{"id":9096,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/natal-da-ficcao-a-realidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"natal-da-ficcao-a-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-da-ficcao-a-realidade\/","title":{"rendered":"Natal: da fic\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade"},"content":{"rendered":"<p>Se quisermos saber o que \u00e9 o Natal, as dificuldades s\u00e3o maiores do que parecem \u00e0 primeira vista. O Natal \u00e9 um grande amontoado de (por ordem alfab\u00e9tica) abetos, anjinhos, azevinho, bolas decoradas, bonecos de neve, burros, camelos, carneiros, chupa-chupas, cometas, crian\u00e7as deitadas na palha, duendes, embrulhos coloridos, estrelas, fritos, grutas, harpas, homens apoiados no bord\u00e3o, la\u00e7arotes, luas, meias penduradas, mulheres ajoelhadas, neve, pastores, reis, renas, sinos, tren\u00f3s, vacas, etc, etc. Mas na realidade o Natal \u00e9 a festa da fam\u00edlia, a festa da solidariedade e dos presentes, a festa das filhoses, das \u00e1rvores decoradas, das ruas iluminadas, dos pensamento bonitos. Acima de tudo, o Natal \u00e9 o reino do Pai Natal, um velho gordo e bondoso, com barbas, sempre carregado com um saco e uma prefer\u00eancia declarada por chamin\u00e9s. Por isto, muitos crist\u00e3os ficam ofendidos com a profus\u00e3o de s\u00edmbolos d\u00edspares e interpreta\u00e7\u00f5es laicas. Outros entristecem-se com a falta de aten\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio central do Natal. Na realidade, no meio desta enorme confus\u00e3o, alguns s\u00e3o capazes de conhecer o sentido original do Natal. Tal como nas palavras complicadas ou nos h\u00e1bitos antigos, algumas pessoas ainda conhecem a sua origem hist\u00f3rica, etimol\u00f3gica. H\u00e1 quem se lembre porque raz\u00e3o \u00e9 que nesta quadra toda a gente anda bem disposta, se esfor\u00e7a por ser simp\u00e1tica e partilhar coisas com amigos e estranhos. Porque na realidade o Natal \u00e9 outra coisa. Algumas reportagens mais informadas s\u00e3o capazes de dizer que o Natal \u00e9 a festa do nascimento de Jesus Cristo, o fundador da religi\u00e3o crist\u00e3. Alguns at\u00e9 s\u00e3o capazes de saber que a crian\u00e7a deitada nas palhas \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus, que a mulher de joelhos \u00e9 Maria, sua m\u00e3e, e o homem apoiado no bord\u00e3o Jos\u00e9, o marido dela. Podem chegar a dizer que o burro trouxe a m\u00e3e e o Menino, por nascer, de Nazar\u00e9 at\u00e9 \u00e0 gruta da vaca, que fica em Bel\u00e9m. E at\u00e9 podem informar que o Menino foi saudado por uma estrela, pastores, anjos, reis e camelos. Quanto aos outros emblemas, eles vieram de fontes variadas e posteriores, mais dif\u00edceis de identificar. A realidade, de facto, \u00e9 outra. As coisas, no fundo, s\u00e3o bastante diferentes. Entre n\u00f3s, mesmo que o tentem esconder, toda a gente sabe perfeitamente que o Natal \u00e9 a festa do nascimento de Jesus. Podem fingir ignorar, podem encher o seu tempo com outras coisas. Mas a verdade \u00e9 que ningu\u00e9m desconhece a suprema provoca\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a desse Menino. N\u00e3o faltam os que querem estilizar, espiritualizar, conceptualizar e mitificar o Natal. Mas mesmo esses n\u00e3o podem impedir a presen\u00e7a perturbadora dessa crian\u00e7a de bra\u00e7os nus e abertos, sorrindo no meio das palhas. Realmente, o Menino de Bel\u00e9m ser\u00e1 este ano, mais uma vez, a presen\u00e7a mais global de todas. Pode o Pai Natal tentar abaf\u00e1-lo atr\u00e1s do seu enorme corpanzil vermelho. Pode ficar tapado pela silhueta da Coca-Cola, a concha da Shell ou os arcos do McDonald\u2019s. Pode ter menos popularidade que o Mickey Mouse, o Harry Potter ou o Homem-aranha. