{"id":85051,"date":"2017-11-17T11:38:00","date_gmt":"2017-11-17T11:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/11\/17\/relacao-da-igreja-com-os-pobres-passa-por-acolhimento-transformador\/"},"modified":"2019-07-18T13:14:55","modified_gmt":"2019-07-18T12:14:55","slug":"relacao-da-igreja-com-os-pobres-passa-por-acolhimento-transformador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/relacao-da-igreja-com-os-pobres-passa-por-acolhimento-transformador\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o da Igreja com os pobres passa por acolhimento transformador"},"content":{"rendered":"<p><em>Teresa Vasconcelos, vogal da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, aborda nesta entrevista temas centrais da mensagem do Papa Francisco para a celebra\u00e7\u00e3o do I Dia Mundial dos Pobres, num olhar que convida \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais e numa caminhada conjunta em que todos t\u00eam algo a dar e a receber.<\/em> <!--more--><\/p>\n<p><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright \" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/arquivo\/netimages\/noticia\/teresa_vasconcelos.jpg\" width=\"500\" height=\"355\" \/>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Como \u00e9 que olha para o desafio de caminho que o Papa lan\u00e7a com a celebra\u00e7\u00e3o do I Dia Mundial dos Pobres, \u00e0 Igreja e a todos?<\/em><\/p>\n<p><em>Teresa Vasconcelos (TV)<\/em> \u2013 Esta iniciativa do Papa parece-me fundamental. Houve j\u00e1 v\u00e1rios Papas, nomeadamente Jo\u00e3o XXIII, que chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o dos pobres, com um desafio aos crist\u00e3os: n\u00e3o se pode p\u00f4r em pr\u00e1tica a mensagem do Evangelho sem olhar para os mais desprotegidos. Esta \u00e9 uma linha j\u00e1 coerente, dentro da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>O facto de o Papa Francisco ter lan\u00e7ado um Dia Mundial para a pobreza \u00e9 a possibilidade de, no contexto de uma jornada, se refletir sobre esta quest\u00e3o da pobreza no mundo de hoje. Nunca, a n\u00e3o ser no tempo da escravatura ou da explora\u00e7\u00e3o total dos trabalhadores, houve tanta desigualdade &#8211; e o nosso pa\u00eds \u00e9 um dos piores a n\u00edvel da Europa \u2013 entre uma minoria dos mais ricos e uma maioria de pobres.<\/p>\n<p>No caso de Portugal, as coisas est\u00e3o um bocadinho mais estabilizadas, o que n\u00e3o quer dizer que este cancro que mina a sociedade n\u00e3o exista. A prova \u00e9 que encontramos cada vez mais pessoas que escolhem ir viver para a rua ou que s\u00e3o empurradas para isso, fam\u00edlias que vivem muitas vezes uma pobreza escondida.<\/p>\n<p>O que me parece, no entanto, \u00e9 que neste desafio que o Papa nos coloca ele pega nas coisas um bocadinho ao contr\u00e1rio, ao dizer que os pobres \u2013 cuidar dos pobres, pensar nos pobres \u2013 podem ser um meio fundamental para o nosso crescimento, a exemplo de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Se n\u00f3s cultivarmos, e se a Igreja nos ajudar a cultivar, esta aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria aos pobres, n\u00f3s cada vez mais caminhamos na linha dos Evangelhos, daquilo que Cristo nos interpelou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A proposta do Papa Francisco \u00e9 n\u00e3o olhar os pobres a partir de uma pr\u00e1tica assistencialista, mas como companheiros de crescimento?<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 Exatamente. Mais uma vez, a esse n\u00edvel, penso que a interpela\u00e7\u00e3o que o Papa nos faz vem colocar-nos num patamar superior. Da\u00ed que o apelo n\u00e3o seja apenas \u00e0 \u201ccaridadezinha\u201d \u2013 e \u00e9 fundamental, na situa\u00e7\u00e3o de crise, providenciar com aquilo que \u00e9 urgente, necess\u00e1rio -, mas que nos debrucemos realmente sobre as estruturas injustas das sociedades em que vivemos para, de alguma forma, encontrarmos meios de trabalhar para uma maior justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Eu lembro sempre uma coisa muito bonita de Santa Teresa de \u00c1vila, quando ela tinha as experi\u00eancias m\u00edsticas, nomeadamente na S\u00e9tima Morada, dizia sempre: a uni\u00e3o com Deus, tal como eu a experimento, \u00e9 provis\u00f3ria, \u00e9 tempor\u00e1ria. Eu tenho de regressar ao mundo e fazer obras.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o nosso apelo: a nossa vida ser\u00e1 sempre trabalhar para o Reino de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 No mundo?<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 No mundo. Aqui e agora, nomeadamente ao n\u00edvel da sociedade portuguesa, a que mais diretamente nos interessa, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel do equil\u00edbrio entre ricos e pobres no mundo. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Esta mensagem do Papa \u00e9 um recado para quem est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o social diferente para que olhe para a pobreza, sem perpetuar estruturas assistencialistas que consideram que pobreza haver\u00e1 sempre?<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 Mais uma vez, o Papa fala num patamar diferente. Questiona estruturas da Igreja e da sociedade civil, e lan\u00e7a-lhes a quest\u00e3o de saber em que medida est\u00e3o a fazer apenas um remedeio tempor\u00e1rio ou est\u00e3o a ajudar os pobres a serem donos do seu pr\u00f3prio destino, dando-lhes meios, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, para que o ciclo da pobreza seja interrompido.<\/p>\n<p>J\u00e1 trabalhei numa IPSS e conhe\u00e7o bastante o seu funcionamento. H\u00e1 um salto qualitativo que a Igreja, a meu ver, deve fazer, formando as dire\u00e7\u00f5es e quem trabalha nestas institui\u00e7\u00f5es, para uma postura de acolhimento dos pobres que seja um acolhimento transformador e n\u00e3o algo que os humilhe, que os fa\u00e7a sentir que s\u00e3o um \u201ccancro\u201d na sociedade.<\/p>\n<p>Eu tenho presenciado, mesmo no funcionamento de institui\u00e7\u00f5es, um tipo de acolhimento aos pobres que \u00e9 humilhante. A\u00ed h\u00e1 um trabalho muito grande a fazer, se queremos desenvolver, como o Papa nos desafia, uma verdadeira atitude de compaix\u00e3o e de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Papa Francisco indica exemplos, como a figura de S\u00e3o Francisco de Assis, com uma inten\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, porque este \u201cfazer caminho com\u201d acaba por ser transformador\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 Exatamente. E envolve o nosso cora\u00e7\u00e3o: neste caminho transformador \u00e9 preciso encarar o pobre, que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 atrativo, a maior parte das vezes \u2013 o pobre da rua, vestido Deus sabe como, sem os m\u00ednimos cuidados de higiene\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 preciso acolher como iguais, aqui no verdadeiro sentido de hospitalidade: acolher o outro, mas n\u00e3o de cima para baixo, pensando que eu posso fazer alguma coisa pelo pobre e que ele pode fazer muita coisa por mim. No verdadeiro sentido do que s\u00e3o as obras de miseric\u00f3rdia, corporais e espirituais. Eu tamb\u00e9m posso ser objeto das obras de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Papa tamb\u00e9m fala numa pobreza evang\u00e9lica.<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 Estamos muito longe, a come\u00e7ar por mim, que nem sempre penso que h\u00e1 outros que vivem pior do que eu. Depois, as estruturas mais altas da Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o s\u00e3o sempre exemplo de um abra\u00e7ar do Evangelho e a\u00ed tamb\u00e9m \u00e9 importante que todos olhem para este estado de coisa e nos possamos perguntar: o que \u00e9 que Cristo faria se estivesse no meu lugar?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Essa \u00e9 a pergunta\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 A pergunta essencial \u00e9 essa. Se levarmos a s\u00e9rio a profundidade desta quest\u00e3o, \u201cComo \u00e9 que Cristo faria no meu lugar?\u201d a Igreja Cat\u00f3lica e o mundo, em geral, ser\u00e3o muito mais justos e solid\u00e1rios. Tenho a convic\u00e7\u00e3o absoluta de que foi para isso que Cristo viveu entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Outra pergunta que cada um se pode fazer a si mesmo \u00e9 n\u00e3o tanto que o fazes ao teu dinheiro, mas o que o teu dinheiro faz de ti.<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 \u00c9 para todos. Esta interpela\u00e7\u00e3o \u00e9 para todos. Eu posso ter o meu dinheiro e ter liberdade interior em rela\u00e7\u00e3o a ele, saber que o dinheiro \u00e9 para o servi\u00e7o da comunidade. Posso ter, infelizmente, a atitude oposta, inclusive em pessoas que se autodenominam cat\u00f3licas, que \u00e9 a gan\u00e2ncia. Dizer: eu quero mais, eu quero mais, eu quero mais dinheiro. Pode ser uma depend\u00eancia como qualquer outra.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que os crist\u00e3os se interpelem uns aos outros. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual estou, como vogal, na Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, para que, de uma forma mais institucional, aquilo em que acredito possa ter impacto na sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Papa recorda a pobreza que atinge os jovens que n\u00e3o conseguem encontrar o seu primeiro emprego. Esta \u00e9 uma realidade que a sociedade portuguesa enfrenta muito, como a chamada pobreza envergonhada?