{"id":85047,"date":"2017-12-15T10:58:00","date_gmt":"2017-12-15T10:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/12\/15\/as-cartas-ao-menino-jesus-e-as-dores-da-terra-santa-no-natal-de-belem\/"},"modified":"2017-12-15T10:58:00","modified_gmt":"2017-12-15T10:58:00","slug":"as-cartas-ao-menino-jesus-e-as-dores-da-terra-santa-no-natal-de-belem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-cartas-ao-menino-jesus-e-as-dores-da-terra-santa-no-natal-de-belem\/","title":{"rendered":"As cartas ao Menino Jesus e as dores da Terra Santa no Natal de Bel\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>O franciscano italiano Francesco Patton \u00e9 desde 2016 o respons\u00e1vel pela Cust\u00f3dia da Terra Santa, que tem como miss\u00e3o dinamizar e zelar pelos lugares santos em Jerusal\u00e9m. Prestes a passar o seu segundo Natal em Bel\u00e9m, esteve em Lisboa \u00e0 conversa com a Ag\u00eancia ECCLESIA, para falar da realidade que se vive na terra que viu Jesus nascer e onde tantos crist\u00e3os v\u00e3o em busca dos locais mais simb\u00f3licos para a sua f\u00e9. <!--more--> <\/p>\n<p> \tO religioso nasceu em Vigo Meano, na diocese italiana de Trento, a 23 de dezembro de 1963. O Cust&oacute;dio da Terra Santa &eacute; nomeado pela Ordem dos Frades Menores, com a aprova&ccedil;&atilde;o da Santa S&eacute;, segundo os Estatutos Pontif&iacute;cios que regulamentam esta entidade.<\/p>\n<p> \tCentenas de religiosos de v&aacute;rias nacionalidades trabalham atualmente em Israel, na Jord&acirc;nia, no Egipto, L&iacute;bano, Chipre e na S&iacute;ria, zelando por mais de 70 santu&aacute;rios e lugares santos.<\/p>\n<p> \tA fun&ccedil;&atilde;o principal do Cust&oacute;dio, al&eacute;m de animar a vida dos frades, &eacute; a de coordenar e encaminhar o acolhimento dos peregrinos que chegam a Terra Santa em peregrina&ccedil;&atilde;o, nas pegadas de S&atilde;o Francisco de Assis. Uma presen&ccedil;a que j&aacute; tem 800 anos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Quais s&atilde;o as suas mem&oacute;rias do Natal em Bel&eacute;m?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>Frei Francesco Patton<\/em> &ndash; Este &eacute; o meu segundo Natal na Terra Santa e ali o Natal &eacute; especial, tanto pelo facto de ser celebrado onde o pr&oacute;prio Natal come&ccedil;ou, sobretudo em Bel&eacute;m, e &eacute; especial tamb&eacute;m pela presen&ccedil;a dos peregrinos que acorreram com um grande desejo de poder ver o lugar onde Jesus nasceu, de o tocar, fisicamente, p&ocirc;r a m&atilde;o na estrela que marca o lugar do nascimento.<\/p>\n<p> \tPara mim, &eacute; sempre comovente poder ver a manjedoura, isto &eacute;, a pequena capela no interior da Gruta da Natividade, onde est&aacute; a manjedoura e diante do altar dos Reis Magos. Poder celebrar ali &eacute; algo muito significativo, porque recorda como Jesus, que se fez depois nosso alimento, na Eucaristia, desde pequenino &eacute; indicado quase como nosso alimento, ao ser colocado na manjedoura.<\/p>\n<p> \tPor isso, o Natal em Bel&eacute;m &eacute; algo de especial, &eacute; algo de particular. O contexto, depois, &eacute; muito realistas: Jesus nasceu num contexto muito dif&iacute;cil, num per&iacute;odo de grave crise pol&iacute;tica para a Terra Santa, de ent&atilde;o; ainda hoje, &eacute; um momento dif&iacute;cil para a Terra Santa e, portanto, quem vem e celebra ali o Natal n&atilde;o o celebra de forma artificial, mas celebra-o, de algum forma, revivendo a dificuldade, os desconfortos que o pr&oacute;prio Menino Jesus experimentou?<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; a dificuldade de um povo que n&atilde;o tem terra para o seu pa&iacute;s, a mesma de Jesus, que n&atilde;o tinha um lugar para nascer?