{"id":85209,"date":"2017-12-25T14:19:00","date_gmt":"2017-12-25T14:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/12\/25\/o-natal-do-presepio\/"},"modified":"2019-07-03T18:11:38","modified_gmt":"2019-07-03T17:11:38","slug":"o-natal-do-presepio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-do-presepio\/","title":{"rendered":"O Natal do Pres\u00e9pio"},"content":{"rendered":"<p><em>Homilia da Missa do Dia de Natal de D. Pio Alves<\/em> <!--more--><\/p>\n<p><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright \" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/arquivo\/netimages\/noticia\/pio_alves.jpg\" width=\"413\" height=\"292\" \/>1.<\/strong> Passo a passo, num Advento de quatro semanas e numa vida de mais ou menos anos, vimos e vamos caminhando. Desejavelmente, guiados por uma verdadeira estrela, para uma meta que o seja de verdade.<\/p>\n<p>O Povo de Deus fez um caminho de s\u00e9culos. Deus n\u00e3o se ausentou do seu caminho; os profetas mantiveram vivo, no horizonte da f\u00e9, o Messias de todas as promessas, a felicidade de um mundo novo.<\/p>\n<p>O Povo, por sua vez, trope\u00e7ou, muitas vezes, nos seus deuses: feitos de barro ou de metal fundido; feitos de infidelidades, de caprichos, de pressas, de descaminhos.<\/p>\n<p>Mas a misericordiosa paci\u00eancia de Deus n\u00e3o se deu por vencida, porque n\u00e3o se d\u00e1 nunca por vencida. \u201cDeus, que tinha posto as suas esperan\u00e7as no homem feito \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, diz o Papa Francisco, aguardava pacientemente. Deus esperava. Esperou durante tanto tempo, que talvez num certo momento tivesse tido que renunciar. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o podia renunciar, n\u00e3o podia negar-se a si mesmo (cf 2Tim 2, 13). Por isso continuou \u00e0 espera\u201d (Natal, 24.12.2014). E cumpriu todas as promessas. Mas com um excesso tal que o Seu tempo e os Seus modos n\u00e3o cabiam nos estreitos progn\u00f3sticos humanos. E, por isso, como recorda S. Jo\u00e3o (1, 1-11), \u201cveio para o que era seu e os seus n\u00e3o O receberam\u201d. Ou, dito para a hist\u00f3ria de sempre, <em>vem para o que \u00e9 Seu e os seus n\u00e3o O recebem<\/em>.<\/p>\n<p>A radical novidade da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus transformou a Hist\u00f3ria. O Cristianismo impregnou a cultura. Mas, como sempre, continuamos a trope\u00e7ar nos nossos deuses. E perdida ou esquecida a raiz da perene Novidade de Deus, corremos o risco de deixar que a cultura dilua a ess\u00eancia do Cristianismo. Fazemos a festa e esquecemos <em>o santo<\/em>! Como se, convidados a um almo\u00e7o de anivers\u00e1rio, ignor\u00e1ssemos o aniversariante. Mas, sem pessimismos, aproveitemos o que h\u00e1: ainda temos a festa! E, no cora\u00e7\u00e3o de muita gente, ainda se assume com alegria que o aniversariante \u00e9 Jesus Cristo.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, h\u00e1 dias (17 de dezembro), o Papa Francisco, na Pra\u00e7a de S. Pedro, pedia: \u201cQuando rezardes em casa, diante do pres\u00e9pio com os vossos familiares, deixai-vos atrair pela ternura do Menino Jesus, nascido pobre e fr\u00e1gil no meio de n\u00f3s, para dar-nos o seu amor: este \u00e9 o verdadeiro Natal. Se tirarmos Jesus, o que \u00e9 que fica do Natal? Uma festa vazia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> Ouvimos h\u00e1 momentos, da <em>Carta aos Hebreus<\/em> (1, 1-6), que \u201cmuitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que s\u00e3o os \u00faltimos, falou-nos por seu Filho\u201d.