{"id":9325,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-constante-regresso-dos-porques\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-constante-regresso-dos-porques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-constante-regresso-dos-porques\/","title":{"rendered":"O constante regresso dos porqu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Segundo algumas cr\u00f3nicas, a not\u00edcia do terramoto de Lisboa de 1755 s\u00f3 chegou a Macau um ano depois. Na altura j\u00e1 se sabia que o planeta era mais que uma longa plan\u00edcie de mar com ligeiras manchas de terra descont\u00ednuas em superf\u00edcie e altura, para al\u00e9m das formas bizarras e incoerentes das suas costas mar\u00edtimas. Dois s\u00e9culos e meio depois sabemos mais de geografia e sobretudo de geologia. Mas n\u00e3o o suficiente para se anunciar o momento exacto em que a terra vai tremer. Continuamos castigados pelo inesperado, tentando segurar as casas e os m\u00f3veis para nos n\u00e3o ca\u00edrem em cima quando acontecer a fatalidade de que n\u00e3o sabemos nem o dia nem a hora. Por momentos temos a sensa\u00e7\u00e3o de que pouco valeram os enormes avan\u00e7os no conhecimento da Terra, da Lua ou de Marte. H\u00e1 quase sempre um acontecimento que repisa a nossa condi\u00e7\u00e3o de incipientes em todas as mat\u00e9rias, mesmo quando apetrechados de s\u00f3lidos armaz\u00e9ns do saber e de m\u00e1quinas quase perfeitas de pressagiar coisas do porvir. Mas fazendo sempre aumentar a inquieta\u00e7\u00e3o sobre a \u00e1rea inundada pelo desconhecido. Os estudiosos e cientistas aut\u00eanticos nunca abandonam a ferramenta da humildade como elemento essencial de pesquisa e evolu\u00e7\u00e3o. A primeira not\u00edcia, r\u00e1pida e brutal sobre o sismo e maremoto numa dezena de pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico centrou-se, e bem, no cora\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia: as situa\u00e7\u00f5es humanas grav\u00edssimas e irrepar\u00e1veis que se produziram. N\u00e3o muito depois ficamos a saber que esse acontecimento chegou at\u00e9 n\u00f3s, foi registado em Lisboa. Isso quer dizer que a energia explodida do subsolo de Sumatra, o acerto ou sobreposi\u00e7\u00e3o de placas, atravessou o \u00cdndico, entrou na costa Leste da \u00c1frica, subiu ao M\u00e9dio Oriente e chegou at\u00e9 Lisboa. Foi registado o abalo magno e muitas das suas r\u00e9plicas. Sempre que ocorre uma cat\u00e1strofe natural desta dimens\u00e3o, como que revelando a for\u00e7a oculta da terra, curvamo-nos perante os nossos limites, reequacionamos a hierarquia de valores, interesses, paix\u00f5es e protestos. Arrombamos, de novo, o cofre das raz\u00f5es da exist\u00eancia, da vida, da morte, do tempo e da eternidade. E da f\u00e9. E perguntamos, tenuemente, como v\u00ea Deus esta Terra harmoniosamente criada e sustentada na sua m\u00e3o, em estado de pranto, como Ram\u00e1. Mas que, implac\u00e1vel nas suas leis e na sua paciente evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao cosmos \u2013 \u00e9 o irm\u00e3o Sol que carrega estas baterias de explos\u00e3o \u2013 vai cumprindo um desiderato muito para al\u00e9m das contas que nem n\u00f3s nem as m\u00e1quinas electr\u00f3nicas sabem resolver. \u00c9 o mist\u00e9rio da vida.  Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo algumas cr\u00f3nicas, a not\u00edcia do terramoto de Lisboa de 1755 s\u00f3 chegou a Macau um ano depois. 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