{"id":9248,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-conversa-com-tenor-giovanni-damore\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-conversa-com-tenor-giovanni-damore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-conversa-com-tenor-giovanni-damore\/","title":{"rendered":"\u00c0 CONVERSA COM&#8230; tenor Giovanni D&#8217;Amore"},"content":{"rendered":"<p>Portugal: gente simples, com grande senso de civismo e educa\u00e7\u00e3o <!--more--> Voz Portucalense &#8211; Qual a raz\u00e3o deste seu \u00faltimo \u00e1lbum &#8220;Flores para Am\u00e1lia&#8221;, que ir\u00e1 apresentar ao vivo no pr\u00f3ximo Domingo em Paranhos, no Porto?   Giovanni d&#8217;Amore (GD&#8217;A) &#8211; &#8220;Flores para Am\u00e1lia&#8221; \u00e9 uma homenagem de vida a uma amiga, Am\u00e1lia Rodrigues, que tive o prazer de conhecer j\u00e1 tarde mas duma forma incr\u00edvel, dado que foi ela que me contactou ap\u00f3s me ter ouvido cantar na &#8220;Pra\u00e7a de Alegria&#8221; da RTP, em 1998, em que apresentava o meu trabalho de canto italiano. Ela telefonou em directo para mim, para me cumprimentar e para manifestar o desejo de me conhecer. Tive a oportunidade de me privar v\u00e1rios momentos com ela, quando vinha da It\u00e1lia em visita a Portugal. Naturalmente que com isto, e depois da morte da Am\u00e1lia, continuei a prestar-lhe a minha homenagem. Portanto, desejava um dia ter podido cantar &#8211; porque n\u00e3o? &#8211; em dueto com ela, porque mesmo ela disse-me que tinha essa vontade. Chegamos, em brincadeira, a cantarolar juntos na casa dela. Numa 2\u00aa fase ela partilhou-me toda a sua vida. Por isso, para mim esta homenagem tem todo o sentido! \u00c9 homenagem a Am\u00e1lia e homenagem \u00e0 m\u00fasica. E \u00e9 feita com os m\u00fasicos particulares da Am\u00e1lia, que a acompanharam durante d\u00e9cadas por todo o mundo. Fiz quest\u00e3o de fazer este trabalho com eles.  VP &#8211; Ent\u00e3o nunca chegou a cantar publicamente com a diva do fado? GD&#8217;A &#8211; N\u00e3o, porque quando a conheci j\u00e1 estava retirada dos palcos, j\u00e1 n\u00e3o cantava. Mas, como tenho dito, Am\u00e1lia sempre me acompanhou desde pequeno, pois eu tinha um disco dela em casa, &#8220;Am\u00e1lia em It\u00e1lia&#8221;, em que apresentava a vers\u00e3o italiana de &#8220;Coimbra&#8221; e &#8220;Lisboa Antiga&#8221;. Nunca pensei nessa altura vir a conhec\u00ea-la pessoalmente. O destino, sin\u00f3nimo da palavra &#8220;fado&#8221;, fez com que fosse seu testemunho. Mesmo depois da sua morte ela quis que eu mesmo fosse seu embaixador, continuador do seu trabalho. Ela \u00e9 o meu &#8220;anjo da guarda&#8221;: quando canto sinto-a comigo no palco. Am\u00e1lia lan\u00e7ou-me este desafio, porque acreditava que sendo eu tenor de \u00f3pera conseguiria cantar o fado. Fez-se assim esta mistura. N\u00e3o quero exibir-me em fadista, porque n\u00e3o o sou!  VP &#8211; Como m\u00fasico o que \u00e9 que viu de t\u00e3o especial e extraordin\u00e1rio na m\u00fasica de Am\u00e1lia Rodrigues? GD&#8217;A &#8211; Am\u00e1lia \u00e9 a Maria Callas do fado. \u00c9 a rainha do fado. Am\u00e1lia era uma pessoa muito simples, com um grande talento. Ela tinha este dom, ela \u00e9 \u00fanica e imortal. N\u00e3o haver\u00e1 outra Am\u00e1lia. Ficar\u00e1 e j\u00e1 est\u00e1 na Hist\u00f3ria. Acho que tive mesmo um grande privil\u00e9gio conhecer uma grande Senhora. Isso marcou-me e nunca a esquecerei, todos os momentos que privei com ela. E quero continuar, porque neste \u00faltimo trabalho descobri muitas facetas. Descobri que a guitarra portuguesa n\u00e3o serve s\u00f3 para acompanhar o fado. Irei cantar num espect\u00e1culo, com o som dessa guitarra, m\u00fasicas como o &#8220;O sole mio&#8221; ou &#8220;Granada&#8221;, assim como cl\u00e1ssicos internacionais.  VP &#8211; Qual foi a mensagem da Am\u00e1lia dirigida a si que mais lhe tocou e que grava no seu cora\u00e7\u00e3o?  GD&#8217;A- Mais do que mensagem oral impressionou-me o facto de ser uma mulher muito simples, mesmo passando por grandes espect\u00e1culos, grandes Teatros. N\u00e3o era mulher de grande estar, de grande vida, mas de grande simplicidade. Isso tocou-me. Da Am\u00e1lia fica-me a sua amizade e bondade de cora\u00e7\u00e3o. Era muito humana, gostava de ajudar os outros. Ela mesmo desarmou-me com a sua humildade e disse-me: &#8220;Giovanni, lembra-te na vida que para seres grande tens que ser humilde&#8221;. \u00c9 isto que tento transmitir aos outros, pelo que fa\u00e7o. A humildade ajuda-nos a ficar com os p\u00e9s assentes no ch\u00e3o, sem pensar em projectos ocos. Estamos de passagem nesta vida, porque somos empr\u00e9stimos da terra. Quando formos de vez n\u00e3o deixaremos nem levaremos nada.  