{"id":9159,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-comeca-na-madeira\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-comeca-na-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-comeca-na-madeira\/","title":{"rendered":"Natal \u00abcome\u00e7a\u00bb na Madeira"},"content":{"rendered":"<p>Missas do Parto s\u00e3o um patrim\u00f3nio da Ilha e continuam a ser uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es da religiosidade popular e da cultura madeirenses <!--more--> A partir de hoje e at\u00e9 dia 24 de Dezembro, em quase todas as par\u00f3quias da Diocese do Funchal, s\u00e3o celebradas as \u201cMissas do parto\u201d, um patrim\u00f3nio religioso que \u00e9 vivenciado pelas comunidades paroquiais, atrav\u00e9s de c\u00e2nticos e de manifesta\u00e7\u00f5es muito pr\u00f3prias que unem a liturgia do Advento \u00e0 piedade popular. Qualquer pessoa que ande por estes dias na Ilha h\u00e1-de ouvir falar constantemente na \u201cFesta\u201d, que \u00e9 como os madeirenses falam do Natal.  Apesar de serem uma tradi\u00e7\u00e3o secular, as \u201cMissas do Parto\u201d continuam a ser uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es da religiosidade popular e da cultura madeirense. Estas celebra\u00e7\u00f5es que re\u00fanem a popula\u00e7\u00e3o insular pelas madrugadas de 16 (algumas comunidades come\u00e7aram a celebrar hoje, dia 15) a 24 de Dezembro possuem uma estrutura e um objectivo comum a todas as comunidades e fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o do Natal, que remonta certamente, aos primeiros povoadores da Ilha.  Embora celebradas nos nossos dias, adaptando-se \u00e0s vicissitudes da evolu\u00e7\u00e3o e da vida moderna, s\u00e3o ainda marcadas pelo entusiasmo e participa\u00e7\u00e3o generalizada. Antes ou depois do trabalho, consoante a hora em que forem celebradas, os fi\u00e9is re\u00fanem-se para louvar Nossa Senhora e preparar um Natal que est\u00e1 longe do frenesim consumista dos nossos dias. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o que vem de longe, e nem o frio nem a chuva das manh\u00e3s de Inverno demovem os fi\u00e9is das novenas. \u00c0 ida para a igreja bebe-se caf\u00e9 quente com um &#8220;cheirinho&#8221; de grogue ou um copito de aguardente com mel, para afastar o frio e o sono. Nalgumas freguesias bandas filarm\u00f3nicas percorrem as ruas com as castanholas, os bombos, as \u201ccabrinhas\u201d ou os acordeons, que acordam os mais dorminhocos.  Nas tradi\u00e7\u00f5es mais antigas, \u00e9 o b\u00fazio chama \u00e0s duas horas da manh\u00e3: todos conhecem aquela voz, quem vem a caminho tamb\u00e9m bate a todas as portas. A caminhada dos s\u00edtios mais altos at\u00e9 \u00e0 Igreja \u00e9 longa e dif\u00edcil, por caminhos inclinados e estreitos, mas todos avan\u00e7am ao som dos instrumentos regionais, dos b\u00fazios e de muitas dezenas de castanholas. Nestes nove dias v\u00e3o ecoar nas igrejas c\u00e2nticos que podem muito bem ter cinco s\u00e9culos de exist\u00eancia. O pai-nosso, a ave-maria, a salve-rainha, a Concei\u00e7\u00e3o, a Maternidade e o \u201cretrato de Nossa Senhora\u201d s\u00e3o c\u00e2nticos obrigat\u00f3rios: O \u201cretrato de Nossa Senhora\u201d, \u00e9 um hino de louvor \u00e0 pessoa da Virgem Maria, tanto das suas qualidades f\u00edsicas como espirituais. A cada louvor segue uma peti\u00e7\u00e3o. E a concluir reza: \u201cA beleza da vossa alma \/ Ao Senhor agradou tanto \/ Que vos escolheu para esposa \/ Do divino Espirito Santo.