{"id":83737,"date":"2017-09-13T23:00:00","date_gmt":"2017-09-13T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/09\/13\/homilia-na-missa-exequial-de-d-antonio-francisco-dos-santos-bispo-do-porto\/"},"modified":"2017-09-13T23:00:00","modified_gmt":"2017-09-13T23:00:00","slug":"homilia-na-missa-exequial-de-d-antonio-francisco-dos-santos-bispo-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-missa-exequial-de-d-antonio-francisco-dos-santos-bispo-do-porto\/","title":{"rendered":"Homilia na Missa exequial de D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo do Porto"},"content":{"rendered":"<p> \t<u>No cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, o nosso Bom Pastor<\/u><br \/> \t<em>Homilia na Missa exequial de D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, Bispo do Porto<\/em><\/p>\n<p> \tIrm&atilde;os car&iacute;ssimos<\/p>\n<p> \tSurpreendido ainda pelo s&uacute;bito falecimento do Senhor D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, Bispo do Porto, nosso irm&atilde;o e amigo, correspondo &agrave; indica&ccedil;&atilde;o que me foi feita para presidir a esta Santa Missa Exequial.<\/p>\n<p> \tCom simplicidade e emo&ccedil;&atilde;o o fa&ccedil;o. Longos anos de amizade, a coincid&ecirc;ncia de idade e de percurso eclesial, tudo me aproximou do Senhor D. Ant&oacute;nio Francisco, em muitos encontros institucionais e pessoais, projetos e desafios das nossas miss&otilde;es e tarefas. Sempre nele encontrei disponibilidade e compet&ecirc;ncia, al&eacute;m da muita estima rec&iacute;proca.<\/p>\n<p> \tNum momento como este, s&atilde;o muitas as palavras poss&iacute;veis, como ali&aacute;s t&ecirc;m sido proferidas por grande n&uacute;mero de pessoas da Igreja e da sociedade, n&atilde;o faltando o depoimento de altas figuras da vida nacional e local. Todas aliam sentimentos de admira&ccedil;&atilde;o e j&aacute; saudade pela grande figura pessoal, eclesial e social que entre n&oacute;s viveu e verdadeiramente conviveu, pois grande e marcante era a sua capacidade de estar com os outros e, ainda mais, de estar para os outros.<\/p>\n<p> \tAssim sendo, continuar&aacute; connosco pelo que de si mesmo nos ofereceu e passou a integrar tamb&eacute;m. Se, em boa parte, somos o que os outros nos fazem ser, grande vantagem foi &ndash; e motivo de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as agora &ndash; termos podido disfrutar da presen&ccedil;a, da palavra, da grande generosidade do Senhor D. Ant&oacute;nio Francisco. Os homens bons s&atilde;o a garantia do mundo, os bons pastores s&atilde;o a gl&oacute;ria da Igreja.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p> \tN&atilde;o precisei de procurar muito a alus&atilde;o b&iacute;blica que melhor o identificasse, como pessoa, como crist&atilde;o e como bispo. Logo se imp&ocirc;s a que o pr&oacute;prio Cristo escolheu para si, ao apresentar-se como Pastor &ndash; o Bom Pastor das ovelhas que somos.<\/p>\n<p> \tLembramos o passo evang&eacute;lico, como acab&aacute;mos de ouvir. No cap&iacute;tulo d&eacute;cimo do Evangelho de Jo&atilde;o, o Bom Pastor distingue-se pelo conhecimento que tem das ovelhas &#8211; de cada um dos seus, nome a nome, assim mesmo os conduzindo e defendendo. Jesus diz tamb&eacute;m, e sobretudo, que n&atilde;o apenas as conduz mas d&aacute; a pr&oacute;pria vida pelas ovelhas.<\/p>\n<p> \t&Eacute; esta a novidade, pois n&atilde;o tinham faltado nos profetas e nos salmos preciosas refer&ecirc;ncias a Deus como Pastor do seu povo. Mesmo os antigos reis e outros respons&aacute;veis o podiam e deviam ter sido, de algum modo. A imagem n&atilde;o era totalmente nova, mas a novidade estava ainda por cumprir de modo definitivo e sens&iacute;vel.<\/p>\n<p> \tTamb&eacute;m n&oacute;s o esperamos de quem tenha responsabilidades na cidade dos homens e na Igreja dos crentes. Tocados como fomos e permanecemos pela tradi&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica, h&aacute; imagens de Cristo que se tornaram profundamente culturais, no sentido mais preenchido do termo. Creio mesmo ser essa a realidade que ainda nos pode definir coletivamente &ndash; e cheia de futuro, ali&aacute;s.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o &eacute; por acaso que, quando queremos significar a verdadeira ajuda, o servi&ccedil;o dos outros, usamos &ndash; mais ou menos conscientemente &ndash; os termos t&atilde;o evang&eacute;licos de &ldquo;bom samaritano&rdquo; ou de verdadeiramente &ldquo;pr&oacute;ximo&rdquo;. N&atilde;o &eacute; por acaso que, quando se acolhe benevolamente quem regressa, falamos do &ldquo;filho pr&oacute;digo&rdquo; e sobretudo do pai que o recebe. N&atilde;o &eacute; por acaso que se classificam as grandes dedica&ccedil;&otilde;es profissionais ou c&iacute;vicas como &ldquo;sacerd&oacute;cio&rdquo;, no sentido novo que o Cristianismo lhe deu.