{"id":85125,"date":"2017-12-19T13:36:00","date_gmt":"2017-12-19T13:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/12\/19\/o-amor-de-deus-nunca-sera-abstrato\/"},"modified":"2019-07-04T13:49:23","modified_gmt":"2019-07-04T12:49:23","slug":"o-amor-de-deus-nunca-sera-abstrato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-amor-de-deus-nunca-sera-abstrato\/","title":{"rendered":"\u00abO amor de Deus nunca ser\u00e1 abstrato\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Mensagem de Natal do bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em> <!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright \" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/arquivo\/netimages\/noticia\/4321d._antonino_dias.jpg\" width=\"450\" height=\"356\" \/>Estamos \u00e0 porta do Pres\u00e9pio como quem espreita para dentro do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Maria, Jos\u00e9 e Jesus, s\u00e3o o Caminho que Deus escolheu para chegar ao homem e \u00e0 sua vida. E todos desejaremos, por certo, mais ou menos discretamente, que o Natal n\u00e3o seja uma mera regress\u00e3o infantil \u00e0 nostalgia de um sonho.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo que Deus se habituou \u00e0 humanidade. A persist\u00eancia com que sempre saiu ao seu encontro \u00e9 prova disso mesmo. O homem, por\u00e9m, \u00e9 que demorou a habituar-se a Deus. E por entre d\u00favidas e evid\u00eancias ainda hoje Lhe resiste, tem receio de se sentir diminu\u00eddo ou de perder a liberdade.<\/p>\n<p>Uma das notas mais fortes do amor \u00e9 que, quando \u00e9 verdadeiro, nunca se deixa ficar no abstrato. \u00c9 de sua natureza dom gratuito e generoso, capaz de revelar-se e revelar, de se comprometer, de acolher, ser e agir.<\/p>\n<p>Em Jesus Cristo, partilhando a carne humana, Deus faz-Se nascer como amor no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e da humanidade inteira. \u00c9 o mist\u00e9rio do Natal! A cada golpe de amor, a hist\u00f3ria muda e a humanidade fica mais rica. O Pres\u00e9pio \u00e9 a hist\u00f3ria humana. Era necess\u00e1rio que Deus Se fizesse homem para que o homem compreendesse o que \u00e9 ser Deus, repetem-nos os primeiros crist\u00e3os. E quando Deus incarna assume tudo aquilo que o homem \u00e9. N\u00e3o para Se reduzir \u00e0 sua fragilidade, mas para revelar o sentido humano da fragilidade como uma grande possibilidade de esperan\u00e7a. N\u00e3o bastam j\u00e1 as palavras afetuosas, \u00e9 preciso acolher e viver o amor de Deus traduzido em gestos.<\/p>\n<p>Apesar da apar\u00eancia de for\u00e7a e de exibi\u00e7\u00e3o da capacidade, o nosso tempo revela-nos muitas fragilidades. Colocou-nos diante do risco de novos conflitos \u00e0 escala mundial, deu-nos a provar o sabor das novas ditaduras, escaqueirou os princ\u00edpios \u00e9ticos em manifesta\u00e7\u00f5es variadas de corrup\u00e7\u00e3o, confrontou-nos com a viol\u00eancia e as agress\u00f5es gratuitas, surpreendeu-nos com uma aut\u00eantica \u201cdesumaniza\u00e7\u00e3o civilizada\u201d, revelou-nos a fragilidade e a dificuldade da educa\u00e7\u00e3o e da liberdade, o falhan\u00e7o dos projetos, a debilidade dos compromissos, a apet\u00eancia pela indiferen\u00e7a e pelo ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>Bem perto de n\u00f3s, o ano que passou trouxe a experi\u00eancia devastadora dos inc\u00eandios. Implac\u00e1veis, fizeram imperar a destrui\u00e7\u00e3o da casa comum que \u00e9 a natureza, acumularam dolorosamente o sofrimento humano, ceifaram pessoas e destru\u00edram fam\u00edlias, mataram animais e devastaram bens essenciais fruto do trabalho e da dedica\u00e7\u00e3o humana. A desola\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo e a desist\u00eancia bateram \u00e0 porta de muita gente ainda n\u00e3o completamente refeita.