{"id":9110,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/as-vozes-da-igreja-do-silencio\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"as-vozes-da-igreja-do-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-vozes-da-igreja-do-silencio\/","title":{"rendered":"As vozes da <i>Igreja do Sil\u00eancio<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Cat\u00f3licos na China <!--more--> Uma delega\u00e7\u00e3o da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre visitou a China em Setembro deste ano. Os representantes da institui\u00e7\u00e3o constataram, uma vez mais, as dificuldades que marcam o quotidiano das irm\u00e3s e irm\u00e3os cat\u00f3licos chineses. O sofrimento dos fi\u00e9is da \u201cIgreja do Sil\u00eancio\u201d chinesa surge retratado nos seus testemunhos, dados sob nomes fict\u00edcios por motivos de seguran\u00e7a. \u201cHna Zong\u201d trabalha num orfanato cat\u00f3lico numa diocese a norte de Pequim. A jovem, tal como a maioria das religiosas nesta diocese a norte de Pequim, \u00e9 filha \u00fanica e provem de uma fam\u00edlia de camponeses. \u201cQuando disse aos meus pais que queria dedicar-me \u00e0 vida consagrada, a sua primeira reac\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi entusi\u00e1stica porque contavam comigo para o trabalho no campo\u201d, afirma Hna Zong.  Neste orfanato, situado no cora\u00e7\u00e3o da zona rural chinesa, as religiosas recebem beb\u00e9s e crian\u00e7as \u2013 especialmente as que s\u00e3o portadoras de defici\u00eancias \u2013 que s\u00e3o deixadas pelas m\u00e3es \u00e0 porta desta institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Devido \u00e0 pol\u00edtica do filho \u00fanico e ao diagn\u00f3stico pr\u00e9-natal, a op\u00e7\u00e3o \u00e9, em muitos casos, o aborto ou o abandono das crian\u00e7as. Os casais com um segundo filho arriscam uma multa que ascende a um sal\u00e1rio m\u00e9dio de 6 meses, uma quantia que duplica por cada filho adicional. No entanto, segundo a religiosa, \u201cos controlos de natalidade oficiais s\u00e3o menos frequentes no campo do que nos centros urbanos e j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o raras as fam\u00edlias com tr\u00eas filhos\u201d. As religiosas salvam assim numerosas vidas que, de outra forma, teriam desaparecido. O Governo tolera a exist\u00eancia destas institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, que acabam por colmatar a inexist\u00eancia de um sistema de assist\u00eancia social eficaz. No entanto, as autoridades exercem uma vigil\u00e2ncia apertada para garantir que estas organiza\u00e7\u00f5es se limitam \u00e0 assist\u00eancia e ao acolhimento de pessoas. \u00c9 proibido qualquer tipo de divulga\u00e7\u00e3o religiosa.  \u201cAqui os meninos s\u00e3o felizes, o que n\u00e3o acontece nas institui\u00e7\u00f5es estatais. Nesses estabelecimentos as condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o espantosas\u201d, refere a Irm\u00e3 \u201cYang\u201d que tamb\u00e9m trabalha no orfanato. \u201cA China moderna \u00e9 um pa\u00eds de jovens. Os idosos, os deficientes e os doentes n\u00e3o t\u00eam lugar na sociedade\u201d, explica a irm\u00e3 Zong. Em Wanxian, o Convento de Sichuan foi reconstru\u00eddo nas escarpas do rio Yangtz\u00e9 \u2013 onde os chineses constru\u00edram a maior barragem do mundo \u2013 mas o edif\u00edcio continua sob o risco de derrocada devido aos movimentos de terras. A Irm\u00e3 \u201cLiu\u201d gostaria de levar uma vida religiosa \u201cmais recolhida\u201d, mas as grandes obras em curso na regi\u00e3o exigem uma grande flexibilidade \u00e0s religiosas de Sichuan. Aos 25 anos n\u00e3o se sente integrada numa sociedade onde a condi\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o melhorou ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o cultural. Confinadas a trabalhos pouco gratificantes, as mulheres trabalham mais horas que os homens e recebem em m\u00e9dia um sal\u00e1rio quatro vezes inferior. Liu gostaria de conhecer outras religiosas no resto do mundo. Um intelectual de Pequim explicou \u00e0 Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre que na China \u201cexiste, de um modo geral, uma vis\u00e3o tradicional do Catolicismo: funcional, ligada \u00e0 obedi\u00eancia e ao trabalho. Os avan\u00e7os do Conc\u00edlio Vaticano II v\u00e3o chegando pouco a pouco\u201d. Para mudar esta vis\u00e3o seria fundamental haver interc\u00e2mbios espirituais com o estrangeiro, mas sair do pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para as religiosas chinesas. A senhora \u201cHong\u201d tem 65 anos e h\u00e1 muito tempo que se dedica ao voluntariado, dirigindo um grupo de catequese. No pulso tem um rel\u00f3gio decorado com uma estrela vermelha. Em conversa diz-nos que trabalhou como engenheira para o Governo: \u201cQueria ser cat\u00f3lica, mas isso \u00e9 proibido quando se trabalha para o Estado. Portanto, quando me reformei, baptizei-me e depois consagrei-me de corpo e alma \u00e0 Igreja\u201d. Deseja, com todas as suas for\u00e7as que o Senhor perdoe o que fez quando era funcion\u00e1ria estatal e destina grande parte da sua pens\u00e3o de reforma ao episcopado.  Apesar de fazer parte de uma diocese \u201coficial\u201d (registada junto das autoridades chinesas) o Padre \u201cZhang\u201d sabe que o Estado vigia todas as actividades dos sacerdotes e que, por vezes, s\u00e3o presos religiosos e volunt\u00e1rios \u201cdemasiado comprometidos\u201d que s\u00e3o libertados algum tempo depois. Com uma grande necessidade de religiosas e volunt\u00e1rios, a Igreja da China necessitaria de uma base mais s\u00f3lida do que a que desfruta na actualidade. \u00c9 imenso o trabalho dos cat\u00f3licos, sejam eles \u201coficiais\u201d ou \u201cclandestinos\u201d. Como mostram os testemunhos dos cat\u00f3licos chineses, a press\u00e3o exercida pelo Governo afecta a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cat\u00f3licos na China<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[93,127,144,154,206,267,326,329],"class_list":["post-9110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-aborto","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-familia","tag-natal","tag-vida-consagrada","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}