VP &#8211; Sei que \u00e9 um crist\u00e3o empenhado, de educa\u00e7\u00e3o familiar crist\u00e3&#8230;  GD&#8217;A &#8211; Como dizia h\u00e1 pouco, o mundo n\u00e3o nos pertence, estamos s\u00f3 de passagem. H\u00e1 um livro onde est\u00e1 escrito tudo, onde h\u00e1 Algu\u00e9m que se lembra de n\u00f3s, a B\u00edblia. Eu penso nisso. N\u00f3s somos instrumentos de Deus. Madre Teresa de Calcut\u00e1 dizia que &#8220;somos um l\u00e1pis nas m\u00e3os de Deus&#8221;.  VP &#8211; De que forma \u00e9 que passa e testemunha a sua grande f\u00e9? GD&#8217;A &#8211; Eu rezo sempre. A f\u00e9 \u00e9 algo onde nos podemos amparar, porque sem f\u00e9 imagino que deva haver um grande vazio, n\u00e3o sei.  VP &#8211; Como foi esta descoberta apaixonada por Portugal, que fez com que viesse c\u00e1 muitas vezes? GD&#8217;A &#8211; A primeira vez que vim c\u00e1 foi em 1993, atrav\u00e9s da m\u00fasica, na cidade de Coimbra. Tinha cantado com o Coro Misto da Universidade de Coimbra numa digress\u00e3o que eles fizeram a It\u00e1lia. Posteriormente ao convidarem um Coro italiano a vir c\u00e1 quiseram que eu viesse com esse Coro, como forma de agradecimento pelo apoio que lhes tinha dado em It\u00e1lia. E assim foi. Fiquei fascinado por Portugal, porque \u00e9 um pa\u00eds muito bonito, acolhedor, de gente simples, com grande senso de civismo e educa\u00e7\u00e3o. Li uma das mem\u00f3rias da Irm\u00e3 L\u00facia em que diz que o povo portugu\u00eas tem uma cren\u00e7a e religiosidade enorme. De facto, tenho visto e admiro isso. Tive tamb\u00e9m o prazer de ser aben\u00e7oado por N.\u00aa Sr.\u00aa de F\u00e1tima, por ter cantado no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima nos dias 12 e 13 de Maio de 1998. Foi uma grande emo\u00e7\u00e3o. Estive tamb\u00e9m nos A\u00e7ores em 2003, numa Festa ao Divino Esp\u00edrito Santo, em que cantei o Hino a Ele dedicado. Tenho esta miss\u00e3o de cantar por voca\u00e7\u00e3o. E agora, recentemente, cantei esta homenagem \u00e0 Am\u00e1lia em todas as lojas Fnac do pa\u00eds.  VP &#8211; Entretanto quando decidiu fixar de vez resid\u00eancia no nosso pa\u00eds? GD&#8217;A &#8211; Em 2002. Mas continuo a viajar. No entanto fiquei porque estava a ser muito solicitado para fazer concertos e recitais. Tinha comigo um pianista italiano conhecido, que me acompanhava.  VP &#8211; De que forma aprendeu a falar t\u00e3o bem e fluentemente a l\u00edngua portuguesa? GD&#8217;A &#8211; Muito tem a ver com o canto para aprender a cantar. E tamb\u00e9m, logicamente, pelo contacto directo e permanente com o portugu\u00eas. Sinto-me um pouco portugu\u00eas. Sou casado com uma portuguesa. E quis aprender a falar a l\u00edngua por uma quest\u00e3o de respeito, porque acho que quando se vai a um pa\u00eds diferente deve-se tentar falar essa l\u00edngua.  VP &#8211; Sente saudades de It\u00e1lia, de estar algum tempo distante do pa\u00eds que o viu nascer e ser artista? Gosta realmente da It\u00e1lia? GD&#8217;A &#8211; N\u00e3o. Estou em contacto todos os dias e vou l\u00e1 com alguma frequ\u00eancia. Gosto de It\u00e1lia, \u00e9 um pa\u00eds bonito. Gostos dos pa\u00edses que t\u00eam as suas pr\u00f3prias belezas. Em It\u00e1lia temos um patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, sem d\u00favida: v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es l\u00e1 habitaram e edificaram o pa\u00eds. Mas como todos os pa\u00edses tem coisas boas e coisas m\u00e1s, mas n\u00e3o falemos disso, porque o melhor \u00e9 falar sempre de coisas boas.  VP &#8211; Al\u00e9m da falta de f\u00e9 n\u00e3o acha que h\u00e1 muito negativismo na Sociedade? Al\u00e9m da f\u00e9 o que urge, para si, implementar nas pessoas? Como transmitir um olhar de esperan\u00e7a? GD&#8217;A &#8211; Seria necess\u00e1rio que se fizesse um exame de consci\u00eancia, que se abrisse um pouco o cora\u00e7\u00e3o para ver o lado bom que o ser humano tem. Tenho presente uma imagem de Maio de 1998: uma m\u00e3e com uma crian\u00e7a deficiente. Estava sol e a m\u00e3e enxugava o rosto de suor do filho, na esplanada do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, perante uma multid\u00e3o de pessoas e de doentes. Pensava na dor desta m\u00e3e e o amor pelo filho, no meio daquela mar\u00e9 de gente. Foi uma das imagens que ficou impressa na minha mem\u00f3ria e nunca a esqueci. Foi um dos momentos em que me senti muito pequeno. Isto serve para nos fazer pensar&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal: gente simples, com grande senso de civismo e educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[154,168,174,187,193,207,248,285],"class_list":["post-9248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-fatima","tag-madre-teresa","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}