{"id":8855,"date":"2010-12-08T11:41:18","date_gmt":"2010-12-08T11:41:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/08\/imaculada-conceicao\/"},"modified":"2010-12-08T11:41:18","modified_gmt":"2010-12-08T11:41:18","slug":"imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dogma proclamado a 8 de Dezembro de 1854 por Pio IX declara a santidade da Virgem Maria desde o primeiro momento da sua exist\u00eancia <!--more--> <\/p>\n<p>1. O dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, proclamado a 8.12.1854 por Pio IX (Bula &ldquo;Ineffabilis Deus&rdquo;), declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua exist&ecirc;ncia, desde a sua Concei&ccedil;&atilde;o, ou seja, que ela foi preservada desde sempre da m&aacute;cula do pecado original, no qual nascem todos os filhos de Ad&atilde;o. Enquanto estes est&atilde;o privados da gra&ccedil;a divina, a Virgem Maria foi toda pura, santa e imaculada desde o in&iacute;cio da sua vida. Esta foi desde sempre a convic&ccedil;&atilde;o profunda da Igreja, que viu na Virgem Maria a &lsquo;Nova Eva&rsquo; (S.Ireneu). <\/p>\n<p>2. Apesar da sua reconhecida devo&ccedil;&atilde;o a Nossa Senhora, homens como S. Bernardo, S. Alberto Magno, S. Boaventura e S. Tom&aacute;s tiveram dificuldade em admitir a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, porque dif&iacute;cil de conciliar com o dogma da universalidade da Reden&ccedil;&atilde;o. <br \/>Proclamar a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o parecia implicar retirar a Virgem Maria da &oacute;rbita da Reden&ccedil;&atilde;o em Jesus Cristo, a qual, por ser necess&aacute;ria e absoluta, era t&atilde;o universal como o pecado original. Se a Virgem Maria n&atilde;o estivesse inclu&iacute;da no n&uacute;mero dos que contra&iacute;am o pecado de Ad&atilde;o, ficava ent&atilde;o igualmente exclu&iacute;da da reden&ccedil;&atilde;o, e esta n&atilde;o seria universal, pois n&atilde;o abrangeria todos os descendentes de Ad&atilde;o. <br \/>Perante esta alternativa, foram como que obrigados a negar o privil&eacute;gio de Maria at&eacute; ser poss&iacute;vel concili&aacute;-lo com o dogma da universalidade da reden&ccedil;&atilde;o em Cristo. <\/p>\n<p>3. A solu&ccedil;&atilde;o do problema foi dada pelo beato Duns Escoto (s&eacute;c. XIV), segundo o qual a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o exclui a Virgem Maria da reden&ccedil;&atilde;o, porque ela foi preventivamente redimida pelo seu pr&oacute;prio Filho. Ela foi antecipadamente redimida e por conseguinte preparada para a sua divina maternidade. Esta explica&ccedil;&atilde;o acabou por ser recebida na teologia e nas declara&ccedil;&otilde;es do magist&eacute;rio. <\/p>\n<p>4. Como todos os dogmas, tamb&eacute;m a &lsquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o&rsquo; foi a solene proclama&ccedil;&atilde;o da f&eacute; do povo de Deus, do sentir da Igreja, do que n&oacute;s poder&iacute;amos chamar a &lsquo;devo&ccedil;&atilde;o popular&rsquo;. A &lsquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o&rsquo; caracteriza o catolicismo em Portugal, tendo sido sob esta invoca&ccedil;&atilde;o Nossa Senhora proclamada por D. Jo&atilde;o IV Rainha e Padroeira de Portugal, no dia 25 de Mar&ccedil;o de 1646, t&iacute;tulo que nenhum regime, mesmo o republicano e o que surgiu de Abril de 1974, foi capaz de abolir. <br \/>Na Universidade de Coimbra, ela &eacute; a Padroeira, ainda hoje, e houve tempos em que defender esta verdade da f&eacute; era t&iacute;tulo de honra e compromisso de todo o lente daquela Universidade! Mas que significa para n&oacute;s hoje este admir&aacute;vel mist&eacute;rio? <\/p>\n<p>5. O dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Santa Maria foi a solene confirma&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio central da f&eacute;. A Virgem Maria foi pensada por Deus como a mediadora do mist&eacute;rio da Incarna&ccedil;&atilde;o. <br \/>Porque chamada a ser a mediadora deste mist&eacute;rio, a Virgem Maria n&atilde;o podia ser pensada sen&atilde;o como a primeira totalmente redimida, e como a primeira redimida &eacute; que ela concebeu sem pecado o Filho de Deus, porque sem pecado