{"id":8810,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/advento-o-senhor-vem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"advento-o-senhor-vem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/advento-o-senhor-vem\/","title":{"rendered":"Advento! O Senhor vem"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral de D. Teodoro de Faria <!--more--> Jesus j\u00e1 veio. Deus j\u00e1 tomou um corpo humano semelhante ao nosso, em Jesus Filho de Maria. Com a vinda do Filho de Deus, a nossa hist\u00f3ria e a nossa vida sofreram uma transforma\u00e7\u00e3o. Ao celebrarmos cada ano o Advento, olhamos para tr\u00e1s, para um acontecimento que mudou a hist\u00f3ria humana e queremos reviv\u00ea-lo com grande intensidade. Mas o Advento \u00e9 presente e futuro. Deus entra na hist\u00f3ria e na vida de cada um de n\u00f3s, abre-nos um caminho de liberdade, livra-nos do pecado e da morte. Deus, com o nascimento de Jesus, tomou sobre si a nossa debilidade e fez dela fonte da nossa fortaleza e vida divina.  O Advento deve despertar em n\u00f3s o desejo da vinda do Senhor em nossa vida e em nossa sociedade, porque precisamos de ser libertados e a nossa vida transformada. Para isso precisamos que Deus venha at\u00e9 n\u00f3s, de uma maneira nova. Sabemos que Ele est\u00e1 sempre presente, mas continuamos a precisar d\u2019Ele para libertar o nosso mundo da injusti\u00e7a, opress\u00e3o, desespero e tornar-nos construtores da paz e anunciadores da alegria crist\u00e3.  Compreende-se e vive-se o Advento colocando-nos no lugar de Maria, a Virgem que espera a vinda do Messias, Aquele que veio levantar a cabe\u00e7a dos pobres que se sentiam oprimidos e esquecidos e abrir os cora\u00e7\u00f5es \u00e0 esperan\u00e7a de todas as pessoas que partilham habitualmente a nossa vida \u2013 fam\u00edlia, amigos, vizinhos, companheiros de trabalho e apostolado.   Missas do Parto sem intromiss\u00f5es  2 \u2013 O Advento tem sentido de festa e espera gozosa quando vivido na ora\u00e7\u00e3o, principalmente a comunit\u00e1ria, que tem o seu centro e \u00e1pice na Eucaristia.  Para os crist\u00e3os da nossa Diocese o Advento \u00e9 uma feliz ocasi\u00e3o para valorizar esta presen\u00e7a de Deus, unindo-se a Maria, a m\u00e3e do Salvador, colocando-se na sua escola e sob a sua protec\u00e7\u00e3o, nas eucaristias conhecidas por Missas do Parto, celebradas antes do nascer do sol, missas que constituem momentos oportunos de encontros com Deus, uni\u00e3o com os irm\u00e3os na f\u00e9 e prepara\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor. Esta centen\u00e1ria tradi\u00e7\u00e3o das Missas do Parto que galvaniza a alma crist\u00e3 madeirense, continua presente e forte, mesmo na \u00e9poca actual de seculariza\u00e7\u00e3o, mas tem de ser defendida dos elementos folcl\u00f3ricos estranhos que podem transformar as celebra\u00e7\u00f5es em espect\u00e1culos de consumo tur\u00edstico e mundano, esvaziando o sentido m\u00edstico e contemplativo, retirando-lhe a simplicidade popular, elementos que constituem a sua for\u00e7a de atrac\u00e7\u00e3o e que conferem aquele gosto e sabor pr\u00f3prio da prepara\u00e7\u00e3o do nosso Natal.  Algumas deturpa\u00e7\u00f5es e abusos obrigaram no passado os bispos diocesanos a tomarem medidas fortes para protegerem a integridade dos costumes, a dignidade da liturgia e afastar o rid\u00edculo das celebra\u00e7\u00f5es religiosas. No presente n\u00e3o me consta a presen\u00e7a de elementos estranhos, mas temos de estar atentos para que a piedade popular n\u00e3o seja deturpada, visto os fi\u00e9is nem sempre estarem educados no sentido do mist\u00e9rio crist\u00e3o.  Os conv\u00edvios populares no adro da igreja, ap\u00f3s a liturgia, t\u00eam a finalidade de reunir os paroquianos na fraternidade e alegria do esp\u00edrito natal\u00edcio; conv\u00e9m que nestes momentos prevale\u00e7a a espontaneidade popular e o esp\u00edrito de fam\u00edlia. N\u00e3o se permitam intromiss\u00f5es estranhas, mesmo com aspectos de generosidade, para n\u00e3o se perder o car\u00e1cter espiritual e celebrativo do tempo natal\u00edcio.   