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignor\u00e1-lo. Num canto inesperado da sala, ao dobrar de uma esquina, numa montra entre tantas, l\u00e1 aparece essa presen\u00e7a perturbante. Perturbante porque, por muito que se tente esquecer, sabe-se bem que esse sorriso atravessa todo o nosso ser. A realidade? Essa \u00e9 que, quer queira quer n\u00e3o, o mundo est\u00e1 posto perante o Pres\u00e9pio. O mundo pode trazer auscultadores e \u00f3culos escuros, pode remexer em sacos de pl\u00e1stico e conversar sobre outros assuntos. Mas este ano, mais uma vez, o mundo vai ser colocado diante da ins\u00f3lita cena do Pres\u00e9pio. Por muito que queira fugir, disfar\u00e7ar, distrair-se, o Natal vem ter com ele. O mundo n\u00e3o consegue fugir da presen\u00e7a provocadora do Pres\u00e9pio, da verdade inesperada do Natal. Quando, na realidade, olhamos para o Pres\u00e9pio, muitos sentimentos nos assaltam. Os crist\u00e3os, que chamam a aten\u00e7\u00e3o do mundo para o Natal, querem que todos vejam algumas coisas fundamentais. Primeiro, a beleza da cena. \u00c9 t\u00e3o encantador olhar a criancinha deitada nas palhinhas, entre o burro e a vaca, com uma m\u00e3e que n\u00e3o se cansa de estar de joelhos a olh\u00e1-lo. Depois a pobreza de toda a imagem. Foi na mis\u00e9ria de uma gruta que o Menino teve de nascer, para nos ensinar a olhar para os pobres e a desprezar as riquezas. Finalmente, a solidariedade dos pastores e dos magos chama-nos a ser amigos dos outros, a amarmos o pr\u00f3ximo, a fam\u00edlia. Se \u00e9 assim, a realidade crist\u00e3 do Natal, afinal, n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o diferente. N\u00e3o h\u00e1 grande dist\u00e2ncia entre o que diz o mundo e o que dizem os crist\u00e3os. Invocando o Pai Natal ou o Menino Jesus, com \u00e1rvores decoradas ou grutas com palha, com bonecos de neve ou estrelas cadentes, com tren\u00f3s ou reis magos, o que \u00e9 facto \u00e9 que todos defendem um clima de amizade, partilha e bondade. Pode haver hipocrisia dos dois lados. Mas se a realidade do Natal \u00e9 s\u00f3 isto, no Pres\u00e9pio ou no centro comercial, todos estamos de acordo. S\u00f3 que a realidade do Natal \u00e9 t\u00e3o diferente! A verdadeira realidade do Natal \u00e9 um espanto inaudito. A verdade do Pres\u00e9pio \u00e9 um facto inexplic\u00e1vel. A presen\u00e7a do Natal \u00e9 uma ideia incompreens\u00edvel. Que o Deus que n\u00e3o cabe nos c\u00e9us, que o Senhor que fez todo o universo, que a Verdade que ilumina toda a realidade tenha nascido como um Menino, viva connosco v\u00e1rios anos, para morrer na Cruz e ressuscitar, essa \u00e9 a realidade que elimina toda a fic\u00e7\u00e3o. Que o tenha feito por mim, pela minha vida \u00e9 a realidade incontorn\u00e1vel. O nascimento de Cristo \u00e9 a realidade que muda toda a minha exist\u00eancia quotidiana. Ao lado disto, tudo o resto \u00e9 imagem passageira, apar\u00eancia fugaz, fantasia pat\u00e9tica. No meio de tanta fic\u00e7\u00e3o, A \u00daNICA , MESMO A \u00daNICA REALIDADE DO NATAL \u00c9 A MISSA DO GALO.  Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves Professor de Economia da UCP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se quisermos saber o que \u00e9 o Natal, as dificuldades s\u00e3o maiores do que parecem \u00e0 primeira vista. 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