{"id":8836,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-salvacao-acontece\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-salvacao-acontece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-salvacao-acontece\/","title":{"rendered":"\u00abA Salva\u00e7\u00e3o acontece\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos, Mosteiro dos Jer\u00f3nimos <!--more--> 1. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um acontecimento, para cada um de n\u00f3s, para a Igreja, para a humanidade. S\u00e3o acontecimentos aqueles factos e dinamismos da hist\u00f3ria que nos envolvem pessoalmente, pela participa\u00e7\u00e3o que temos neles e pela import\u00e2ncia existencial que t\u00eam para n\u00f3s. S\u00f3 h\u00e1 acontecimentos para n\u00f3s quando, no \u00e2mago da hist\u00f3ria, somos protagonistas, aceitando que o sentido da vida e da liberdade se decidam, com maior ou menor grau de intensidade, nesses acontecimentos. Referindo-se \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, Jesus diz aos disc\u00edpulos: aconteceu nos dias de No\u00e9, h\u00e1-de acontecer na vinda do Filho do Homem. Jesus sabe e conhece esta densidade existencial e hist\u00f3rica da salva\u00e7\u00e3o. Ele pr\u00f3prio protagoniza o acontecimento decisivo da salva\u00e7\u00e3o, a Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas a P\u00e1scoa de Jesus s\u00f3 \u00e9 acontecimento de salva\u00e7\u00e3o para a humanidade, na medida em que cada homem se deixar envolver por ela, se tornar protagonista no drama da salva\u00e7\u00e3o. A morte de Cristo como simples not\u00edcia n\u00e3o envolve, necessariamente, aqueles que a recebem, no dinamismo da salva\u00e7\u00e3o. Um novo Ano Lit\u00fargico que come\u00e7a n\u00e3o pode ser simples repeti\u00e7\u00e3o. A Igreja e cada um de n\u00f3s aceitamos viver mais um per\u00edodo de tempo, na densidade surpreendente dos acontecimentos que salvam, procurando no acontecimento da P\u00e1scoa a densidade de um drama e o empenho de um combate, que desafia a nossa liberdade. S\u00f3 tem sentido recome\u00e7ar, porque sabemos que a nossa salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 a acontecer, somos protagonistas dela, guiados pelo Esp\u00edrito, Ele que torna poss\u00edvel que vivamos a nossa vida nessa unidade dram\u00e1tica do acontecimento da P\u00e1scoa de Jesus. Esta certeza de que poderemos viver os acontecimentos da nossa vida, na unidade com os acontecimentos da vida de Jesus Cristo, \u00e9 a fonte da nossa esperan\u00e7a. \u00c9 essa esperan\u00e7a que o Ap\u00f3stolo Paulo anuncia aos Romanos: \u201cV\u00f3s sabeis em que tempo estamos\u201d; \u00e9 o tempo em que podemos viver a nossa vida com Jesus Cristo. E sempre que a P\u00e1scoa de Cristo se torna acontecimento na nossa vida, ficamos mais perto da salva\u00e7\u00e3o: \u201cA salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora mais perto de n\u00f3s do que quando abra\u00e7amos a f\u00e9\u201d. O Ano Lit\u00fargico \u00e9 este tempo da gra\u00e7a, em que Jesus Cristo, em todos os acontecimentos da Sua vida, se tornou o acontecimento de refer\u00eancia da salva\u00e7\u00e3o, afirmado em dois mil anos de acontecimentos de salva\u00e7\u00e3o, em toda a caminhada da santidade e afirma\u00e7\u00e3o da caridade.  