{"id":8722,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/visitar-os-presos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"visitar-os-presos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/visitar-os-presos\/","title":{"rendered":"Visitar os presos"},"content":{"rendered":"<p>P. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, Coordenador Nacional da Pastoral das Pris\u00f5es <!--more--> Foi sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja cumprir o que, em Mateus 25, nos surge como quest\u00e3o para o grande \u201cexame\u201d; visitar os Presos \u00e9 uma dessas incontor-n\u00e1veis quest\u00f5es, que n\u00e3o pode ser esquecida nem secundarizada. As pris\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o as distantes casas com grades e muralhas, mas sim locais onde est\u00e3o pessoas; pessoas como todas as outras, com hist\u00f3ria, com fam\u00edlia, com cora\u00e7\u00e3o, com sentimentos; est\u00e3o l\u00e1 os nossos familiares, os nossos amigos&#8230; e posso l\u00e1 estar eu. Mas, sobretudo, est\u00e1 l\u00e1 o Mestre e Senhor Jesus Cristo, que quis identificar-Se com os mais sofredores da sociedade; isto \u00e9 que justifica a nossa presen\u00e7a humana e crist\u00e3 nas Pris\u00f5es. Em Portugal, a presen\u00e7a de assistentes religiosos nas Pris\u00f5es tem sido garantida por legisla\u00e7\u00e3o adequada ou, mesmo antes da sua regulamenta\u00e7\u00e3o, ela estava assegurada pelo costume e pela tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da sociedade portuguesa. A reforma prisional de 1936 j\u00e1 acautelava a necessidade da assist\u00eancia religiosa aos Reclusos, mas a posterior reestrutura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os prisionais, aprovada pelo Decreto-Lei n\u00ba 265\/79, de 1 de Agosto refor\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o de se continuar a acautelar a \u201cassist\u00eancia moral e religiosa aos reclusos, qualquer que seja a cren\u00e7a que professem.\u201d O Decreto-Lei n\u00ba 79\/87, de 9 de Fevereiro veio regulamentar o Decreto-Lei n\u00ba 268\/81 de 16 de Fevereiro, e \u00e9 por esta legisla\u00e7\u00e3o que nos temos regido na assist\u00eancia religiosa aos Estabelecimentos Prisionais. A Concordata de 1940, no seu Artigo XVII, j\u00e1 garantia aos reclusos cat\u00f3licos a assist\u00eancia religiosa, o que agora se v\u00ea confirmado no Artigo 18 da Concordata de 2004, ainda que com um inciso \u201ce assim o solicitem\u201d. A Lei da Liberdade Religiosa (Lei n\u00ba 16\/2001 de 22 de Junho), no seu Artigo 13\u00ba, abriu, com toda a clareza, a \u201cassist\u00eancia religiosa em situa\u00e7\u00f5es especiais\u201d, em que se enquadram as pessoas detidas \u201cem estabelecimento prisio-nal ou outro lugar de deten\u00e7\u00e3o\u201d, que n\u00e3o devem estar impedidos do \u201cexerc\u00edcio da liberdade religiosa e, nomeadamente, do direito \u00e0 assist\u00eancia religiosa e \u00e0 pr\u00e1tica dos actos de culto\u201d. N\u00e3o \u00e9, portanto, por qualquer limita\u00e7\u00e3o legal, antes pelo contr\u00e1rio, que os Reclusos deixam de poder ter uma presen\u00e7a efectiva, crist\u00e3 e amiga, de Visita-dores Volunt\u00e1rios e mesmo de Capel\u00e3es. A Igreja est\u00e1 atenta a esta dimens\u00e3o da Caridade Evang\u00e9lica e prev\u00ea, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o em vigor, que sejam nomeados capel\u00e3es, onde o n\u00famero de Reclusos o justifique; para os Estabelecimentos Prisionais Regionais prev\u00ea-se que a assist\u00eancia seja feita pelo P\u00e1roco local, ou seu representante, para que a ningu\u00e9m falte o P\u00e3o da Palavra, o P\u00e3o da Eucaristia e o P\u00e3o da Fraternidade. Nos pr\u00f3ximos dias 17 e 18, em F\u00e1tima, estar\u00e3o reunidos os Capel\u00e3es e os P\u00e1rocos, que fazem a assist\u00eancia religiosa aos Reclusos, para partilharem em conjunto, preocupa\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e projectos, para melhor servirmos os nossos irm\u00e3os Reclusos. Connosco estar\u00e1 o Director Geral dos Servi\u00e7os Prisionais, bem como o D. Jos\u00e9 Alves, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal desta \u00e1rea; um Advogado e Canonista ajudar-nos-\u00e1 a enquadrar a nossa actividade apost\u00f3lica dentro da legisla\u00e7\u00e3o actual, particularmente da Lei da Liberdade Religiosa e da Concordata, recentemente assinada.  P. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves  Coordenador Nacional da Pastoral das Pris\u00f5es <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P. 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