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; De certa forma sim, &eacute; uma dificuldade semelhante, mas temos de pensar na dificuldade maior, que &eacute; a dificuldade da minoria crist&atilde;, que muitas vezes &eacute; apanhada no meio, quando h&aacute; tens&otilde;es e dificuldades entre as duas realidades maiorit&aacute;rias. A pequena comunidade crist&atilde;, de algum modo, faz realmente a experi&ecirc;ncia do que significa continuar, na hist&oacute;ria, o mist&eacute;rio da pequenez de Deus que se fez carne e que assumiu a nossa fragilidade, todo o risco que est&aacute; ligado &agrave; fragilidade de uma crian&ccedil;a. A comunidade crist&atilde; na Terra Santa &eacute; um pouco como o Menino Jesus, pequena, fr&aacute;gil, tem certamente necessidade de ajuda e de prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Neste Natal, em particular, tem a expectativa de muitos peregrinos nas celebra&ccedil;&otilde;es em Bel&eacute;m?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; N&oacute;s esperamos que muitos peregrinos venham a Bel&eacute;m. Estive l&aacute; no primeiro domingo de Advento e a cidade estava cheia de crist&atilde;os locais e de peregrinos. Esperamos que as tens&otilde;es dos &uacute;ltimos tempos n&atilde;o arru&iacute;nem o Natal, de alguma forma, que n&atilde;o haja tens&otilde;es que desencorajem os peregrinos de ir, que desencorajem os crist&atilde;os a celebrar o nascimento do Filho de Deus na nossa hist&oacute;ria, na carne.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s esperamos que as pessoas venham, pelo Natal, e que essa vinda a Bel&eacute;m no Natal ajude a manter o olhar fixo sobre esta terra, este lugar, e de alguma forma ajudar, com a presen&ccedil;a e a ora&ccedil;&atilde;o dos peregrinos, a percorrer o caminho da paz.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Como foi para si passar o Natal em Bel&eacute;m, pela primeira vez?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; Foi um Natal muito particular, j&aacute; como Cust&oacute;dio, em 2016. Nesta ocasi&atilde;o, como em todos os anos, janta com a nossa comunidade franciscana de Bel&eacute;m o presidente da Autoridade Palestina, Abu Mazen, e celebrou-se a Missa de forma muito solene, &agrave; meia-noite. Depois, o Natal ali prolonga-se, e o momento em que ele se sente ainda mais &eacute; na Epifania, porque se somam as celebra&ccedil;&otilde;es das v&aacute;rias comunidades crist&atilde;s [segundo os calend&aacute;rios juliano e gregoriano, ndr] e, portanto, v&ecirc;-se em toda a volta da gruta de Bel&eacute;m os crist&atilde;os que chegam da &Aacute;sia, da &Aacute;frica, da Europa&hellip; H&aacute; a nossa prociss&atilde;o, que somos os latinos, os mais europeus; h&aacute; a prociss&atilde;o das v&aacute;rias Igrejas Orientais: os coptas, que claramente chegam da &Aacute;frica, e depois as Igrejas Ortodoxas, da &Aacute;sia. Portanto, no meio de uma aparente, grande confus&atilde;o, na realidade v&ecirc;-se todo o mundo, toda a humanidade que se colocou a caminho para adorar o Menino em quem reconhecemos o Salvador. Eis, esta confus&atilde;o, por assim dizer, do meu ponto de vista, &eacute; muito bonita e muito sugestiva, porque manifesta de forma real aquela que &eacute; a busca da humanidade, o desejo que tem de poder encontrar-se com aquele Menino.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E de que forma &eacute; que os as popula&ccedil;&otilde;es mu&ccedil;ulmanas e judaicas olham para os crist&atilde;os na celebra&ccedil;&atilde;o do Natal?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; Depende dos v&aacute;rios locais: por exemplo, muitos dos mu&ccedil;ulmanos t&ecirc;m devo&ccedil;&atilde;o ao Menino Jesus, em Bel&eacute;m. De forma especial, as mulheres mu&ccedil;ulmanas t&ecirc;m devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Virgem Maria, v&ecirc;m visitar a Gruta da Natividade e tamb&eacute;m outro santu&aacute;rio, pequeno, que &eacute; a Gruta do Leite, tamb&eacute;m ali em Bel&eacute;m, a poucas centenas de metros da Bas&iacute;lica da Natividade, onde se recorda Maria que amamenta o Menino Jesus. H&aacute; esta devo&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m por parte dos mu&ccedil;ulmanos locais, dos que conhecem a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, bem como h&aacute; uma participa&ccedil;&atilde;o por parte do mundo judaico no que s&atilde;o as celebra&ccedil;&otilde;es nalguns outros lugares, como o santu&aacute;rio de S&atilde;o Jo&atilde;o Batista, em Ain Karem, ou Nazar&eacute;, onde est&aacute; o Santu&aacute;rio da Anuncia&ccedil;&atilde;o. Por ocasi&atilde;o da Missa da Noite de Natal, estas pessoas v&ecirc;m sobretudo porque s&atilde;o atra&iacute;das pela beleza dos c&acirc;nticos.