2. Pendente da densidade com que nos envolvermos com Jesus Cristo, a nossa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 presente e futura. Definitivamente presente s\u00f3 Jesus Cristo, na Sua plenitude pascal, o \u00e9. S\u00f3 n\u2019Ele est\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o definitivamente adquirida. Cada um de n\u00f3s, no tempo da nossa vida em que somos chamados a fazer dela acontecimento de salva\u00e7\u00e3o, sente a amea\u00e7a da fragilidade, o medo de n\u00e3o ser capaz, a tenta\u00e7\u00e3o de, por momentos, viver a vida sem a exig\u00eancia libertadora da P\u00e1scoa. J\u00e1 para Isa\u00edas era claro que a salva\u00e7\u00e3o definitivamente tornada presente, \u201cacontecer\u00e1 nos dias que h\u00e3o-de vir\u201d. A confian\u00e7a de que, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito, havemos de viver cada acontecimento da nossa vida em uni\u00e3o com Jesus Cristo, acontecimento definitivo da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 o horizonte da nossa esperan\u00e7a. Essa esperan\u00e7a encerra um chamamento, que pode sempre ser recusado ou escutado de novo: \u201cVinde, \u00f3 Casa de Jacob, caminhemos \u00e0 luz do Senhor\u201d. \u00c9 por isso que a ora\u00e7\u00e3o da Igreja, dirigida a Jesus Cristo enquanto acontecimento decisivo da salva\u00e7\u00e3o, sempre unificou na mesma prece o desejo da Sua vinda e a certeza da Sua presen\u00e7a: \u201cVinde Senhor Jesus!\u201d \u201cFica connosco Senhor\u201d! \u201cVinde Senhor\u201d, foi a prece, repassada de esperan\u00e7a, de todos os verdadeiros crentes de Israel, confiantes de que Deus cumpriria a promessa messi\u00e2nica; \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o da Igreja, na sua peregrina\u00e7\u00e3o no tempo, ansiosa pela salva\u00e7\u00e3o definitiva e que espera a derradeira manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo; \u00e9 a s\u00faplica de todos os crist\u00e3os que, na densidade da busca da fidelidade e da santidade, desejam que o Senhor esteja mais presente nas suas vidas. Eles sabem, porque experimentaram, que tudo isso j\u00e1 aconteceu, mas est\u00e3o conscientes que \u00e9 preciso que isso volte a acontecer \u201cnos dias que h\u00e3o-de vir\u201d, at\u00e9 que a plenitude da vida seja, em n\u00f3s, t\u00e3o definitivamente presente como o \u00e9 em Jesus Cristo. Mas a densidade ansiosa desta prece, completa-se e, de certo modo, exprime-se, numa outra mais carregada da saborosa alegria da comunh\u00e3o: \u201cFica connosco Senhor\u201d. \u00c9 a prece de quem sentiu o calor da presen\u00e7a do Senhor no presente da vida. Fizeram-na Pedro, Tiago e Jo\u00e3o no Tabor: \u201c\u00e9 bom estar aqui, fa\u00e7amos tr\u00eas tendas\u201d; fizeram-na os pastores em Bel\u00e9m ao sentirem que naquele Menino Deus os visitava; exprimiram o mesmo desejo os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, comovidos pelo mist\u00e9rio d\u2019Aquele viajante misterioso: \u201cfica connosco Senhor\u201d. Essa prece brota espontaneamente do cora\u00e7\u00e3o de todos aqueles e aquelas que, na intimidade da ora\u00e7\u00e3o, saborearam a alegria envolvente da presen\u00e7a do Senhor, sentindo-se amados por Ele. Em Maria essa prece transformou-se em hino de louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Aquele Menino, no seu seio, \u00e9 a mais forte e consoladora presen\u00e7a de Deus no meio do Seu Povo; ela sabe que Ele veio para ficar, tornando definitiva a salva\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m para ela, a Imaculada, aquela presen\u00e7a \u00e9 definitiva. A partir daquele momento a sua vida ser\u00e1 cont\u00ednua e total comunh\u00e3o com o Filho de