{"id":8570,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/congresso-santo-agostinho-o-homem-deus-e-a-cidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"congresso-santo-agostinho-o-homem-deus-e-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/congresso-santo-agostinho-o-homem-deus-e-a-cidade\/","title":{"rendered":"Congresso \u00abSanto Agostinho: o homem, Deus e a cidade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Notas Conclusivas <!--more--> No final do Congresso \u201cSanto Agostinho: o homem, Deus e a cidade\u201d, puderam ser sublinhadas, \u00e0 maneira de Conclus\u00e3o, algumas ideias que haviam surgido ao longo dos tr\u00eas dias. Santo Agostinho como homem continua a ser, para hoje, um modelo da procura da verdade e da abertura \u00e0 gra\u00e7a. Porque se converteu a Deus, converteu-se \u00e0 sabedoria. As quest\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es entre a natureza e a gra\u00e7a que o \u201cDoutor da Gra\u00e7a\u201d suscitou continuam a desafiar a reflex\u00e3o teol\u00f3gica moderna e a servir-lhe de inspira\u00e7\u00e3o. A posi\u00e7\u00e3o que, no s\u00e9culo V, tomou n\u00e3o foi \u201cpessimista\u201d, mas uma aguda percep\u00e7\u00e3o das dificuldades em que o pr\u00f3prio homem pecador se coloca quando se afasta de Deus. A estas, por\u00e9m, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que responde pela oferta de uma nova cria\u00e7\u00e3o em que, na Igreja e mediante os sacramentos, o homem \u00e9 continuamente renovado e conduzido \u00e0 sua plenitude. Para o bispo de Hipona, Jesus Cristo \u00e9 o mediador que o Pai envia para nos reconduzir, como Filho e como Verbo, \u00e0 casa paterna. Uma media\u00e7\u00e3o que se realiza pelas Escrituras, cujo sentido profundo espiritual o Verbo feito carne ilumina, revelando assim o que significam, nesta nova ordem da gra\u00e7a, todas as realidades criadas. Nas Confiss\u00f5es, o percurso do pecador convertido \u00e9 descrito como a fuga da casa do Pai (aversio a Deo) a que se segue, em virtude da \u201chumilha\u00e7\u00e3o do Verbo incarnado\u201d e da Sua glorifica\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito Santo, a convers\u00e3o a Deus (conversio ad Deum). Na ac\u00e7\u00e3o divina da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o (oikonomia) se manifesta o Deus Trindade, restaurando na Igreja o \u201chomem interior\u201d, a alma humana, na sua natureza de \u201cimagem de Deus\u201d. Deste modo, \u00e9 poss\u00edvel tom\u00e1-la como base da analogia que, por excel\u00eancia, nos permite vislumbrar o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo reflectidos, como Trindade una, no interior do homem. Para Santo Agostinho, feliz \u00e9 aquele que em Deus encontra o seu fim \u00faltimo, saciando o seu desejo. Mas \u00e9 tamb\u00e9m aquele que sabe usar dos bens criados ordenando-os ao Sumo Bem. A reflex\u00e3o agostiniana pode iluminar quest\u00f5es do homem moderno: o seu desejo de felicidade, as desola\u00e7\u00f5es das suas debilidades, as dificuldades de viver a f\u00e9 num contexto de confronto com outras convic\u00e7\u00f5es, e as tens\u00f5es entre solid\u00e3o e comunh\u00e3o. \u201cSe v\u00eas o Amor, v\u00eas a Trindade\u201d: o amor \u00e9 a via para o conhecimento da Trindade. Face \u00e0 consci\u00eancia moderna da fragilidade das realidades objectivas em que vivemos, o mist\u00e9rio trinit\u00e1rio divino vem revelar-nos que o fundo do ser \u00e9 a comunh\u00e3o pessoal. Perante transcend\u00eancias que s\u00e3o falsas, a sabedoria da f\u00e9 ensina-nos a conviver com o respeito pelos outros e suas diversas convic\u00e7\u00f5es, mantendo a pr\u00f3pria. Santo Agostinho soube usar de linguagem e pensamentos correntes no seu tempo e, ao mesmo tempo, super\u00e1-los pela perspectiva crist\u00e3 da pessoa, do amor divino na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria, da rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua e do dom rec\u00edproco. Retomou, nomeadamente, o tema filos\u00f3fico e b\u00edblico das duas cidades, interpretando-o no sentido de uma vis\u00e3o da hist\u00f3ria que permite tornar a f\u00e9 crist\u00e3 em cr\u00edtica da racionalidade pol\u00edtica. O que julga a hist\u00f3ria \u00e9 o fim para que se encaminha. Ao instituir a Ressurrei\u00e7\u00e3o como sua finalidade, Jesus Cristo d\u00e1-lhe o sentido de uma peregrina\u00e7\u00e3o para a plenitude da paz final. A cidade de Deus surge com a radicalidade ut\u00f3pica de um ideal que, sendo humanamente imposs\u00edvel, se torna poss\u00edvel pela gra\u00e7a de Deus: \u201ca medida do amor \u00e9 o amor sem medida\u201d. Um povo \u00e9, assim, um \u201cgrupo de seres racionais, ligados pela posse harmoniosa das coisas que amam\u201d. A dupla perten\u00e7a (\u00e0 cidade de Deus e \u00e0 cidade terrena) dessacraliza as institui\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas. A legitimidade destas ter\u00e1 de definir-se pela sua refer\u00eancia \u00e0 justi\u00e7a, a ser realizada plenamente no final da hist\u00f3ria. A Jerusal\u00e9m celeste \u00e9 o mist\u00e9rio invis\u00edvel da Igreja, tornado vis\u00edvel na Igreja terrestre. \u00c9 o Christus totus, de que Maria \u00e9 membro eminente. Com Maria, a Igreja partilha a fecundidade da caridade e a integridade virginal da f\u00e9. No campo pastoral, o Bispo de Hipona desenvolveu uma incans\u00e1vel pr\u00e1tica catequ\u00e9tica e de prega\u00e7\u00e3o, em que manifestou, como de resto em toda a sua actua\u00e7\u00e3o, um profundo respeito e afecto pelos humildes e todos os que necessitavam da sua ajuda, do seu discernimento e da sua orienta\u00e7\u00e3o. Deste modo, exprimia na sua ac\u00e7\u00e3o a doutrina que, no meio de todos os seus trabalhos, continuava a elaborar. Considerava, com efeito, como sua indeclin\u00e1vel obriga\u00e7\u00e3o de pastor a instru\u00e7\u00e3o dos seus fi\u00e9is.  Leiria, 13 de Novembro de 2004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Conclusivas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[294],"class_list":["post-8570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}