<\/p>\n<p> \tDepois, naturalmente, h&aacute; as nossas comunidades crist&atilde;s locais, que s&atilde;o as comunidades crist&atilde;s de l&iacute;ngua &aacute;rabe, na sua maior parte, na continuidade das comunidades crist&atilde;s palestinas. H&aacute; tamb&eacute;m pequenas comunidades crist&atilde;s de l&iacute;ngua hebraica e comunidades que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o assim t&atilde;o pequenas, as dos trabalhadores migrantes, estrangeiros, que vivem sobretudo em Israel e que vivem e celebram o Natal em Telavive, Jafa, Jerusal&eacute;m ou na Galileia: Nazar&eacute;, Haifa, noutros lugares. Isto d&aacute; um pouco a ideia desta Terra Santa como um local que, no Natal, pode verdadeiramente atrair todos.<\/p>\n<p> \tA Cust&oacute;dia &eacute; muito mais ampla, tamb&eacute;m se celebra o Natal no L&iacute;bano e na S&iacute;ria. Em 2016, por exemplo, em Alepo, pela primeira vez, os nossos frades puderam celebrar o Natal na nossa par&oacute;quia latina, sem terem como fundo o barulho das bombas, ap&oacute;s cerca de 5 anos de guerra na cidade. Esta foi uma experi&ecirc;ncia muito importante para os crist&atilde;os de Alepo, um sinal de esperan&ccedil;a para o futuro.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; No Natal celebra-se a vinda do Pr&iacute;ncipe da Paz num ambiente que tarda em deixar a guerra&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; N&atilde;o seria precisa a vinda do Pr&iacute;ncipe da Paz se j&aacute; existisse a paz&hellip; Se reconhecemos em Jesus o Pr&iacute;ncipe da Paz, o autor da paz &ndash; S&atilde;o Paulo disse &ldquo;Ele que fez a Paz&rdquo; &ndash; &eacute; porque temos a consci&ecirc;ncia de que a humanidade tem necessidade de paz. E n&atilde;o s&oacute; na Terra Santa, sabemos muito bem quantos conflitos est&atilde;o presentes, quantos conflitos subterr&acirc;neos existem, quantos conflitos s&atilde;o continuamente alimentados. Esta &eacute; a hist&oacute;ria do pecado da humanidade, o tema inimizade, guerra, &oacute;dio e pecado &eacute; um tema &uacute;nico. Da mesma forma como o tema paz, perd&atilde;o, reconcilia&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do dom de si que Jesus fez na cruz.<\/p>\n<p> \tDepois, claramente, existe a paz dos homens, aquele equil&iacute;brio muito fr&aacute;gil que periodicamente, poder&iacute;amos dizer, acalma os conflitos; e h&aacute; a paz entendida num sentido bem mais profundo, que &eacute; a paz no sentido b&iacute;blico, a plena realiza&ccedil;&atilde;o do bem que Deus quer para toda a humanidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Nesta celebra&ccedil;&atilde;o do Natal, sentem que todo o mundo olha para Bel&eacute;m como o local do nascimento, do in&iacute;cio da era crist&atilde;?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; Sim. Bel&eacute;m &eacute; o in&iacute;cio, S&atilde;o Francisco, numa das suas frases geniais, disse que em Bel&eacute;m, ao nascer, Jesus Cristo come&ccedil;a a salvar-nos. E diz que, por este motivo, temos de fazer festa de modo extraordinariamente solene, fazer festa n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista religioso mas tamb&eacute;m que envolva todas as criaturas. Por ocasi&atilde;o do Natal, dia do nascimento, dia em que celebramos o nascimento de Jesus, S&atilde;o Francisco diz que devemos dar de comer mesmo aos passarinhos, a todos os animais: a ideia de que este nascimento &eacute; mais do que uma data na hist&oacute;ria, &eacute; uma mudan&ccedil;a profunda na hist&oacute;ria. A Salva&ccedil;&atilde;o realiza-se dentro da hist&oacute;ria, dando-lhe um sentido, e fazer festa &eacute; muito importante. &Eacute; preciso que a festa seja plena, completa, total, que seja festa religiosa, que voltemos a escutar a Palavra de Deus, que nos conta esse nascimento; que seja viver o mist&eacute;rio, celebrar; e que seja tamb&eacute;m uma festa que toca a realidade di&aacute;ria, o nosso viver em fam&iacute;lia, para nos fazer perceber como esse nascimento reconciliou todo o universo. Eis porque &eacute; importante e bonito fazer festa mesmo com os animais, que est&atilde;o nas nossas casas ou nos jardins.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Apesar de tudo, nos &uacute;ltimos anos, nos &uacute;ltimos meses, tem aumentado o n&uacute;mero de peregrinos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; No &uacute;ltimo ano, aumentou de forma significativa. Desde setembro de 2016 at&eacute; o in&iacute;cio de dezembro deste ano, os peregrinos foram muito, muito numerosos, podemos dizer com n&uacute;meros recorde. Antes, houve um per&iacute;odo prolongado de sofrimento, de falta de peregrinos e isso para n&oacute;s &eacute; um problema. Ainda mais, para n&oacute;s &eacute; um problema para a pequena comunidade crist&atilde; local, porque muitos vivem do seu pr&oacute;prio trabalho, por exemplo em Bel&eacute;m, quando h&aacute; peregrinos: muitos deles trabalham no artesanato em fun&ccedil;&atilde;o dos peregrinos. Quem adquire objetos artesanais em madeira de oliveira, em madrep&eacute;rola, os ter&ccedil;os, as recorda&ccedil;&otilde;es? S&atilde;o os peregrinos. Se eles faltam, os artes&atilde;os locais n&atilde;o t&ecirc;m trabalho. Da mesma maneira, o acolhimento dos peregrinos d&aacute; trabalho aos crist&atilde;os locais, nos hot&eacute;is, nas pens&otilde;es, muitas vezes como guias dos pr&oacute;prios peregrinos.<\/p>\n<p> \tPor isso, quando h&aacute; peregrinos, h&aacute; maior possibilidade de viver do pr&oacute;prio trabalho para a minoria crist&atilde; local, de viver com dignidade. Quando faltam os peregrinos, tudo isto &eacute; mais dif&iacute;cil.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Olhando para a atualidade, que consequ&ecirc;ncias ter&aacute; a determina&ccedil;&atilde;o de Donald Trump de colocar a embaixada norte-americana em Israel na cidade de Jerusal&eacute;m?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; O Papa Francisco j&aacute; fez um coment&aacute;rio extremamente significativo, usando duas palavras de convite: sabedoria e prud&ecirc;ncia. N&atilde;o tenho nada a acrescentar. H&aacute; uma ora&ccedil;&atilde;o muito bonita, no Livro da Sabedoria, no Antigo Testamento, que &eacute; a ora&ccedil;&atilde;o de Salom&atilde;o. Chamado a governar, jovem e com pouca experi&ecirc;ncia, Salom&atilde;o reza e diz a Deus: &ldquo;D&aacute;-me a sabedoria que se senta junto a ti, no trono, para que eu saiba aquilo que te &eacute; agrad&aacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p> \tA sabedoria serve para evitar decis&otilde;es e tamb&eacute;m palavras poucos prudentes. O dom da prud&ecirc;ncia, por sua vez, n&atilde;o &eacute; o medo de fazer algo, &eacute; uma coisa bem mais profunda, &eacute; uma das virtudes cardeais: &eacute; precisamente a capacidade de saber avaliar muito bem qual &eacute; a palavra dizer, a coisa a fazer, o caminho a seguir.<\/p>\n<p> \tPenso que quando o Papa convidou &agrave; sabedoria e &agrave; prud&ecirc;ncia, fez um convite que todos podemos retomar e voltar a propor.