<\/em><\/p>\n<p><em>TV <\/em>\u2013 H\u00e1 n\u00edveis muito diversificados de pobreza. Mais facilmente penso na pessoa que est\u00e1 \u00e0 porta de uma igreja a pedir p\u00e3o, mas se n\u00f3s f\u00f4ssemos mais solid\u00e1rios com os jovens\u2026 Por exemplo, quando me aposentei fui convidada por uma universidade, podendo acumular rendimentos, e eu disse: n\u00e3o, h\u00e1 dezenas de jovens que fizeram os seus graus e que voc\u00eas devem contratar. Para mim \u00e9 uma quest\u00e3o \u00e9tica.<\/p>\n<p>Os jovens podem questionar se os crist\u00e3os est\u00e3o a ser solid\u00e1rios com eles, se estamos a viver a vida das primeiras comunidades crist\u00e3s, onde cada qual vivia de acordo com as suas necessidades e havia uma partilha de bens. Isso \u00e9 o que os Atos dos Ap\u00f3stolos nos dizem.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que eu partilho, nos tempos de hoje, com os mais jovens que n\u00e3o conseguem o primeiro emprego ou trabalham com n\u00edveis de sal\u00e1rios absolutamente escandalosos?<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas dizem que, mesmo numa situa\u00e7\u00e3o de ligeira melhoria, as rela\u00e7\u00f5es laborais \u2013 explora\u00e7\u00e3o, subemprego \u2013 pioraram. E continuam a piorar. N\u00e3o vivemos, por muito que haja tentativas de melhorar as coisas, numa sociedade mais justa.<\/p>\n<p>Todas as estruturas, a n\u00edvel micro, meso ou macro, devem ser passadas em revista por n\u00f3s, crist\u00e3os, de uma forma cr\u00edtica, para depois se pensar, individualmente ou em grupo, como \u00e9 que se podem abalar essas estruturas.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 isto s\u00e3o fendas na constru\u00e7\u00e3o da coes\u00e3o social? Quem n\u00e3o tem um emprego e n\u00e3o aufere um sal\u00e1rio digno para cobrir as suas despesas n\u00e3o tem vontade de participar civicamente\u2026<\/em><\/p>\n<p>TV \u2013 O primeiro passo da cidadania \u00e9 a consci\u00eancia de que se pode participar e que a minha participa\u00e7\u00e3o tem impacto. Caso contr\u00e1rio as pessoas desistem e conformam-se.<\/p>\n<p>Das piores situa\u00e7\u00f5es que vi, no mundo, foi na \u00cdndia, porque a pobreza \u00e9 absolutamente conformada. H\u00e1 uma aceita\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de que, porque se nasceu numa casta, n\u00e3o se tem hip\u00f3tese. C\u00e1, sem termos um sistema de castas, temos um sistema que referencia pessoas que assumem que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer ou vivem \u00e0 sombra de uma caridade que n\u00e3o \u00e9 uma caridade que transforme a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Papa foca a import\u00e2ncia da cultura do encontro\u2026<\/em><\/p>\n<p>TV \u2013 Vivermos numa situa\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a perante o absurdo da sociedade, leva-nos a continuar o trabalho que todos somos chamados a fazer. \u00c9 preciso que a Igreja e os crist\u00e3os divulguem este tipo de a\u00e7\u00f5es. Sermos companheiros de viagem \u00e9, a meu ver, a ess\u00eancia desta carta e o chamamento que Deus, atrav\u00e9s de Jesus Cristo, nos faz.<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Daqui a uns anos esperamos voltar a falar, olhando para a hist\u00f3ria que este Dia Mundial dos Pobres possa fazer, tal como o Papa Francisco sugere?<\/em><\/p>\n<p>TV \u2013 E vamos esperar que, ano a ano, uma vez que se atribui um Dia Mundial dos Pobres pouco antes de iniciar o Advento, este dia nos traga uma reflex\u00e3o imbu\u00edda de a\u00e7\u00e3o para melhorarmos estruturas injustas.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m para, \u00e0 semelhan\u00e7a de S\u00e3o Francisco de Assis, nos tornarmos companheiros n\u00e3o dando de cima para baixo, mas entrando no mesmo caminho. Os pobres podem interpelar-nos, chamar \u00e0 a\u00e7\u00e3o e treinarem o nosso olhar para a verdadeira miseric\u00f3rdia \u2013 essa palavra que vem do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em style=\"text-align: -webkit-right;\">L\u00edgia Silveira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresa Vasconcelos, vogal da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, aborda nesta entrevista temas centrais da mensagem do Papa Francisco para a celebra\u00e7\u00e3o do I Dia Mundial dos Pobres, num olhar que convida \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais e numa caminhada conjunta em que todos t\u00eam algo a dar e a receber.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[100,203,274],"class_list":["post-85051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-advento","tag-europa","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}