{"id":8565,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-terra-santa-continua-a-atrair-numerosos-peregrinos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-terra-santa-continua-a-atrair-numerosos-peregrinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-terra-santa-continua-a-atrair-numerosos-peregrinos\/","title":{"rendered":"A Terra Santa continua a atrair numerosos peregrinos"},"content":{"rendered":"<p>Testemunho de D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal <!--more--> Oh! Jerusal\u00e9m Nenhum outro lugar na terra conseguiu at\u00e9 hoje atrair tanto crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos, que se expuseram a todos os perigos, mesmo o da pr\u00f3pria vida, como a Terra Santa, porque nenhum outro re\u00fane, em espa\u00e7o t\u00e3o pequeno, a marca da passagem de Deus, a \u00abquarta dimens\u00e3o\u00bb que n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica mas espiritual.    \u00abSe eu me esquecer de ti, Jerusal\u00e9m,  que seque a minha m\u00e3o direita.  Que a minha l\u00edngua se cole ao paladar,  Se eu n\u00e3o me lembrar de ti\u00bb. (Salmo 137, 5)  Nenhum salmo exprimiu t\u00e3o profundamente a dor dos exilados hebreus nas terras f\u00e9rteis da Babil\u00f3nia, como este cantor desconhecido, que nos apresenta os m\u00fasicos a pendurar as harpas nos salgueiros dos canais do Eufrates lamentando a perda de Jerusal\u00e9m.  Atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, n\u00e3o foram s\u00f3 os judeus, mas tamb\u00e9m os crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, que descobriram em Jerusal\u00e9m a \u00abcidade do Grande Rei\u00bb, o lugar onde Deus veio formar o seu povo para o tornar testemunha da Sua Revela\u00e7\u00e3o e do seu Amor.  Aos habitantes desta terra, pequena e pobre, colocada entre os grandes imp\u00e9rios do Egipto e da Mesopot\u00e2mia, Deus confiou uma mensagem espiritual. A aventura humana de peregrinar no crescente f\u00e9rtil, deu lugar a uma Alian\u00e7a entre Deus e o homem, ocasi\u00e3o de gra\u00e7a e convers\u00e3o. Percorrer os caminhos da Terra Santa, \u00e9 colocar-se na estrada por onde Deus conduziu o seu povo e lhe revelou o Seu projecto salv\u00edfico, \u00e9 entrar na compreens\u00e3o e sabedoria de uma hist\u00f3ria humana que se tornou hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e na qual Jesus, o Filho da Virgem Maria, deu todo o sentido e cumpriu as promessas de Deus.  Os peregrinos da Terra Santa sempre sentiram, desde os tempos apost\u00f3licos, que este lugar, como escreveu um Padre da Igreja, \u00e9 o \u00aboitavo sacramento\u00bb. Peregrinar \u00e9 ir ao encontro do transcendente mediante o contacto e a capta\u00e7\u00e3o de uma mensagem espiritual que flui deste solo sagrado. Nenhum outro lugar na terra conseguiu at\u00e9 hoje atrair tanto crist\u00e3o, judeus e mu\u00e7ulmanos, que se expuseram a todos os perigos, mesmo o da pr\u00f3pria vida, como a Terra Santa, porque nenhum outro re\u00fane, em espa\u00e7o t\u00e3o pequeno, a marca da passagem de Deus, a \u00abquarta dimens\u00e3o\u00bb que n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica mas espiritual. \u00c9 certo, Deus n\u00e3o est\u00e1 condicionado pelo tempo e lugar, mas esta terra dos patriarcas, profetas, de Jesus e de Maria, \u00e9 uma oportunidade que a alma humana nunca desprezou, para sentir Deus mais perto, saborear a B\u00edblia no ambiente em que foi escrita, vivida, sofrida, inspirada.   2 &#8211; Ap\u00f3s a Entifada de Setembro do ano 2000, a Terra Santa, devido \u00e0 falta de seguran\u00e7a, ou ao menos \u00e0 propaganda de perigo de vida, perde a visita dos seus milh\u00f5es de peregrinos que, no Ano Santo, tinham entrado em n\u00famero nunca suplantado, devido em parte ao apelo feito pelo Santo Padre que tamb\u00e9m a visitou nesse ano. Os dois anos seguintes afastaram os peregrinos, embora alguns pequenos grupos a tivessem visitado sem nunca serem ofendidos.  No ano de 2003, v\u00e1rios episcopados da Europa visitaram a Terra Santa, contactaram com os bispos locais e observaram as dificuldades do abandono a que estavam sujeitos os seus habitantes e da hemorragia de crist\u00e3os para o estrangeiro, de tal forma que a Terra Santa ficaria em breve sem crist\u00e3os.  Recome\u00e7aram algumas peregrina\u00e7\u00f5es e neste ano de 2004, no m\u00eas de Agosto, o n\u00famero de visitantes atingiu 180.000, ou seja, mais 52% do que em 2001 e 37% mais do que em 2003.  Nos primeiros oito meses de 2004 entraram em Israel um milh\u00e3o de peregrinos, esperando-se que at\u00e9 ao fim do ano este n\u00famero supere milh\u00e3o e meio.  