<\/p>\n<p> \tTodos n&oacute;s podemos modificar decis&otilde;es tomadas e mudar palavras ditas. &Eacute; preciso procurar sempre ajudar neste percurso e processo que &eacute; j&aacute; de si muito fr&aacute;gil, muito dif&iacute;cil, que &eacute; o percurso, o processo da paz em todo o M&eacute;dio Oriente. N&atilde;o &eacute; s&oacute; uma quest&atilde;o Israel-Palestina, diz respeito ao M&eacute;dio Oriente e, em perspetiva, a todo o mundo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Acredita que &eacute; poss&iacute;vel voltar atr&aacute;s, nesta decis&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; Veremos. N&atilde;o sou um profeta. &Eacute; muito dif&iacute;cil fazer previs&otilde;es na Terra Santa, seria um exerc&iacute;cio meramente te&oacute;rico.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O processo de paz est&aacute; em causa, com esta decis&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; O processo de paz &eacute; sempre fr&aacute;gil, &eacute; preciso que seja sempre encorajado, com a consci&ecirc;ncia de que, sempre que se promove um processo de paz, &eacute; preciso que cada uma das partes envolvidas perceba que poder chegar a um acordo justo, digno, que n&atilde;o humilhe, no fundo, &eacute; uma vantagem para todos. Todos os que est&atilde;o envolvidos devem perceber que a paz &eacute; conveniente, isto &eacute;, que a paz &eacute; a que pode garantir um futuro &agrave;s duas partes, &agrave;s crian&ccedil;as que nasceram e que v&atilde;o nascer.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Receia que o n&uacute;mero de peregrinos diminua?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; Se houver atos de viol&ecirc;ncia, &eacute; prov&aacute;vel que os peregrinos diminuam. N&oacute;s, repito, esperamos que n&atilde;o haja atos de viol&ecirc;ncia, excessivos e por um tempo prolongado. E esperamos que os peregrinos venham, que a sua vinda, de alguma forma, contribua tamb&eacute;m para superar este tipo de situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Na sua opini&atilde;o, Jerusal&eacute;m deveria ser a capital dos dois Estados, Israel e Palestina?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; A minha opini&atilde;o &eacute; a que foi manifestada, oficialmente, pela Santa S&eacute;: a ideia que Jerusal&eacute;m &eacute; uma cidade que pertence a dois povos e a tr&ecirc;s f&eacute;s. Por isso, n&atilde;o uma cidade dividida, mas partilhada, onde possam viver em paz judeus e palestinos e onde possam rezar em paz os que s&atilde;o da religi&atilde;o judaica, da religi&atilde;o crist&atilde; e da religi&atilde;o mu&ccedil;ulmana.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A Cust&oacute;dia Franciscana da Terra Santa est&aacute; a celebrar 800 anos. Que desafios enfrenta, neste momento, o que &eacute; que faz da presen&ccedil;a dos franciscanos uma necessidade?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; N&oacute;s estamos ali com um mandato espec&iacute;fico da Santa S&eacute;, que &eacute; o mandato de guardar os lugares santos, ou seja, os santu&aacute;rios crist&atilde;os. Por isso, a nossa primeira miss&atilde;o &eacute; a de guardar, o que significa tomar conta, de muitos santu&aacute;rios, cerca de 70, e torn&aacute;-los acess&iacute;veis aos peregrinos, porque os santu&aacute;rios s&atilde;o lugares f&iacute;sicos que trazem a mem&oacute;ria de uma palavra b&iacute;blica, de uma palavra evang&eacute;lica, de um ato do Evangelho. Isto &eacute; evidente: Nazar&eacute; &eacute; o lugar da Anuncia&ccedil;&atilde;o, Bel&eacute;m &eacute; o lugar do nascimento, o Calv&aacute;rio &eacute; o lugar da crucifix&atilde;o, o Sepulcro &eacute; o lugar da ressurrei&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o lugares que t&ecirc;m uma import&acirc;ncia extraordin&aacute;ria para a nossa f&eacute; de crist&atilde;os.