{"id":8941,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-de-braga-reforca-aposta-na-pastoral-social\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-de-braga-reforca-aposta-na-pastoral-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-de-braga-reforca-aposta-na-pastoral-social\/","title":{"rendered":"Igreja de Braga refor\u00e7a aposta na pastoral social"},"content":{"rendered":"<p>A ac\u00e7\u00e3o da Igreja na Arquidiocese de Braga n\u00e3o tem acompanhado a dimens\u00e3o social da regi\u00e3o, salienta o Arcebispo desta cidade. As conclus\u00f5es de D. Jorge Ortiga constam de um diagnostico social apresentado esta sexta-feira pela Faculdade de Ci\u00eancias Sociais do Centro Regional da Universidade Cat\u00f3lica. Na apresenta\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico, o Arcebispo Primaz reconheceu a necessidade de maior ousadia, considerando mesmo que uma Igreja que despreze o social n\u00e3o \u00e9 Igreja. Nas propostas da reflex\u00e3o efectuadas, defende-se que o ciclo da ac\u00e7\u00e3o social seja vivido sob o signo da conquista da cidade, mediante um an\u00fancio destemido da Boa Nova. D. Jorge Ortiga reconhece que o percurso efectuado pela Igreja local na reflex\u00e3o, na ac\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica e lit\u00fargica n\u00e3o tem sido acompanhado pela dimens\u00e3o social. Urge, por isso, repensar, com ousadia, esta ac\u00e7\u00e3o e dar-lhe a estrutura que mais lhe conv\u00e9m\u2026 At\u00e9 porque o prelado considera que uma Igreja que despreze o social n\u00e3o \u00e9 Igreja. Para o Arcebispo Primaz, a vertente social da pastoral da Igreja \u00e9 um servi\u00e7o. Por isso, o prelado afirma que as comunidades paroquia precisam de voca\u00e7\u00f5es sociais, para um trabalho que n\u00e3o concorre com as responsabilidades estatais, nem aceita ser mero parceiro de associa\u00e7\u00f5es que prosseguem objectivos de bem-fazer. Depois do Diagn\u00f3stico Social apresentado em interven\u00e7\u00f5es de Vera M\u00f3nica Duarte e Jos\u00e9 da Silva Lima (e editado, para estudo e consulta), a arquidiocese de Braga deve avan\u00e7ar para a cria\u00e7\u00e3o de um Observat\u00f3rio da Ac\u00e7\u00e3o Social e Caritativa que fa\u00e7a convergir num espa\u00e7o comum estrat\u00e9gico o trabalho de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es eclesiais de cariz predominantemente social. Quanto a pormenores do diagn\u00f3stico, eis alguns: oitenta por cento das par\u00f3quias que responderam ao inqu\u00e9rito t\u00eam uma pastoral lit\u00fargica organizada; mas s\u00f3 umas 48 por cento ter\u00e3o grupos s\u00f3cio-caritativos constitu\u00eddos.  As respostas dos p\u00e1rocos s\u00e3o, ali\u00e1s, bastante claras: na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais \u2013 revelam \u2013 o papel da comunidade paroquial oscila frequentemente entre duas imagens: a comunidade solid\u00e1ria, que se organiza, detecta problemas e faz os poss\u00edveis (a maioria); e a comunidade ego\u00edsta e pouco sens\u00edvel (com um peso de mais de 30 por cento). No quadro das necessidades que as par\u00f3quias apontam, os equipamentos para idosos s\u00e3o mencionados em 71 por cento dos casos \u2013 seguidos de actividades para a juventude, saneamento b\u00e1sico, centros s\u00f3cio-culturais e de lazer, e habita\u00e7\u00e3o