Natal tempo de ternura  3 \u2013 O Natal \u00e9 o tempo da ternura. No Novo Testamento ela \u00e9 sin\u00f3nimo de benevol\u00eancia, gentileza, amabilidade, delicadeza de alma.  Embora a ternura atravesse a nossa experi\u00eancia humana, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil compreender o seu significado, por um lado ela fascina e por outro perturba. A ternura \u00e9 o sentimento que surge no forte e o leva a socorrer o fraco. A B\u00edblia aplica este conceito a Deus, e o ponto mais alto da revela\u00e7\u00e3o da ternura divina \u00e9 o Natal do Redentor. O Deus forte, omnipotente e eterno, inclinou-se at\u00e9 n\u00f3s, tomou a nossa fragilidade e fortaleceu a nossa fraqueza com a sua for\u00e7a.  Imitar a ternura de Deus leva-nos a ser humildes, a descer do pedestal onde fomos colocados para ajudar o mais d\u00e9bil, a perder o sentido da superioridade junto do mais fraco, a inclinar-se perante os que sofrem, a descer aos infernos em que vivem tantos seres humanos e, com os olhos iluminados por Maria no pres\u00e9pio e a simplicidade dos pastores, abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 generosidade e ao servi\u00e7o.  O Natal tem despertado iniciativas de bondade e ternura, mostrando a parte mais luminosa da alma humana. Neste tempo, a solidariedade abre-se naturalmente ao irm\u00e3o tanto ao que se v\u00ea como ao ausente, mesmo noutros continentes. No Advento e Natal, as m\u00e3os que habitualmente se abrem para receber, estendem-se tamb\u00e9m para repartir. As quatro semanas do Advento constituem uma escola pr\u00e1tica para ensinar os olhos a ver, os ouvidos a escutar, o cora\u00e7\u00e3o a abrir-se \u00e0 ternura e ao amor, de forma a transmitir a esperan\u00e7a crist\u00e3 e o homem acredite que Deus est\u00e1 connosco. Emanuel, Ele veio e continua a vir. Vemo-lO na vida dos que O receberam e s\u00e3o semelhantes a Cristo, vemo-lO nos que ouvem e p\u00f5em em pr\u00e1tica a prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Baptista, o Profeta do Advento: \u00abQuem tem duas t\u00fanicas reparta com aquele que n\u00e3o tem. E quem tem mantimentos proceda da mesma forma\u00bb. (Lc. 3, 10-18).   Ren\u00fancia do Advento  4 \u2013 Para al\u00e9m de tantas iniciativas que surgem nesta \u00e9poca na diocese e nos mostram a ternura do cora\u00e7\u00e3o humano, iluminado pela luz do Natal, todos os anos propomos aos nossos diocesanos uma inten\u00e7\u00e3o de solidariedade social, tendo em conta n\u00e3o s\u00f3 as debilidades da nossa sociedade, mas olhando tamb\u00e9m para al\u00e9m do horizonte do nosso mar e da altura das nossas montanhas.  \u00c9 a Ren\u00fancia do Advento que propomos a todos, incluindo as nossas crian\u00e7as, para que o Natal seja ocasi\u00e3o pedag\u00f3gica para elas se abrirem tamb\u00e9m aos outros pequeninos.  Este ano, acolhemos o pedido do Patriarcado Cat\u00f3lico Grego de Jerusal\u00e9m que nos pediu uma oferta para as crian\u00e7as que frequentam as escolas de Bel\u00e9m e Ramallah, dependentes da Igreja, de forma a que os seus pais, por falta de meios para a educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sejam tentados a imigrar, desertificando a Terra Santa de crist\u00e3os.  Herodes n\u00e3o passa hoje por Bel\u00e9m a matar meninos, mas passa a fome, o desemprego, os efeitos da guerra, a falta de peregrinos. Sem meios de subsist\u00eancia os meninos crist\u00e3os de Bel\u00e9m morrem ou fogem com os seus pais para o estrangeiro, como Jesus foi levado por Maria e Jos\u00e9 para a terra do Egipto.  Na festa da Epifania, a 2 de Janeiro de 2005, entreguemos a nossa oferta, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o dos Magos em Bel\u00e9m.   Funchal, 28 de Novembro de 2004   D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral de D. 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