{"id":9307,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/as-carencias-nao-podem-ofuscar-o-natal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"as-carencias-nao-podem-ofuscar-o-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-carencias-nao-podem-ofuscar-o-natal\/","title":{"rendered":"As car\u00eancias n\u00e3o podem ofuscar o Natal"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de Natal de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga <!--more--> O Natal encerra sempre uma novidade. Parece que nem todos a querem entender e a sociedade caminha para uma superficialidade na sua compreens\u00e3o. Falta-lhe o essencial e algu\u00e9m ter\u00e1 de ser capaz de o descobrir e repropor. Os anjos encantavam e cantavam um acontecimento de import\u00e2ncia impar para a humanidade daquele tempo e dos s\u00e9culos vindouros. O seu hino, convicto e harmonioso, acordou e despertou para a necessidade de intuir o que estava a acontecer. Os pastores deixaram o marasmo duma vida sempre igual e viram realidades desconhecidas. A\u00ed estava a manifesta\u00e7\u00e3o dum Deus feito Amor que quis continuar, duma maneira mais eloquente, a fazer hist\u00f3ria para felicidade de todo o g\u00e9nero humano. Nasce e permanece no amor que a Eucaristia sempre manifesta. Tamb\u00e9m a\u00ed resplandece o Amor dum Deus que tudo fez pelo homem. A sociedade moderna necessita de conhecer e experimentar este Amor. Parece que ela se perde em subterf\u00fagios reduzindo \u00e0 insignific\u00e2ncia os valores do Esp\u00edrito. No meio dum dramatismo crescente, a humanidade regressar\u00e1 \u00e0 nostalgia do divino para se aproximar de algo e de algu\u00e9m que seja capaz de responder a todos os enigmas. Este Amor de Deus, para bem do homem de hoje tem de ser anunciado. S\u00e3o necess\u00e1rios arautos. Se, como Arquidiocese, continuarmos no esfor\u00e7o de criar uma cultura verdadeiramente vocacional, teremos de reconhecer alguns dados positivos e outros negativos. \u00c9 negativa a crise de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas, de entrega total e definitiva a Deus; \u00e9 positivo o surgir de voca\u00e7\u00f5es laicais de minist\u00e9rios de verdadeira disponibilidade eclesial, o que permite, em certo sentido e como desafio pastoral, reequilibrar as for\u00e7as no servi\u00e7o ao povo e \u00e0 causa do Evangelho. Neste quadro eclesial n\u00e3o vale a pena deplorar ou chorar. Como crentes, mais do que nunca, teremos de nos apoiar numa atitude interior de ora\u00e7\u00e3o, e concretamente, como exig\u00eancia do ano eucar\u00edstico, de adora\u00e7\u00e3o que a todos dar\u00e1 a confian\u00e7a necess\u00e1ria para os momentos que humanamente falando parecem de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a Palavra de Deus, escutada e meditada, ter\u00e1 de tornar-se com clareza inequ\u00edvoca, a refer\u00eancia \u00fanica para o nosso existir. Partindo destas experi\u00eancias estamos a assumir a responsabilidade de ir oferecendo perspectivas de sentido que d\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria um significado. S\u00e3o muitas as personalidades portuguesas que come\u00e7am a reconhecer uma \u201ccrise \u00e9tica\u201d, por causa da incapacidade das institui\u00e7\u00f5es &#8211; fam\u00edlia, escola, Igreja &#8211; em comunicar normas que o cidad\u00e3o an\u00f3nimo assuma como obrigat\u00f3rias.  Do Natal emergem um conjunto de comportamentos que continuam a ser Boa Nova. A Igreja tem o dever de os transmitir atrav\u00e9s do an\u00fancio expl\u00edcito e, sobretudo, de respostas concretas a situa\u00e7\u00f5es que motivam anomalias sociais. Neste contexto e nesta quadra importa reconhecer o servi\u00e7o aos mais pobres como a voca\u00e7\u00e3o da igreja para o tempo actual que est\u00e1 a exigir um conjunto variado de voca\u00e7\u00f5es do e para o servi\u00e7o. Se existem muitos problemas conjunturais que podem encontrar a resposta em gestos ocasionais de generosidade, sabemos que os males estruturantes s\u00e3o complexos e exigem muita dedica\u00e7\u00e3o no discernimento das causas, para uma elimina\u00e7\u00e3o progressiva. Sempre a Igreja foi perita em solidariedade. Hoje ter\u00e1 de recorrer a um suplemento de sabedoria para continuar a ser pioneira. N\u00e3o vamos enveredar pela teoria duma Igreja a resolver problemas que competem ao Estado. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos alhear-nos e fechar os olhos. Se estas voca\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o est\u00e3o em todos, n\u00e3o ignoramos a peculiaridade das voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o. O mundo moderno necessita do amor dos consagrados e os jovens devem apaixonar-se por nobres ideais, n\u00e3o regateando entregar-se a carismas que historicamente foram solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o esgotaram a sua vitalidade. Necessitam de protagonistas para dar alma a muitas institui\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m ignora a necessidade da compet\u00eancia t\u00e9cnica dada por cursos universit\u00e1rios. S\u00f3 que esta pode n\u00e3o ser suficiente. Em Natal olhemos os males e vejamos que Cristo, preparando a realidade da Eucaristia, mandou dar de comer. A fome, o desemprego, o \u00e1lcool a delinqu\u00eancia esperam num amor eucar\u00edstico, ou seja, por causa da eucaristia que nos alimenta distribu\u00edmos amor. Que o amor de Cristo experimentado na Eucaristia nos fa\u00e7a sentir o valor e a import\u00e2ncia das voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o. O Natal foi o in\u00edcio duma caminhada de liberta\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria da Igreja testemunha gestos que iluminaram as \u00e9pocas passadas. Hoje, \u00e0 medida que aquecem as luzes comerciais, parece que regredimos e n\u00e3o conhecemos a for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Ningu\u00e9m est\u00e1 contente com a realidade humana e social. Poderemos esperar algum novo Messias interpretado por algu\u00e9m que protagonize uma revolu\u00e7\u00e3o capaz de mudar as situa\u00e7\u00f5es inquietantes em que vivemos? Acredito que a solu\u00e7\u00e3o reside no deixar entrar o menino acolhendo os seus perenes valores que n\u00e3o negociamos nem trocamos por nada. A esperan\u00e7a dum mundo novo est\u00e1 no pres\u00e9pio n\u00e3o como representa\u00e7\u00e3o mas como viv\u00eancia. Aceitemos o desafio.  S\u00e9 Catedral, 25-12-04. + Jorge Ortiga, A. P.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de Natal de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,221,267,314],"class_list":["post-9307","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9307\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}