social. J\u00e1 no que respeita aos equipamentos existentes, a dianteira vai para os jardins de inf\u00e2ncia, para o apoio domicili\u00e1rio e para os ATL. Mas, naturalmente a situa\u00e7\u00e3o revela as assimetrias rural-urbano\u2026. Al\u00e9m disso, a maioria dos equipamentos pertence \u00e0 sociedade civil, sendo not\u00f3rio que, nas zonas rurais, a propriedade \u00e9 maioritariamente paroquial. As par\u00f3quias respondem, sobretudo, com apoio domicili\u00e1rio, centros de conv\u00edvio, Atl e creches. Ou seja: as par\u00f3quias bracarenses respondem, sobretudo, \u00e0 qualidade de vida dos idosos e \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de pobreza. Mas quais s\u00e3o os problemas sociais mais citados pelas par\u00f3quias da arquidiocese de Braga?\u2026 Por ordem de import\u00e2ncia, o diagn\u00f3stico ontem divulgado diz que s\u00e3o o alcoolismo, o desemprego, a pobreza, o insucesso escolar, o analfabetismo e a droga. Ser\u00e3o estes, pois, campos de interven\u00e7\u00e3o a considerar.  <b>Ac\u00e7\u00e3o social \u00e0 conquista da cidade<\/b> O diagn\u00f3stico ontem apresentado permite, mesmo numa leitura apressada, for\u00e7ada pelo jornalismo di\u00e1rio, verificar uma arquidiocese a duas velocidades: uma velocidade no meio rural e uma outra no meio urbano.  Estes dois meios foram ontem caracterizados numa interven\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 da Silva Lima, que falou de um espa\u00e7o \u00abn\u00e3o s\u00f3 extenso e diversificado do ponto de vista geogr\u00e1fico e social, mas tamb\u00e9m heterog\u00e9neo do ponto de vista populacional e cultural\u00bb. Mas o soci\u00f3logo partiu do diagn\u00f3stico para as propostas de ac\u00e7\u00e3o.  Assim, falando do fim de um ciclo centrado no sector lit\u00fargico, disse que \u00absem deixar deteriorar o aspecto cultual, [a arquidiocese] deve agora suscitar uma nova vaga, gerando um novo ciclo de aten\u00e7\u00e3o redobrada \u00e0 caridade operativa\u00bb.  \u00c9 o ciclo da \u201cac\u00e7\u00e3o social\u201d, que deve ser vivido \u00absob o signo da conquista da cidade\u00bb, que \u00ab\u00e9 o grande aglomerado de gente an\u00f3nima, alheia e indiferente, pois escasseiam aqueles que possam proclamar a Boa Nova\u00bb.  Nesta cidade, \u00abos bairros desenvolveram-se em sucessivas constru\u00e7\u00f5es em altura, onde as fam\u00edlias do Povo de Deus atravessam a aridez de um deserto sem palavras novas de conforto e com escassos horizontes de esperan\u00e7a, votadas que est\u00e3o \u00e0 labuta quotidiana sem transcend\u00eancia\u00bb.  Ali, \u00abas grandes superf\u00edcies comerciais s\u00e3o substitutos dos templos, dos espa\u00e7os de culto, das igrejas\u00bb.  \u201cConquistar\u201d a cidade exige um \u00aban\u00fancio destemido da Boa Nova de Deus, como Salva\u00e7\u00e3o e Paz para quantos atravessam o deserto\u00bb. Porque de uma coisa ningu\u00e9m pode duvidar: \u00aba cidade necessita do Evangelho\u00bb.  O que implica que a Pastoral arquidiocesana se converta \u00e0 cidade, \u00abdedicando-lhe o melhor que possui para a salva\u00e7\u00e3o de todos\u00bb, mediante a \u00abtransforma\u00e7\u00e3o do seu centro gravitacional em termos de recursos humanos\u00bb.  