No m\u00eas de Outubro esteve na Terra Santa um grupo de peregrinos espanh\u00f3is acompanhados por um Cardeal e sete Bispos. Antes destes, tinham convidado os seus fi\u00e9is a visitarem a Terra de Jesus e dado um sinal de confian\u00e7a e seguran\u00e7a com a sua visita, os episcopados de It\u00e1lia e Fran\u00e7a. Um grupo de sacerdotes portugueses, acompanhados por um bispo e um director de viagens, seguiram o mesmo exemplo no princ\u00edpio de Novembro.  A impress\u00e3o geral do grupo portugu\u00eas, ao percorrer a Galileia, Jerusal\u00e9m e Bel\u00e9m, \u00e9 que h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a para visitar a Terra Santa, e que tanto os crist\u00e3os como os mu\u00e7ulmanos e judeus esperam e agradecem esta presen\u00e7a. At\u00e9 agora nenhum grupo de peregrinos foi ofendido, embora, como em qualquer parte do mundo, se possa sofrer um dano colateral com um poss\u00edvel acto terror\u00edstico.  Da Am\u00e9rica t\u00eam vindo in\u00fameros grupos de evang\u00e9licos, da Pol\u00f3nia desde o ano 2001 vem um grupo cada m\u00eas, da It\u00e1lia e Fran\u00e7a acorrem diversos grupos. O pa\u00eds que deixou de organizar visitas a Israel foi Portugal. Apesar disso neste m\u00eas de Novembro cerca de uma centena de crist\u00e3os do Movimento Neo-Catecumenal hospedaram-se na sua magn\u00edfica casa na Galileia, no Monte das Bem-aventuran\u00e7as, que j\u00e1 recebeu este ano cinco mil peregrinos.  A esperan\u00e7a renasce. Os peregrinos anunciam um clima de paz, como as andorinhas a primavera. Os santu\u00e1rios crist\u00e3os rejubilam com a Santa Liturgia e c\u00e2nticos em diversas l\u00ednguas.  Mesmo na m\u00edstica Bel\u00e9m, zona de palestinianos, os peregrinos circulam com confian\u00e7a e alegria. A autoridade palestiniana exigiu e bem, que a entrada de peregrinos nesta zona fosse feita atrav\u00e9s de carros de palestinianos, conduzidos pelos seus guias que os levam \u00e0 Bas\u00edlica da Natividade onde celebram o Natal de Cristo, comem nos seus restaurantes e fazem compras nas suas lojas. Desta forma o trabalho aumenta e a tenta\u00e7\u00e3o de emigrar diminui.   3 &#8211; Os peregrinos portugueses visitaram os patriarcados grego cat\u00f3lico e latino, onde foram recebidos pelos chefes religiosos locais. Trocaram impress\u00f5es sobre a vida das popula\u00e7\u00f5es, a paz, o muro que separa algumas aldeias, o futuro do pa\u00eds ap\u00f3s Arafat.  Ambos os chefes disseram que j\u00e1 antes de Jesus os \u00e1rabes viviam no pa\u00eds, que receberam o evangelho e t\u00eam a miss\u00e3o de transmitir aos seus filhos a mensagem crist\u00e3. De forma alguma s\u00e3o estrangeiros, mas os descendentes das primitivas comunidades crist\u00e3s que se reuniam com os ap\u00f3stolos e Maria m\u00e3e de Jesus para celebrar a eucaristia.  Agradecem a presen\u00e7a dos peregrinos, n\u00e3o s\u00f3 por raz\u00f5es econ\u00f3micas, mas para mostrar que os santu\u00e1rios crist\u00e3os pertencem a todos os baptizados. O Patriarca latino afirmou que sem os lugares santos das tr\u00eas grandes religi\u00f5es \u02c6 cat\u00f3lica, judia e mu\u00e7ulmana &#8211; n\u00e3o haveria guerra na Terra Santa, porque nada recompensa tanto sofrimento e morte, a n\u00e3o ser a conserva\u00e7\u00e3o, visita e ora\u00e7\u00e3o na terra de Jesus.  As treze comunidades crist\u00e3s est\u00e3o felizmente unidas na defesa dos seus direitos, na conquista da paz e na harmonia com o povo judeu. O seu n\u00famero \u00e9 restrito, cerca de 0,2% de toda a popula\u00e7\u00e3o.  Tudo depende, dizem, de Israel e dos Estados Unidos. Um jornalista hebreu escreveu h\u00e1 pouco que o maior inimigo de Israel era o Presidente dos Estados Unidos, porque n\u00e3o pressionava o Governo de Israel para a paz e atraia sobre o seu pa\u00eds a inimizade, desprezo e at\u00e9 o \u00f3dio de grande parte do mundo.  O arco \u00edris da paz parece brilhar sobre os montes da Galileia e Judeia. A paz de Deus \u00e9 um dom que se recebe do alto e se conquista c\u00e1 em baixo com os construtores de fraternidade e de pontes de uni\u00e3o entre os diversos povos.  O que vimos, saboreamos e contemplamos na Terra Santa, leva-nos a programar uma Peregrina\u00e7\u00e3o Diocesana \u00e0 terra de Jesus no pr\u00f3ximo ano, no in\u00edcio de Setembro.  Como o povo judeu rezou e cantou durante vinte s\u00e9culos no ex\u00edlio, n\u00f3s tamb\u00e9m apregoamos aos nossos crist\u00e3os: \u00abNo pr\u00f3ximo ano em Jerusal\u00e9m!  No pr\u00f3ximo ano na Jerusal\u00e9m reconstru\u00edda!\u00bb   Funchal, 14 de Novembro de 2004  <i>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunho de D. 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