{"id":9097,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/representar-o-natal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"representar-o-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/representar-o-natal\/","title":{"rendered":"Representar o Natal"},"content":{"rendered":"<p>Ra\u00edzes Medievais do Pres\u00e9pio Algarvio <!--more--> Ao longo dos primeiros s\u00e9culos, a Igreja afirmou e defendeu que Cristo \u00e9 Filho de Deus desde o primeiro momento da sua concep\u00e7\u00e3o no seio virginal de Maria. Esta \u00e9 M\u00e3e de Deus e M\u00e3e do Povo de Deus. Em contexto apolog\u00e9tico nunca se pensou em celebrar a festa do seu santo nascimento, em Bel\u00e9m. A grande festa lit\u00fargica era a festa da P\u00e1scoa.  Os primeiros escritos da igreja n\u00e3o se referem \u00e0 festa natal\u00edcia. Clemente de Alexandria (\u2020 cerca de 211) \u00e9 o primeiro a referir-se a uma festa dos Magos que assinalava a sua revela\u00e7\u00e3o aos gentios. S\u00e3o Greg\u00f3rio Nazianzeno (329-390) afirma, que celebrou o Natal no dia 25 de Dezembro em 379, na cidade de Constan-tinopla e a Epifania a 6 de Janeiro. A partir daqui quase todas as comunidades crist\u00e3s do Oriente e em Roma celebram duas festas natal\u00edcias que se completam. A cena da natividade est\u00e1 representada em alguns sarc\u00f3fagos e nos \u00edcones. A festa do Natal n\u00e3o tinha qualquer manifesta\u00e7\u00e3o popular. Um ret\u00e1bulo de Maria com o Menino ao colo poderia ficar em cima do altar, para assinalar a festa.  No s\u00e9culo XI, a espiritualidade da inf\u00e2ncia do Salvador, iniciada por S\u00e3o Bernardo de Claraval, vai gerar um movimento que abre a porta ao pres\u00e9pio. Os pintores inspiram-se nos seus escritos. A imagin\u00e1ria vai colocar Maria com o Menino de p\u00e9 ou sentado no colo da Maria. No Natal, a imagem de Maria ou do Menino Jesus ficava em cima do altar. Estas imagens apresentam o Menino com coroa, ceptro real, manto, mundo na m\u00e3o, para assinalar a realeza e a senhoria de Cristo, de acordo com o esp\u00edrito medieval. Os vitrais da catedral de Chartres colocam o Menino deitado em cima de um altar. Esta cena vai influenciar os artistas dos s\u00e9culos seguintes.  NO S\u00c9CULO XIII, a Legenda Aurea de Jacobo de Vorigine descreve a cena natal\u00edcia com pormenores ap\u00f3crifos que saciam a curiosidade do povo. A Ordem dos Pregadores divulga a confraria e a prociss\u00e3o em honra do Santo Nome de Jesus. NO S\u00c9CULO XIV S\u00e3o Bernardino de Sena e Santa Br\u00edgida espalham a devo\u00e7\u00e3o ao Menino Jesus e surge a imagin\u00e1ria para satisfazer a piedade. Em Floren\u00e7a, realiza-se a primeira manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e de devo\u00e7\u00e3o p\u00fablica em honra do Menino Jesus. A sua imagem vai ser levada em prociss\u00e3o e outras cidades v\u00e3o seguir o seu exemplo. Em Roma a imagem do Menino Jesus \u00e9 colocada no altar da Ara Coeli. A imagem \u00e9 levada em prociss\u00e3o, todos os dias 25 de cada m\u00eas. A fama deste Jesus bambino irradiou por toda a parte. Na quadra natal\u00edcia colocava-se no altar um ret\u00e1bulo com uma cena natal\u00edcia, uma imagem de Maria com o menino ao colo ou o Menino Jesus sobre o altar.  A PROVEN\u00c7A francesa foi uma regi\u00e3o cosmopolita e muito religiosa com a presen\u00e7a do Papa em Avignon. No s\u00e9culo XVI, o cardeal B\u00e9rulle introduz, nesta regi\u00e3o, a tradi\u00e7\u00e3o das searinhas e das laranjas ao lado do Menino Jesus, para Ele aben\u00e7oar as sementeiras e as \u00e1rvores de fruto. No s\u00e9culo XVII, os conventos armam o pres\u00e9pio colocando a imagem do Menino Jesus em cima do altar. A devo\u00e7\u00e3o ao Menino Jesus sai dos conventos e chega ao povo. Para satisfazer a devo\u00e7\u00e3o armam a cena da natividade em quadros protegidos de vidro para as imagens n\u00e3o se deteriorarem. Na quadra natal\u00edcia colocam este pequeno santu\u00e1rio em cima do altar. Inoc\u00eancio III (1721) aprova a festa do Santo Nome de Jesus e os escultores divulgam a imagem do Menino Jesus. O pres\u00e9pio chega \u00e0 casa do Povo. A regi\u00e3o da Proven\u00e7a (sul de Fran\u00e7a) foi o grande centro de irradia\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio com ra\u00edzes medievais. No Natal, surge o Menino Jesus glorioso, triunfante, o Salvador o senhor e Rei do mundo. Este pres\u00e9pio foi levado pelos portugueses para a Ilha da Madeira, para os A\u00e7ores e para o Brasil. Os mission\u00e1rios espanh\u00f3is divulgam-no na Am\u00e9rica do Sul. Em Portugal, ainda podemos ver este pres\u00e9pio no Baixo Alentejo e no Algarve. Em Fran\u00e7a, Alemanha, Su\u00ed\u00e7a, a pa\u00edses n\u00f3rdicos ainda hoje surgem no Natal as laranjas e as searinhas de trigo. O PRES\u00c9PIO tradicional algarvio conserva as ra\u00edzes medievais. \u00c9 um trono ou altar armado em escadaria. O Menino Jesus est\u00e1 de p\u00e9, no cimo do trono. \u00c0 volta coloca-se verdura, Ramos de laranjeira. Na escadaria colocam-se laranjas e searinhas germinadas. Uma lamparina acesa est\u00e1 sempre presente.  No in\u00edcio da d\u00e9cada de oitenta o p\u00e1roco de S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel iniciou a recolha das imagens feitas pelos pinta-santos algarvios. O pres\u00e9pio tradicional retomou vida e o Museu do Trajo do Algarve, em S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel, possui a \u00fanica colec\u00e7\u00e3o de imagens populares, existente no Algarve. Todos os anos faz o pres\u00e9pio tradicional que, a pouco e pouco, est\u00e1 a retomar nova vida. Na Igreja Matriz arma-se o pres\u00e9pio tradicional, em escadaria, com laranjas e searinhas e o Menino em cima do trono. A igreja tamb\u00e9m se reveste de panos como foi tradi\u00e7\u00e3o nos s\u00e9culos XVII e XIX.  Pe. Jos\u00e9 da Cunha Duarte, CSSp P\u00e1roco de S. Br\u00e1s de Alportel <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ra\u00edzes Medievais do Pres\u00e9pio Algarvio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[104,122,185,199,267,275],"class_list":["post-9097","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-america","tag-brasil","tag-diocese-do-algarve","tag-espiritualidade","tag-natal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9097"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9097\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}