foi concebida. <br \/>Ao acolher a Palavra do Anjo, a Virgem Maria permitiu que a Palavra eterna de Deus assumisse a carne do pecado e por causa desta assun&ccedil;&atilde;o ela foi previamente redimida pelo seu pr&oacute;prio Filho. Por ela o Verbo de Deus entra na hist&oacute;ria, inaugurando o tempo da Gra&ccedil;a e da Liberdade dos filhos de Deus. <br \/>A Virgem Maria abriu a porta do mundo para o Advento do Deus redentor, na carne da humanidade. Ela &eacute; por excel&ecirc;ncia a primeira na ordem da Reden&ccedil;&atilde;o. <br \/>O dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o proclama que ela desde o in&iacute;cio do seu ser n&atilde;o foi apenas envolvida pelo mist&eacute;rio da Gra&ccedil;a da reden&ccedil;&atilde;o prometida, mas a primeira redimida pelo seu Filho que ia gerar; este dogma toca, portanto, no centro do mist&eacute;rio da Reden&ccedil;&atilde;o. <br \/>A &lsquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o&rsquo; mostra a Virgem Maria como a primeira na ordem da Reden&ccedil;&atilde;o, Reden&ccedil;&atilde;o esta que n&atilde;o pode acontecer sem ela. Sem a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria n&atilde;o seria pens&aacute;vel a reden&ccedil;&atilde;o, como vit&oacute;ria divinizante da natureza humana sobre o pecado do mundo. <\/p>\n<p>6. A Virgem Maria &eacute; a primeira redimida: depois dela e por meio dela, todos s&atilde;o chamados a participar na vit&oacute;ria da reden&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do baptismo, pelo qual o homem &eacute; regenerado, e chamado tamb&eacute;m a ser santo e imaculado na presen&ccedil;a de Deus. <br \/>A Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o eleva a Virgem Maria a paradigma da antropologia crist&atilde;. Ela manifesta de um modo eminente a transfigura&ccedil;&atilde;o do homem que se opera pela participa&ccedil;&atilde;o no mist&eacute;rio de Cristo, com o qual por gra&ccedil;a o homem &eacute; chamado a configurar-se. <br \/>A Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria revela a ontol&oacute;gica transfigura&ccedil;&atilde;o do ser e da exist&ecirc;ncia na rela&ccedil;&atilde;o com o Verbo de Deus encarnado. Paradigma da antropologia crist&atilde;, a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o &eacute; o caso eminente da reden&ccedil;&atilde;o pela gra&ccedil;a, a que ela corresponde, na plena liberdade do &lsquo;ecce ancilla&rsquo;, no mist&eacute;rio da Anuncia&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o apenas do &lsquo;homem novo&rsquo;, mas tamb&eacute;m da Igreja. <br \/>Mariano, com certeza, o dogma da &lsquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o&rsquo; &eacute; tamb&eacute;m eclesial, porque nela se espelha o que &eacute; o mist&eacute;rio da Igreja a qual, tendo na Virgem Imaculada a sua figura excelsa (cf. LG 53; 63), &eacute; tamb&eacute;m santa e imaculada, M&atilde;e e Virgem pur&iacute;ssima dos seus filhos gerados nas &aacute;guas do baptismo. <br \/>Por isso, com raz&atilde;o na &lsquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o&rsquo;, a Igreja e todos os fi&eacute;is exultam de alegria, talvez como em nenhum outro dia, porque a&iacute; est&aacute; o exemplo das maravilhas de Deus na hist&oacute;ria, do que Ele pode fazer na Igreja e na vida de cada crente se como a Virgem Santa Maria cada qual se colocar na mesma atitude de filial obedi&ecirc;ncia e de amor, naquele cujo Nome &eacute; grande e que grandes coisas realizou na sua humilde serva! Bem-aventurada a na&ccedil;&atilde;o que se honra por t&ecirc;-la como M&atilde;e e Padroeira! <\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Jacinto Ferreira de Farias, scj<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dogma proclamado a 8 de Dezembro de 1854 por Pio IX declara a santidade da Virgem Maria desde o primeiro momento da sua exist\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[100,174,231],"class_list":["post-8855","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-advento","tag-diocese-de-coimbra","tag-imaculada-conceicao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8855\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}