{"id":85214,"date":"2017-12-25T16:53:00","date_gmt":"2017-12-25T16:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/12\/25\/sejamos-natal-como-deus-nasceu-no-mundo\/"},"modified":"2019-07-03T17:47:36","modified_gmt":"2019-07-03T16:47:36","slug":"sejamos-natal-como-deus-nasceu-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sejamos-natal-como-deus-nasceu-no-mundo\/","title":{"rendered":"Sejamos Natal como Deus nasceu no mundo"},"content":{"rendered":"<p><em>Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa do Dia de Natal<\/em> <!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright \" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/arquivo\/netimages\/noticia\/presepio_m_carvalheira.jpg\" width=\"469\" height=\"352\" \/>Em dia de Natal, car\u00edssimos irm\u00e3os, podemos e devemos alcan\u00e7ar o nosso pr\u00f3prio \u201cdia\u201d, com a claridade plena e a intensidade \u00fanica que assim mesmo desponta.<br \/>\nOs que l\u00e1 foram, ao pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, como acorreram os pastores, chamados pelos anjos, quando \u00abforam apressadamente e encontraram Maria, Jos\u00e9 e o menino deitado na manjedoura\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 16); os que vieram a seguir, como os magos, guiados por uma estrela, que \u00abentrando em casa, viram o menino, com Maria, sua m\u00e3e\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a02, 11); o velho Sime\u00e3o que, \u00abimpelido pelo Esp\u00edrito, veio ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, a fim de cumprirem o que ordenava a Lei a seu respeito, tomou nos bra\u00e7os o menino e bendisse a Deus\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 27-28); logo seguido por Ana, tamb\u00e9m de idade avan\u00e7ada, \u00abque n\u00e3o se afastava do templo\u00bb e igualmente \u00abse p\u00f4s a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a reden\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 38); os que depois, com Maria e Jos\u00e9, viram crescer Jesus, \u00abem sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 52)\u2026 Todos e cada um deles teve em tal encontro o seu dia pleno, mais ou menos conscientemente esperado, certamente assim acontecido.<br \/>\nFacto especialmente retomado no Quarto Evangelho, onde cada verdadeiro encontro com Jesus marca um dia. Os primeiros disc\u00edpulos \u00abficaram com Ele nesse dia\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a01, 39), jamais esquecido nem ultrapassado. O encontro com a samaritana, em que Jesus se revela como Cristo, d\u00e1-se \u00abpor volta do meio-dia\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a04, 6), no m\u00e1ximo esplendor solar.<\/p>\n<p>Deixai-me adiantar e at\u00e9 dizer por todos os que aqui nos encontramos, que algo de semelhante certamente aconteceu connosco, que celebramos o Natal de Jesus. Tamb\u00e9m n\u00f3s tivemos anjos, estrelas e sobretudo o Esp\u00edrito que nos trouxe a Cristo, como, agora ressuscitado, plenifica a sua presen\u00e7a no mundo, em m\u00faltiplos sinais de palavra, gesto e encontro. Dizer anjos \u00e9 dizer mensageiros, dizer estrela \u00e9 dizer luz, dizer Esp\u00edrito \u00e9 reconhecer que s\u00f3 Deus nos atrai a Deus, que Se manifesta em Jesus Cristo. Como ele mesmo disse: \u00abNingu\u00e9m pode vir a mim, se o Pai que me enviou o n\u00e3o atrair; e Eu hei de ressuscita-lo no \u00faltimo dia\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>6, 44). Sim, no \u00faltimo dia em que j\u00e1 come\u00e7amos a amanhecer, cumprindo-se finalmente tudo o que se havia de cumprir. Ouvimo-lo h\u00e1 pouco no admir\u00e1vel trecho da Ep\u00edstola aos Hebreus, onde quase se enuncia toda a teologia crist\u00e3, propriamente dita: \u00abMuitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que s\u00e3o os \u00faltimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual tamb\u00e9m criou o universo\u00bb.