Para Jos\u00e9 da Silva Lima, o ciclo rural, centrado sobretudo na estrutura clerical da Igreja, sendo o p\u00e1roco a figura de proa, \u00abn\u00e3o tem futuro\u00bb. Importa, por isso que, sempre perder a figura do p\u00e1roco, \u00abcomo sinal da dimens\u00e3o hier\u00e1rquica da Igreja\u00bb, se outorgue \u00abao Povo de Deus, e \u00e0 sua \u00edndole laical constitutiva, a relev\u00e2ncia a que tem direito\u00bb.  \u00abSer\u00e1 imposs\u00edvel evangelizar o tecido urbano e manter assim a identidade crist\u00e3 nas popula\u00e7\u00f5es, sem a convers\u00e3o ao modelo laical de evangeliza\u00e7\u00e3o, suscitando em todos a vontade imperiosa da miss\u00e3o que lhes \u00e9 peculiar\u00bb, sublinhou Silva Lima.  Que enfatizou a forma\u00e7\u00e3o para a corresponsabilidade, dando-lhe, por\u00e9m, \u00abum rosto pr\u00e1tico\u00bb.  \u00abA forma\u00e7\u00e3o tem de ser prosseguida, num horizonte te\u00f3rico e pr\u00e1tico, de modo a criar uma estrutura nova, respons\u00e1vel, alicer\u00e7ada em agentes qualificados.  O novo ciclo n\u00e3o pode ser de qualifica\u00e7\u00e3o de leigos nas escolas da Igreja, votados ao desemprego mission\u00e1rio, como se fossem intrusos na comunidade, mas tem de ser de harmoniosa inclus\u00e3o dos que se revelam mais aptos para as tarefas apost\u00f3licas\u00bb, disse.  <b>Uma nova organiza\u00e7\u00e3o paroquial<\/b> Prosseguindo a explana\u00e7\u00e3o das propostas decorrentes do Diagn\u00f3stico, Silva Lima defendeu \u00abuma nova organiza\u00e7\u00e3o pastoral, servindo os tr\u00eas sectores tradicionais de actividade, \u00e0 qual se costuma chamar a organiza\u00e7\u00e3o em \u201cunidades pastorais\u201d\u00bb.  E explicou: \u00aba express\u00e3o implica (\u2026) a comunh\u00e3o eclesial, como for\u00e7a sem a qual a organiza\u00e7\u00e3o seria ineficaz; implica tamb\u00e9m o cuidado de rever, com crit\u00e9rios de homogeneidade cultural e at\u00e9 de facilidade geogr\u00e1fica, a rede entre as comunidades paroquiais que dela seriam c\u00e9lulas vivas de vida crist\u00e3.\u00bb  Para o soci\u00f3logo, a \u201cunidade pastoral\u201d \u00abn\u00e3o ser\u00e1 uma experi\u00eancia puramente lit\u00fargica, mas integrar\u00e1 os sectores evangelizador e s\u00f3cio-caritativo, permitindo, talvez, uma maior lucidez e compromisso em rela\u00e7\u00e3o aos reais problemas da comunidade\u00bb. Mesmo consciente do caminho que h\u00e1 que percorrer, Silva Lima insiste que \u00abimporta dar os primeiros passos\u00bb.  A terminar, o desafio-convite: \u00abaposte a Arquidiocese nesta nova via e estar\u00e1 mais perto dos problemas e saber\u00e1 encontrar solu\u00e7\u00f5es mais adequadas e cred\u00edveis.  S\u00f3 no horizonte deste novo ciclo aberto, se poder\u00e1 pensar na real efectiva\u00e7\u00e3o de um \u201cObservat\u00f3rio Social\u201d que ser\u00e1, a curto prazo, um nome novo da caridade em ac\u00e7\u00e3o e no qual a Igreja pode jogar um papel essencial, desperta que est\u00e1 para a escuta das necessidades e para a cura pastoral\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ac\u00e7\u00e3o da Igreja na Arquidiocese de Braga n\u00e3o tem acompanhado a dimens\u00e3o social da regi\u00e3o, salienta o Arcebispo desta cidade. As conclus\u00f5es de D. Jorge Ortiga constam de um diagnostico social apresentado esta sexta-feira pela Faculdade de Ci\u00eancias Sociais do Centro Regional da Universidade Cat\u00f3lica. 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