{"id":8856,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/sameiro-na-historia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"sameiro-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sameiro-na-historia\/","title":{"rendered":"Sameiro na Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Tentando diz\u00ea-lo sinteticamente, o Sameiro pode encarar-se em tr\u00eas perspectivas. Em primeiro lugar, como Laus-perene Mariano, ou romaria cont\u00ednua e orante de pessoas, grupos, associa\u00e7\u00f5es, movimentos de apostolado, institui\u00e7\u00f5es\u2026 Em segundo lugar, como Sal\u00e3o Nobre, ou espa\u00e7o celebrativo dos acontecimentos mais marcantes, quer em termos de Igreja bracarense, quer mesmo em termos de Igreja nacional e universal. Por fim, como P\u00falpito, a doutrina jorrando pelas palavras, pelos testemunhos, pela escrita, pela arte\u2026  Lausperene Mariano Foquemo-lo, primeiro, como Laus-perene Mariano. Em 1861, o P. Martinho da Silva pensa erigir um monumento cele-brativo da defini\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Dois anos volvidos, os romeiros s\u00e3o j\u00e1 muitos &#8211; procede-se \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o da primeira pedra (a 14 de Junho de 1863). A escultura da Imaculada, arrancada a um bloco de m\u00e1rmore pelo escultor Em\u00eddio Carlos Amatucci, seria benzida no dia 29 de Agosto de 1869, festa do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, na presen\u00e7a de significativa multid\u00e3o&#8230;  E os caminhos para o Sameiro n\u00e3o mais se fechariam. Nem os reveses (como a destrui\u00e7\u00e3o do monumento na noite de 9 de Janeiro de 1883) provocaram esmorecimento nos devotos. Tr\u00eas anos e meio ap\u00f3s o derrube, um novo monumento l\u00e1 aparecia, com a est\u00e1tua da Imaculada que ainda hoje contemplamos. Mas j\u00e1 antes da inaugura\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo monumento os devotos tinham escalado a montanha, no dia 29 de Agosto de 1880. Nesse dia, uma bel\u00edssima escultura da Virgem Imaculada, benzida pelo Papa Pio IX e trabalhada em Roma por Eug\u00e9nio Maocegnali, fora trasladada da Igreja do P\u00f3pulo, onde permanecera dois anos, para a nova Capela rec\u00e9m-constru\u00ed-da no Sameiro, perpetuadora da mem\u00f3ria do Conc\u00edlio Vaticano I. Os cronistas n\u00e3o se poupam ao descreverem o evento: falam de emo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda da cidade, de brilho, de entusiasmo, de uma prociss\u00e3o imponente repleta de figurados, de aluvi\u00f5es de fi\u00e9is, de foguetes e muita m\u00fasica. Tornando-se pequena a capela a que aludimos, tantos os peregrinos que \u00e0 Virgem do Sameiro acorriam, em breve se colocar\u00e1 a pedra do templo que chegou at\u00e9 n\u00f3s (31 de Agosto de 1890).  Anos mais tarde, em 1904 \u2013 estamos em pleno centen\u00e1rio \u2013 Nossa Senhora receberia da generosidade das mulheres de Portugal, com destaque para a Rainha D. Am\u00e9lia, a coroa que ainda hoje ostenta. O povo, mais uma vez, acorre (fala-se em 300.000 devotos). As datas, as comemora\u00e7\u00f5es v\u00e3o abrindo sulcos, v\u00e3o criando rotinas devocionais. Por ano, os fi\u00e9is habituar-se-\u00e3o a tr\u00eas peregrina\u00e7\u00f5es, fixas no m\u00eas, vari\u00e1veis no dia: em Junho, em Agosto, em Dezembro. Mas os devotos n\u00e3o escalam o Samei-ro apenas quando a pedra