{"id":9300,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/celebramos-o-natal-em-ambiente-de-contradicoes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"celebramos-o-natal-em-ambiente-de-contradicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/celebramos-o-natal-em-ambiente-de-contradicoes\/","title":{"rendered":"Celebramos o Natal em ambiente de contradi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto na Celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade do Natal do Senhor <!--more--> Celebramos hoje e mais uma vez o Natal de Jesus Cristo. O Natal \u00e9 um acontecimento que muitos consideram o mais importante e transcendente acontecimento da Hist\u00f3ria da Humanidade. \u00c9 o nascimento do Filho de Deus feito homem, que por isso se insere na nossa hist\u00f3ria e no nosso mundo, o que significa que a partir do momento da Sua Encarna\u00e7\u00e3o Deus entrou na hist\u00f3ria dos homens. Assim, fazemos e escrevemos a nossa hist\u00f3ria, na certeza e consci\u00eancia de que Deus \u00e9 Senhor tamb\u00e9m da nossa hist\u00f3ria e das nossas est\u00f3rias. Falamos na perspectiva da f\u00e9 e da f\u00e9 crist\u00e3. N\u00e3o podemos deixar de dar este testemunho s\u00f3 pelo facto de o nosso tempo estar marcado por fen\u00f3menos de ate\u00edsmo, de agnosticismo e de indiferentismo religioso ou pelo facto de nos vermos confrontados com atitudes e movimentos que com suposta inten\u00e7\u00e3o cultural e com manifesta tend\u00eancia racionalista tentam retirar a figura de Cristo do \u00e2mbito da Hist\u00f3ria e do mist\u00e9rio e reduzi-lo \u00e0s dimens\u00f5es m\u00edticas ou puramente insustent\u00e1veis de uma ci\u00eancia positivista e de uma hist\u00f3ria supercr\u00edtica. Deve reconhecer-se que o acontecimento e facto hist\u00f3rico do Natal entrou e continua a entrar na vida e nos costumes das pessoas, embora dependente das situa\u00e7\u00f5es sociais concretas, das culturas diferentes e dos n\u00edveis de f\u00e9 n\u00e3o id\u00eanticos. Para os crist\u00e3os o Menino representado no pres\u00e9pio \u00e9 o Deus da ternura, da inoc\u00eancia, do humanismo e do mist\u00e9rio que se abre \u00e0 compreens\u00e3o e \u00e0 f\u00e9. O esp\u00edrito e fasc\u00ednio do Natal entrou tamb\u00e9m no mundo do consumismo, da ignor\u00e2ncia religiosa e da indiferen\u00e7a \u00e9tica, no mundo secularizado que se descristianiza e por isso se desumaniza. Celebramos o Natal em ambiente de contradi\u00e7\u00f5es que desvirtuam o sentido da celebra\u00e7\u00e3o, e transformam a celebra\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio facto da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus num sinal sem conte\u00fado e sem impacto no cora\u00e7\u00e3o das pessoas. N\u00e3o se julgam as inten\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es festivas no Natal que objectivamente parecem express\u00f5es de resist\u00eancia e de aliena\u00e7\u00e3o. Celebra-se para lembrar e evocar, ou celebra-se para fugir e esquecer? Revelando-Se e desafiando a humanidade para O conhecer, Deus enviou-nos finalmente o pr\u00f3prio Filho como Seu Verbo, Sua Palavra. Nesta Palavra personificada, que \u00e9 Jesus Cristo, Deus disse-nos e diz-nos quanto quis dizer-nos, quanto precisamos de saber para O conhecermos e nos conhecermos a n\u00f3s mesmos. Porque em Cristo o Pai torna-se vis\u00edvel e pr\u00f3ximo, vizinho, companheiro, Emmanuel: \u201cO Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo. 1, 14). A este acontecimento chamamos Encarna\u00e7\u00e3o, e esta habita\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s \u00e9 um facto, continua a ser um facto que tem que ver com cada um de n\u00f3s. \u00c9 por ventura nos profetas messi\u00e2nicos que vamos encontrar a significa\u00e7\u00e3o mais profunda das transforma\u00e7\u00f5es que o Natal de Cristo trouxe ao mundo na plenitude do tempo. O profeta Isa\u00edas fala da maior trag\u00e9dia que o Povo de Deus viveu, aquando do ex\u00edlio em Babil\u00f3nia. E sonha de modo fantasioso (prof\u00e9tico) com a liberta\u00e7\u00e3o e o regresso \u00e0 p\u00e1tria e \u00e0 paz. Referia-se a dados que a hist\u00f3ria regista e que pertencem \u00e0s vicissitudes daqueles povos, em crises que se tornaram cr\u00f3nicas e que persistem. Mas o profeta visava o tempo de uma liberta\u00e7\u00e3o mais profunda, mais plena, universal, com a vinda do Messias, Salvador prometido por Deus. Ora, esta liberta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi realizada. Veio o Salvador. J\u00e1 foi o Seu Natal entre n\u00f3s. Come\u00e7ou h\u00e1 cerca de 2000 anos o Reino de Deus. Iniciamos o terceiro mil\u00e9nio da era crist\u00e3. Pode por\u00e9m dizer-se que os dois mil anos de cristianismo s\u00e3o um hino \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o do tempo messi\u00e2nico do Natal de Cristo e da liberta\u00e7\u00e3o prometida e realizada, e ao mesmo tempo um hino \u00e0 liberdade humana. O que o Evangelista S. Jo\u00e3o nos diz, mais do que descrever a reac\u00e7\u00e3o imediata e pr\u00f3xima ao Natal em Bel\u00e9m, \u00e9 uma caracteriza\u00e7\u00e3o do tempo posterior que chegou at\u00e9 n\u00f3s e que permanece ainda como desafio:  \u201cA luz brilhou nas trevas E as trevas n\u00e3o a receberam\u201d (Jo. 1, 5) \u201cEstava no mundo E o mundo, que foi feito por Ele, n\u00e3o O conheceu\u201d (Jo. 1, 10)  \u201cVeio para o que era seu E os seus n\u00e3o O receberam\u201d (Jo. 1, 11) A n\u00f3s compete proclamar que Cristo \u00e9 a luz que brilha nas trevas da nossa sociedade; que est\u00e1 no mundo que teima em desconhec\u00ea-lO mas n\u00e3o O dispensa apesar de tudo; que bate \u00e0 porta, de cada pessoa, de cada fam\u00edlia, de cada institui\u00e7\u00e3o, e que espera ser recebido. Continuamos a exclamar com o profeta:  \u201cComo s\u00e3o belos sobre os montes Os p\u00e9s do mensageiro que anuncia a paz, Que traz a boa nova, que proclama a salva\u00e7\u00e3o\u201d (Is. 52, 7) Deste mensageiro somos n\u00f3s testemunhas e sentinelas, para O anunciar e proclamar o mist\u00e9rio do Amor de Deus revelado no Natal. Para proclamar que \u00e9 poss\u00edvel o amor entre os filho de Deus. Para gritar que \u00e9 necess\u00e1rio e urgente e exorcizar os medos e viver com esperan\u00e7a, mas dizer bem alto que Cristo \u00e9 o fundamento da Esperan\u00e7a, a base da fraternidade, e a nossa paz.  Porto e S\u00e9 Catedral, 25 de Dezembro de 2004 D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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