{"id":84675,"date":"2017-11-20T17:51:00","date_gmt":"2017-11-20T17:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/11\/20\/ii-concilio-do-vaticano-e-injusto-todo-o-monopolio-educativo-e-escolar\/"},"modified":"2019-07-16T17:29:58","modified_gmt":"2019-07-16T16:29:58","slug":"ii-concilio-do-vaticano-e-injusto-todo-o-monopolio-educativo-e-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ii-concilio-do-vaticano-e-injusto-todo-o-monopolio-educativo-e-escolar\/","title":{"rendered":"II Conc\u00edlio do Vaticano: \u00c9 injusto todo o monop\u00f3lio educativo e escolar"},"content":{"rendered":"<p><em>Em plena realiza\u00e7\u00e3o do II Concilio do Vaticano (1962-1965), os bispos portugueses escrevem uma nota pastoral sobre a quest\u00e3o do ensino particular, datada de 15 de junho de 1964. No documento, os prelados referem que acolheram com &#8220;alegria e confian\u00e7a&#8221; as palavras do ministro da educa\u00e7\u00e3o nacional sobre o planeamento de todo o ensino. Neste planeamento, o ensino chamado particular, no qual est\u00e1 inclu\u00eddo o ensino da Igreja, &#8220;n\u00e3o pode deixar de ter o lugar que lhe reconhece a Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do pa\u00eds, e \u00e9 uma exig\u00eancia da doutrina crist\u00e3 e da consci\u00eancia do mundo livre&#8221;<\/em> <!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright \" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/arquivo\/netimages\/noticia\/asala-de-aula.jpg\" width=\"500\" height=\"357\" \/>Em plena realiza\u00e7\u00e3o do II Concilio do Vaticano (1962-1965), os bispos portugueses escrevem uma nota pastoral sobre a quest\u00e3o do ensino particular, datada de 15 de junho de 1964.<\/p>\n<p>No documento, os prelados referem que acolheram com \u201calegria e confian\u00e7a\u201d as palavras do ministro da educa\u00e7\u00e3o nacional sobre o planeamento de todo o ensino. Neste planeamento, o ensino chamado particular, no qual est\u00e1 inclu\u00eddo o ensino da Igreja, \u201cn\u00e3o pode deixar de ter o lugar que lhe reconhece a Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do pa\u00eds, e \u00e9 uma exig\u00eancia da doutrina crist\u00e3 e da consci\u00eancia do mundo livre\u201d (In: Boletim de Informa\u00e7\u00e3o Pastoral &#8211; Ano VI \u2013 1964 &#8211; Maio-Junho \u2013 N\u00ba 31, p\u00e1gina 35). As palavras que sa\u00edram do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, \u201ccom t\u00e3o grande autoridade e sentido t\u00e3o elevado dos fundamentos humanos e crist\u00e3os de toda a reforma escolar, enchem de esperan\u00e7a o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Papa Pio XI, na enc\u00edclica \u00abDivini Illius Magistri\u00bb, proclamara que \u00e9 \u201cinjusto e il\u00edcito todo o monop\u00f3lio educativo e escolar\u201d. Pelo contr\u00e1rio, todas as na\u00e7\u00f5es dominadas pelo materialismo como doutrina oficial, as quais ignoram a primazia da pessoa humana, \u201cmant\u00eam e defendem o totalitarismo escolar, atribuindo s\u00f3 ao Estado toda a miss\u00e3o educativa\u201d, l\u00ea-se no documento dos bispos.<\/p>\n<p>A nota dos prelados portugueses real\u00e7a tamb\u00e9m que \u00e9 \u201cfor\u00e7oso reconhecer\u201d que o regime escolar que vigorava na altura ainda estava \u201clonge de dar cabal cumprimento aos princ\u00edpios constitucionais\u201d. E acrescenta: \u201cA liberdade de ensino, sob alguns aspectos, \u00e9 mais te\u00f3rica do que real\u201d.<\/p>\n<p>Ainda neste contexto, os bispos portugueses lamentam que s\u00f3 \u201cas classes mais abastadas poder\u00e3o escolher o estabelecimento que mais garantias lhes oferece de uma educa\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 \u00e0 medida dos seus desejos\u201d.O documento sublinha que s\u00f3 poder\u00e1 haver liberdade concreta quando \u201cos pais puderem escolher, entre as escolas oficiais e as particulares, com igualdade de encargos e de vantagens\u201d.<\/p>\n<p>A igreja sentia-se chocada com a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cs\u00f3 cuidar dos filhos dos ricos\u201d. Perante tal lacuna lingu\u00edstica, os bispos exemplificam: \u201cIsto \u00e9 falso, basta contar as escolas, asilos, patronatos que ela sustenta, tendo que se tornar mendicante, s\u00f3 para os filhos dos pobres\u201d. A igreja julga \u201cque n\u00e3o reclama um privil\u00e9gio, mas sim um direito reconhecido pela Constitui\u00e7\u00e3o e confirmado pela Concordata\u201d. Com isto s\u00f3 pode \u201clucrar o progresso, a inven\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o do ensino\u201d.<\/p>\n<p>Neste ambiente conciliar, a Igreja pretendia \u201cevangelizar os pobres\u201d e poder levar o seu ensino, diocesano e religioso, a todos sem exclus\u00e3o. \u201cSem menosprezo dos outros estabelecimentos de ensino, oficial e particular, ela tem consci\u00eancia das suas responsabilidades para criar climas crist\u00e3os de educa\u00e7\u00e3o integral\u201d. Em assunto t\u00e3o essencial \u201cpara a edifica\u00e7\u00e3o do Portugal de amanh\u00e3 \u2013 que desejamos sempre mais fraterno, mais pr\u00f3spero, mais crist\u00e3o \u2013 julgamos que n\u00e3o nos seria licito ficar silenciosos\u201d.<\/p>\n<p>Apesar destes desejos, os bispos portugueses reconhecem as \u201cdificuldades a vencer contra o peso de uma tradi\u00e7\u00e3o secular, para a defini\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de uma nova pol\u00edtica escolar\u201d. Em causa est\u00e1 a \u201cforma\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o da juventude\u201d.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em plena realiza\u00e7\u00e3o do II Concilio do Vaticano (1962-1965), os bispos portugueses escrevem uma nota pastoral sobre a quest\u00e3o do ensino particular, datada de 15 de junho de 1964. 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