ou a arte se agigantam, ou nas romarias calendari-zadas. Tamb\u00e9m o sobem para transportarem \u00e0 M\u00e3e as suas colectividades, institui\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, movimentos de apostolado, par\u00f3quias, arciprestados\u2026  E o contingente maior da peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e9 constitu\u00eddo por aqueles que num qualquer dia da semana, ou num tranquilo domingo de passeata, procuram o ar puro, um pouco de paz e uma conversa tranquila e meiga com a M\u00e3e. Porque h\u00e1 sempre qualquer coisa para lhe lembrar, qualquer dor a dividir, qualquer assunto ou pessoa a confiar, qualquer b\u00ean\u00e7\u00e3o ou protec\u00e7\u00e3o a pedir. E \u00e9 nesse m\u00e1rmore da f\u00e9, nesse ouro do afecto, nessa c\u00famplice intimidade do amor filial, nessa tert\u00falia humilde e confiante, que o Sameiro se vai consolidando como jardim espiritual, como consolo dos crentes, como\u2026 \u201cLausperene mariano\u201d.  Sal\u00e3o Nobre Anunciamos a abordagem do Sameiro numa segunda perspectiva, a saber, como \u201cSal\u00e3o Nobre\u201d, palco dos mais marcantes acontecimentos eclesi\u00e1sticos, quer de cunho arquidiocesano, quer ao n\u00edvel da Igreja portuguesa e at\u00e9 universal.  A mem\u00f3ria leva-nos de imediato ao ano de 1894, altura em que se celebra o cinquenten\u00e1rio do Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o. Inserida nessas comemora\u00e7\u00f5es, a peregrina\u00e7\u00e3o ao Sameiro acontece no dia 20 de Maio.  O primeiro Congresso Eucar\u00edstico Nacional ocorreria no ano de 1924. N\u00e3o lhe poderia faltar, como corol\u00e1rio, a peregrina\u00e7\u00e3o ao Sameiro, calendarizada para o dia 6 de Julho, altura em que se benze tamb\u00e9m a primeira pedra do monumento ao Cora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstico de Jesus.  Dois anos volvidos, as aten\u00e7\u00f5es centram-se de novo na Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, desta feita celebrando-se o Primeiro Congresso Nacional Mariano. O Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o volta ao Sameiro aquando do seu Primeiro Congresso Nacional. A peregrina\u00e7\u00e3o d\u00e1-se no dia 13 de Julho, decorria o ano 1930. Os Congressos prosseguiriam. Tamb\u00e9m as peregrina\u00e7\u00f5es. Assim sucedeu em 1932, no Primeiro Congresso Catequ\u00edstico Nacional. E em 1954, no Segundo Congresso Mariano Nacional, celebrando-se agora o centen\u00e1rio da proclama\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o \u2013 fala-se em 500 mil peregrinos.  Ao elenco dos Congressos (e peregrina\u00e7\u00f5es) teremos ainda que acrescentar o Terceiro Congresso Nacional do Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, ocorrido em 1957; o Congresso Mariano comemorativo do centen\u00e1rio do Sameiro (no ano de 1964), saudado pelo Papa Paulo VI (que distinguir\u00e1 o Santu\u00e1rio com o t\u00edtulo de Bas\u00edlica). O \u00faltimo dos Congressos, o Terceiro Eucar\u00edstico Nacional, ocorreu j\u00e1 nos nossos dias, entre 3 a 6 de Junho de 1999, o Papa Jo\u00e3o Paulo II a fazer-se representar pelo Cardeal Roger Etchegaray. E o Sameiro viveu, mais uma vez, momentos de gl\u00f3ria.  Esta alus\u00e3o ao Sameiro como \u201cSal\u00e3o Nobre\u201d ou espa\u00e7o celebrativo de acontecimentos marcantes, imp\u00f5e-nos ainda a recorda\u00e7\u00e3o da visita do Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II, ocorrida no dia 15 de Maio de 1982. Um dia inesquec\u00edvel. O pr\u00f3prio Papa a rezar no monte que a cidade de Braga consagrou \u00e0 Virgem.  