{"id":9011,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mensagem-do-papa-para-o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado-2005\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mensagem-do-papa-para-o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado-2005","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-para-o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado-2005\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2005"},"content":{"rendered":"<p><i>A integra\u00e7\u00e3o intercultural<\/i> <!--more--> <i>A integra\u00e7\u00e3o intercultural<\/i>  Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, 1. Aproxima-se o Dia do Migrante e do Refugiado. Na Mensagem anual, que costumo enviar-vos para esta circunst\u00e2ncia, desta vez gostaria de reflectir sobre o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio do ponto de vista da integra\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma palavra que muitos usam para indicar a necessidade de que os migrantes se insiram verdadeiramente nos pa\u00edses de acolhimento, mas o conte\u00fado deste conceito e a sua pr\u00e1tica n\u00e3o se definem facilmente. A este prop\u00f3sito, \u00e9-me grato delinear o quadro recordando a recente Instru\u00e7\u00e3o \u00abErga migrantes caritas Christi\u00bb (cf. nn. 2, 42-43, 62, 80 e 89). Nela, a integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apresentada como uma assimila\u00e7\u00e3o, que leva a suprimir ou a esquecer a pr\u00f3pria identidade cultural. O contacto com o outro leva sobretudo a descobrir o seu \u00absegredo\u00bb, a abrir-se para ele, a fim de acolher os seus aspectos v\u00e1lidos e contribuir assim para um maior conhecimento de cada um. Trata-se de um processo prolongado, que tem em vista formar sociedades e culturas, tornando-as cada vez mais um reflexo das d\u00e1divas multiformes de Deus aos homens. Neste processo, o migrante compromete-se em dar os passos necess\u00e1rios para a inclus\u00e3o social, como a aprendizagem da l\u00edngua nacional e a pr\u00f3pria adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s leis e \u00e0s exig\u00eancias do trabalho, de modo a evitar a cria\u00e7\u00e3o de uma diferencia\u00e7\u00e3o exagerada. N\u00e3o abordarei os v\u00e1rios aspectos da integra\u00e7\u00e3o. Nesta circunst\u00e2ncia, desejo somente aprofundar convosco algumas implica\u00e7\u00f5es do aspecto intercultural.  2. A ningu\u00e9m passa despercebido o conflito de identidade, que frequentemente se insere no encontro entre pessoas de culturas diferentes. Nisto n\u00e3o faltam elementos positivos. Inserindo-se num novo ambiente, o imigrado torna-se muitas vezes consciente de quem ele \u00e9, especialmente quando sente a falta de pessoas e de valores que s\u00e3o importantes para ele. Nas nossas sociedades investidas pelo fen\u00f3meno global da migra\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio procurar um justo equil\u00edbrio entre o respeito da pr\u00f3pria identidade e o reconhecimento da identidade dos outros. Com efeito, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer a leg\u00edtima pluralidade das culturas presentes num pa\u00eds, compativelmente com a salvaguarda da ordem, da qual dependem a paz social e a liberdade dos cidad\u00e3os. Efectivamente, devem-se excluir tanto os modelos de assimila\u00e7\u00e3o, que tendem a fazer do diverso uma c\u00f3pia de si mesmo, como os modelos de marginaliza\u00e7\u00e3o, com atitudes que podem chegar at\u00e9 \u00e0s op\u00e7\u00f5es do apartheid. O caminho a percorrer \u00e9 o da integra\u00e7\u00e3o genu\u00edna (cf. Ecclesia in Europa, 102), numa perspectiva aberta, que rejeite considerar apenas as diferen\u00e7as entre os imigrados e os aut\u00f3ctones (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2001, n. 12).  3. Assim, surge a necessidade do di\u00e1logo entre homens de culturas diferentes, num contexto de pluralismo que v\u00e1 para al\u00e9m da simples toler\u00e2ncia e chegue \u00e0 simpatia. Uma simples justaposi\u00e7\u00e3o de grupos de migrantes e de aut\u00f3ctones tende ao fechamento rec\u00edproco das culturas, ou ent\u00e3o \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de simples relacionamentos de exterioridade ou de toler\u00e2ncia entre si. Todavia, dever-se-ia promover uma fecunda\u00e7\u00e3o rec\u00edproca das culturas. Isto sup\u00f5e o conhecimento e abertura das culturas entre si mesmas, num contexto de compreens\u00e3o e benevol\u00eancia aut\u00eanticas. Os crist\u00e3os, por sua vez, conscientes da ac\u00e7\u00e3o transcendente do Esp\u00edrito, sabem tamb\u00e9m reconhecer, nas v\u00e1rias culturas, a presen\u00e7a de \u00abpreciosos elementos religiosos e humanos\u00bb (cf. Gaudium et spes, 92), que podem oferecer s\u00f3lidas perspectivas de compreens\u00e3o rec\u00edproca. Obviamente, \u00e9 necess\u00e1rio unir o princ\u00edpio do respeito pelas diferen\u00e7as culturais ao respeito pela salvaguarda dos valores conjuntos irrenunci\u00e1veis, porque est\u00e3o alicer\u00e7ados sobre os direitos humanos fundamentais. Brota daqui aquele clima de \u00abbom senso c\u00edvico\u00bb, que permite uma conviv\u00eancia amistosa e tranquila. Se forem coerentes com eles mesmos, os crist\u00e3os n\u00e3o poder\u00e3o pois renunciar \u00e0 prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de Cristo a todas as criaturas (cf. Mc 16, 15). Obviamente, devem faz\u00ea-lo no respeito pela consci\u00eancia do pr\u00f3ximo, praticando sempre o m\u00e9todo da caridade, como j\u00e1 S\u00e3o Paulo recomendava aos primeiros crist\u00e3os (cf. Ef 4, 15).  4. A imagem do profeta Isa\u00edas, que evoquei muitas vezes nos encontros com os jovens do mundo inteiro (cf. Is 21, 11-12), poderia ser utilizada tamb\u00e9m aqui, para convidar todos os fi\u00e9is a ser \u00absentinelas da manh\u00e3\u00bb. Como sentinelas, os crist\u00e3os devem escutar em primeiro lugar o grito de ajuda proveniente da parte de muitos migrantes e refugiados, mas devem promover tamb\u00e9m, com um compromisso concreto, perspectivas de esperan\u00e7a, que preludiem o alvorecer de uma sociedade mais aberta e solid\u00e1ria. Em primeiro lugar, \u00e9 a eles que compete vislumbrar a presen\u00e7a de Deus na hist\u00f3ria, mesmo quando tudo ainda parece envolvido pelas trevas. Com estes bons votos, que transformo em ora\u00e7\u00e3o ao Deus que deseja reunir ao seu redor todos os povos e todas as l\u00ednguas (cf. Is 66, 18), \u00e9 com profundo afecto que transmito a cada um a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o.  Vaticano, 24 de Novembro de 2004, IOANNES PAULUS PP. II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A integra\u00e7\u00e3o intercultural<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[165,168,189,203,291],"class_list":["post-9011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-dia-mundial-da-paz","tag-diocese-da-guarda","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9011\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}