{"id":8685,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T13:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-descoberta-da-biblia\/"},"modified":"2020-01-17T13:06:18","modified_gmt":"2020-01-17T13:06:18","slug":"a-descoberta-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-descoberta-da-biblia\/","title":{"rendered":"\u00c0 descoberta da B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p>A ideia de criar uma B\u00edblia copiada \u00e0 m\u00e3o por milhares de portugueses foi o mote para a entrevista do programa ECCLESIA ao coordenador geral de \u00abA B\u00edblia Manuscrita\u00bb, Alfredo Abreu, e ao Pe. Carreira das Neves, especialista em estudos b\u00edblicos <!--more--> <i>J\u00e1 n\u00e3o se utilizam penas nem tinteiros, mas Portugal regressou ao tempo dos monges copistas e, vers\u00edculo a vers\u00edculo, est\u00e1 a copiar a B\u00edblia \u00e0 m\u00e3o. O projecto \u201cA B\u00edblia Manuscrita\u201d \u00e9 da responsabilidade da Sociedade B\u00edblica de Portugal (SBP), organiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 inter-confessional, que promove a B\u00edblia em colabora\u00e7\u00e3o com todas as Igrejas crist\u00e3s. A ideia de criar uma B\u00edblia copiada pela m\u00e3o de milhares de portugueses foi o mote para a entrevista do programa ECCLESIA ao ide\u00f3logo e coordenador geral da iniciativa, Alfredo Abreu, e ao Pe. Carreira das Neves, especialista em Sagrada Escritura<\/i>  <i>ECCLESIA \u2013 Como \u00e9 que nasceu esta ideia de escrever a B\u00edblia \u00e0 m\u00e3o? Alfredo Abreu (AA) \u2013<\/i> Da parte da SBP nasceu porque sab\u00edamos que a B\u00edblia est\u00e1 presente no nosso quotidiano e \u00e9 familiar em tantas coisas, mas a maior parte das pessoas desconhece o texto, n\u00e3o tem tido contacto pessoal com o texto. Esta foi uma das ideias que surgiu: colocar as pessoas a contactar com o texto escrevendo-o, como se fazia h\u00e1 umas centenas de anos atr\u00e1s e como alguns crist\u00e3os perseguidos t\u00eam feito no s\u00e9culo XX.  <i>ECCLESIA \u2013 E como \u00e9 que um biblista v\u00ea esta iniciativa? PE. Carreira das Neves (CN) &#8211;<\/i> \u00c9 evidente que a vejo com muito gosto, com muito agrado. De facto, n\u00f3s procuramos manusear, na medida do poss\u00edvel, os pr\u00f3prios manuscritos.  <i>ECCLESIA \u2013 Esta iniciativa j\u00e1 come\u00e7ou com os mais jovens. Qual foi o seu impacto? AA &#8211;<\/i> A \u201cB\u00edblia Manuscrita Jovem\u201d come\u00e7ou em Mar\u00e7o, e foi feita por cerca de 50 mil jovens e mais de 230 escolas, desde Bragan\u00e7a \u00e0s ilhas. Eles n\u00e3o se limitaram a escrever: houve um conjunto de iniciativas na maior parte das escolas que inclu\u00edram confer\u00eancias e exposi\u00e7\u00f5es. No fundo estamos a tentar chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma obra essencial, que deve fazer parte deste percurso de aprendizagem.  <i>ECCLESIA \u2013 Este acto de copiar ajuda a interiorizar a mensagem? CN &#8211;<\/i> Sem d\u00favida nenhuma, hoje estamos muito agarrados a tudo o que \u00e9 m\u00e1quinas e a nossa mem\u00f3ria vai desaparecendo. Antigamente, tanto judeus como crist\u00e3os aprendiam de mem\u00f3ria as Escrituras.  <i>ECCLESIA \u2013 \u201cA B\u00edblia Manuscrita\u201d foi lan\u00e7ada por um conjunto de personalidades da nossa sociedade. Foi f\u00e1cil juntar pessoas vindas de tantos quadrantes? AA &#8211;<\/i> N\u00e3o foi a SBP que juntou estas personalidades, a verdade \u00e9 que somos pouco conhecidos: quem convocou as personalidades foram as pr\u00f3prias Escrituras, o respeito que as pessoas da cultura t\u00eam pelo texto. No fundo, este \u00e9 o reconhecimento de que uma maior divulga\u00e7\u00e3o da B\u00edblia \u00e9 \u00fatil n\u00e3o s\u00f3 para a nossa identidade, mas tamb\u00e9m para a nossa espiritualidade.  <i>ECCLESIA \u2013 A iniciativa \u00e9 cultural, religiosa ou espiritual AA &#8211;<\/i> Eu entendo que \u00e9 as tr\u00eas coisas, mesmo que seja mais uma do que outras. A maneira como crescemos, a separa as coisas em compartimentos estanque est\u00e1 a ser ultrapassada, felizmente. Neste caso, as coisas est\u00e3o misturadas, n\u00e3o podemos separar o ser humano nas suas componentes. Somos um todo, que \u00e9 mais do que a soma das partes. A B\u00edblia \u00e9 cultura porque tem a ver com objectos de cultura pr\u00f3prios, como os quadros que est\u00e3o nos nossos museus, as obras liter\u00e1rias que os nossos escritores nos oferecem, a escultura, a arquitectura, a nossa maneira de ver o mundo.  Aqui neste livro encontramos tamb\u00e9m a mem\u00f3ria de um percurso que a humanidade fez em conjunto, e tudo isto n\u00e3o se pode classificar apenas conforme o interesse religioso ou n\u00e3o religioso da pessoa. Para o cidad\u00e3o comum, \u00e9 uma obra incontorn\u00e1vel.  <i>ECCLESIA \u2013 Como se pode entender esta perspectiva? CN &#8211;<\/i> De facto, a B\u00edblia tem a ver com a cultura, a arte e a f\u00e9. A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental tem as suas bases no judeo-cristianismo e depende destes textos, pelo que n\u00e3o podemos passar por cima da hist\u00f3ria. Mais de metade do mundo tem como refer\u00eancia as Escrituras e isto \u00e9 um alerta, porque elas s\u00e3o literatura.  <i>ECCLESIA \u2013 H\u00e1 j\u00e1 alguns dados do question\u00e1rio que tem sido feito \u00e0s pessoas? AA &#8211;<\/i> Fizemos uma primeira an\u00e1lise estat\u00edstica dos fins-de-semana iniciais, comparando Castelo Branco com Lisboa: os dados s\u00e3o pr\u00f3ximos, exceptuando talvez a faixa et\u00e1ria. Curiosamente, grande parte das pessoas que participa tem forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, na ordem dos 40%. H\u00e1 muitas crian\u00e7as a participar e um n\u00famero curioso de pessoas que n\u00e3o se declaram religiosas.  <i>ECCLESIA \u2013 Isso \u00e9 uma prova de que esta \u00e9 uma iniciativa cultural? AA &#8211;<\/i> \u00c9 uma prova de que ela \u00e9 para todos. Temos o apoio das Igrejas crist\u00e3s, desde o in\u00edcio, reconhecemos o apoio da Igreja Cat\u00f3lica em todas as Dioceses, mas estamos abertos a todos.  <i>ECCLESIA \u2013 Que oportunidades cria este projecto para o futuro? CN &#8211;<\/i> N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a Igreja Cat\u00f3lica teve medo, em certas fases da hist\u00f3ria, de mostrar as Escrituras. \u201cA B\u00edblia Manuscrita\u201d abre novos horizontes, porque a n\u00edvel popular ainda estamos muito atrasados em rela\u00e7\u00e3o aos nossos irm\u00e3os protestantes no conhecimento das Escrituras.  <i>ECCLESIA \u2013 A SBP n\u00e3o teme que esta seja uma iniciativa ef\u00e9mera? AA &#8211;<\/i> N\u00e3o, ela j\u00e1 est\u00e1 a trazer frutos. Em primeiro lugar, houve pessoas com convic\u00e7\u00f5es muito diferentes que trabalharam em conjunto e que colocaram a B\u00edblia acima de tudo. Depois, os Media reconheceram que h\u00e1 lugar para valorizar mais estes textos. E o que fica \u00e9 um desafio \u00e0s pessoas, para que n\u00e3o considerem a B\u00edblia e religi\u00e3o como algo extra, a que se recorre de vez em quando, mas algo que pode levantar os nossos horizontes di\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de criar uma B\u00edblia copiada \u00e0 m\u00e3o por milhares de portugueses foi o mote para a entrevista do programa ECCLESIA ao coordenador geral de \u00abA B\u00edblia Manuscrita\u00bb, Alfredo Abreu, e ao Pe. 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