<\/p>\n<p>Como antigamente, <em>fala-nos muitas vezes e de muitos modos<\/em>. O nascimento de Jesus, na aparente ingenuidade das suas representa\u00e7\u00f5es em pres\u00e9pios, \u00e9 um magn\u00edfico <em>modo<\/em>. Condensam leituras cumulativas do povo, crente no mist\u00e9rio central da f\u00e9 crist\u00e3. Est\u00e1 a\u00ed a cria\u00e7\u00e3o, na sua intermin\u00e1vel variedade, tendo como centro um Deus feito Menino; est\u00e1 a\u00ed a pobreza dos pastores, enriquecida de ternura, e a generosidade improv\u00e1vel de quem vem das periferias; h\u00e1 caminhos, que se adivinham sinuosos e dif\u00edceis, mas t\u00eam uma meta clara, a gruta; abunda a luz que dissipa as trevas e vence as noites; e, mesmo que algo falhe, n\u00e3o falta a estrela. Em resumo, um mundo variado, o nosso mundo: com gentes diferentes, com dificuldades, com caminhos, com luz. O centro, a estrela, \u00e9 Ele: o Deus que, sem fingimento, \u00e9 um de n\u00f3s. Que se afirma pela pobreza, pela ternura, pela inef\u00e1vel proximidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> \u201cFoi da sua plenitude que todos n\u00f3s recebemos, gra\u00e7a sobre gra\u00e7a. (\u2026) a gra\u00e7a e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo\u201d, diz-nos S. Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Enriquecidos do Dom por excel\u00eancia, sempre inesperado, envolvidos pela luz do pres\u00e9pio, temos as melhores condi\u00e7\u00f5es para fazer a leitura da nossa vida, no mundo que \u00e9 o nosso, e de olhar, sem medo, para o futuro.<\/p>\n<p>Oferecemos as alegrias e as tristezas deste ano que caminha para o fim; lembramos, diante da miseric\u00f3rdia de Deus, os familiares, amigos e conhecidos que o Senhor chamou a Si; evocamos a grata mem\u00f3ria do Senhor D. Ant\u00f3nio Francisco e damos gra\u00e7as a Deus pelo exemplo de dedica\u00e7\u00e3o a todos, particularmente aos doentes e desprotegidos; recordamos as v\u00edtimas dos tr\u00e1gicos inc\u00eandios deste ver\u00e3o: os mortos e os que choram os seus mortos e a perda dos seus haveres; pedimos pelos pobres, pelos s\u00f3s, pelos esquecidos da fam\u00edlia e da sociedade.<\/p>\n<p>De um modo muito particular pedimos a paz para a terra natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. \u201cQue prevale\u00e7am a sabedoria e a prud\u00eancia, para evitar acrescentar novos elementos de tens\u00e3o num panorama mundial j\u00e1 convulsivo e marcado por tantos conflitos cru\u00e9is&#8221;, pediu h\u00e1 dias o Papa Francisco; que as pedras se transformem em p\u00e3o (cf Mt 4, 3); que a insensatez d\u00ea lugar \u00e0 capacidade de um di\u00e1logo que conduza \u00e0 paz, que s\u00f3 o ser\u00e1 se percorrer o caminho do respeito pela dignidade de todos. Como ouv\u00edamos do profeta Isa\u00edas (52, 7): \u201ccomo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia a paz\u201d.<\/p>\n<p>O Menino do Pres\u00e9pio, diz o Papa Francisco (Santa Marta, 14 de dezembro de 2017) \u201c\u00e9 o Deus grande que se faz pequeno e na sua pequenez n\u00e3o deixa de ser grande. O Natal ajuda-nos a entender isso: na manjedoura, est\u00e1 o Deus pequeno. Com a sua ternura aproxima-se de n\u00f3s e nos salva\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e9 do Porto, 25 de dezembro de 2017<\/p>\n<p align=\"right\">+Pio Alves, Bispo Auxiliar do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia da Missa do Dia de Natal de D. Pio Alves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,168,187,267,274],"class_list":["post-85209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-natal","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85209"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85209\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}