrim\u00f3nio comum de valores morais universais que, no dizer do Papa, constituem a \u201cgram\u00e1tica da lei moral universal\u201d, a \u00fanica capaz de unir os homens entre si apesar da diversidade das culturas; &#8211; uma grande obra educativa das consci\u00eancias capaz de abrir a todas as pessoas os vastos horizontes de um humanismo integral e solid\u00e1rio. De facto, o verdadeiro drama, hoje, \u00e9 o esvaziamento das consci\u00eancias ( a perda do discernimento do bem e do mal) e o relativismo \u00e9tico (tudo vale o mesmo), como verdadeiro cancro de uma sociedade e do agir social e pol\u00edtico dentro dela.   3.  Paz para Portugal: \u201cpensar em grande\u201d o Bem Comum do pa\u00eds A responsabilidade pelo bem e pela sua difus\u00e3o alarga-se ainda \u00e0 perspectiva do    bem comum e \u00e0s suas dimens\u00f5es sociais e pol\u00edticas. \u201cQuando se cultiva o bem comum, cultiva-se a paz\u201d: esta \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de fundo da reflex\u00e3o papal ao propor o bem comum como um bem que \u201csendo de todos e de cada um, \u00e9 e permanece comum, porque indiv\u00edsivel e porque s\u00f3 em conjunto \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7\u00e1-lo, aument\u00e1-lo e conserv\u00e1-lo, mesmo em vista do futuro\u201d(CDS n.164). A difus\u00e3o da cultura individualista p\u00f3s-moderna, uma mentalidade corporativista e uma vis\u00e3o economicista do mercado global sem regras \u00e9ticas t\u00eam provocado a car\u00eancia de \u201cpensar em grande\u201d o bem comum e de \u201corganizar a esperan\u00e7a\u201d, que caracteriza a vida p\u00fablica entre n\u00f3s. E, no entanto, aderir ao bem comum come\u00e7a pelas atitudes mais simples e fundamentais. Fazer bem o pr\u00f3prio dever, ser honesto em todas as ac\u00e7\u00f5es, atender com respeito e generosidade sobretudo os mais fr\u00e1geis e necessitados, s\u00e3o regras elementares sem as quais a conviv\u00eancia humana se torna numa jungla insuport\u00e1vel, onde reina a lei do mais forte ou do mais esperto. Ser\u00e1 uma utopia que cada um realize com seriedade e empenho o pr\u00f3prio trabalho porque s\u00f3 assim se constr\u00f3i o bem de todos? N\u00e3o poderia a pr\u00f3xima competi\u00e7\u00e3o eleitoral que se avizinha, constituir uma esp\u00e9cie de \u201claborat\u00f3rio pol\u00edtico\u201d em que o bem comum seja posto, por todos e cada um, antes e acima dos interesses de parte? Ser\u00e1 ut\u00f3pico pensar que  os nossos pol\u00edticos, acolhendo esta mensagem da paz de Jo\u00e3o Paulo II, \u201cfujam do mal com horror e adiram ao bem\u201d? N\u00e3o poderia este convite tornar-se num princ\u00edpio inspirador e guia na pr\u00f3xima competi\u00e7\u00e3o eleitoral? Concretizando, poder\u00edamos traduzi-lo em forma de dec\u00e1logo: Tu, candidato ao servi\u00e7o da coisa p\u00fablica, foge do mal com horror (a desonestidade, a mentira, a demagogia&#8230;); adere ao bem (\u00e0quilo que Deus te pede em consci\u00eancia para realizar, \u00e0 verdade&#8230;); ama os advers\u00e1rios com respeito fraterno (n\u00e3o desacreditar o advers\u00e1rio s\u00f3 para dar boa imagem de ti); compete com eles na dignidade e na eleva\u00e7\u00e3o da disputa; s\u00ea testemunho cred\u00edvel de esperan\u00e7a (n\u00e3o prometendo o imposs\u00edvel); s\u00ea forte na tribula\u00e7\u00e3o; atento \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os  ao servi\u00e7o dos quais escolheste colocar-te; sol\u00edcito na hospitalidade( para com o pobre, o emigrado&#8230;); competente e rigoroso na an\u00e1lise no estudo e na busca de solu\u00e7\u00e3o dos problemas; ama mais o bem comum que o pr\u00f3prio ou do partido. No in\u00edcio do novo ano seja-nos permitido sonhar uma exist\u00eancia nova, um pa\u00eds com mais respira\u00e7\u00e3o capaz de \u201cpensar em grande o seu futuro, uma maior aten\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 ao nosso lado, uma maior confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, mais paz entre os representantes das institui\u00e7\u00f5es, menos ego\u00edsmos privados e de grupos, o surgir de perspectivas nacionais, europeias e mundiais capazes de justificar os sacrif\u00edcios que fazemos e que, de algum modo, s\u00e3o inevit\u00e1veis. Seja-nos permitido sonhar ainda o surgir de voca\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas da tempera dos pais fundadores da Comunidade Europeia (J. Monnet, A. De Gasperi, K. Adenauer, R. Schuman), capazes de rasgar novos horizontes de esperan\u00e7a e de paz para os novos tempos que vivemos. Com esta esperan\u00e7a, formulo os melhores votos de Feliz Ano a todos os fi\u00e9is presentes, \u00e0 cidade e a todos os queridos diocesanos, com as mais abundantes b\u00ean\u00e7\u00e3os do Senhor!   <i>1 de Janeiro de 2005 Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Viseu<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Viseu no Dia Mundial da Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[165,168,184,206,237,285],"class_list":["post-9385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-viseu","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}