<\/p>\n<p> \tAl&eacute;m de tomar conta destes lugares e de os tornar acess&iacute;veis aos peregrinos, para uma experi&ecirc;ncia de f&eacute; pessoal, a nossa miss&atilde;o, que foi confirmada pelo Papa Francisco, &eacute; tamb&eacute;m cuidar da pequena comunidade crist&atilde; local. Por isso, temos a responsabilidade pastoral de muitas par&oacute;quias, das principais par&oacute;quias cat&oacute;licas na Terra Santa &ndash; basta pensar em Nazar&eacute;, Bel&eacute;m e Jerusal&eacute;m &ndash; e temos tamb&eacute;m um cuidado pastoral com outras realidades, como por exemplo as escolas. Temos cerca de 15 escolas, com mais de 10 mil estudantes, que s&atilde;o um dos lugares nos quais a conviv&ecirc;ncia &eacute; poss&iacute;vel, dado que a maior parte dos alunos s&atilde;o mu&ccedil;ulmanos, mas certamente ganham uma maior abertura de mentalidade e conviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> \tDepois h&aacute; todas as obras sociais, em favor da comunidade crist&atilde; local, como p&ocirc;r ao dispor das fam&iacute;lias casas, apartamentos, bem como as obras em favor dos trabalhadores estrangeiros. Nestes anos, tamb&eacute;m a proximidade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o &ndash; crist&atilde;, em primeiro lugar, mas tamb&eacute;m os outros &ndash; da S&iacute;ria, durante a guerra. A nossa presen&ccedil;a foi constante, mesmo durante estes anos, os irm&atilde;os ficaram ao lado da popula&ccedil;&atilde;o, mesmo colocando em risco a sua pr&oacute;pria vida. Os desafios s&atilde;o estes, ligados a uma miss&atilde;o hist&oacute;rica, mas tamb&eacute;m a uma miss&atilde;o pastoral que coincide com aquilo que as pessoas vivem no seu tempo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que &eacute; que pede, aos crist&atilde;os de todo o mundo, neste Natal?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP<\/em> &ndash; Os meus votos para os crist&atilde;os de todo o mundo &eacute; que, de alguma forma, embora vivendo a milhares de quil&oacute;metros de Bel&eacute;m, consigam encontrar no interior das suas casas pelo menos um canto onde haja uma recorda&ccedil;&atilde;o da gruta de Bel&eacute;m, onde haja o pres&eacute;pio, com aquela gruta onde Jesus nasceu. E que, sobretudo, n&atilde;o faltem as personagens principais, as personagens principais n&atilde;o s&atilde;o o burro e a vaca, s&atilde;o o Menino Jesus, Nossa Senhora e S&atilde;o Jos&eacute;. Que o Menino Jesus consiga entrar em todas as nossas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p> \tO Natal lembra-nos que n&atilde;o basta fazer festa um dia, mas que &eacute; preciso, realmente, permitir que esta crian&ccedil;a nos acompanhe ao longo de toda a vida, &eacute; preciso deixar que ela cres&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Costumam receber mensagens, das v&aacute;rias partes do mundo, para o Menino Jesus, em Bel&eacute;m?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>FP &ndash;<\/em> Sim, na verdade recebemos &ndash; mais do que mensagens em Bel&eacute;m para o Menino Jesus -, recebemos mensagens por parte de fam&iacute;lias que pedem o dom dos filhos, sobretudo na Gruta do Leite, este lugar que &eacute; muito pr&oacute;ximo da Gruta da Natividade. Chegam muit&iacute;ssimas cartas de jovens casais, de fam&iacute;lias que pedem, por intercess&atilde;o de Maria e do Menino Jesus, o dom de poder ter filhos. Depois s&atilde;o muitas as cartas que chegam a agradecer, &eacute; algo muito bonito que em Bel&eacute;m se pe&ccedil;a isto, que se pe&ccedil;a para poder acolher a vida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Paulo Rocha<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O franciscano italiano Francesco Patton \u00e9 desde 2016 o respons\u00e1vel pela Cust\u00f3dia da Terra Santa, que tem como miss\u00e3o dinamizar e zelar pelos lugares santos em Jerusal\u00e9m. Prestes a passar o seu segundo Natal em Bel\u00e9m, esteve em Lisboa \u00e0 conversa com a Ag\u00eancia ECCLESIA, para falar da realidade que se vive na terra que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[100,168,203,213,267,274,317],"class_list":["post-85047","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-advento","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-franciscanos","tag-natal","tag-papa-francisco","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}