Deus. Tamb\u00e9m nela a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 definitiva e s\u00f3 pode exclamar: \u201cA minha alma louva o Senhor\u201d.   3. \u201cFica connosco, Senhor\u201d, \u00e9 a prece de Jo\u00e3o Paulo II, em nome de toda a Igreja, ao proclamar o \u201cAno da Eucaristia\u201d. Ela brota da mais consoladora e empenhativa experi\u00eancia da Igreja, de comunh\u00e3o de amor, com Cristo e em Cristo. S\u00f3 quem experimentou a envolv\u00eancia amorosa da Eucaristia pode exclamar sinceramente \u201cfica connosco Senhor\u201d. \u00c9 que no mist\u00e9rio da Eucaristia a Igreja toca j\u00e1 no definitivo da salva\u00e7\u00e3o; a\u00ed experimentamos, verdadeiramente, as \u201cprim\u00edcias\u201d do Reino dos C\u00e9us. A Eucaristia permite-nos sentir que as duas preces da Igreja, \u201cVinde Senhor Jesus\u201d e \u201cFica connosco Senhor\u201d, s\u00e3o afinal uma s\u00f3. S\u00f3 quando se toca o definitivo de Deus, em Jesus Cristo, mergulhando no mist\u00e9rio de amor que Deus \u00e9, ansiamos profundamente pela sua manifesta\u00e7\u00e3o definitiva. \u00c9 a experi\u00eancia presente da salva\u00e7\u00e3o que nos faz ansiar pela sua plenitude. A Eucaristia \u00e9 o momento em que os crist\u00e3os aprendem a fazer a s\u00edntese entre o presente e o futuro, entre a realidade e o desejo, entre a verdade humana que conhecemos, e a plenitude humana que ainda se h\u00e1-de manifestar em n\u00f3s, porque aconteceu em Jesus Cristo. Na Eucaristia, unidos a Jesus Cristo, percebemos que todos os nossos desejos de plenitude se h\u00e3o-de realizar, porque est\u00e3o definitivamente garantidos na P\u00e1scoa de Jesus. A Eucaristia \u00e9 a fonte da nossa esperan\u00e7a. Cada Eucaristia celebrada pode ser, para n\u00f3s, acontecimento de salva\u00e7\u00e3o, comunicando essa densidade a todos os acontecimentos da nossa vida. Queridos ordinandos, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Iniciamos, hoje, um novo Ano Lit\u00fargico, espa\u00e7o do tempo humano em que somos chamados a viver a nossa vida, deixando-a repassar da gra\u00e7a de Cristo ressuscitado. A plenitude de Jesus Cristo enche todo o tempo lit\u00fargico. Ele ser\u00e1, para n\u00f3s, tempo de salva\u00e7\u00e3o, se dermos aos gestos da nossa vida a qualidade do definitivo de Deus. Quando desejamos e queremos, quando pomos toda a nossa vida na l\u00f3gica de Jesus Cristo, o Senhor consagra-nos, ungindo-nos com o Seu Esp\u00edrito. E essa \u00e9 a garantia sacramental de que toda a nossa vida ser\u00e1 vivida na radicalidade pascal. Maria surge na Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o e, por isso, tamb\u00e9m na nossa hist\u00f3ria, como um caso de plenitude, de quem tocou o definitivo de Deus: plenitude de gra\u00e7a, plenitude de humildade e obedi\u00eancia, plenitude de fecundidade virginal, plenitude de louvor. Aprendamos com Ela a desejar, a amar, a acreditar. O seu desejo pode ser o nosso desejo: \u201cfazei tudo o que Ele vos disser\u201d; \u201cEu sou a serva do Senhor, tudo em mim se fa\u00e7a segundo a Tua Palavra\u201d; \u201cFica connosco Senhor\u201d; \u201cVem, Senhor Jesus\u201d.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ordena\u00e7\u00f5es de Di\u00e1conos, Mosteiro dos Jer\u00f3nimos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[108,237,275],"class_list":["post-8836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-da-eucaristia","tag-joao-paulo-ii","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}