{"id":92711,"date":"2018-01-22T15:04:02","date_gmt":"2018-01-22T15:04:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=92711"},"modified":"2018-01-22T15:06:45","modified_gmt":"2018-01-22T15:06:45","slug":"mossul-depois-da-libertacao-da-cidade-a-libertacao-das-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mossul-depois-da-libertacao-da-cidade-a-libertacao-das-pessoas\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Mossul: Depois da liberta\u00e7\u00e3o da cidade, a liberta\u00e7\u00e3o das pessoas<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-92718 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/cristaos_iraque-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"609\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/cristaos_iraque-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/cristaos_iraque-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/cristaos_iraque-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/cristaos_iraque-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/cristaos_iraque.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 609px) 100vw, 609px\" \/><\/p>\n<h3>Esquecer os dias negros<\/h3>\n<p>O ano passado ficou marcado pela liberta\u00e7\u00e3o da cidade de Mossul, onde, em Junho de 2014, al-Baghdadi proclamou, perante a incredulidade do mundo, a instaura\u00e7\u00e3o de um \u2018califado\u2019 no pa\u00eds. Agora, com a derrota militar dos jihadistas, \u00e9 preciso dar in\u00edcio a um tempo novo. A come\u00e7ar nas pessoas, nas crian\u00e7as, libertando-as do pesadelo que foram for\u00e7adas a viver\u2026<\/p>\n<p>Foi a 29 de Junho de 2014, que o mundo assistiu, entre o at\u00f3nito e a indiferen\u00e7a, \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o do califado na S\u00edria e no Iraque. Durante tr\u00eas anos reinou o terror sobre esta cidade, assim como em vastas regi\u00f5es controladas pelos terroristas. O mundo testemunhou, desde ent\u00e3o, execu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de pessoas, destrui\u00e7\u00e3o de igrejas e persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os e yazidis. Desde esse dia, em que foi proclamado o \u2018califado\u2019, o mundo voltou a ouvir falar em popula\u00e7\u00f5es subjugadas, na venda de mulheres e crian\u00e7as em mercados de escravos, na crueldade mais ign\u00f3bil. Desde esse dia, o mundo recuperou a palavra \u2018genoc\u00eddio\u2019. 10 de Julho de 2017. <strong>O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anuncia a vit\u00f3ria \u201csobre a brutalidade e o terrorismo\u201d dos jihadistas, com a liberta\u00e7\u00e3o total da cidade de Mossul. Dezembro de 2017. Igreja de S\u00e3o Paulo. Neste Natal, o templo voltou a encher-se de fi\u00e9is, numa celebra\u00e7\u00e3o emotiva que parecia imposs\u00edvel h\u00e1 apenas meia d\u00fazia de meses. Len\u00e7\u00f3is brancos e vermelhos foram usados para ocultar as marcas da guerra, as paredes feridas pelas balas, o \u00f3dio estampado nas imagens mutiladas, nos vidros quebrados, nas express\u00f5es escritas nas paredes. <\/strong>A Igreja Cat\u00f3lica tem procurado ajudar a restabelecer a normalidade da vida nas comunidades crist\u00e3s. Onde quer que elas se encontrem. A come\u00e7ar nas crian\u00e7as. \u00c9 preciso voltar \u00e0 escola, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer la\u00e7os de vizinhan\u00e7a. \u00c9 urgente recuperar o tempo perdido. Ahmed Mahmud tem apenas 12 anos. A sua escola, na cidade de Mossul, ficou muito danificada com a guerra, mas as aulas j\u00e1 recome\u00e7aram. No entanto, para Mahmud, este tem sido um recome\u00e7o muito dif\u00edcil. \u201cEstou esgotado\u201d, diz, usando uma palavra improv\u00e1vel numa crian\u00e7a. \u201cEstou esgotado e sei que tudo isto n\u00e3o terminou\u201d, acrescenta, referindo-se \u00e0 guerra, \u00e0 viol\u00eancia que est\u00e1 presente nos escombros dos pr\u00e9dios, nos buracos das balas, nos rostos enlutados de tanta gente. \u201cIsto ainda n\u00e3o terminou. Quando entro na sala de aulas, n\u00e3o tenho a minha cabe\u00e7a livre para estudar.\u201d Osama \u00e9 um dos seus colegas. Melhor: devia ser um dos colegas de Ahmed, mas o seu lugar na sala de aulas continua vazio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Em sil\u00eancio<\/strong><\/h3>\n<p>Desde que as explos\u00f5es se come\u00e7aram a escutar na cidade, desde que o c\u00e9u se encheu de assobios de bombas que explodiam em sangue e morte, desde ent\u00e3o, Osama deixou de falar. Osama deixou de falar no dia em que quase todos os edif\u00edcios da rua desabaram sobre os vizinhos, sobre as casas onde Osama tinha amigos, crian\u00e7as da sua idade&#8230; A m\u00e3e conta o que se passou. \u201cDurante semanas, ele n\u00e3o disse uma \u00fanica palavra. \u00c0s vezes sai de casa sem nos avisar e caminha horas sem rumo\u2026\u201d. Osama n\u00e3o voltou \u00e0 escola. Est\u00e1 triste, t\u00e3o profundamente triste que perdeu as palavras. A lembran\u00e7a dos amigos que perdeu e com quem brincava deixou-o perdido. Tal como Mahmud, Osama est\u00e1 triste. H\u00e1 meses, numa reportagem da <em>Sky News<\/em>, um iraquiano descreveu como via crian\u00e7as a brincar em Mossul nos anos em que a cidade esteve sequestrada pelos jihadistas. \u201cVi algumas crian\u00e7as, com 6 ou 7 anos, a brincar \u00e0s decapita\u00e7\u00f5es com um boneco. Um deles tinha uma faca e come\u00e7ou a cortar-lhe a cabe\u00e7a enquanto gritava &#8216;Allahu Akhbar&#8217;\u201d. Os jihadistas foram expulsos de Mossul e de praticamente todo o Iraque. Mas falta ainda muito para que os iraquianos se libertem da mem\u00f3ria dos dias de negro. Para isso, eles precisam muito de n\u00f3s. A come\u00e7ar pelas nossas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mossul: Depois da liberta\u00e7\u00e3o da cidade, a liberta\u00e7\u00e3o das pessoas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92718,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[154,267],"class_list":["post-92711","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas","tag-crianca","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92711\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}