P\u00falpito Resta-nos a abordagem do Sameiro na \u00faltima das perspectivas enunciadas, ou seja, como p\u00falpito, como an\u00fancio, jorrando este pelas palavras e pela escrita, pelos testemunhos e pela arte.  Comecemos pela arte. Quem se abeira do santu\u00e1rio, depara-se com alguns monumentos alusivos a figuras \u00edmpares da hist\u00f3ria da Igreja. E certamente n\u00e3o deixar\u00e1 de interrogar-se: de quem se trata? Por que raz\u00e3o est\u00e1 aqui? Na resposta, ficar\u00e1 o peregrino a conhecer S. Cirilo de Alexandria, Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, S. Bernardo de Claraval, S.to Afonso Maria de Lig\u00f3rio. Quando entramos no Santu\u00e1rio, de novo percebemos que a arte fala, transmite, \u00e9, por si mesma, an\u00fancio. Quem n\u00e3o se deslumbra com a beleza do sacr\u00e1rio todo em prata, centrando assim as aten\u00e7\u00f5es na presen\u00e7a real de Jesus na Eucaristia?! Quem n\u00e3o sente al\u00edvio e consola\u00e7\u00e3o, paz e ternura, confian\u00e7a e serenidade contemplando a bel\u00edssima escultura da Senhora do Sameiro, a Virgem Imaculada?! Como p\u00falpito se pode considerar tamb\u00e9m a cripta, de constru\u00e7\u00e3o ainda recente. O visitante entra a\u00ed em contacto com os principais epis\u00f3dios da vida de Jesus e de Maria, atrav\u00e9s dos dez pain\u00e9is da autoria de Querubim Lapa, onde se visualizam os mist\u00e9rios gozosos e gloriosos do Ros\u00e1rio. Mas tamb\u00e9m a\u00ed o visitante conhece o percurso do Evangelho em terras long\u00ednquas, relembrando os nomes das Dioceses e Prelazias que os portugueses criaram e at\u00e9 onde Portugal levou o nome de Maria; e o visitante ainda se galvaniza ao ler um extracto dos Lus\u00edadas, do nosso poeta Cam\u00f5es: \u201c\u2026E tamb\u00e9m as mem\u00f3rias gloriosas daqueles reis que andaram dilatando a F\u00e9 e o Imp\u00e9rio [\u2026] cantando espalharei por toda a parte\u201d. E ainda se deleita e reza com uma quadra do P. Joaquim Alves, que ressoa devo\u00e7\u00e3o por estas palavras:  \u00a0 \u201cO Teu Filho deste ao mundo \/ Virgem fonte de luz Mas depois foi Portugal \/ Que ao mundo deu Jesus\u201d. \u00a0 N\u00e3o vem ao caso, dadas as limita\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o, rastrear o modo como o Sameiro, atrav\u00e9s da escrita, tem sido p\u00falpito, an\u00fancio, mensagem. Bastar\u00e1 pensar-se no que sobre ele se tem escrito e na publica\u00e7\u00e3o \u201cEcos do Sameiro\u201d, pequeno jornal de elevada tiragem.  O Sameiro tem tamb\u00e9m sido p\u00falpito para os Arcebispos de Braga e para os seus Bispos Coadjutores e Auxiliares, sobretudo aquando das peregrina\u00e7\u00f5es. E at\u00e9 a Casa das Estampas, por testemunhos que se tornaram patrim\u00f3nio m\u00f3vel, n\u00e3o deixa de ser p\u00falpito, n\u00e3o deixa de interpelar\u2026 Restar\u00e1 o desejo de que o Sameiro se mantenha fiel ao que tem sido: beleza e paz, jardim mariano, espa\u00e7o nobre, an\u00fancio! \t Paulo Abreu Reitor Semin\u00e1rio Maior de Braga <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tentando diz\u00ea-lo sinteticamente, o Sameiro pode encarar-se em tr\u00eas perspectivas. 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