<\/p>\n<p>Ainda a n\u00edvel mais pr\u00f3ximo, \u00e9 imposs\u00edvel esconder ou disfar\u00e7ar o sofrimento de tantas pessoas que vivem sozinhas e doentes ou s\u00e3o abandonadas nos Lares, com frieza e ingratid\u00e3o dos mais chegados. Outras vivem amarguradas pela destrui\u00e7\u00e3o da harmonia familiar com a infidelidade, a viol\u00eancia, a droga e o \u00e1lcool que roubam a paz e arrastam indiz\u00edvel sofrimento tantas vezes vivido no sil\u00eancio de l\u00e1grimas amarguradas, escondidas e persistentes. Outros sentem-se afetados pelo desemprego, pela mesa sem p\u00e3o para os filhos ou pela doen\u00e7a que teimosamente bate \u00e0 porta de forma intrincada e arrogante.<\/p>\n<p>No entanto, se a experi\u00eancia da fragilidade humana pode, de facto, ser a mais sofrida e dolorosa, tamb\u00e9m pode, paradoxalmente, ser a mais fecunda de todas as experi\u00eancias vividas. Na verdade, o que faz com que a nossa fragilidade n\u00e3o nos destrua \u00e9 que ela acaba por revelar, a cada um e a todos n\u00f3s, onde havemos de crescer, de mudar e converter, sem cedermos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de deixar cair os bra\u00e7os com des\u00e2nimos ou desesperos in\u00fateis embora compreens\u00edveis.<\/p>\n<p>De Jesus, o cego ouviu: \u201cV\u00ea\u201d! O mudo come\u00e7ou a falar e as multid\u00f5es, admiradas, exclamaram: \u201cnunca se viu nada assim\u201d! Os disc\u00edpulos recuperaram a alegria e o entusiasmo: \u201cCoragem! Sou Eu, n\u00e3o tenhais medo\u201d! De junto de Jesus, o paral\u00edtico saiu transportando o seu catre. Pela Palavra e pelo gesto de Jesus, o endemoninhado encontrou paz e a mulher pecadora foi perdoada. Os leprosos ficaram limpos e o homem que tinha a m\u00e3o atrofiada estendeu-a e come\u00e7ou a agir. Zaqueu quis ver, foi visto e transformou-se. As par\u00e1bolas (tantas!) fizeram com que cada ouvinte se sentisse dentro da hist\u00f3ria: o Bom Samaritano, por exemplo, lembra a prioridade dos que sofrem, a do semeador pede paci\u00eancia e a recupera\u00e7\u00e3o do discernimento, a tempestade acalmada, o s\u00e1bado no seu lugar, a paix\u00e3o na Cruz, a morte vencida \u2026 todas e tudo s\u00e3o passos de Jesus a fazer novas todas as coisas, a agir nas experi\u00eancias da fragilidade humana. E \u00e9 este o Natal de Jesus! Existem, por isso, pelo menos dois caminhos por onde a fragilidade nos pode levar: ou nos vitimizamos e estagnamos, ou identificamos os talentos a desenvolver e empreendemos caminho. Ora, o Natal \u00e9 sempre a segunda op\u00e7\u00e3o: identificar os talentos e p\u00f4-los a render.<\/p>\n<p>Deus vem \u00e0 nossa hist\u00f3ria fazer-Se nascer como amor. E o amor muda o rumo da nossa hist\u00f3ria. Gratuito e da ordem do dom, o amor \u00e9 paciente, bondoso, regozija-se com a verdade, tudo desculpa, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta; n\u00e3o \u00e9 arrogante nem se ensoberbece, n\u00e3o \u00e9 ambicioso, n\u00e3o busca o pr\u00f3prio interesse, n\u00e3o se irrita, n\u00e3o guarda ressentimento nem se alegra com a injusti\u00e7a (1Cor 13,4).<\/p>\n<p>Se fossemos \u00e0 procura daquilo que \u00e9 especificamente pr\u00f3prio do homem, e se, da mesma forma, fossemos \u00e0 procura daquilo que o amor de Deus oferece, n\u00e3o encontrar\u00edamos obje\u00e7\u00e3o nem incompatibilidade. A nossa humanidade revela-se amando, o melhor de n\u00f3s revela-se no amor. \u00c9 por isso que o Natal nunca ser\u00e1 s\u00f3 um dia.<\/p>\n<p>Neste Natal, saibamos agradecer o amor e, ao mesmo tempo, pedir a capacidade de continuar a amar. N\u00f3s somos o Pres\u00e9pio!<\/p>\n<p>Feliz e Santo Natal!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antonino Eug\u00e9nio Fernandes Dias<\/p>\n<p>Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,179,267],"class_list":["post-85125","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85125"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85125\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}