{"id":85122,"date":"2017-12-13T22:00:00","date_gmt":"2017-12-13T22:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/12\/13\/o-natal-de-jesus-salvador\/"},"modified":"2019-07-05T12:49:14","modified_gmt":"2019-07-05T11:49:14","slug":"o-natal-de-jesus-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-de-jesus-salvador\/","title":{"rendered":"\u00abO Natal de Jesus, Salvador\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Mensagem de Natal de D. Manuel Fel\u00edcio, bispo da Guarda<\/em> <!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright \" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/arquivo\/netimages\/noticia\/d_manuel_felicio_foto_liliana_carona_rr4357d232_base.jpg\" width=\"501\" height=\"281\" \/>Estamos no Natal.<\/p>\n<p>Natal \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de um Menino, Jesus Cristo, que veio para salvar. Por isso, sendo Deus, assumiu a nossa condi\u00e7\u00e3o de homens e mulheres, com todas as consequ\u00eancias de alegrias e esperan\u00e7as, \u00eaxitos e fracassos, de sofrimento e de morte.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a mensagem do Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, mensagem de simplicidade, de pobreza e mesmo de alguma rejei\u00e7\u00e3o, que impressiona e confunde, que interpela as gentes de todos os tempos, idades e condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ora, este gesto de Deus que sendo rico voluntariamente se faz pobre, sendo Senhor se faz pequenino e fr\u00e1gil para se tornar pr\u00f3ximo de todos, sem excluir ningu\u00e9m, \u00e9 a grande interpela\u00e7\u00e3o dirigida aos poderes deste mundo. De facto, a li\u00e7\u00e3o do Pres\u00e9pio aponta os caminhos pelos quais se constr\u00f3i o aut\u00eantico bem-estar das pessoas e a saud\u00e1vel vida comunit\u00e1ria, que constitui direito de todos.<\/p>\n<p>\u00c9 realmente de vida comunit\u00e1ria que as pessoas precisam e promov\u00ea-la \u00e9 a principal obriga\u00e7\u00e3o de todos os constitu\u00eddos em autoridade. A aut\u00eantica vida comunit\u00e1ria procura realizar a proximidade de todos a todos e a cada um, pede reconhecimento das capacidades e tamb\u00e9m dificuldades de cada pessoa e que lhe sejam criadas as necess\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es para que as capacidades se desenvolvam e se coloquem ao servi\u00e7o do pr\u00f3prio e do bem comum e as dificuldades possam ser superadas.<\/p>\n<p>Ora, n\u00f3s acab\u00e1mos de viver a experi\u00eancia coletiva dos inc\u00eandios de outubro \u00faltimo e de junho passado, que foi um verdadeiro teste \u00e0 nossa vida comunit\u00e1ria , sobretudo \u00e0 capacidade de resposta de pessoas e institui\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es emergentes como estas. Morreram pessoas em n\u00famero e circunst\u00e2ncias sem paralelo com situa\u00e7\u00f5es anteriores. Muitas outras ficaram privadas de bens de primeira necessidade, como a habita\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m recursos dos quais depende a sua subsist\u00eancia di\u00e1ria, como animais, agricultura e floresta. Perante este quadro de tristeza, sofrimento e algum desespero, alegra-nos a resposta pronta de pessoas e institui\u00e7\u00f5es que apareceram no terreno para acolher desalojados e prover \u00e0s necessidades imediatas sobretudo de vestu\u00e1rio e alimenta\u00e7\u00e3o a quantos perderam tudo.<\/p>\n<p>Este \u00e9 caminho para construir a vida comunit\u00e1ria que todos desejamos.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m vimos algum distanciamento dos poderes institu\u00eddos tentando responder com medidas gerais a situa\u00e7\u00f5es muito d\u00edspares, que, por isso, precisavam de respostas diferentes. Dou um exemplo. Visitei, no dia imediato ao desastre dos inc\u00eandios, uma povoa\u00e7\u00e3o com duas pessoas sepultadas nos escombros das suas casas consumidas pelo fogo e uma outra povoa\u00e7\u00e3o vizinha onde morreu um casal que deixou duas crian\u00e7as \u2013 uma de 2 anos e outro de7. Ora, tratar por igual uma pessoa que vivia sozinha em sua casa, por sinal bem relacionada com os vizinhos, cujos filhos est\u00e3o emigrados no estrangeiro e o casal tamb\u00e9m v\u00edtima do mesmo inc\u00eandio, que deixou dois filhos menores, dando-lhes a mesma import\u00e2ncia em dinheiro, sejam 70 sejam 70 vezes 7, como se a vida em alguma circunst\u00e2ncia pudesse ser transacion\u00e1vel por valores materiais, \u00e9, no m\u00ednimo, um contra-senso. Por sua vez, ao lado, vivia uma outra fam\u00edlia que perdeu dois tratores, o seu ganha p\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 mais habilitado para fazer a avalia\u00e7\u00e3o destas situa\u00e7\u00f5es e dizer como podem ser devidamente resolvidas? A resposta s\u00f3 pode ser uma \u2013 pessoas e institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o pr\u00f3ximas e n\u00e3o o centralismo da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como aconteceu e est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>Compreendemos, \u00e9 certo, que se d\u00ea aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria \u00e0s empresas afetadas pelos inc\u00eandios, das quais depende o emprego de muita gente. Mas, em contrapartida, custa-nos a compreender que servi\u00e7os estatais como os que operam na agropecu\u00e1ria e na floresta, continuem quase indiferentes aos dramas de muitas fam\u00edlias que perderam tudo e agora ningu\u00e9m lhes diz como fazer para poderem aproveitar o que restou dos inc\u00eandios e sobretudo reordenarem os seus territ\u00f3rios e programarem um futuro diferente. S\u00e3o horas como estas, queira Deus n\u00e3o voltem a repetir-se, que p\u00f5em \u00e0 prova a capacidade e operacionalidade dos servi\u00e7os aos quais compete marcar presen\u00e7a, mas, na hora da verdade, n\u00e3o estiveram l\u00e1. E a tutela respetiva parece tamb\u00e9m resignada \u00e0 fatalidade acontecida sem nada, ou pouco, fazer para propor os novos caminhos que o dramatismo das situa\u00e7\u00f5es de facto imp\u00f5e.<\/p>\n<p>O que se lhes pedia \u00e9 que viessem para o terreno, colocar-se ao lado das pessoas, para as ajudar a salvar o que restou dos inc\u00eandios e a dar orienta\u00e7\u00e3o sobre o futuro desej\u00e1vel para os nossos campos e as nossas florestas.<\/p>\n<p>O Menino de Bel\u00e9m veio para salvar, abrindo caminhos de esperan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e destas com a natureza, para conseguirmos chegar \u00e0 sociedade nova por todos ambicionada, mas ainda n\u00e3o conseguida.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m a\u00ed est\u00e1 e convida-nos para n\u00e3o desistir do esfor\u00e7o de procurar o que \u00e9 mais importante, a saber: cuidar a boa rela\u00e7\u00e3o de todos com todos para atingirmos patamares de vida comunit\u00e1ria verdadeiramente saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Guarda, 5.12.2017<br \/>\n+Manuel Rocha Fel\u00edcio, Bispo da Guarda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal de D. Manuel Fel\u00edcio, bispo da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,267],"class_list":["post-85122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}