<br \/>\nAgrade\u00e7amos, irm\u00e3os, agrade\u00e7amos hoje e sempre, a quem para n\u00f3s foi e continua a ser anjo e estrela, que nos chamam ao encontro de Jesus e nos iluminam o caminho e o local. Agrade\u00e7amos a Deus Pai, que nos envolve no Amor com que ama o Filho &#8211; e o Filho plenamente Lhe retribui, numa \u00fanica Vida que assim mesmo circula, se expande e nos inclui a n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u201cA n\u00f3s\u201d, repito e deixai-me insistir. O Deus comunh\u00e3o revela-se como comunh\u00e3o \u2013 Jesus e o Pai na uni\u00e3o do Esp\u00edrito \u2013, celebra-se em comunh\u00e3o e vive-se em comunh\u00e3o. Importa relembrar a advert\u00eancia final do pr\u00f3logo do Quarto Evangelho, que acab\u00e1mos de escutar: \u00abA Deus, nunca ningu\u00e9m O viu. O Filho Unig\u00e9nito, que est\u00e1 no seio do Pai, \u00e9 que O deu a conhecer\u00bb.<br \/>\nDesistamos de vez de imaginar a Deus, pois nunca sair\u00edamos de n\u00f3s pr\u00f3prios, das nossas ilus\u00f5es ou dos nossos fantasmas. Com grande desperd\u00edcio de tempo e com grande preju\u00edzo dos outros. O Natal de Cristo d\u00e1-nos o \u00abEmanuel, que quer dizer \u201cDeus connosco\u201d\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a01, 23). Nasce de Maria e \u00e9 adotado por Jos\u00e9; logo re\u00fane c\u00e9u e terra, anjos e pastores; gente de perto e gente de longe, como os magos. Cresce em Nazar\u00e9, entre familiares e vizinhos; e vai \u00e0 sinagoga cada s\u00e1bado, \u00absegundo o seu costume\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a04, 16). Ensina-nos a rezar ao Pai, que \u00e9 precisamente \u201cnosso\u201d e n\u00e3o s\u00f3 de cada um, como o p\u00e3o e o perd\u00e3o s\u00e3o para todos e de todos para todos. E a pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, da fam\u00edlia \u00e0 Igreja, \u00e9 momento por excel\u00eancia de sentirmos a sua presen\u00e7a, assim prometida: \u00abOnde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a018, 20).<br \/>\nSim, irm\u00e3os, como ouvimos: \u00abO Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s\u00bb. Mantenhamos o sentimento, a convic\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica neste \u201cdia\u201d definitivo. T\u00e3o eterno como \u00abo eterno nascido de ainda agora\u00bb (Padre Manuel Bernardes) no constante pres\u00e9pio do mundo, onde n\u00e3o estaremos s\u00f3s \u00e0 sua volta. Teremos nas nossas casas e nas nossas ruas, nas nossas ocupa\u00e7\u00f5es e visitas, nas nossas comunidades e grupos, ocasi\u00f5es constantes de Natal a s\u00e9rio. E n\u00e3o apenas com o que naturalmente nos agrada e afinal aprisiona. Mas com o mais carente de companhia e apoio, com o mais diverso de proveni\u00eancia ou condi\u00e7\u00e3o, mesmo com o mais inesperado ou inc\u00f3modo. Como Deus se encontrou connosco em Cristo, do pres\u00e9pio \u00e0 cruz, e s\u00f3 por este caminho estreito se alargou em P\u00e1scoa.<br \/>\nAssim permane\u00e7amos uns com os outros e uns para os outros. N\u00e3o esque\u00e7amos outra advert\u00eancia, como \u00e9 feita na 1\u00aa Carta de Jo\u00e3o, quase ecoando o pr\u00f3logo do seu Evangelho: \u00abAmemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que n\u00e3o ama n\u00e3o chegou a conhecer a Deus, pois Deus \u00e9 amor\u00bb (<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 7-8).<br \/>\nConhece e experiencia Deus quem sai de si para bem dos outros, como Jesus veio ao nosso encontro, para bem de todos. A\u00ed encontramos o nosso \u201cdia\u201d de Natal, no nascimento rec\u00edproco que com Cristo nos oferece ao mundo. E o segredo, que \u00e9 tamb\u00e9m a ess\u00eancia divina, \u00e9 como revelou a Nicodemos: \u00abTanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, a fim de que todo o que cr\u00ea nele n\u00e3o se perca, mas tenha a vida eterna\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a03, 16).<br \/>\nNa verdade, irm\u00e3os car\u00edssimos, este dia \u00e9 santo de mais para o reduzirmos a exterioridades ou consumos. Sejamos Natal como Deus nasceu no mundo. Fa\u00e7amos Natal como o mundo O espera.<\/p>\n<p>S\u00e9 de Lisboa, 25 de dezembro de 2017<\/p>\n<p>+ Manuel, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa do Dia de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[267],"class_list":["post-85214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85214\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}