<\/p>\n<p> \tMas de todas as imagens que Jesus toma para o Pai ou para si sobressai como particularmente impressiva a do &ldquo;Bom Pastor&rdquo;. Numa sociedade agr&aacute;ria e pastoril, como ainda era a sua e fora por tantos s&eacute;culos a dos seus, a imagem evocava imediatamente o cuidado por todos e cada um, a aten&ccedil;&atilde;o especial aos mais fracos, o aconchego duma presen&ccedil;a certa. Por isso se imp&ocirc;s nas primeiras comunidades e na antiga iconografia crist&atilde;. Como se continua a impor na nossa medita&ccedil;&atilde;o e ora&ccedil;&atilde;o. Cristo &eacute; o rosto definitivo e pr&oacute;ximo de Deus, como nosso Pastor, como Pastor de todos.<\/p>\n<p> \tE no entanto, car&iacute;ssimos irm&atilde;os, creio que a alus&atilde;o nunca seria t&atilde;o forte e distintiva se n&atilde;o tivesse encontrado pleno e quase excessivo cumprimento na pessoa de Cristo, que n&atilde;o apenas guardou as suas ovelhas mas por elas deu a pr&oacute;pria vida. Esta nova maneira de ser pastor, esta absoluta maneira de ser connosco, de ser por n&oacute;s e para n&oacute;s, &eacute; que d&aacute; ao passo evang&eacute;lico a for&ccedil;a e a sugest&atilde;o que t&atilde;o salutarmente mant&eacute;m.<\/p>\n<p> \tDigamos ainda que, assim como Jesus Cristo deu &agrave; imagem do Bom Pastor a realidade mais concreta e convincente, assim a sua presen&ccedil;a ressuscitada encontra o sinal e o sacramento em quem, pela participa&ccedil;&atilde;o no seu Esp&iacute;rito, lhe d&ecirc; agora o rosto e o gesto.<\/p>\n<p> \t&Eacute; precisamente neste ponto que &ndash; sem extrapola&ccedil;&otilde;es nem lugares comuns &ndash; podemos e devemos reencontrar a figura do Senhor D. Ant&oacute;nio Francisco, com toda a justi&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao que foi entre n&oacute;s e muita a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as a Deus que no-lo deu como sacramento de Cristo Pastor &ndash; em Lamego, em Braga, em Aveiro, no Porto e em todos os lugares que a sua vida visitou.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p> \tSer bispo, nas atuais circunst&acirc;ncias, &eacute; um trabalho complexo e quase inabarc&aacute;vel para quem o exerce. N&atilde;o se est&aacute; acima de nada nem de ningu&eacute;m, muito pelo contr&aacute;rio, mas sim no centro de tudo ou quase tudo, no que &agrave; igreja se refere e mesmo al&eacute;m da vida da Igreja. A press&atilde;o &eacute; grande, inclusive a medi&aacute;tica, e as estruturas interm&eacute;dias quase se desfazem, pois sempre se espera que quem est&aacute; no centro responda imediatamente seja ao que for, por mais inesperado ou casual que possa ser.<\/p>\n<p> \tA mentalidade &eacute; de contraste, o dia-a-dia atropela-se e a solicita&ccedil;&atilde;o &eacute; forte ou latente. Por outro lado, tratando-se de acompanhar e conjugar a vida eclesial, a avalia&ccedil;&atilde;o e a decis&atilde;o requerem especial cuidado. S&atilde;o sempre realidades an&iacute;micas, trata-se afinal de pessoas.<\/p>\n<p> \tD. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos foi um grande pastor da Igreja. No sentido plenamente crist&atilde;o de quem d&aacute; a vida pelas ovelhas. Assim a deu generosamente, quase sem descanso e nas circunst&acirc;ncias que esbocei.<\/p>\n<p> \tLembro-me de quando veio falar comigo, hesitante em aceitar o cargo. Estava feliz e realizado em Aveiro e tinha receio de n&atilde;o ser capaz. Foi capaz e capac&iacute;ssimo, precisamente no essencial, de ser um pastor pr&oacute;ximo e amigo de todos e cada um dos seus. N&atilde;o lhe faltaram dificuldades, mas nenhuma lhe endureceu o esp&iacute;rito nem o trato. S&aacute;bio e bondoso, assim permaneceu e assim nos fica, como mem&oacute;ria e como est&iacute;mulo.<\/p>\n<p> \tFisicamente, o cora&ccedil;&atilde;o pode parar. Espiritualmente, isto &eacute;, realmente, continua connosco no cora&ccedil;&atilde;o de Deus. No cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, o nosso Bom Pastor.<\/p>\n<p> \tMuito obrigado, car&iacute;ssimo irm&atilde;o e amigo!<\/p>\n<p> \tS&eacute; do Porto, 13 de setembro de 2017<\/p>\n<p> \t+ Manuel Clemente&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, o nosso Bom Pastor Homilia na Missa exequial de D. 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