\u201d  Todos os outros c\u00e2nticos seguem, quase \u00e0 risca, o mesmo esquema: uma verdade teol\u00f3gica, cristoc\u00eantrica, um louvor \u00e0 Virgem, a Cristo ou a Deus, e uma respectiva peti\u00e7\u00e3o e consequente aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica \u00e0 vida quotidiana.  As caracter\u00edsticas da vida moderna certamente n\u00e3o permitir\u00e3o cumprir a tradi\u00e7\u00e3o \u00e0 risca, at\u00e9 porque hoje as dist\u00e2ncias est\u00e3o mais encurtadas entre as popula\u00e7\u00f5es, e a Igreja, de h\u00e1 quarenta anos a esta parte, tamb\u00e9m subiu ao encontro das comunidades humanas que se t\u00eam disseminado pelas encostas da Ilha e t\u00eam transformado a sua maneira de ser e estar na vida.  N\u00e3o se perdeu, contudo a tradi\u00e7\u00e3o: antes ou depois do trabalho, consoante a hora em que forem celebradas, os fi\u00e9is re\u00fanem-se com o pensamento envolto na medita\u00e7\u00e3o da Liturgia da Palavra que, nesta semana nos aproxima bastante de Cristo e da sua M\u00e3e, cantando loas \u00e0 Virgem que vai dar o Filho do Alt\u00edssimo que tamb\u00e9m \u00e9 seu.  <b>Hist\u00f3ria<\/b> \u201cPuuuuuu\u2026 Puuuuu. Puuuuu\u2026. N\u00e3o \u00e9 para agrupamento de povo, pagamento de leite ou casa a arder, que o b\u00fazio chama \u00e0s duas horas da madrugada nas Fontes e Furnas da Ribeira Brava. Todos conhecem aquela voz a tais horas da noite.  Traduzida numa linguagem popular, quer dizer: Para a \u201cMissa do Parto\u201d\u2026Para a \u201cMissa do Parto\u201d\u2026 Para a Missa do Parto\u201d. E em todas as casas acordam pessoas e luzes. (\u2026). Re\u00fanem-se todos no terreiro da vereda do Jo\u00e3o Pequeno ou da do Manuel das Ascens\u00f5es e, quando j\u00e1 n\u00e3o esperam mais ningu\u00e9m, p\u00f5em-se em marcha para a Vila. Duas horas de viagem, por caminhos serenados e ladeiras de matar. Avan\u00e7am ao som dos instrumentos regionais, dos b\u00fazios e de muitas dezenas de castanholas. (\u2026). Todos tocam acordando as gentes. \u00c0 medida que o grupo avan\u00e7a, outros se v\u00eam juntar, de modo que ao chegarem ao Pico da Banda de Al\u00e9m e \u00e0 Cruz, ecoam na Vila, dando a impress\u00e3o de que um bando de grilos gigantescos a v\u00eam invadir. Contudo, ningu\u00e9m tem medo. (\u2026) Reunidos todos os tocadores de castanholas, come\u00e7am ent\u00e3o a dar voltas \u00e0 pequenina Vila e n\u00e3o h\u00e1 quem resista, quem deixe de ir \u00e0 \u201cMissa do Parto\u201d. S\u00e3o as festas do Natal que come\u00e7am. Da\u00ed a momentos, \u00e0s quatro e meia da manh\u00e3, estar\u00e3o todos, ricos e pobres, senhores e plebeus, na igreja, pequena de mais para tanta gente, a cantar com todo o calor: \u201cAo Menino nascer.\/ Que gosto teremos! \/ Oh! Quanto felizes \/Todos n\u00f3s seremos! \/ Anjos e pastores, \/ Vinde em harmonia, \/ A louvar o parto \/ Da virgem Maria.\u201d <i>In O Natal na Madeira, Pe. Pita Ferreira<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Missas do Parto s\u00e3o um patrim\u00f3nio da Ilha e continuam a ser uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es da religiosidade popular e da cultura madeirenses<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[100,186,246,267,285,292],"class_list":["post-9159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-advento","tag-diocese-do-funchal","tag-liturgia","tag-natal","tag-patrimonio","tag-religiosidade-popular"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9159"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9159\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}