{"id":91005,"date":"2018-01-10T18:01:09","date_gmt":"2018-01-10T18:01:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=91005"},"modified":"2018-01-10T18:05:52","modified_gmt":"2018-01-10T18:05:52","slug":"radio-ecclesia-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio-ecclesia-para-todos\/","title":{"rendered":"R\u00e1dio Ecclesia para todos?"},"content":{"rendered":"<p>Padre Tony Neves<!--more-->A R\u00e1dio Ecclesia, a Emissora Cat\u00f3lica de Angola, nasceu em 1955. N\u00e3o resistiu aos ventos do chamado \u2018nitismo\u2019, uma tentativa \u2013 segundo as autoridades de ent\u00e3o \u2013 de golpe de estado levado a cabo por activistas do MPLA em 1977. Na sequ\u00eancia da \u2018ca\u00e7a \u00e0s bruxas\u2019 que marcou esses tempos, a R\u00e1dio Ecclesia foi considerada colaboracionista dos \u2018golpistas\u2019 e, por isso, silenciada e confiscados todos os seus bens, incluindo o edif\u00edcio onde funcionava, propriedade dos Mission\u00e1rios Espiritanos, a paredes meias com a sua Casa provincial na Cidade-Alta de Luanda.<\/p>\n<p>Foi preciso que soprassem outros ventos (os que deitaram abaixo o Muro de Berlim e abriram algumas portas \u00e0 liberdade e democracia!) para que a R\u00e1dio Ecclesia voltasse ao ar. Tal aconteceria em 1997 (vinte anos ap\u00f3s o silenciamento), com um projeto radiof\u00f3nico liderado pelo P. Aristides Neiva, um espiritano portugu\u00eas formado em Comunica\u00e7\u00e3o Social em Roma.<\/p>\n<p>Tudo parecia correr bem quando a Igreja se apercebeu que, embora a Radio tivesse \u00e2mbito nacional (assim nascera!), as autoridades angolanas s\u00f3 permitiam que fosse escutada em Luanda. Era \u2013 dizia o governo \u2013 uma quest\u00e3o de tempo a extens\u00e3o do sinal a todo o pa\u00eds. Faltava apenas regulamentar\u2026 A Igreja apressou-se a equipar todas as dioceses para que a Ecclesia tivesse condi\u00e7\u00f5es de excel\u00eancia. Mas os tempos foram passando e a autoriza\u00e7\u00e3o nunca chegou, apesar de tanta luta, de muitas reuni\u00f5es e apelos. At\u00e9 hoje. E assim se tornaram absoletos todos os equipamentos!<\/p>\n<p>Recordo que, no Audit\u00f3rio da Universidade Cat\u00f3lica de Angola, em dezembro de 2005, houve um Congresso que celebrou os 50 anos da funda\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Ecclesia. Fui convidado a intervir e \u2013 como escrevi no editorial de Janeiro 2006 na A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria \u2013 <em>\u2018pedi, como todos, a tal assinatura que falta para que Angola inteira possa escutar a Emissora Cat\u00f3lica. Silenciar a Ecclesia \u00e9 dar for\u00e7a a quem diz que o governo quer manter as pessoas no obscurantismo ou tem medo da pluralidade da informa\u00e7\u00e3o. Quer se queira quer n\u00e3o, esta proibi\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o do sinal ao resto do pa\u00eds \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Ser\u00e1 que o governo quer dar provas de incentivo \u00e0 liberdade de express\u00e3o? Promessas n\u00e3o faltam, mas \u00e9 preciso passar da palavra \u00e0 pr\u00e1tica. (\u2026). A luta continua, porque a Igreja nunca desiste das grandes causas. E a da informa\u00e7\u00e3o plural \u00e9 uma delas. Se a Ecclesia se ouvir em todo o pa\u00eds, a vit\u00f3ria vai ser do povo. Todo. Tamb\u00e9m de quem est\u00e1 a calar esta voz inc\u00f3moda, a primeira que deixou o povo falar. A democracia agradece\u2019 <\/em>(A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria, Janeiro 2006, p.2).<\/p>\n<p>Os tempos passaram e o silenciamento manteve-se, apesar da press\u00e3o cont\u00ednua da Igreja. Voltei diversas vezes a Angola e sempre fui \u00e0 R\u00e1dio Ecclesia. Em Outubro de 2013, ap\u00f3s visita, escrevi: <em>\u2018Compreendi que h\u00e1 \u2018batalhas\u2019 entre a Igreja e o governo de Luanda que n\u00e3o est\u00e3o perdidas, mas parecem eternamente adiadas, como a da extens\u00e3o do sinal da R\u00e1dio Ecclesia ao resto do pa\u00eds\u2019<\/em> (A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria, Outubro 2013, p.2).<\/p>\n<p>A luta continuou e, para alegria de muitos, o novo Presidente de Angola, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, na primeira entrevista aos jornalistas, a 8 de Janeiro, cem dias depois da tomada de posse, afirmou que a R\u00e1dio Ecclesia vai poder estender o sinal ao resto de Angola. Eu disse, na ocasi\u00e3o, que esta poderia ser a maior vit\u00f3ria da Igreja de Angola nos \u00faltimos tempos. \u00c9 apenas um primeiro passo, pois a bola poder\u00e1 ficar do lado dos cat\u00f3licos. H\u00e1 que criar as condi\u00e7\u00f5es de emiss\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de programas de qualidade. Estou certo de que a Igreja vai tomar muito a s\u00e9rio este desafio e que estar\u00e1 \u00e0 altura da responder com qualidade. Tudo para bem dos angolanos, da sua liberdade e democracia.<\/p>\n<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":91008,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[106,197],"class_list":["post-91005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-angola","tag-espiritanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91005\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}